Empresário diz que mulher e empregado usavam computadores da firma
Traição teria ocorrido dois anos antes do fim do casamento, em 2006
Roney Domingos
Do G1 SP
A Justiça de São Paulo condenou a ex-mulher de um empresário a pagar indenização de R$ 50 mil ao ex-marido por danos morais. A decisão é em primeira instância e cabe recurso. No processo, o homem acusa a ex-mulher de ter mantido relacionamento sexual com um empregado, inclusive durante o expediente.
Além disso, o homem afirma que a ex-mulher e o amante o chamaram de “corno” diante dos demais empregados e distribuíram fotos da traição pelo correio eletrônico da empresa.
O empresário alega no processo que em uma de suas empresas, em São Paulo, a mulher mantinha caso amoroso com um empregado. Segundo ele, os dois mantinham relações sexuais de forma a expor sua figura e ainda utilizavam o provedor da empresa para difamá-lo.
A defesa da mulher afirma no processo que a prova não poderia ser obtida com a quebra de sua senha pessoal e invasão da conta de e-mail dela e do amante. O G1 entrou em contato com o empresário e com a advogada da ex-mulher, que não quiseram se manifestar. O homem que diz ter sido traído afirma também que foi vítima de uma tentativa de homicídio. O casal está separado desde 2006, mas a alegada traição teria ocorrido a partir de 2004. A sentença judicial foi proferida em 8 de março.
"No caso, não é preciso muito esforço para compreender o tormento que certamente se instaurou no espírito do autor em decorrência do que, apurou, vinha sendo praticado desde longa data pela esposa", diz o juiz, antes de condenar a mulher ao "pagamento de R$ 50 mil, correspondente a 100 salários mínimos, acrescidos de juros de 1% ao mês a partir da sentença".
Ex-presidente da comissão de informática da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o advogado Augusto Marcacini afirma que, caso não haja outras provas e testemunhas, o correio eletrônico sozinho não pode servir como prova.
"A pessoa não tinha noção de quanto era fácil há algum tempo atrás fraudar o remetente de uma mensagem eletrônica", disse ele. Marcacini afirma que é preciso ter cautela com provas eletrônicas.
"Não há nada que proíba um meio de prova específica. Por outro lado, temos de analisar até onde aquilo se mostra verossímil, crível. Mensagens eletrônicas guardam um certo problema de credibilidade, porque podem ser montadas", afirmou. "Existe uma tendência moderna ou ‘pseudomoderna’ de reconhecer aquilo como prova sem conhecer os meandros", afirmou.
O homem alega no processo que o amante de sua esposa distribuía fotos dos dois juntos pelo correio eletrônico. Uma testemunha apresentada por ele disse diante do juiz que viu a mulher e o empregado dentro do carro no estacionamento da empresa. E contou que o casal de amantes mantinha relações sexuais no local do trabalho. Além disso, disse que saíam do trabalho e voltavam com os cabelos molhados.
"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
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segunda-feira, abril 26, 2010
terça-feira, abril 20, 2010
Agência chama criança de Pateta para vender viagem
Alunos do Liceu Di Thiene, com propaganda de viagem à Disney (Foto: reprodução)"Se eu não for à Disney vou ser um Pateta",
diz a placa levada a escolas para fotos com alunos
Agência defende ação de marketing, que já foi
realizada em mais de dez escolas; ONG e promotor condenam a campanha
TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Renata, 11, combinava com uma amiga viajar em julho para a Disney. Questionada pela mãe, que não sabia de excursão nenhuma, a menina pegou uma pasta com preços do pacote turístico e uma foto em que, ao lado da colega e de um boneco do personagem Mickey Mouse, segurava a placa com os dizeres: "Se eu não for para a Disney vou ser um Pateta".
A pasta foi entregue na escola onde a menina estuda, o Liceu Di Thiene, em São Caetano (Grande São Paulo), no começo do mês passado. Era uma promoção da agência de viagens "Trip&Fun", que organiza viagens de crianças e adolescentes também para Cancún, Bariloche e Costa do Sauipe.
Com a publicidade que já levou o personagem da Disney para dentro de mais de dez escolas e tira fotos com as crianças segurando plaquinhas como a do Pateta, a agência levará em julho cerca de mil crianças para o parque em Orlando. Os pacotes custam a partir de R$ 5.216, para 13 dias em quarto quádruplo (o mais barato).
"Quer dizer que você é uma pateta porque você não vai?", perguntou à filha Renata a pedagoga Roberta, 40.
A menina diz que ficou triste. "Queria muito ir. Quase todo mundo da sala vai", conta. Para a mãe, que fala em processar a agência, o sentimento predominante foi a vergonha em relação aos colegas. "Ela ficou claramente constrangida."
A agência e a escola afirmam que não pretendiam constranger ninguém e que a placa do Pateta era apenas uma brincadeira (leia mais na pág. C3).
O promotor da área do consumidor João Lopes Guimarães Júnior diz que o caso ilustra bem os abusos na publicidade infantil. "De uma turma de 100 crianças, 80 vão viajar. As que não vão, porque os pais não querem ou não têm dinheiro, serão chamadas de Pateta. Já temos problemas sérios de bullying nas escolas. Essa empresa está criando uma situação propícia para isso. Como se pode falar em preservação da imagem da criança com esse tipo de publicidade?", diz.
Publicidade infantil
Para o promotor, a ação da agência de turismo fere os artigos 15 e 17 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prezam pelo "respeito à dignidade e a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente".
O Instituto Alana, ONG que trabalha para regulamentar a publicidade infantil, critica as ações em escolas. "Muitas vezes, acontece e o pai nem sabe. É absurdo isso ser feito dentro das escolas", diz Laís Fontenelle Pereira, coordenadora de educação da ONG.
O Conar (conselho de autorregulamentação publicitária) já baniu propagandas por considerá-las desrespeitosas, como uma do ovo de Páscoa Trakinas, de abril de 2008, que dizia: "Quem não dá ovo é um mané".
sexta-feira, abril 02, 2010
FEIRA DO ACARI OU TERMINAL?
"Tudo isso tu encontra Numa rua logo ali
É molinho de achar
É lá na feira de Acari "
Mc Batata, em sua divertida composição (feira de Acari), nos apresenta a um lugar fantástico, onde, pelo preço de um bujão, podemos comprar a geladeira, as panelas e o fogão. E onde se localizam o Mané e sua barraca, na qual as pessoas, por uma merreca, compram as pilhas e o rádio vai de graça.
Guardadas as devidas proporções, o mesmo acontece no Terminal de Integração do São Cristóvão - conforme mostram as fotos desta postagem. Não estão lá muito boas, eu sei. Reconheço que, como retratista, sou um ótimo revisor.

Estas imagens foram capturadas na quarta-feira (31/3) graças ao meu pobre celular. Como se pode ver, os vendedores de tudo comercializavam óculos escuros, badulaques e os indefectíveis DVDs piratas. Mas também havia espaço para tamancos e sandálias de todos os formatos.
É um fenômeno que só acontece no Terminal do São Cristóvão. No da Praia Grande, o máximo que vemos é alguém vendendo cremosinho, pipoca e demais guloseimas. Na Cohama, a única aporrinhação são algumas linhas, que absurdamente têm horário para sair.
O que mais impressionava, no caso em questão, era a conivência dos fiscais e dos responsáveis pela segurança do terminal. Bastava aos ambulantes pagar o valor (igualmente absurdo) de R$ 2,10 (ou a meia-passagem) para ter a oportunidade de lotear as calçadas do local.
Quer dizer que tenho toda a hipotética liberdade de fazer o mesmo se, por acaso, estiver a fim de vender uma fugurativa bomba de plutônio. Massa.
Mas tem um detalhe. Ou uma das famosas perguntas que não querem calar.
E se os ambulantes estiverem entrando no terminal sem registrar os R$ 2,10 (ou a meia-passagem) na catraca eletrônica?
Se isso estiver mesmo acontecendo, cabe aqui uma derradeira pergunta, à guisa de conclusão.
Quem poderia estar lucrando com a patranha?
quarta-feira, março 03, 2010
Assaltantes bem trapalhões
RUY CASTRO
RIO DE JANEIRO - Há semanas, a polícia prendeu três homens que tinham acabado de assaltar uma farmácia no Jardim Tremembé, zona norte de São Paulo. Chamados pelo 190, os policiais capturaram os bandidos dentro de um carro. Com eles, o produto do roubo: algum dinheiro, um secador de cabelo, três celulares, duas caixas de remédios para o fígado e 15 para impotência. Como as quantidades eram pequenas para revenda, supõe-se que os artigos fossem para uso próprio.
No Imirim, também zona norte de São Paulo, na semana passada, um rapaz de 19 anos tentou assaltar um bar penetrando pela chaminé da churrasqueira. Mas calculou mal e ficou entalado. Quando se viu incapaz de subir ou descer, apavorou-se e gritou socorro. A dona do bar acudiu, viu as pernas do jovem comicamente suspensas entre os defumados e chamou a polícia.
No Rio, três homens bem vestidos estacionaram diante de um hotel em Copacabana no começo da madrugada, renderam os seguranças e anunciaram o assalto. Depois de limpar R$ 50 mil do cofre, obrigaram um funcionário a arrombar a sala de monitoramento das câmeras e pegaram o equipamento de gravação. Em seguida, levaram cinco aparelhos de TV de LCD para o carro e fugiram -esquecendo no balcão o computador com as imagens do assalto. A polícia os identificou e prendeu.
Dá a impressão de que nossos bandidos estão ficando ineptos, relapsos, preguiçosos, não? Daí a surpresa diante do assalto bem-sucedido à casa do empresário dito operador do mensalão Marcos Valério, sábado último, em Belo Horizonte.
O bandido apresentou-se como agente de zoonoses, com o que a empregada lhe abriu o portão. Um agente de zoonoses cuida de doenças desencadeadas por vírus, fungos e bactérias, transmitidas por animais e, agora, pelo próprio homem. Faz sentido.
RIO DE JANEIRO - Há semanas, a polícia prendeu três homens que tinham acabado de assaltar uma farmácia no Jardim Tremembé, zona norte de São Paulo. Chamados pelo 190, os policiais capturaram os bandidos dentro de um carro. Com eles, o produto do roubo: algum dinheiro, um secador de cabelo, três celulares, duas caixas de remédios para o fígado e 15 para impotência. Como as quantidades eram pequenas para revenda, supõe-se que os artigos fossem para uso próprio.
No Imirim, também zona norte de São Paulo, na semana passada, um rapaz de 19 anos tentou assaltar um bar penetrando pela chaminé da churrasqueira. Mas calculou mal e ficou entalado. Quando se viu incapaz de subir ou descer, apavorou-se e gritou socorro. A dona do bar acudiu, viu as pernas do jovem comicamente suspensas entre os defumados e chamou a polícia.
No Rio, três homens bem vestidos estacionaram diante de um hotel em Copacabana no começo da madrugada, renderam os seguranças e anunciaram o assalto. Depois de limpar R$ 50 mil do cofre, obrigaram um funcionário a arrombar a sala de monitoramento das câmeras e pegaram o equipamento de gravação. Em seguida, levaram cinco aparelhos de TV de LCD para o carro e fugiram -esquecendo no balcão o computador com as imagens do assalto. A polícia os identificou e prendeu.
Dá a impressão de que nossos bandidos estão ficando ineptos, relapsos, preguiçosos, não? Daí a surpresa diante do assalto bem-sucedido à casa do empresário dito operador do mensalão Marcos Valério, sábado último, em Belo Horizonte.
O bandido apresentou-se como agente de zoonoses, com o que a empregada lhe abriu o portão. Um agente de zoonoses cuida de doenças desencadeadas por vírus, fungos e bactérias, transmitidas por animais e, agora, pelo próprio homem. Faz sentido.
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