quinta-feira, abril 26, 2012

Morre, aos 66 anos, o sambista "bem-humorado" Dicró


26/04/2012 - 09h13 - Atualizado em: 26/04/2012 - 11h32

Em São Paulo

Morreu, aos 66 anos, no final da noite de ontem, 25, em Magé, na Região Metropolitana do Rio, o sambista Carlos Roberto de Oliveira, o Dicró, que ganhou notoriedade com letras bem-humoradas e de duplo sentido.
Lutando contra os efeitos da diabetes, o cantor e compositor passou mal em casa, no bairro de Mauá, por volta das 22h, após retornar do hospital onde havia realizado uma sessão de hemodiálise. Segundo parentes, Dicró, antes de sofrer o enfarte, reclamou de dores na cabeça. Encaminhado para o Hospital Central de Magé, o sambista não resistiu e morreu.
O enterro de Carlos Roberto de Oliveira está marcado para as 17h de hoje no Cemitério Jardim da Saudade, na zona oeste do Rio. O velório deve iniciar nesta manhã no mesmo local.
Músicos, atores e humoristas comentaram a morte do sambista. "Ele era um cara muito espirituoso, bacana de estar junto. É uma grande perda para o mundo do samba", disse o sambista Dudu Nobre ao UOL. "Dicró, eterno sindico do piscinão de ramos", escreveu o rapper MV Bill em seu Twitter, complementando que gostaria que a notícia da morte do músico fosse somente um boato. Tom Cavalcanti lembrou a música "Bingo da Sogra", sucesso de Dicró. "Vou fazer um Bingo la na casa da Vovo.Vai com Deus meu amigo Dicro", publicou o humorista.
O rapper Emicida escreveu, também no Twitter, que ficou com os olhos cheios de lágrimas quando soube da morte de Dicró. "As duas gerações que vieram antes da minha, foram abençoados com a oportunidade única de ver surgir tantos artistas únicos, mágicos. Talvez a maior tristeza da minha geração, seja ver tantos desses ícones partirem. Não que não tenhamos bons artistas hoje. Mas um vazio, uma saudade, é sempre uma saudade. E Dicró é dos caras que vão deixar muita saudade. Que a terra lhe seja leve malandro", escreveu.

Famosos comentam pelo Twitter morte de Dicró

As lembranças que tenho do Dicró são as melhores. Acompanhei o Dicró durante um ano. Ele era um cara muito espirituoso, bacana de estar junto. É uma grande perda para o mundo do samba. Ele tinha um estilo cômico de fazer samba, levava tudo para o lado do humor. Gostava muito dele. Estou indo para São Paulo, então infelizmente não poderei ir ao enterro, mas meu coração vai estar lá com ele.
Dudu Nobre, sambista
Mas um vazio, uma saudade, é sempre uma saudade. E Dicró é dos caras que vão deixar muita saudade... Que a terra lhe seja leve malandro...
Emicida, rapper
Dicró eterno sindico do piscinão de ramos
MV Bill, rapper
Vou fazer um Bingo la na casa da Vovo.Vai com Deus meu amigo Dicro
Tom Cavalcanti, humorista
Gente, li aqui que Dicró foi pro andar de cima?! Descanse em Paz, guerreiro do samba!
Daniel Del Sarto, ator
Morre o mestre Dicró! Que Deus o tenha
Rodrigo Scarpa, o repórter Vesgo, do "Pânico"
Morreu um dos caras mais engraçados que eu já vi...Dicró...o malandro era uma lenda viva!
Fabio Rabin, humorista
Vida e obra de Dicró
Vascaíno, Dicró nasceu na cidade de Mesquita, também na Região Metropolitana do Rio, em 14 de fevereiro de 1946, e se especializou em sambas satíricos, cujas letras davam ênfase ao dia a dia do subúrbio e da Baixada Fluminense. O nome Dicró teria vindo das iniciais do seu nome, CRO, registrado nas letras de samba, e que, com a pronúncia e erros tipográficos, passou de "De CRO" para "Di CRO".
O sambista teve vários empregos, como pintor, vendedor de jornais e de pintinhos antes de começar a compor sambas com letras de humor escrachado na década de 70. Na década de 1990, formou parceria com os sambistas Moreira da Silva e Bezerra da Silva, encontro que resultou no álbum 'Os 3 malandros in concert'.

Frequentador da praia de Ramos, suas músicas retratam de forma satírica o cotidiano dos subúrbios, principalmente a Baixada Fluminense. É autor dos álbuns "Barra Pesada" (1978), "Funeral do Ricardão" (1984), "O Bingo da Sogra" (1984) e "Dicró no Piscinão" (2002).
Em 2010, o sambista participou do quadro "Verão Bacana", no Fantástico, em que atuou como uma espécie de "repórter por um dia" em eventos bacanas pelo Brasil. Dicró fez matéria com os ricaços de Santa Catarina, mostrou seus conhecimentos de moda na SPFW, passeou por Búzios e foi até a um cruzeiro na Bahia.
(Com informações da Agência Estado)

quarta-feira, abril 25, 2012

TERRA DE NINGUÉM


Trabalho com jornalistas há quase 10 anos. Na redação de O Estado, pais e mães de família se dedicam a passar ao leitor da manhã seguinte a sua versão da verdade, sem destoar da linha editorial do veículo ao qual pertencem.
            Hoje, esses pais e mães de família estão tristes, furiosos, perplexos. Porque de repente descobriram-se morando em uma terra de ninguém. Em uma São Luís muito diferente dos cartões-postais. Uma cidade quatrocentona, marcada pela poesia, pelas ladeiras e ruas coloniais, pela azulejaria maravilhosa – e agora pela pistolagem. Pelos crimes encomendados. E a partir de agora pelo receio que um profissional de imprensa antes destemido certamente terá de divulgar em seus respectivos blogs alguma notícia que porventura pisará no calo de algum descontente.
            Daqui a pouco, os bons repórteres não terão alternativa além de bater em retirada. Buscar outras praias, outras freguesias com origem no século XVII. Mas fugir daqui da Ilha – ou mesmo se esconder entre as palmeiras onde os sabiás não encontram motivos para o canto – é dar o braço a torcer. É reconhecer a vitória daqueles que desejam controlar o mundo pela violência, pelo terror. O certo seria enfrentar os tiranos valendo-se da estranha potência das palavras. O correto seria colocar a audácia no topo da lista de prioridades e bater de frente com os monstros, com os crápulas da vida real denunciando sua brutalidades, seus crimes indizíveis e inenarráveis. O problema é: há que se pensar em quem vai cuidar das crianças se por acaso a audácia for castigada com uma execução perpetrada por pistoleiros pagos pela versão atual do coronelismo.
            Leio no blog do Marco Aurélio D’Eça: o Brasil perdeu 41 posições no ranking de liberdade de imprensa 2011-2012. O país ocupa agora a 99ª colocação. Ano passado, cinco operários da informação foram brutal e covardemente assassinados – um em Pernambuco, outro no Rio Grande do Norte, um no Amazonas e dois no Rio de Janeiro.
            E no dia 23 de abril deste ano, o jornalista e blogueiro Décio Sá entrou para essa triste estatística. Morreu porque precisava calar a boca. Porque seu trabalho de expor as realidades inconvenientes alheias não podia prosseguir. Porque tinha o costume de, como seu ótimo trabalho investigativo, expor os podres dos “poderosos” deste estado. Como Tim Lopes, não recuou. Foi em frente. Com a cara e a coragem, uma postura nada interessante para quem se acostumou a proteger a ferro e fogo seus segredos sórdidos e interesses tenebrosos.
            Em outro ranking a que tive acesso ainda há pouco na internet, o Brasil já está em uma posição melhor. É o 11° país do mundo em que os assassinatos de jornalistas ficam impunes. Nos últimos 10 anos, cinco mortes simplesmente não tiveram solução. Ninguém foi preso ou julgado. Logo, nenhum mandante foi parar atrás das grades por ter financiado a morte de alguém que apenas trabalhava para manter a sociedade informada a respeito dos mandos e desmandos que, mesmo na aurora do segundo milênio, não param de acontecer.
            Ouço também afirmações segundo as quais Décio “tentou mudar a história do Maranhão batendo de frente com os coronéis”. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O compromisso de Décio Sá era para com sua esposa, Silvana, sua filha de oito e mais a criança que ambos aguardavam. Pode soar como complexo de vira-lata, mas entendo que fazer história, para um jornalista maranhense, não tarefa das mais fáceis. Nem se pode dizer que Décio estivesse interessado em cumpri-la.
            O que ele queria mesmo era fazer a diferença, nesta terra de ninguém. E isso o “Detonador” conseguiu. Com distinção e louvor.

terça-feira, abril 24, 2012

"Playboy" diz que não quer panicat careca na capa

24/04/2012 - 17h43

KEILA JIMENEZCOLUNISTA DA FOLHA

A turma do "Pânico" (Band) bem que tentou, mas a revista "Playboy" não quer a panicat careca. Não agora.
Tatiane Moreno/Divulgação band.com.br

Apesar de toda a repercussão que a panicat Babi causou ao ter o seu lindo cabelo raspado no ar, no último domingo (22), no "Pânico", ela não ganhou um precioso contrato com a revista masculina.
Procurada, a direção da "Playboy" disse à Folha que não partiu deles o convite. Contou que foi o próprio "Pânico" que ofereceu a panicat de novo visual para estampar a capa da revista. O contato foi um dia depois do programa ir ao ar. Babi já posou para a publicação, com cabelo, no ano passado.
A campanha dos fãs na internet é grande para que ela apareça sem cabelo e sem roupa.
Apesar de achar a ideia interessante, a "Playboy" disse que não tem espaço para a moça nas próximas edições, pois já está com as capas de junho e julho fechadas com outras pessoas.

domingo, abril 22, 2012

Na falta de água potável, 150 países passam a usufruir dos mares

Martine Valo

DO LE MONDE

O governo iraniano anunciou no início desta semana a construção de uma usina de dessalinização destinada a abastecer a cidade de Semnan – 200 mil habitantes – situada à beira do deserto, no nordeste do país. A água será retirada do Mar Cáspio e transportada, depois de ser tratada, por uma tubulação de 150 quilômetros de comprimento que deverá atravessar a cordilheira de Alborz. O custo desse projeto está estimado em US$ 1 bilhão (R$ 1,88 bilhão).
Beber do mar: na falta de água doce, há cada vez mais países – 150, até o momento – recorrendo a essa solução. Não seria de fato a resposta do futuro, uma vez que há cada vez mais secas, que a população tem aumentado e que as tecnologias nesse domínio avançaram muito nos últimos vinte anos? "Não é a panaceia, mas é um procedimento útil em caso de escassez", diz com um sorriso Miguel Angel San, diretor de desenvolvimento e de inovação da Degrémont, filial da Suez Environnement.
No 6º Fórum Mundial da Água, realizado em Marselha no mês de março, todos os industriais do setor, fossem de Cingapura, de Israel ou do Japão, exibiam o mesmo ar de satisfação. Todos atestavam uma atividade em ascensão, ou até de um crescimento exponencial.
Atualmente, 66,5 milhões de metros cúbicos de água doce são produzidos em média no mundo a cada dia a partir de água do mar ou salobra, 8,8% a mais que em 2010. Os profissionais da Associação Internacional de Dessalinização (IDA) e da Global Water Intelligence registraram quase 16 mil usinas de dessalinização no mundo em 2011, 5% a mais que em 2010.
Diante das mudanças climáticas, do aumento do consumo por pessoa, do recrudescimento da poluição... tratar a água do mar torna-se uma opção plausível. Ainda mais pelo fato de que certos governos veem ali outra vantagem estratégica: garantir a independência de seus abastecimentos em relação a vizinhos com quem nem sempre eles se dão muito bem, protegendo-se assim de possíveis conflitos.
Então o que poderia conter a ascensão dessa atividade em plena ascensão? "A dessalinização tem dois problemas: o contexto econômico – a crise interrompeu diversos projetos em 2009-2010, que vêm sendo retomados desde então – e a aceitabilidade ambiental", responde Jean-Michel Herrewyn, diretor-geral da Véolia Eau. "É uma indústria que consome muita energia e que tem um impacto sobre a vida marinha. Até então o setor havia concentrado mais seus esforços no primeiro aspecto".
A Véolia é uma das gigantes do setor, com 800 usinas no mundo que produzem 9 milhões de metros cúbicos por dia. A Degrémont é outra; a filial da Suez construiu mais de 250 instalações dotadas de uma capacidade total de 2,7 milhões de metros cúbicos por dia, o suficiente para fornecer água a 10 milhões de habitantes.
"A energia representa mais da metade do custo da dessalinização", resume Miguel Angel San. "Mas os procedimentos mudam muito rapidamente. Incluindo o pré-tratamento e o bombeamento, nosso consumo é de 3,4 kWh por metro cúbico com a tecnologia da osmose inversa, ou seja, 10% a menos que três ou quatro anos atrás."
Os profissionais da IDA estabeleceram para si como meta reduzir 20% de suas necessidades energéticas, o que pode permitir diminuir as emissões de gases de efeito estufa, mas que atende, sobretudo, a uma exigência econômica.
Não é um acaso que a dessalinização industrial tenha se desenvolvido primeiramente nos países do Golfo, ricos em petróleo e em gás. São eles que, em sua maior parte, continuam a explorar as técnicas de destilação por evaporação e condensação: essas instalações consomem tanta energia que geralmente vêm acompanhadas de uma usina térmica.
O princípio, antigo, permite que se obtenha uma salinidade inferior a 10 miligramas por litro (uma água de superfície contém em média pelo menos o dobro disso). Além disso, a técnica da osmose inversa conquistou em alguns anos 66% da atividade da dessalinização, pois ela consome menos energia. Esse procedimento permite conter sob o efeito da pressão mais de 99,9% dos sais dissolvidos na água graças a um filtro membranoso. A água obtida dessa maneira deve então ser remineralizada antes de ser distribuída.
Para atender às exigências da Austrália, a quem ela já forneceu cinco usinas, a empresa Degrémont instalou um parque eólico ao lado da de Melbourne, a segunda maior instalação no mundo de osmose inversa segundo Miguel Angel San, com 450 mil metros cúbicos por dia.
Mas, por enquanto, não é possível do ponto de vista técnico fazer essas chaleiras gigantes funcionarem através de energias renováveis.
O custo da dessalinização, que é alto demais, torna-a inacessível aos países em desenvolvimento que mais precisariam dela. Seu impacto também é pesado no plano ambiental. Mesmo com um trabalho de resfriamento, a água permanece a uma temperatura vários graus acima da temperatura do mar no qual ela é lançada. Ela também é mais salgada e contém diversos resíduos químicos. Além disso, essa indústria não agrada aos defensores do meio ambiente que preferem recomendar o fim do desperdício, um uso racional e uma melhor distribuição de água.
"Sempre pensei que a minimização do impacto sobre o meio marinho condicionaria o desenvolvimento da dessalinização", garante Jean-Michel Herrewyn. "São os movimentos ambientalistas que hoje freiam diversos projetos na Califórnia e na Flórida. Nós continuamos trabalhando no tratamento de resíduos. Mas o descarte zero por enquanto é uma ilusão, ou então seria preciso dobrar o preço de custo ..."
Mas para ele o futuro está mais no avanço do tratamento das águas residuais do que na dessalinização: "Um setor duas ou três vezes mais dinâmico!"
Tradutor: Lana Lim


sábado, abril 21, 2012

Organizada evangélica prega contra a violência e tenta abençoar o Botafogo

21/04/2012 - 07h35

FOCO

ADRIANO WILKSON, DA FOLHA DE SÃO PAULO
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

Nas arquibancadas do Engenhão, uma torcida organizada se destaca das outras.
Suas bandeiras não trazem imagens de monstros ou animais ferozes e seus gritos não são de guerra. Seus membros não xingam o técnico, nem os jogadores. E se recusam a proferir um palavrão sequer.
Em suas bocas, nem a mãe do juiz é maltratada. Ao contrário, eles se dizem preocupados com o bem-estar e com a paz espiritual dos árbitros.
"Ei, juiz, vai se converter!", gritava no Engenhão um dos torcedores da Fogospel, a organizada evangélica do Botafogo. Era assim que ele demonstrava seu descontentamento com a arbitragem de Fabrício Neves Correa.
Era quarta-feira, e o Botafogo empatava com o Guarani pela Copa do Brasil. Quinze torcedores faziam ali uma extensão de suas igrejas.
Eles balançavam bandeiras e camisetas com imagens de cruzes e bíblias. Seu slogan é um versículo do evangelho de João: "Jesus te ama".
As canções que dirigem ao time têm o ritmo de hinos de louvores do pop gospel.
"Se eu pudesse reconstruir as músicas do Botafogo, faria tudo sem palavrão", afirma o pastor Hércules Martins, 41, fundador da torcida.
Em seguida, ele entoa uma versão light da canção que o Engenhão canta ao goleiro Jeferson, evangélico fervoroso.
A original traz um palavrão logo no primeiro verso.
Líder de uma pequena igreja em Olaria, o pastor reuniu seu rebanho botafoguense para apoiar o time e, de quebra, levar torcedores violentos ao caminho da paz.
Ele diz que financia a torcida por doações próprias e não com os dízimos à igreja.
Hércules, barba escanhoada, comanda antes de todos os jogos uma roda de oração sob a estátua de Mané Garrincha na entrada do Engenhão.
Com fervor típico das pregações evangélicas, ele pede proteção divina aos torcedores e ao time alvinegro. "Quero criar um ministério para amparar o Botafogo espiritualmente", diz o pastor. "Dar uma Bíblia para cada atleta"
Em tempos de violência entre as organizadas, a Fogospel transmite uma mensagem de paz a suas congêneres.
Nos intervalos dos jogos, distribui panfletos com testemunhos de fé e convida os torcedores a encontrar Jesus.
A organizada diz estar incentivando outros torcedores a criar facções evangélicas. O filho do pastor, por exemplo, se engajou na fundação da Gospel Fla, para o Flamengo.
A organizada do Botafogo se orgulha de apoiar o "Glorioso", apelido imortalizado pelo hino composto por Lamartine Babo. "Servimos ao Glorioso, Deus dos céus e da terra, e torcemos pelo Glorioso, time da Estrela Solitária."
A Fogospel prova que torcer pelo Botafogo é mesmo um ato de fé. O alvinegro levantou só dois títulos estaduais na última década. E, em breve, fará 15 anos seu último caneco de relevância nacional, o Rio-São Paulo de 1998.
"O Botafogo tem uns estigmas de azar, e os evangélicos acreditam muito nessas coisas", afirma o pastor. "Quem sabe não conseguimos quebrar isso, abençoar o time."
Quando o alvinegro pegar o Bangu hoje, às 18h30, pela semifinal da Taça Rio, a Fogospel promete estar em maior número. A direção diz ter 200 pessoas na torcida.
Mas se a equipe chegar à final, a torcida cristã quase não será vista no Engenhão.
Isso porque o jogo será no domingo, dia em que os fiéis se dedicam só ao Senhor.
Como estão no culto, eles não vão ao estádio. No máximo, nomeiam representantes que pedem autorização ao seu pastor para levar ao menos uma faixa ao Engenhão.
"Somos apaixonados pelo time, mas amamos a Deus", resume o pastor Hércules.

sexta-feira, abril 20, 2012

Em baixa em 2012, Vettel não decola após bicampeonato na F-1. Saiba por quê

20/04/2012 - 14h00
Do UOL, em São Paulo

Atual bicampeão mundial de Fórmula 1, Sebastian Vettel deixou o centro das atenções da categoria com um começo discreto na temporada 2012. Após bater uma série de marcas expressivas no ano passado – o alemão se tornou o mais jovem a levantar a taça duas vezes, além de ter conseguido 15 poles positions ao longo do campeonato, batendo o recorde anterior, que pertencia a Nigel Mansell – o piloto da Red Bull não tem conseguido exibir um bom desempenho neste ano.
Em 2012, a F-1, mais equilibrada, já teve três vencedores em três corridas – Jenson Button, Fernando Alonso e Nico Rosberg subiram ao lugar mais alto do pódio, enquanto Vettel, que conseguiu pontuar em somente duas provas, aparece apenas na quinta colocação no Mundial de Pilotos. Além do desempenho inferior ao dos últimos anos, confira abaixo os motivos que tiraram o alemão da Red Bull dos holofotes da Fórmula 1.

Trajetória de Sebastian Vettel

PERDA DA PACIÊNCIA - Sebastian Vettel foi apenas o 11º no GP da Malásia. Durante a prova, o alemão perdeu a cabeça com Narain Karthikeyan. Ao tentar ultrapassar o rival, então retardatário, os dois se tocaram e o piloto da Red Bull teve de ir para os boxes reparar os danos em seu bólido. Vettel mostrou o dedo do meio para o indiano durante a prova e, depois, ainda alfinetou o rival: “Como nas estradas normais, há idiotas dirigindo por aí”. Karthikeyan respondeu: “Não esperava que ele fosse um bebê chorão”.

RED BULL SEM DESEMPENHO - Em 2009, quando a Brawn GP surpreendeu a todos com o título, a Red Bull passou a andar entre as primeiras colocadas e colocou-se entre as grandes da F-1. O crescimento se consolidou nas temporadas seguintes, com o bicampeonato de Construtores e de Pilotos, com o próprio Sebastian Vettel. Neste ano, no entanto, com a proibição do difusor soprado no escapamento – ponto forte da escuderia no ano passado – a equipe ainda não venceu e está a 24 pontos da liderança.

RESSURGIMENTO DE MARK WEBBER - Desde 2009, quando virou companheiro de Mark Webber na Red Bull, Sebastian Vettel nunca terminou atrás do colega no Mundial. Nesta temporada, no entanto, o australiano é o quinto na classificação, com 36 pontos, oito a mais do que o alemão. Webber apresenta maior regularidade – foi o quarto colocado e pontuou em todas as provas, enquanto Vettel zerou na Malásia – e foi o último a vencer uma corrida com a escuderia – no GP do Brasil do ano passado. Por isso, a Red Bull deve optar pelo escapamento preferido pelo australiano.

LEWIS HAMILTON E MCLAREN NA LIDERANÇA - A McLaren é a única equipe com dois pilotos que já foram campeões: Lewis Hamilton, em 2008 pela equipe, e Jenson Button, em 2009 pela Brawn. No entanto, no Mundial de Construtores, a equipe vive um tabu: não levanta a taça desde 1998. Neste ano, porém, a escuderia dá mostras de que poderá reverter o quadro: já abriu 24 pontos de vantagem sobre a Red Bull, e Hamilton e Button ocupam as duas primeiras colocações no Mundial de Pilotos, atraindo o foco da mídia internacional.

OUTRO ALEMÃO EM DESTAQUE - Em 2011, Sebastian Vettel foi, por muito, o melhor alemão da F-1 – fez 392 pontos e ficou com o título, enquanto Nico Rosberg, o segundo piloto do país no ano, apareceu em sétimo, com 89. Nesta temporada, no entanto, o competidor da Mercedes tem 25 pontos, três a menos do que o compatriota, e está somente uma posição atrás do bicampeão. Além disso, Rosberg vem de vitória no GP da China, o que Vettel ainda não conseguiu esse ano. Por isso, as atenções da mídia alemã têm se dividido entre os dois.

quarta-feira, abril 18, 2012

Novo escândalo abala mais uma vez a imagem do Serviço Secreto norte-americano

The New York Times

Michael S. Schmidt e Eric LichtblauEm Washington

Para uma agência que há muito é conhecida como clube um "dos velhos amigos", o escândalo de prostituição envolvendo 11 membros do Serviço Secreto fez ressurgir uma imagem que a agência parecia ter superado.
O Serviço Secreto cultivava uma fama de austeridade e correção, de protetores do presidente -com agentes parecidos com Clint Eastwood, dispostos a morrerem por seu país- mas era arrastado por denúncias de comportamentos impróprios. Houve agentes advertidos ou processados por sexo com menores de idade, por direção embriagada, brigas de bar, uso de drogas e outros problemas fora do expediente que colocaram em questão sua aptidão profissional.
Na última década, porém, houve menos manchetes picantes sobre a agência, o que gerou uma sensação que sua cultura mudara, em parte por ter contratado mais funcionárias do sexo feminino. Hoje, o Serviço Secreto enfrenta um escândalo embaraçoso de acusação de delitos envolvendo prostituição em Cartagena, na Colômbia.
"Alguns dos agentes mais velhos diziam que, quando chegavam nos hotéis, logo perguntavam 'onde é o bar?' Hoje, eles dizem que os agentes chegam e perguntam 'onde é a sala de ginástica?'", disse Daniel Bongino, agente do Serviço Secreto de 1999 a 2011 e candidato republicano ao Senado pelo Estado de Maryland.
Ele acrescentou: "Esta é uma vergonha nacional para nosso governo e para o Serviço Secreto".
Na última segunda-feira (16), o deputado Darrell Issa, presidente republicano do comitê de fiscalização da Câmara deu prosseguimento às críticas à agência que começara no final de semana. Em entrevista ao programa "CBS This Morning", ele disse que era comum os agentes fazerem "festas de partida", ao final de uma viagem presidencial, mas que, neste caso, os agentes fizeram uma "festa de chegada".
Os 11 funcionários do Serviço Secreto envolvidos tiveram suas licenças revogadas até o final da investigação, segundo um porta-voz da agência.  "Ainda há uma investigação rigorosa em curso", disse Max Milien, porta-voz. "Isso os coloca, como declaramos, em licença administrativa, e eles não podem entrar nas instalações do Serviço Secreto".
Em um memorando aos funcionários do Serviço Secreto, o diretor, Mark J. Sullivan, disse que o episódio era "embaraçoso", mas que a agência tinha "agido de forma rápida e decisiva, imediatamente após o incidente ter vindo à tona", de acordo com uma cópia obtida pelo "New York Times".
"O Serviço Secreto dos Estados Unidos tem uma história longa e respeitada de observar níveis muitos altos de comportamento profissional ético", disse Sullivan. "A maioria esmagadora dos homens e mulheres do Serviço Secreto cumprem esses padrões a cada momento do dia. Tenho um orgulho extraordinário de vocês e por isso e fico honrado em servir em sua companhia. É por causa desse e de outros aspectos vitais de nossa agência que uma 'maioria esmagadora' não é suficiente".
Ronald Kessler, que escreveu um livro sobre o Serviço Secreto, disse que não pensava que o tipo de comportamento visto na Colômbia prevalecia na agência. Em vez disso, ele disse que refletia uma "atitude relaxada" em relação à disciplina que permitia que os agentes burlassem as regras sem sérias repercussões.
"Há uma atitude de aceno e aceitação" em relação a uma variedade de violações, disse ele, desde problemas na aptidão física dos agentes e capacidade de manuseio de armas de fogo até o fracasso do Serviço Secreto em impedir a entrada de penetras em um jantar de Estado em 2009 na Casa Branca.
Segundo Kessler, a chefia não apoiou os agentes que tentaram apontar os problemas de comportamento e disciplinares. "Que tipo de mensagem isso envia ao sujeito no portão da Casa Branca?", perguntou.
Parte do problema, segundo as autoridades, é que os membros do Serviço Secreto passam boa parte de seu tempo viajando em grupos grandes para lugares estrangeiros.
"Após a missão, as pessoas gostam de se divertir, e muitas vezes estão em lugares muito interessantes em torno do mundo, com muito tempo disponível", disse um ex-funcionário da Casa Branca que trabalhou em equipes avançadas do Serviço Secreto. A maior parte mantém a linha, disse ele, "mas há pessoas sem discernimento".
Por anos, membros do Serviço Secreto criaram problemas que a agência classificou como episódios isolados e rebateu as críticas como injustas e exageradas.
Funcionários da agência ficaram particularmente revoltados com um artigo investigativo de 2002, no "U.S. News and World Report". O artigo retratou uma agência em que as pessoas festejam muito, bebem pesado, têm laços sexuais pouco apropriados e onde outros problemas fora de Serviço eram comuns. Um agente teve relações sexuais e compartilhou metanfetamina com uma menina de 16 anos, enquanto outro agente do destacamento do presidente Bill Clinton teria tido um caso com uma prima do presidente.
Como no caso do jantar de Estado de 2009, os problemas algumas vezes respingaram para questões de proteção. Durante a estratégia de segurança da agência nas Olimpíadas de 2002 em Salt Lake City, um agente foi comprar lembranças em uma loja e esqueceu-se de um plano de segurança detalhado para o vice-presidente Dick Cheney e sua família, um episódio que envergonhou a agência quando se tornou público.
Na medida em que, nos últimos anos, as manchetes negativas se tornaram menos frequentes, o Serviço Secreto atacou a questão de diversidade e lutou para recrutar mais mulheres e membros de minorias.
O número de mulheres no Serviço Secreto "não era um número para se orgulhar, era algo que tínhamos que melhorar", disse W. Ralph Basham Jr., diretor do Serviço Secreto de 2003 a 2006.
Durante seu mandato como diretor da agência, disse Basham, as mulheres compunham entre 11 a 15% de seus funcionários. De acordo com a Comissão de Emprego e Oportunidade Igual, no ano fiscal de 2010 cerca de 25% dos funcionários do Serviço Secreto eram mulheres.
Basham, que hoje é diretor do Command Consulting Group, uma firma de consultoria, disse que a proporção de mulheres no Serviço Secreto não era muito diferente de outras agências policiais, mas que a quantidade de viagens no ramo pode ser vista como impedimento por certas mulheres.
"É muito difícil equilibrar a carga de trabalho e a vida familiar", disse ele. As consequências do episódio da Colômbia continuam a reverberar por Washington, enquanto os militares continuam a investigar o papel que vários membros do Serviço tiveram.
Em uma conferência com a imprensa do secretário de defesa Leon E. Panetta, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas General Martin E. Dempsey, disse que estava envergonhado que membros do Serviço tivessem associados ao escândalo.
"Decepcionamos o chefe, porque ninguém está falando sobre o que aconteceu na Colômbia além desse incidente", disse ele.

Tradutor: Deborah Weinberg