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segunda-feira, outubro 07, 2013

Dois americanos e um alemão ganham Nobel de Medicina

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/10/07/americanos-ganham-nobel-de-medicina-por-pesquisa-sobre-transporte-celular.htm

Do UOL, em São Paulo

  • Janerik Henriksson/Reuters
     James E. Rothman, Randy W. Schekman e Thomas C. Südhof ganharam o Prêmio Nobel de Medicina 2013 James E. Rothman, Randy W. Schekman e Thomas C. Südhof ganharam o Prêmio Nobel de Medicina 2013
Os cientistas James E. Rothman e Randy W. Schekman, dos Estados Unidos, e Thomas C. Südhof, da Alemanha, ganharam, conjuntamente, o Prêmio Nobel da Medicina 2013, anunciou nesta segunda-feira (7) a instituição.
Os três foram premiados por suas descobertas sobre o sistema de transporte no interior da célula, para que "as moléculas sejam transportadas ao local correto da célula no momento adequado", destacou o Comitê Nobel.
Suas descobertas tiveram um enorme impacto na compreensão da forma como a carga é entregue dentro e fora da célula e têm implicações nos trabalhos sobre diversas doenças, incluindo distúrbios neurológicos e problemas imunológicos, assim como o diabetes.

Ganhadores do Nobel de Medicina nos últimos 10 anos

2013 James E. Rothman (Estados Unidos), Randy W. Schekman (Estados Unidos) e Thomas C. Südhof (Alemanha)
2012 Shinya Yamanaka (Japão) e John B. Gurdon (Grã-Bretanha)
2011 Bruce Beutler (Estados Unidos), Jules Hoffmann (França), Ralph Steinman (Canadá)
2010 Robert Edwards (Grã-Bretanha)
2009 Elizabeth Blackburn (Austrália-Estados Unidos), Carol Greider e Jack Szostak (Estados Unidos)
2008 Harald zur Hausen (Alemanha), Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier (França)
2007 Mario Capecchi (Estados Unidos), Oliver Smithies (Estados Unidos) e Martin Evans (Grã-Bretanha)
2006 Andrew Z. Fire (Estados Unidos) e Craig C. Mello (Estados Unidos)
2005 Barry J. Marshall (Austrália) e J. Robin Warren (Austrália)
2004 Richard Axel (Estados Unidos) e Linda B. Buck (Estados Unidos)
Os três cientistas premiados com o Nobel "descobriram os princípios moleculares que regem a forma como esta carga é entregue no lugar correto da célula no momento adequado", explicou o júri.
James E. Rothman, nascido em 1950 em Massachusetts, trabalha no departamento de biologia da Universidade americana de Yale.
Seu colega Randy W. Schekman nasceu em 1948 em Minnesota e trabalha na Universidade americana de Berkeley, no departamento de biologia celular.
O cientista alemão Thomas C. Südhof nasceu em 1955 na cidade de Göttingen e trabalha na Universidade americana de Stanford.
Os ganhadores do prêmio recebem oito milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão), a mesma quantidade que no ano passado mas 20% menos que em 2011. Em 2012, os agraciados com o Nobel foram o britânico John B. Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka.

O prêmio foi anunciado às 10h30 locais (6h30 no horário de Brasília).
Ao longo desta semana serão anunciados os ganhadores do Nobel de Física (terça-feira), Química (quarta-feira), Literatura (quinta-feira) e da Paz (sexta-feira).
A edição deste ano dos prêmios se encerra na próxima segunda-feira (14), com o de Economia.
A entrega dos Nobel acontece, de acordo com a tradição, em duas cerimônias paralelas, em Oslo para o da Paz e em Estocolmo para os restantes, no dia 10 de dezembro, coincidindo com o aniversário da morte de Alfred Nobel. (Com AFP e Efe)
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Prêmio Nobel da Paz

2012 - União Europeia - Bloco político e econômico que reúne 27 países, a maioria da Europa, formado oficiamente em 1993, mas cujas origens remontam ao fim da Segunda Guerra Mundial Leia mais Shutterstock


domingo, fevereiro 10, 2013

POR QUE TEM GENTE QUE COME MUITO E NÃO ENGORDA?

Genes, hormônios e músculos são cúmplices desse ato de covardia


por Claudia Carmello


Atenção: este texto está recheado de informações que podem causar indigestão a quem luta contra a balança. Resumindo: ou você nasce "magro de ruim" ou, sinto muito, vai ter que malhar e fechar a boca para ficar com o peso ideal. 

São diferenças no metabolismo que fazem com que algumas pessoas queimem mais calorias do que a média para manter o corpo funcionando, ou depositem menos gordura no tecido adiposo. "Assim como os carros enchem o tanque com gasolina ou álcool e usam esses combustíveis para rodar, nós nos abastecemos com gordura e a armazenamos, tirando dela a nossa energia", explica o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. "Daí, existem os carrões com motores potentes e grandes consumidores de combustível (esses são os ‘magros de ruim’) e os carros com motor de 1 000 cilindradas (esses são as pessoas com dificuldade para perder quilos)", completa. 

O que fazer para ser um Land Rover e não um Uno Mille? Bem, a chance é grande de que você já nasça como um ou como outro. Estudos com gêmeos têm mostrado que a genética contribui com nosso peso corporal em 40 a 70%. Genes da obesidade têm sido identificados, o que mostra que alguns corpos já viriam programados para gastar mais fazendo as mesmas coisas. Seguindo na analogia, se seu corpo é um 4x4, você terá direito a comer mais - ou ser abastecido mais frequentemente.

E tem mais: os magros de ruim talvez sejam uma (invejada) minoria porque a seleção natural favoreceu o seu oposto, a eficiência energética. Com os grandes períodos de fome que a humanidade enfrentou, sobreviveram principalmente as pessoas poupadoras de reservas e as ávidas por comida. É isso: da próxima vez que encontrar algum magrinho mandando ver no brigadeiro, pare e pense: "Coitado, não guarda uma energia!" 
Máquina de emagrecer 
Conheça os fatores que favorecem os chamados "magros de ruim". 

SORTE NOS GENES
Alguns genes têm sido associados a acúmulo de gordura. O mais famoso é o FTO. Um estudo alemão recente, publicado na revista Nature, mostrou que ratos que não têm o FTO nunca ficam obesos. Mesmo comendo muito e se mexendo pouco, queimam muitas calorias. Como? Quem descobrir deve ficar muito rico.

METABOLISMO ACELERADO
Para viver, é preciso ingerir diariamente um número X de calorias. Essa é a taxa metabólica basal - a base necessária para respirar, raciocinar, manter os órgãos funcionando. Algumas pessoas nascem com essa taxa basal muito alta, o que permite botar muitas calorias pra dentro, pois elas já têm uso definido.

FOME SIM, GORDURA NÃO
Um estudo da Universidade da Califórnia mostrou que a serotonina, neurotransmissor que controla a fome e a deposição de gordura, faz as duas coisas por canais distintos. Acredita-se que alguns dos comilões que não engordam têm a sinalização da fome funcionando bem, e a da deposição de gordura com alguma falha.

DISCIPLINA
Muito "magro de ruim" por aí pode ser uma farsa. Há magrinhos que comem bastante nas refeições, mas nunca fora de hora. Já alguns com excesso de peso têm almoços e jantais frugais, mas sucumbem a ataques de fome repentinos e beliscam guloseimas entre as refeições. 

MÚSCULOS
Genética não é tudo. A quantidade de músculos do corpo também faz com que alguns tenham um gasto calórico maior do que outros - e, portanto, possam comer mais sem engordar. Para ter uma ideia, 1 quilo de músculo torra 80 calorias por dia simplesmente para existir, enquanto 1 quilo de gordura gasta só 5 calorias.

JUVENTUDE
Você conhece alguém em seus 50 ou 60 anos que coma muito e nunca engorde? Ou seus exemplos são sempre de jovenzinhos? Nossa massa magra diminui paulatinamente com o avançar da idade, e a quantidade de atividade física diária também costuma diminuir. Mais magros e sedentários, deveríamos comer muito menos pra manter o peso - difícil, né?

quarta-feira, novembro 28, 2012

Gene que pode combater um grande número de doenças

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=56309&op=all


ARIH2 actua como um interruptor
apagando e acendendo o sistema imunitário


2012-11-27
Marc Pellegrini, do Instituto de Investigação Médica Walter & Eliza Hall (Austrália)
Marc Pellegrini, do Instituto de Investigação Médica Walter & Eliza Hall (Austrália)
O gene ARIH2, que mantém vivos os embriões, controla o sistema imunitário e determina como este luta contra doenças crónicas como a hepatite ou o HIV e auto-imunes como a artrite reumatóide. Apesar dos especialistas só terem realizado estudos sobre o gene em ratinhos, esperam que este possa utilizar-se em terapias que combatam um grande número de doenças 'incuráveis'.
O principal autor do estudo publicado na«Nature Immunology», Marc Pellegrini, do Instituto de Investigação Médica Walter & Eliza Hall (Austrália), diz que o gene parece actuar como um interruptor, apagando e acendendo o sistema imunitário.
Se o gene está ligado, suprime a resposta imunitária; se estiver apagado reforça enormemente estas respostas. ARIH2 foi identificado por outro grupo de cientistas na mosca da fruta, mas conseguiu a atenção da equipa de Pellegrini pelos seus possíveis vínculos ao sistema imunitário.
No artigo agora publicado, os investigadores descrevem como os embriões dos ratinhos morreram quando o gene foi extraído.
O gene foi também extraído de ratos adultos. Estes sobreviveram bastante bem durante seis semanas. Depois, começaram a desenvolver respostas imunitárias que começaram a reagir contra o próprio corpo.
Os investigadores esperam agora que este gene seja estudo para uma utilização com finalidades medicinais, combatendo um grande número de doenças.
Para combater as doenças infecciosas, trava-se a acção do gene, para lutar contra as auto-imunes, carrega-se no acelerador para fazer o difícil trabalho de parar a resposta imunológica, explicam.



segunda-feira, setembro 24, 2012

Brasileiras acham amostra de substância que era alvo de alquimistas e filósofos


Pitada de alkahest estava junto a uma carta endereçada à entidade britânica Royal Society, datada de 1675; para pesquisadoras, achado é mais uma evidência da importância das ciências antigas


18 de setembro de 2012 | 12h 44


Agência Fapesp

Uma pitada de pó amarelado, e odor pungente, foi encontrada recentemente embalada num pequeno envelope colado em uma carta de 1675 endereçada ao primeiro-secretário da Royal Society, Henri Oldenburg (1515-1677), vinda da Antuérpia e enviada por um apotecário e alquimista chamado Augustin Boutens. Embora não chame a atenção, é uma valiosa e concreta amostra do alkahest, famigerado solvente universal, que foi alvo de buscas que movimentaram gerações de alquimistas e mesmo filósofos naturais como Robert Boyle e Isaac Newton.
Não é fácil abalar a fleuma britânica. Daí a sintomática reação de Keith Moore, diretor dos arquivos da Royal Society, ao ser questionado sobre a importância do achado das pesquisadoras Ana Maria Goldfarb e Márcia Ferraz, do Centro Simão Mathias da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Cesima PUC-SP). Com a sobrancelha levantada e cauteloso, Moore respondeu: “Estava debaixo de nossos narizes, mas em 350 anos ninguém encontrou”.
Após revelar, em 2010, num Projeto Temático apoiado pela  Fapesp, a única receita completa do alkahest (“A agenda secreta da química”, Pesquisa FAPESP n° 154), de 1661, a dupla encontrou agora, afirmam, “uma primeira amostra real de Luduscomposto, um alkahest, de que se tem notícia desde o século XVII”. O que é o pó?
Certamente, a Royal Society quer que a amostra seja analisada por um de seus fellows, provavelmente Martyn Poliakoff (ver entrevista na página 25), vice-presidente da instituição. “Apesar da curiosidade pessoal, como pesquisadoras em história da ciência, não pretendemos ir ao laboratório para procurar saber o que seria pelos moldes de hoje o tal pó”, fala Márcia.
“O que importa é a descoberta de mais uma evidência forte de que uma boa porção das ciências antigas, como a alquimia, persiste mesmo após o surgimento de uma nova visão de ciência (e até fizeram parte na formação desta), mantendo-se na agenda das figuras que supostamente promoveram a revolução científica que originou a química moderna. Há uma história pouco conhecida que conta que essa passagem foi mais suave e coerente e só se encerrou no século XIX”, afirma Ana.
Acima de tudo, confirma o credo das pesquisadoras que fazer a história da ciência é arregaçar as mangas e enfrentar a poeira secular dos documentos originais para dar vida a eles. Prova disso, para surpresa de Moore, é que o documento passou pelas mãos da historiadora Marie Boas, responsável, nos anos 1960, pela catalogação da correspondência de Oldenburg, por 15 anos o “faz-tudo” da Royal Society. Diante do pequeno envelope, Marie apenas anotou: “Amostra do que parece ser pirita, anexada ao texto”.
O texto completo da reportagem está na edição 198 da revista Pesquisa Fapesp, em: http://revistapesquisa.fapesp.br .

quarta-feira, julho 04, 2012

Físicos encontram provável 'partícula de Deus'

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

04/07/2012 - 05h45

Após anos de espera, imprevistos, problemas técnicos e muito suor, os físicos do LHC (Grande Colisor de Hádrons), maior acelerador de partículas do mundo, anunciaram a descoberta de uma nova partícula. E eles acreditam que seja o famoso bóson de Higgs.

Entenda o que Deus tem a ver com o bóson de Higgs
Brasil avança em acordo para fazer parte do Cern
Rafael Garcia escreve no blog sobre expectativa do anúncio

Caso isso seja confirmado, será o coroamento da teoria científica mais bem-sucedida de todos os tempos --o chamado Modelo Padrão, que explica como se comportam todos os componentes e forças existentes na natureza, salvo a gravidade (explicada pela relatividade geral).

Contudo, cabe atenção para a formulação cuidadosa das afirmações dos pesquisadores.

Em seu último relatório, no fim do ano passado, eles já sugeriam ter encontrado algo, mas não descartavam um alarme falso.

Agora, eles já cravam categoricamente a existência da nova partícula. Só não admitem com todas as letras que se trata da almejada "partícula de Deus".

"Apesar de os eventos [de colisões de partículas no acelerador] sugerirem que estejamos diante do bóson de Higgs, a confirmação de que se trata realmente da partícula predita requer mais medidas comparativas", afirma Sérgio Novaes, físico da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro da Colaboração CMS, um dos dois experimentos do LHC que servem de base para o anúncio.

Ossos do ofício, num esforço que envolve análise de dados de milhões de colisões de partículas para que, estatisticamente, seja possível chegar a alguma conclusão definitiva.

De toda forma, o novo achado dá toda pinta de que se trata mesmo do almejado bóson.

O anúncio da descoberta foi feito num evento realizado às 4h (de Brasília) desta quarta-feira, transmitido ao vivo pela internet da sede do Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), em Genebra, Suíça, para a abertura da 36ª Conferência Internacional em Física de Altas Energias, em Melbourne, Austrália.

Dirigindo-se aos cientistas reunidos no auditório, o diretor-geral do Cern, Rolf-Dieter Heuer, fez uma pergunta: "Como leigo, eu diria que eu acho que conseguimos. Vocês concordam?". Uma ovação respondeu que sim.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Cientista de destaque usa até Einstein para provocar rivais do Palmeiras no Twitter

30/11/2011 - 06h00
Bruno Freitas
Em São Paulo

O cientista Miguel Nicolelis é um dos brasileiros mais bem sucedidos fora do país hoje em dia, com trabalhos pioneiros em esforços de integração do cérebro humano com máquinas. No próximo domingo, no entanto, a cabeça do famoso professor da Universidade de Duke faz uma pausa nos raciocínios científicos para se dedicar à torcida contra o Corinthians na reta final do Campeonato Brasileiro.

Na condição de torcedor, Miguel Nicolelis se habituou recentemente a usar sua conta no Twitter para manifestar a paixão e fazer pequenas provocações aos adversários. No último domingo, enquanto o time de Felipão derrotava o São Paulo no Pacaembu, o cientista publicava comentários divertidos e interagia com seguidores.

Nas emoções da rodada levadas à rede social, Nicolelis chama o Corinthians de “coisa ruim”, denomina o maior ídolo são-paulino de “Rogério Cênico” e dispara tiradas como “Einstein vira na cova ao ver meia Corinthiano rasgar o continuum espaçotemporal e arrancar a canela do ponta do Figueirense!”.

Em sua página pessoal na Universidade de Duke, onde expõe resultados de seu grupo de pesquisas, Nicolelis mantém um escudo do Palmeiras, que dá acesso à página oficial do clube na internet. O cientista também conseguiu convencer os colegas nos EUA a adotarem o verde e branco nas cores do time do laboratório.

Palmeirense fanático, Nicolelis diz que espera que seu time do coração complique a festa do maior rival, mas afirma que, em caso de título corintiano, o Palmeiras poderia oferecer um gesto de grandeza, entregando as faixas de campeões aos adversários.

Na última semana, o diretor de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rosenberg, apimentou a expectativa para o clássico da última rodada do Brasileiro ao afirmar que desejaria ter os palmeirenses participando do cerimonial do campeão, com a entrega de faixas. A declaração irritou o lado alviverde e incitou debate acalorado dez dias antes do jogo do Pacaembu.

“Seria um ato civilizado, quantas vezes o Corinthians entregou a faixa para a gente. Temos oito títulos brasileiros, eles podem chegar ao quinto. Seria nobre entregar as faixas, uma atitude esportiva, se o Corinthians ganhar o título dentro das regras do jogo. Afinal, o que seria do Corinthians sem o Palmeiras, e vice-versa”, comenta Nicolelis, que diz ter como aposta o placar de 2 a 0 a favor dos homens de Felipão.

“O time pecou muito nesta temporada. É uma oportunidade de jogar pela dignidade de si mesmo, não de destruir a festa do Corinthians. Que joguem para respeitar a camisa e a torcida”, acrescenta o cientista.

CAMISA PALMEIRENSE ATÉ EM REUNIÃO DE CIENTISTAS

Paulistano de nascimento, Miguel Nicolelis atualmente divide os seus dias entre a cidade em que nasceu, os Estados Unidos, onde lidera um grupo de pesquisadores, e Natal, local em que instalou um projeto de pesquisa complementar a seu trabalho na Universidade de Duke. Quando passa em São Paulo, o cientista costuma vestir o verde para ver o Palmeiras em campo.

No entanto, há 23 anos passando a maior parte de seu tempo fora do país, Nicolelis se habituou a manifestar sua paixão palmeirense do jeito que é possível, mesmo que cause algum espanto entre colegas da ciência menos afeitos ao sentimento do futebol. Certa vez, o brasileiro discursou em um evento ligado à Fundação Nobel trajado com o que chama de “manto alviverde”.

“Foi uma palestra muito séria, em um resort na Suécia. Grandes cientistas do mundo estavam reunidos. Todo mundo com o seu melhor terno, o seu melhor sapato, e eu apareci vestido com a camisa do Palmeiras. Caiu num dia 26 de agosto, dia do tsunami verde, em que todo torcedor que se preze precisa vestir a camisa. Foi um choque para os meus colegas. Mas foi encarado com bom humor. Até porque, antes de cientistas somos seres humanos”, relata.

Nicolelis começou a construir sua relação com o Palmeiras aos sete anos, ao assistir a um jogo do time pela primeira vez no estádio, em um empate com o Grêmio em 1968 no Pacaembu.

Fora do país, o cientista fez o que pôde para não perder os laços alviverdes. Durante alguns anos, nos Estados Unidos, recebeu da mãe correspondências com capas dos cadernos de esportes da semana de jornais paulistas. Mais tarde, comprou um rádio comunicador de ondas curtas em que procurava transmissões de partidas do Verdão.

Para um palmeirense fanático além da fronteira, a chegada da internet significou uma autêntica revolução. Com a grande rede, Nicolelis experimentou o maior drama de sua trajetória de torcedor, ao acompanhar à distância a disputa por pênaltis com o Deportivo Cali na final da Libertadores de 1999.

“Foi uma agonia, uma das maiores da minha vida. Segui o jogo pelo acompanhamento do UOL. Era uma narração apenas em texto, com um delay (atraso) muito grande. Anunciaram que o jogador colombiano iria bater, depois demorou uns 5 ou 6 minutos até o próximo comentário, narrando que a bola tinha ido para fora”, recorda, sobre o pênalti decisivo daquela final.

CIENTISTA OFERECEU PROJETO EDUCACIONAL AO CLUBE

Em 2010, Nicolelis visitou o Palmeiras levando debaixo do braço um projeto educacional destinado às categorias de base do clube. O cientista conta que o então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo se entusiasmou com a ideia da Academia de Estudos, mas que a proposta não encontrou continuidade na gestão de Arnaldo Tirone.

“Ainda estou esperando a atual administração se manifestar”, diz Nicolelis. “O futebol tirou muito da sociedade brasileira e deu muito pouco em troca. Esse é um quadro que a gente precisava mudar”, emenda, sobre o conceito por trás de sua iniciativa de formação extracampo para jovens jogadores.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Descoberta que contradiz teoria de Einstein intriga cientistas

23/09/2011 - 07h38


Jason Palmer
Da BBC News

Cientistas estão intrigados pelos resultados obtidos por cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear (Cern, na sigla em inglês), em Genebra, que afirmaram ter descoberto partículas subatômicas capazes de viajar mais rápido do que a velocidade da luz.

Neutrinos enviados por via subterrânea das instalações de Cern para o de Gran Sasso, a 732 km de distância, pareceram chegar ao seu destino frações de segundo mais cedo que a teoria de um século de física faria supor.

As conclusões do experimento, que serão disponibilizadas na internet, serão cuidadosamente analisadas por outros cientistas.

Um dos pilares da física atual – tal e qual descrita por Albert Einstein em sua teoria da relatividade – é que a velocidade da luz é o limite a que um corpo pode viajar. Milhares de experimentos já foram realizados a fim de medi-la com mais e mais precisão.

Até então nunca havia sido possível encontrar uma partícula capaz de exceder a velocidade da luz.

"Tentamos encontrar todas as explicações possíveis para esse fenômeno. Queríamos encontrar erros – erros triviais, erros mais complicados, efeitos indesejados – e não encontramos", disse à BBC um dos autores do estudo, Antonio Ereditato, ressaltando a cautela do grupo em relação às próprias conclusões.

"Quando você não encontra nada, conclui, 'Bom, agora sou obrigado a disponibilizar e pedir à comunidade (científica internacional) que analise isto'."

Partículas aceleradas

Já se sabe que os neutrinos viajam a velocidades próximas da da luz. Essas partículas existem em diversas variedades, e experimentos recentes observaren que são capazes de mudar de um tipo para outro.

No projeto de Antonio Ereditato, Opera Collaboration, os cientistas preparam um único feixe de um tipo de neutrinos, de múon, e os envia do laboratório de Cern, em Genebra, na Suíça, para o de Gran Sasso, na Itália, para observar quantos se transformam em outro tipo de neutrino, de tau.

Ao longo dos experimentos, a equipe percebeu que as partículas chegavam ao seu destino final alguns bilionésimos de segundo abaixo do tempo que a luz levaria para percorrer a mesma distância.

A medição foi repetida 15 mil vezes, alcançando um nível de significância estatística que, nos círculos científicos, pode ser classificada como uma descoberta formal.

Entretanto, os cientistas entendem que erros sistemáticos, oriundos, por exemplo, das condições em que o experimento foi realizado ou da calibração dos instrumentos, poderia levar a uma falsa conclusão a respeito da superação da velocidade da luz.

"Meu sonho é que outro experimento independente chegue à mesma conclusão – nesse caso eu me sentiria aliviado", disse o cientista.

"Não estamos afirmando nada, pedimos a ajuda da comunidade para entender esses resultados malucos – porque eles são malucos. As consequências podem ser muito sérias."

quarta-feira, janeiro 19, 2011

“Venter criou a imprensa, mas eu escrevi o primeiro livro”, diz pai do primeiro gene sintético

Em entrevista a VEJA, o americano Michael Hecht explica a fabricação de genes em laboratório, saudada como o passo seguinte ao dado pelo conterrâneo Craig Venter, que no ano passado recriou sinteticamente o DNA de uma bactéria


O cientista americano Michael Hecht dá um suspiro satisfeito quando a reportagem pede que ele compare sua pesquisa, que resultou nos primeiros genes fabricados em laboratório, com a de Craig Venter, o criador da primeira bactéria sintética. “Fico feliz que tenha perguntado”, diz, antes de começar a explicação. “Podemos usar a criação da imprensa como analogia. O invento de Gutenberg foi um grande avanço tecnológico. Mas o primeiro livro a ser impresso foi a Bíblia. A impressão era algo inovador, mas a informação contida nela já circulava por séculos. Esse é o experimento de Venter: ele criou o método para reproduzir um DNA inteiro sinteticamente, mas o copiou de uma bactéria cujos genes já existiam. No nosso experimento, não estamos copiando a Bíblia, ou Shakespeare. Se cada forma de vida fosse um livro, estaríamos escrevendo frases e versos de um novo livro”.

Com essa metáfora, Hecht ilustra como ele e sua equipe da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, entendem sua mais recente descoberta. Tendo como base a imaginação, a equipe de Hecht escreveu trechos genéticos inteiramente novos e os inseriu em bactérias com sucesso, substituindo genes vitais. As bactérias do experimento não só sobreviveram, como formaram colônia e passaram a produzir proteínas não encontradas na natureza. A descoberta pode ser um passo decisivo em direção à vida artificial.

O primeiro – e provavelmente mais importante - desses passos foi dado no ano passado quando o geneticista Craig Venter balançou o mundo científico com um experimento inédito na biologia sintética. Venter havia codificado e recriado em laboratório o DNA completo de uma bactéria e o inserido em uma segunda bactéria, que adquiriu as características da primeira. Mas, como bem observou Hecht, a nova bactéria não era uma vida inteiramente artificial e sim um cópia artificial de uma forma de vida conhecida. Os primeiros genes completamente sintéticos do mundo são estes desenvolvidos pelos cientistas de Princeton.

“A pesquisa de Hecht segue a mesma linha dos estudos de Venter, usando uma estratégia complementar. É um estudo sério e mais um passo em direção à criação da vida artificial”, atesta Mayana Zatz, uma das maiores geneticistas do Brasil e colunista do site de VEJA.

A experiência – O estudo publicado na revista PLos ONE descreve o seguinte experimento: um milhão de genes foram inventados no computador e sintetizados em laboratório. Paralelamente, genes essenciais de algumas bactérias foram retirados e substituídos, um a um, por material sintético. O objetivo era descobrir quais genes sintéticos poderiam sustentar a vida das bactérias tão bem quanto os originais. O resultado foram bactérias com quatro genes artificiais, que não só se tornaram perfeitamente aptas a sobreviver como também a transmitir essa herança.

O custo do experimento foi surpreendentemente baixo. “Enquanto Venter investiu 40 milhões de dólares em seu projeto, o nosso custou menos de 1% dessa soma. Ele foi tocado por seis estudantes universitários e um pós-graduando”, conta Hecht, que é líder do estudo e tutor de estudantes em Princeton.

Curas inéditas - Agora faça o exercício de voltar à pré-escola e imagine que você tem 20 tipos de bloquinhos que podem ser combinados de todas as maneiras que sua imaginação conceber. Quantas combinações são possíveis? Infinitas. Substitua esses bloquinhos por aminoácidos e pense que esses ácidos são pecinhas que, quando combinadas, podem formar incontáveis proteínas. A mudança no formato de uma estrutura com as mesmas ‘peças’ também muda o tipo da proteína. Até hoje, esse “lego de aminoácidos” era uma brincadeira exclusiva da Natureza. Não é mais. A descoberta de Hecht permite que cientistas inventem proteínas em laboratório.

A técnica pode levar a avanços antes inimagináveis que terão impacto direto na vida das pessoas. “Poderíamos usar bactérias modificadas para coisas úteis como biorremediação, por exemplo, com micro-organismos que se alimentam do petróleo que contaminou oceanos, ou usar proteínas artificiais como remédios para doenças hoje sem cura”, diz Mayana.


Brincando de Deus
O geneticista Craig Venter e o microbiólogo Michael Hecht estão perto de criar vida artificial. Conheça as diferenças entre as duas pesquisas:

A pesquisa de Venter A pesquisa de Hecht
1) O genoma de uma bactéria é inteiramente transcrito e copiado em laboratório 1) Partes do genoma são inventados no computador e fabricados em laboratório
2) O DNA sintético é inserido, inteiro, na carcaça de uma segunda bactéria, diferente da primeira 2) Esse trecho do genoma é inserido em uma bactéria e substitui trechos vitais do original
3) A segunda bactéria assume as características da primeira, produzindo as mesmas proteínas 3) A bactéria assume características diferentes e passa a produzir proteínas até então desconhecidas
Para entender a importância da pesquisa é preciso ter em mente a relação entre genes e proteínas. Cada grupo de genes é o responsável pela produção de uma determinada proteína. Espécies diferentes produzem proteínas distintas e as proteínas criadas variam entre indivíduos também. Ou seja: os genes funcionam como ‘máquinas’ que fabricam proteínas que podem mudar o funcionamento do organismo de um indivíduo. E com a liberdade de criar e inserir novas ‘máquinas genéticas’ no DNA de bactérias, agora os cientistas já são capazes de inventar proteínas antes desconhecidas, para os mais distintos usos.

“Na maioria dos casos, hoje, a biotecnologia lida com proteínas que já existem na natureza para tratar doenças. Insulina, ou o hormônio de crescimento, por exemplo, são substâncias já conhecidas que são postas em seringas e dadas aos pacientes”, diz Hecht. “No futuro, a biotecnologia usará proteínas que não são retiradas da natureza, mas sintetizadas em laboratório, completamente novas, vindas das mentes dos pesquisadores”, complementa.

As responsabilidades, naturalmente, crescem com o conhecimento. Mayana alerta para o perigo de que essas experiências também pudessem produzir superbactérias e superdoenças que saíssem do controle. "Será preciso discutir e criar normas para o bom uso dessa técnica.

terça-feira, agosto 24, 2010

Sonda da Nasa tira foto da Terra e da Lua a 183 milhões de quilômetros de distância

A Messenger está em missão ao redor do planeta Mercúrio

A sonda Messenger, da Nasa, em missão ao redor do planeta Mercúrio, tirou uma foto da Terra e da Lua a 183 milhões de quilômetros - distância equivalente a dar uma volta na Terra, todos os dias, durante 12 anos. A foto foi tirada como parte da missão da sonda para procurar por vulcanoides, pequenos asteroides rochosos que os cientistas acreditam existir entre o Sol e Mercúrio.



A Terra pode ser vista de uma distância de 183 milhões de quilômetros em uma imagem tirada pela sonda Messenger, da Nasa (Nasa)

A sonda procura pelos objetos quando está mais próxima do Sol. Ela segue um caminho que percorre a parte interior do sistema solar, incluindo uma aproximação a Terra, duas a Vênus e três a Mercúrio. A sonda Messenger está usando a gravidade da Terra e de Vênus para alterar sua trajetória antes de entrar na órbita de Mercúrio, em março de 2011.




Uma imagem da agência espacial japonesa mostra a Terra surgindo atrás da Lua












O gráfico mostra a órbita elíptica da sonda Messenger em relação a Terra, Sol e Mercúrio. A sonda utiliza a gravidade dos planetas para chegar mais próximo de Mercúrio em 2011







Imagem da Terra como um ponto branco através dos anéis de Saturno, tirada pela sonda da Nasa chamada Cassini, em 2006

segunda-feira, maio 31, 2010

Afinal, Beethoven pode não ter morrido de envenenamento por chumbo

THE NEW YORK TIMES

James Barron

Os cientistas começaram a especular sobre o que de fato matou Ludwig van Beethoven quase tão rápido quanto ele foi enterrado em 1827. Ele reclamou de uma “existência miserável” com uma longa lista de sintomas: dores abdominais, problemas digestivos, cólica, bronquite crônica, odores corporais e muito mau hálito. E é claro, também havia o problema de audição.

Há treze anos, cientistas, incluindo um que havia investigado se Napoleão morreu por envenenamento de arsênico e se a pintura do Santo Sudário datava da época de Cristo, testou fios de cabelo de Beethoven e descartou a sífilis como causa da morte. Inesperadamente, eles encontraram sinais de uma exposição aguda ao chumbo.

Há cinco anos, testes de diferentes amostras do cabelo de Beethoven e de um pequeno pedaço de seu crânio apontaram novamente para o chumbo. Isso, dizem os estudiosos de Beethoven, pode explicar seu temperamento infame e seus ocasionais lapsos de memória. Alguns acreditam que ele bebeu muito vinho barato que era adoçado – ao costume do século 19 – com chumbo para esconder o gosto amargo.

Mas na semana passada o especialista em envenenamento por chumbo na Escola de Medicina de Mount Sinai em Nova York testou as mesma amostra do crânio de Beethoven que havia sido examinada em 2005, junto com outro fragmento ainda maior. O pesquisador, Andrew C. Todd, disse que no geral, não descobriu mais chumbo do que o que é encontrado na maioria das pessoas.

“Beethoven não teve uma exposição alta e longa ao chumbo”, disse Todd, “então acho que podemos parar de olhar para o chumbo como um fator importante em sua vida.”

As descobertas de Todd no Mount Sinai surpreenderam William R. Meredith, um estudioso de Beethoven que havia carregado os fragmentos do crânio para Nova York desde sua base na Califórnia. Ele disse que esperava que os testes de Todd mostrassem elevados níveis de chumbo, porque os testes anteriores haviam revelado que a quantidade no cabelo de Beethoven era bem acima do normal.

“É uma volta a estaca zero para os cientistas e médicos”, disse Meredith.

Ele falou que os testes de Todd foram valiosos por mostrar o quanto – ou, como foi descoberto, o quão pouco – de chumbo havia nos fragmentos do crânio. Todd prometeu medições precisas, e depois de dois dias de testes no Mount Sinai, ele disse que o fragmento maior do crânio tinha 13 microgramas de chumbo por grama, “nada excepcionalmente acima do que nos poderíamos esperar” num homem com a idade de Beethoven, que morreu aos 56 anos.

O fragmento menor registrou bem mais – 48 microgramas por grama – e ele não soube explicar a diferença. A exposição ao chumbo é cumulativa, disse Todd, então o nível costuma aumentar à medida que a pessoa envelhece, mesmo que ela não se exponha à concentrações grandes de, por exemplo, tinta de chumbo.

Meredith disse que se os testes não mostraram o que matou Beethoven, pelo menos eles indicaram o que pode ser descartado como causa de sua morte.

“As pessoas perguntavam se ele morreu por beber vinho de ameixa, por mastigar seu lápis, por comer peixe envenenado”, diz Meredith, professor da Universidade Estadual de San Jose e diretor do Centro Ira F. Brilliant para Estudos de Beethoven. “Agora sabemos que todas essas perguntas são desnecessárias. Não precisamos mais investigar a exposição tóxica ao chumbo.”

William J. Walsh, um pesquisador foerence de Illinois que coordenou os primeiros testes, notou que Todd havia testado apenas fragmentos de crânio, e não amostras de cabelo. Mas concordou com a ideia de que a exposição de Beethoven ao chumbo foi um problema de curta duração que apareceu já no fim de sua vida.

Como os testes de Walsh, alguns dos quais conduzidos no Laboratório Nacional Argonne em Illinois, a análise do Mount Sinai envolveu várias medições com raio X fluorescente. Todd disse que o material do crânio era similar ao material encontrado nos ossos da perna que ele estuda para determinar se uma pessoa sofreu envenenamento por chumbo. A doença é conhecida por causa irritabilidade, falta de energia, dores de cabeça, e por fazer com que os músculos pareçam fracos: todos sintomas coerentes com os de Beethoven.

Aos 56 anos, Beethoven teve problemas de saúde. Ele passou por várias drenagens abdominais para eliminar fluidos e, na época em que morreu, um dos tratamentos era a base de bebidas de fruta. Seu médico “havia percebido – ou talvez soubesse há muito tempo – que Beethoven gostava de vinhos fortes”, escreveu o biógrafo Edmund Morris em “Beethoven: The Universal Composer” [“Beethoven: O Compositor Universal”] (HarperCollins, 2005). “Como era de se esperar, Beethoven abusou dessa prescrição, e passou a ficar bêbado e sofrer de diarreia.”

Alguns médicos modernos sustentam que há sinais de doença coronária. Outros especulam sobre o lupus.

“Seus últimos anos foram muito miseráveis”, disse Susan Kagan, pianista que é estudiosa de Beethoven e professora emérita do Hunter College em Nova York. “Ele sofreu muito fisicamente. Há um grito de dor atrás do outro em suas cartas. Não sei se ele foi maltratado pelos médicos, mas eles não sabiam muita coisa naquela época, em comparação com o que sabem hoje. Derramaram óleo quente dentro de seus ouvidos. Você imagina como isso deve ter doído?”

O corpo de Beethoven foi exumado em 1863, junto com o corpo de Franz Schubert, que foi enterrado no mesmo cemitério em Vienna. “O principal objetivo era, é claro, recuperar os crânios”, escreveu um amigo de Beethoven, que levou vários pedaços do crânio do compositor para casa e os colocou com orgulho ao lado de sua cama. Entre estes pedaços estavam os dois que Todd testou no Mount Sinai.

“O que descobrimos não elimina a possibilidade de que ele tenha sido intoxicado de forma aguda pelos unguentos que eram colocados na ferida abdominal”, disse Todd. Mas isso não o teria matado, acrescentou.

Tradução: Eloise De Vylder

domingo, maio 30, 2010

Cientista ataca Big Bang e visão "estreita" dos físicos

Para Mário Novello, muitos viraram apenas "técnicos muito competentes'

Pesquisador critica a preocupação excessiva com carreira e prêmios; para ele, dados poderão provar Universo eterno

DE SÃO PAULO

Para Mário Novello, físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, a cosmologia virou, com frequência, "uma coisa trivial, simplesmente saber qual porcentagem de matéria dessa categoria ou daquela tem no Universo". ]

Tão preocupante quanto isso, diz, é o esnobismo dos cientistas com a filosofia e a metafísica, que os impede de refletir sobre o que fazem. São apenas "técnicos extremamente competentes".

Novello está lançando o livro "Do Big Bang ao Universo Eterno" (Zahar), que resume sua defesa da ideia de que o Big Bang não foi o começo de tudo. Segundo ele, essa interpretação está conquistando cada vez mais físicos. Confira a entrevista abaixo.

(RICARDO MIOTO)

Folha - A ideia de um universo eterno está conquistando os físicos?
Mário Novello -
Ninguém tem dúvidas de que o Universo esteve muito condensado no passado. O problema foi a identificação daquele momento, em que começa a expansão, como o começo de tudo. Sou contra definir o Big Bang como o marco zero. Isso é contra a atitude científica. Mas o cenário está mudando. Entre os cientistas há uma tendência a aceitar que chegou o momento de ir além do Big Bang como o começo.

Mas, quando jovem, o sr. não era partidário do Big Bang como o começo de tudo?

Eu não era. Era uma questão de princípio. A ciência é a tentativa de explicar racionalmente tudo que existe. Eu sabia muito bem que a ideia de singularidade [a concentração de toda a massa do Universo em um único ponto que teria dado origem a tudo que se conhece] significava abdicar de fazer ciência ao longo de toda a história do Universo, significava dizer que a ciência tinha limite. Eu não podia aceitar isso.

Na minha época, havia uma visão global do que era atividade humana. Havia cadeira de filosofia, de sociologia, tínhamos contato com o mundo. Existe uma falta de fundamentos, hoje, do que é fazer ciência. Você pode ser um técnico extremamente competente, mas fora da área técnica pode ser um ignorante completo, sem saber o que está por trás do que você está fazendo na sua área.

Mas aparentemente a maioria dos físicos ainda discorda do sr. sobre o Big Bang...
Se você entrevista cem físicos, 98 dizem que o Big Bang é verdade e dois malucos dizem que não. É razoável que a mídia fique em dúvida. Primeiro você precisa ver quem são essas pessoas. Eu criei a cosmologia no Brasil, tive mais de 50 alunos de doutorado, você precisa ver que não sou um bobo. Mudanças são lentas. E você sabe que os cientistas são extremamente reacionários.

Ser minoria não incomoda?
Quando você faz ciência, você precisa dialogar com a natureza, e não com os seus colegas. Se o seu objetivo é ganhar uma bolsa, ganhar fama, ganhar prêmio, isso não é ciência. Pode ser no mundo em que a gente vive. Estou pouco me importando com a opinião dos outros. Mas isso não significa isolacionismo, porque publico em revistas científicas.

Mas o senhor já tem uma carreira estabelecida. Um doutorando não deveria se preocupar com os pares?
Não deveria. Se ele começa a se preocupar lá, vai se preocupar a vida toda. Hoje em dia a cosmologia virou uma coisa trivial, ridícula, simplesmente saber qual porcentagem de matéria dessa categoria ou daquela tem no Universo. Isso não tem interesse nenhum. Quando começa a entrar nesse estágio, é o momento de mudar.

É possível fazer com que os cientistas se preocupem menos com os pares?
Ainda não conseguimos controlar a vaidade. É um sistema todo de premiação, bolsa disso, prêmio Nobel, tudo valoriza o indivíduo. E dá impressão de que, se você não valoriza o indivíduo, ele não vai fazer nada. E o prazer em fazer as coisas? O Garrincha dava de dez a zero em qualquer um desses caras aí de hoje em dia. E morreu com dez mil réis no bolso.

Você vai dizer que o exemplo que eu estou dando é de um maluco, uma pessoa totalmente pirada, uma mentalidade que nunca saiu dos 12 anos de idade. Tudo bem, é um exemplo extremo. Mas mostra que algo se perdeu.


Mas a vaidade sempre existiu, não?
Sim, claro, sempre existiu. Nem estou dizendo que o sistema, antigamente, era diferente. O que estou querendo dizer é que a razão pela qual Newton fazia aquilo não tinha nada ver com a razão pela qual um bolsista faz as coisas hoje em dia.

No caso do Big Bang, há expectativa de que alguma observação possa dar mais respostas sobre a sua legitimidade como marco zero?
Sim. Já foi lançado o satélite Planck. Ele, nos próximos anos, poderá ajudar a dizer, observacionalmente, se houve uma fase anterior ao colapso. Existe uma possibilidade de que o Universo esteja se acelerando. Ela surgiu de uns dez anos para cá. Isso não bate com as previsões do Big Bang como singularidade, como começo de tudo. Se o Universo estiver se acelerando, então aquilo que sustentou durante mais de 25 ou 30 anos o Big Bang acabou.

terça-feira, março 23, 2010

A Conjectura de Poincaré

Pedro Luiz Queiroz Pergher

Recentemente o norte-americano Landon Clay, um milionário apaixonado pelo universo dos números, ofereceu sete prêmios de 1 milhão de dólares cada para quem resolver aquilo que ele chama de os "sete enigmas do milênio". Esses problemas matemáticos, selecionados por uma comissão de quatro renomados cientistas (um dos quais foi o inglês Andrew Wiles, que em 1995 demonstrou o Último Teorema de Fermat), estão entre os mais conhecidos e intrigantes do mundo da ciência. A premiação do Instituto Clay de Matemática - a fundação de pesquisas mantida pelo ricaço americano - repete o desafio lançado há exatamente 100 anos atrás pelo alemão David Hilbert, um dos mais importantes matemáticos da história. Em agosto de 1900, durante um congresso internacional em Paris, Hilbert submeteu 23 hipóteses à sagacidade de cientistas contemporâneos. Muitas permanecem sem comprovação formal até hoje.

A conjectura de Poincaré é relacionada com o problema da classificação das variedades fechadas n-dimensionais. Uma variedade n-dimensional é um espaço topológico tal que cada um de seus pontos possui ou uma vizinhança homeomorfa ao disco aberto do espaço euclidiano Rn (pontos interiores) ou uma vizinhança homeomorfa ao disco semi-aberto de Rn (pontos de bordo). A variedade é dita ser "fechada" se for compacta e não possuir pontos de bordo. Para visualizarmos como devem ser tais objetos, observamos que o próprio disco n-dimensional fechado é uma variedade compacta, mas não fechada por possuir pontos de bordo, enquanto que o n-disco aberto é uma variedade sem pontos de bordo que não é fechada, por não ser compacta. A esfera e o toro bidimensional, que são variedades fechadas 2-dimensionais, ilustram bem o aspecto de tais objetos.

Resolver o problema da classificação das variedades fechadas n-dimensionais seria obter um catálogo completo de tais objetos, a menos de homeomorfismo (estamos sempre supondo variedades conexas). Para n = 1 esse problema está resolvido, pois sabe-se que a única variedade fechada 1-dimensional é a circunferência S1 (uma demonstração deste fato pode ser encontrada em [2]). As variedades fechadas 2-dimensionais também já estão classificadas, e a quantidade das mesmas é infinita e enumerável (para maiores detalhes a respeito da classificação das variedades fechadas bidimensionais vide por exemplo [6]). Por outro lado, através de um argumento baseado na impossibilidade de se resolver o famoso "problema das palavras", sabe-se que é impossível classificar as variedades fechadas 4-dimensionais (vide [3], [4] e [5]). Desta forma, a classificação das variedades fechadas tridimensionais persiste ainda como um grande enigma, pois além de não ser conhecida não se sabe ao menos se a mesma é possível.

A classificação das variedades bidimensionais atrás mencionada tem conexão íntima com um invariante algébrico muito importante, chamado "grupo fundamental". O grupo fundamental de um espaço topológico X é o grupo constituído pelas classes de homotopia de laços em X com ponto base fixado (sendo que dentro de uma classe de homotopia um laço pode ser continuamente deformado em outro laço de tal sorte que durante a deformação o ponto base se mantém fixo), e a operação entre dois tais objetos é dada pela justaposição de laços. A conexão acima referida é o fato de que duas variedades fechadas bidimensionais são homeomorfas se, e somente se, seus grupos fundamentais forem isomorfos.

Desta forma, a classe de homeomorfismo de uma variedade bidimensional fechada é completamente determinada pela classe de isomorfismo de seu grupo fundamental. A esfera bidimensional S2 é uma das variedades fechadas bidimensionais, e como todo laço em S2 pode se contrair homotopicamente no ponto base, com este último permanecendo fixado durante o processo de deformação, existe uma única classe de homotopia de laços com ponto base em S2, o que significa dizer que o grupo fundamental de S2 é o grupo nulo; em matemática, tal fenômeno é tecnicamente expresso pela frase "a esfera S2 é simplesmente conexa".

Em outras palavras, a única variedade fechada bidimensional simplesmente conexa é, a menos de homeomorfismo, a esfera S2. A conjectura de Poincaré é exatamente o análogo deste fenômeno para n = 3: a esfera tridimensional S3 é uma variedade fechada simplesmente conexa, e a questão por trás da famosa conjectura é saber se S3 é ou não, a menos de homeomorfismo, a única variedade fechada tridimensional com tal propriedade. Traduzindo de outra forma, acreditar na validade da conjectura de Poincaré é ter a esperança de que, à semelhança do que ocorre no mundo bidimensional com todas as variedades fechadas, o grupo fundamental determine completamente a classe de homeomorfismo no mundo tridimensional pelo menos no caso particular da esfera S3.

Olhando por esse prisma, outras conjecturas na mesma direção poderiam ser formuladas; por exemplo, o produto cartesiano S2×S1 é uma variedade fechada tridimensional cujo grupo fundamental é o grupo dos inteiros Z, e na mesma linha questiona-se se S2×S1 é ou não a única variedade fechada tridimensional com grupo fundamental isomorfo a Z.

Os invariantes algébricos conhecidos (como por exemplo homologia e cohomologia) não são suficientemente poderosos para dar qualquer informação sobre a conjectura de Poincaré, uma vez que, para variedades fechadas tridimensionais, o grupo fundamental determina completamente tais invariantes.

Desta forma, na direção de se tentar provar que a conjectura é falsa, uma alternativa seria criar um novo invariante algébrico que primeiramente e para as variedades fechadas tridimensionais não fosse determinado pelo grupo fundamental, e a partir daí localizar dentro da classe especial de homeomorfismo das variedades fechadas tridimensionais que contêm as variedades simplesmente conexas dois elementos tais que o invariante novo acima referido associado aos mesmos produzisse dois objetos algébricos não isomorfos; mas isto constitui-se em tarefa extremamente difícil e a qual certamente já foi fartamente tentada, razão pela qual ela vale um milhão de dólares.

Cumpre observar que, para n_> 4, diferentemente do que ocorre para n = 3 e n = 2, o grupo fundamental não determina a homologia e a cohomologia da variedade. Em outras palavras, para cada n 4 é possível encontrar variedades fechadas n-dimensionais simplesmente conexas mas com homologias (ou cohomologias) não isomorfas, o que significa dizer que as variedades em questão não são homeomorfas; desta forma, a conjectura de Poincaré na forma em que é formulada para n = 3 não é verdadeira para n 4.

Uma formulação adequada da conjectura de Poincaré para n 4 deveria contemplar, portanto, a imposição de que as homologias e cohomologias da variedade em questão fossem iguais às da esfera, fato esse que é automático para n = 3 ou 2. Por outro lado, em função das especificidades da homologia da esfera, é verdadeiro o fato de que se uma variedade fechada n-dimensional possuir homologia idêntica à da esfera, então ela possui também cohomologia idêntica à da esfera. Desta forma, a formulação adequada para a conjectura de Poincaré para n 4 é a seguinte:

"Se uma variedade fechada n-dimensional com n 4 for simplesmente conexa e possuir os mesmos grupos de Z-homologia da esfera Sn, então ela é homeomorfa a Sn."

A conjectura acima foi provada ser verdadeira por S. Smale para n 5 e por M. Freedman para n = 4, e tais matemáticos foram premiados com a Medalha Fields pela obtenção de tais resultados. Para maiores detalhes vide [7] e [1].

Referências.

1] Freedman, M., The topology of four-dimensional manifolds. Journal of Differential Geometry, vol 17, 1982, pg 357-454.

[2] Lima, E. L., Classificação de Variedades Uni-dimensionais; uma demonstração educada. Matemática Universitária, número 3, junho de 1986, pg 29-34.

[3] Markov, A., Insolubility of the problem of homeomorphy. Proc. Intern. Congr. Math., 1958, pg 300-306.

[4] Markov, A., The insolubility of the problem of homeomorphy. Dokl. Akad. Nauk SSSR, vol 121, 1958, pg 218-220.

[5] Markov, A., Unsolvability of certain problems in topology. Dokl. Akad. Nauk SSSR, vol 123, 1958, pg 978-980.

[6] Massey, W. S., Algebraic Topology: An Introduction. New York, Harcourt, 1967.

[7] Smale, S., Generalized Poincaré's conjecture in dimensions greater than four. Annals of Mathematics, vol 74, 1961, pg 391-406.

Pedro Luiz Queiroz Pergher é professor do DM-UFSCar.

Gênio russo esnoba prêmio de US$ 1 milhão após solucionar problema clássico

Do UOL Notícias
*Em São Paulo

Atualizada às 18h29

O matemático russo Grigory Perelman, 44, considerado um dos maiores gênios vivos do mundo, declarou ontem que não tem interesse em receber o prêmio de US$ 1 milhão a que tem direito por ter resolvido a chamada Conjectura de Poincaré.

Em seu apartamento infestado de baratas em São Petersburgo, Perelman afirmou, sem abrir a porta: “Tenho tudo o que quero”, segundo informou o jornal britânico Daily Mail.

Na última semana, uma instituição dos Estados Unidos reconheceu que o estudioso russo demonstrou a Conjectura de Poincaré, que desafiava os matemáticos há mais de um século.

O matemático francês Jules Henri Poincaré (1854-1912) estimou que, de forma simplificada, qualquer espaço tridimensional sem furos seria equivalente a uma esfera esticada.

Poincaré e os matemáticos que vieram depois dele acreditavam que a proposta estaria correta, mas não conseguiram uma prova algébrica sólida para elevar a conjectura à categoria de teorema.

A complexidade do assunto levou o Instituto de Matemática de Clay a incluir o problema entre os “sete desafios do milênio”. Para cada desafio que fosse solucionado, o instituto prometeu pagar um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,78 milhão).

Na semana passada, James Carlson, diretor do instituto, reconheceu a façanha de Perelman e anunciou que a Conjuntura de Poincaré é o primeiro dos sete desafios a ter solução.
Morando com as baratas.

A vizinha Vera Petrovna afirmou ao jornal britânico que já esteve no flat do matemático. “Ele tem apenas uma mesa, um banquinho e uma cama com um lençol sujo que foi deixado ali pelos antigos donos – uns bêbados que venderam o apartamento para ele”.

“Estamos tentando acabar com as baratas nesse quarteirão, mas elas se escondem na casa dele”, acrescentou.

Esse não é o primeiro prêmio esnobado por Perelman. Há quatro anos, ele não apareceu para receber a medalha Fields da União Internacional de Matemática.

*Com informações do Daily Mail

domingo, março 07, 2010

Inimigos de Darwin nos EUA agora atacam também o aquecimento global

Projeto quer discussão de ‘desvantagens de teorias científicas’.
Crítico diz que ceticismo sobre clima é desdobramento do criacionismo.

Leslie Kaufman
Do ‘New York Times’

Críticos do ensino da evolução nas salas de aulas americanas estão ganhando terreno em alguns estados ao associar o tema ao aquecimento global, argumentando que visões divergentes sobre ambos os assuntos científicos deveriam ser ensinadas em escolas públicas.

Em Kentucky, um projeto de lei recentemente apresentado ao legislativo motivaria os professores a discutir “as vantagens e desvantagens de teorias científicas”, incluindo a “evolução, origem da vida, aquecimento global e clonagem de seres humanos”.

O projeto de lei, que ainda deve ser votado, baseia-se em esforços ainda mais agressivos em outros estados para fundir esses temas. Em Louisiana, uma lei aprovada em 2008 declara que os órgãos estaduais de educação podem ajudar professores na promoção do “pensamento crítico” em todos esses assuntos.

No ano passado, a Secretaria de Educação do Texas passou a exigir que os professores apresentem todos os lados das evidências da evolução e do aquecimento global.

Oklahoma apresentou um projeto de lei com objetivos similares em 2009, mas ele não entrou em vigor.

A relação entre evolução e aquecimento global é uma estratégia em parte jurídica: tribunais descobriram que singularizar a evolução como alvo de críticas em escolas públicas é uma violação da separação entre Igreja e Estado. Ao insistir que o aquecimento global também seja discutido, as pessoas que negam a evolução podem argumentar que simplesmente estão buscando uma ampla liberdade acadêmica.

Mesmo assim, essas pessoas também estão tirando proveito do aumento da resistência pública em determinados setores em aceitar a ciência do aquecimento global, particularmente entre políticos conservadores que se opõem a esforços para frear as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Em Dakota do Sul, uma resolução pedindo o “ensino ponderado sobre o aquecimento global em escolas públicas” foi aprovada na assembleia esta semana. “O dióxido de carbono não é um poluente”, diz a resolução, “mas um ingrediente altamente benéfico para toda a vida vegetal.”

A medida não mencionou a evolução, mas opositores dos esforços para diluir o ensino desse conceito observaram que a linguagem era similar à de projetos de lei em outros estados que incluíam ambas as questões. Republicanos votaram a favor e democratas, contra.

Para cientistas renomados, não há nenhum desafio de credibilidade à teoria da evolução. Eles se opõem ao ensino de visões alternativas, como o do design inteligente, uma proposição que afirma que a vida é tão complexa que deve ser criação de um ser inteligente. Há forte consenso entre cientistas de que o aquecimento global está ocorrendo e que as atividades humanas provavelmente estão causando esse efeito. Mesmo assim, muitos cristãos evangélicos conservadores afirmam que ambos são exemplos em que os cientistas ultrapassam seus limites.

John West, membro do Discovery Institute, em Seattle, um grupo que defende a teoria do design inteligente e lidera uma campanha para o ensino de críticas à evolução nas escolas, afirmou que o instituto não estava promovendo especificamente a oposição à ciência aceita da mudança climática. Entretanto, West diz ser simpático à causa. “Há muito dogmatismo nesse assunto, e os cientistas estão sendo perseguidos por descobertas que não estão em conformidade com a ortodoxia. Acreditamos que analisar e avaliar a evidência científica é bom, seja sobre aquecimento global ou evolução.”

Lawrence Krauss, físico e diretor da Origins Initiative, da Universidade Estadual do Arizona, já se pronunciou contra os esforços para suavizar o ensino da evolução em órgãos educacionais em Texas e Ohio. Ele descreveu o movimento em direção ao ceticismo envolvendo a mudança climática como um desdobramento previsível do criacionismo.

“Onde houver uma batalha sobre a evolução hoje”, diz ele, “há uma batalha secundária para suavizar outros assuntos quentes, como o Big Bang, e, cada vez mais, a mudança climática. Trata-se de lançar dúvidas sobre a veracidade da ciência – dizer que essa é apenas mais uma visão do mundo, mais uma história, nem melhor nem mais válida que o fundamentalismo.”

É claro, nem todos os cristãos evangélicos rejeitam a ideia da mudança climática. Existe um movimento crescente no país motivado em parte pela crença de que os humanos são obrigados a cuidar da Terra, já que Deus a criou.

Mesmo assim, há poucas dúvidas de que o ceticismo em relação ao aquecimento global ecoe de forma mais forte entre conservadores, cristãos conservadores em particular. Uma pesquisa publicada em outubro pelo Pew Research Center for the People and the Press descobriu que protestantes evangélicos brancos estão entre os que têm menos probabilidade de crer na existência de “sólidas evidências” de que a Terra está se aquecendo devido à atividade humana. Apenas 23% dos entrevistados aceitaram essa ideia, contra 36% dos americanos em geral.

O reverendo Jim Ball, diretor sênior de programas de clima da Evangelical Environmental Network, um grupo que aceita a ciência do aquecimento global, disse que muitas pessoas que negam o assunto sentem que “é arrogante achar que os seres humanos poderiam perturbar algo criado por Deus”.

O deputado estadual Tim Moore, republicado que apresentou o projeto de lei na assembleia legislativa de Kentucky, disse não estar motivado por religião, mas pelo que ele considera distorção do conhecimento científico. “Nossos filhos estão sendo apresentados a teorias como se elas fossem fatos”, afirmou. "Especialmente no caso do aquecimento global, tem havido um ponto de vista politicamente correto na elite educacional que é muito diferente da ciência sólida”.

O currículo da evolução se desenvolveu muito mais do que a instrução sobre a mudança climática. Ele é quase universalmente exigido em aulas de biologia, enquanto a ciência do aquecimento global, um tópico mais recente, é ensinada esporadicamente, dependendo do interesse dos professores e dos coordenadores pedagógicos da escola.

Entretanto, tem crescido o interesse em tornar a mudança climática um item padrão no currículo escolar. No governo do presidente Obama, por exemplo, o Climate Education Interagency Working Group, que representa mais de dez agências federais, está pressionando uma “alfabetização climática” de professores e alunos.

O deputado Don Kopp, republicano e principal apoiador da resolução de Dakota do Sul, afirmou ter agido em parte porque o filme “Uma verdade inconveniente” (documentário sobre o aquecimento global, apresentado por Al Gore), estava sendo exibido em algumas escolas públicas sem um contrapeso.

O incentivo legal para emparelhar o aquecimento global com a evolução nas batalhas sobre o currículo deriva em parte de uma decisão, em 2005, de um juiz da corte regional de Atlanta. A decisão afirmava que a Secretaria de Educação de Cobb County, que havia colado adesivos em alguns livros didáticos incentivando estudantes a considerar a evolução apenas como uma teoria, tinha violado termos da primeira emenda americana sobre a separação entre Igreja e Estado.

Embora o adesivo não tenha sido declaradamente religioso, disse o juiz, seu uso foi inconstitucional, pois apenas a evolução era o alvo, o que indicava se tratar de uma questão religiosa.

Depois disso, afirmou Joshua Rosenau, diretor de projetos do Centro Nacional para Educação sobre a Ciência, ele começou a notar que ataques à ciência da mudança climática estavam repletos de críticas à evolução em iniciativas curriculares. Ele teme que mesmo algumas vitórias na esfera estadual possam ter um efeito sobre o que é ensinado em todo o país.

James Marston, diretor do escritório regional do Texas do Fundo de Defesa Ambiental, afirmou temer que, por causa do tamanho e do processo de aprovação centralizado do estado, sua decisão sobre o caso dos livros didáticos possa ter uma influência exagerada sobre como as editoras preparam conteúdo de ciência para o mercado nacional.

Tradução de Gabriela d’Ávila

terça-feira, outubro 06, 2009

Nobel de Física premia estudos que permitiram foto digital e sociedade em rede

da Folha Online

Os cientistas Charles Kao, Willard Boyle e George Smith dividiram o Prêmio Nobel de Física por dois trabalhos sobre fibras-óticas e semicondutores, informou o comitê que concede o prêmio nesta terça-feira (6). Os estudos desenvolvidos por eles estão por trás da fotografia digital, além de auxiliarem na interligação mundial por meio dos cabos de fibra ótica.

Charles Kao foi mencionado por sua pesquisa que envolve transmissão de luz em fibras óticas, enquanto Willard Boyle e George Smith foram premiados pela invenção do circuito semicondutor conhecido como sensor CCD.

"Eles criaram várias inovações práticas para o cotidiano e deram as ferramentas para a exploração científica", disse o comitê em comunicado.

Kao, nascido em Xangai e que tem cidadanias norte-americana e britânica, ficou com metade do prêmio. O cientista fez uma descoberta em 1966, que demonstrou como transmitir luz por longas distâncias a partir de cabos de fibra ótica --o que levou às redes de comunicação atuais, que permitem as chamadas telefônicas e a troca de dados via internet de alta velocidade em todo o mundo.

Boyle, que tem dupla cidadania dos EUA e do Canadá, e o norte-americano Smith dividiram a outra metade. Eles trabalharam juntos na invenção do chip CCD (sigla em inglês para "charged-couple device", ou dispositivo de carga acoplado, em tradução livre), o "olho" da câmera digital, responsável pela imagem "vista" pela lente da câmera. A tecnologia é encontrada em todos os dispositivos fotográficos, desde as câmeras mais baratas, passando pelas de alta velocidade, até delicados instrumentos cirúrgicos.

O prêmio, de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão), concedido pelo Comitê do Nobel para a Física na Real Academia Sueca de Ciências, é o segundo Prêmio Nobel concedido neste ano.

domingo, julho 19, 2009

Banheiro da Estação Espacial quebra com 13 astronautas a bordo

Eles terão de usar o outro banheiro ou o do ônibus espacial Endeavour.
Comando da missão disse que é cedo para avaliar o impacto do problema.

Do G1, com agências internacionais

Os 13 astronautas que estão a bordo da Estação Espacial Internacional tiveram problemas neste domingo (19), quando um dos dois banheiros da nave quebrou.

Depois de uma tentativa frustrada de consertar o banheiro, o comando da missão pediu que um dos tripulantes colocasse um aviso de "não funciona" na porta do banheiro.

Os seis astronautas da estação tiveram de se virar indo no outro banheiro, e os sete tripulantes do ônibus espacial americano Endeavour -que está acoplado à estação para transferir o último módulo de um laboratório japonês- foram orientados a usar apenas o sanitário de sua nave.

Os astronautas faziam ontem um complexo trabalho de transferência de equipamentos do ônibus para a estação espacial com a ajuda de braços mecânicos. Nunca houve tantas pessoas juntas no espaço.

O diretor de voo, Brian Smith, não quis especular o que provocou o defeito. "Ainda não sabemos o tamanho do problema", ele disse a jornalistas. "Ele pode não ter consequências. Ele pode se tornar significativo. É cedo demais para dizer."

sábado, julho 04, 2009

Mapa da galáxia esfria tese de cético do clima

Teoria de que mudança global se deve a raios cósmicos está errada, diz astrônomo

Hipótese foi proposta por físico dinamarquês, para quem o passeio do Sol pela Via Láctea determina ciclos de aquecimento da Terra

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma das principais teorias alternativas de explicação do aquecimento global -daquelas que isentam de culpa a queima de combustíveis fósseis- acaba de receber um duro golpe. A hipótese de que a crise do clima se deve a uma mudança na incidência de raios cósmicos na Terra está errada, afirma agora um trio de astrônomos liderado por Adrian Melott, da Universidade do Kansas (EUA).

O estudo que pode vir a dar um fim à hipótese alternativa do aquecimento de origem espacial, sugerida pelo físico dinamarquês Henrik Svensmark, ainda não foi publicado em nenhuma revista científica. Portanto, não foi avaliado por nenhum grupo independente.

A versão inicial do trabalho, porém, já está sendo comentada em publicações de entidades como o IOP (Instituto de Física, do Reino Unido) e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O estudo está, por enquanto, apenas no site arxiv.org, um banco de dados de trabalhos pré-publicação.

Apesar de controversa entre climatólogos, a teoria de Svensmark ganhou algum espaço nos últimos anos, adotada por grupos contrários ao corte de gases do efeito estufa. Se aquilo que causa o atual aquecimento da Terra for uma queda na incidência de raios cósmicos, não haverá motivo para parar de queimar derivados de petróleo.

Raios refrescantes

O que Svensmark defende, basicamente, é que raios cósmicos ajudam a formar as nuvens de altitude baixa, que têm efeito resfriador sobre a Terra. O que está acontecendo agora, segundo o físico dinamarquês, é que o movimento natural do Sol na galáxia está levando a Terra para fora de uma região de alta concentração de estrelas. Com menos estrelas para explodir e produzir raios cósmicos no entorno do Sistema Solar, menos nuvens se formam na Terra, e o planeta esquenta.

Segundo o autor da teoria, isso serve para explicar por que a Terra aquece e resfria a temperaturas extremas ao longo de sua história, a cada 140 milhões de anos, em média. Isso seria resultado de o Sol entrar e sair periodicamente dos braços da galáxia, regiões com maior concentração de estrelas.

O problema com a teoria de Svensmark, diz o trio de físicos americanos, é que os braços da Via Láctea não estão dispostos de forma regular. O ciclo de temperatura de 140 milhões de anos, portanto, não pode ser explicado pela teoria de Svensmark. A descoberta foi possível com o uso de dados novos do telescópio espacial Spitzer, que fez um mapeamento da galáxia com precisão sem precedentes.

Assimetria escancarada

"A gritante assimetria dos braços espirais na imagem atual da galáxia é difícil de refutar", disse à Folha Andrew Overholt, físico que assina o estudo com Mellot. Segundo ele, sua análise considera quase todos os braços da Via Láctea, inclusive os do lado oposto ao que está o Sol. "O modelo anterior usado para desenvolver o ciclo de 140 milhões de anos considera apenas dois braços."

Svensmark, em resposta, diz que o trabalho dos americanos está errado, e tenta enquadrar o jornalista. "É importante notar que o estudo do grupo de Mellot não está publicado, e o ideal seria que ele não fosse debatido na imprensa", diz o cientista dinamarquês.

Em mensagem enviada à Folha, ele afirma que os americanos cometeram erros de estimativa ao analisar a velocidade de rotação da galáxia e de seus braços. Uma correção, segundo o dinamarquês, compensaria a assimetria da Via Láctea de forma que seus dados poderiam ser encaixados novamente.

"A análise de Mellot não é consistente com os dados do Spitzer", afirma Svensmark, que aponta ainda outros problemas técnicos no trabalho.

O debate, pelo visto, só vai ser resolvido após o estudo do trio americano ser analisado por revisores independentes em uma revista científica. "O trabalho foi submetido recentemente para publicação e já está sendo avaliado", diz Overholt.

Por enquanto, a teoria de consenso para o aquecimento global continua sendo a do agravamento do efeito estufa, e os ciclos de temperatura de 140 milhões de anos são mais bem explicados por anomalias na movimentação do planeta.

quarta-feira, junho 24, 2009

Nasa investiga mistérios sobre bolhas cósmicas gigantes

À esq., imagem mostra a bolha cósmica (amarelo), a galáxia adolescente (branco, no centro) e buraco negro (azul); à dir., concepção artística registra uma galáxia no interior da bolha

Nasa/Divulgação

A Nasa, agência espacial americana, divulgou nesta quarta-feira em seu site as imagens de gigantescas bolhas de gás hidrogênio conhecidas na astronomia como "Cosmic Blobs" (Bolhas Cósmicas, na tradução em inglês). Os cientistas utilizaram o telescópio espacial Chandra X-ray para observar os corpos cósmicos com o objetivo de tentar identificar as fontes de energia brilhantes que envolvem as misteriosas bolhas.

Conforme o estudo, estas bolhas não são galáxias-bebês como os astrônomos imaginavam, e sim, galáxias passando por um processo semelhante à "puberdade". Constituídas por "Lyman-alpha blobs" - espectros ultravioleta compostos pela emissão de átomos de hidrogênio descobertos pelo físico Theodore Lyman, em 1906 -, elas possuem centenas de milhares de anos-luz de diâmetro.

Os astrônomos analisaram 29 desses círculos de gases em uma área distante do universo, que remonta a mais de 11 bilhões de anos atrás. O principal autor da pesquisa, James Geach, da Universidade Durham, na Inglaterra, explicou que o caos no interior das bolhas é semelhante aos violentos processos sofridos por galáxias e buracos negros.

Para o especialista, a energia emanada representa a última crise antes do amadurecimento destes fenômenos cósmicos. Os resultados do estudo foram publicados na edição deste mês da revista Astrophysical Journal.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Duzentos anos depois de seu nascimento, Darwin ainda gera polêmica


Tatiana Pronin
Editora do UOL Ciência e Saúde
Duzentos anos depois de seu nascimento e 150 anos após a publicação do seu livro mais famoso, "A Origem das Espécies", Charles Darwin ainda desperta polêmica. Pode-se concluir que foi mais fácil para a sociedade, na época de Galileu Galilei , assimilar que a Terra não é o centro do Universo, do que aceitar que o homem não é superior a todas as outras espécies, como defendeu o naturalista inglês.
Se até hoje as discussões sobre como a vida começou são calorosas, é possível imaginar o quanto as ideias de Darwin causaram reações quando sua teoria foi apresentada à comunidade científica pela primeira vez, em 1858, junto com a do cientista galês Alfred Russel Wallace, que chegara a conclusões semelhantes. O livro foi publicado no ano seguinte, 20 anos depois de o inglês ter começado a rascunhá-lo.
A demora em publicar a teoria é fácil de ser compreendida. Ainda que os princípios da evolução já permeassem a mente de alguns cientistas, (inclusive do avô de Darwin, Erasmus), o conceito mais aceito sobre a origem dos seres vivos era o criacionismo: Deus criou todas as formas de vida existentes e fez o homem à sua imagem e semelhança. Outra noção que começava a tomar forma na época vinha do reverendo inglês William Paley, para quem a complexa adaptação dos organismos só poderia ser fruto de um projeto inicial, de um "designer" inteligente.
Darwin sabia que defender que os seres evoluem a partir de mutações aleatórias , e que todas as peculiaridades do ser humano teriam razões adaptativas, era bastante ousado."É como confessar um assassinato", chegou a escrever o naturalista ao colega botânico Joseph Hooker. Era preciso que todos os argumentos estivessem muito bem fundamentados. A religiosidade da esposa, Emma, também reforçava os receios de Darwin.