"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
quinta-feira, julho 19, 2012
BOOKAHOLIC
Além de se mostrar diariamente devotado ao trabalho e à esposa e aos dois filhos, aqueles que conheceram Martins mesmo que superficialmente identificavam nele uma terceira faceta – a do bookaholic.
Nós tínhamos essa “competição”, por assim dizer: quando ele comprava um livro, acabava me incentivando a fazer o mesmo no dia seguinte. Lembro quando, há alguns anos, chegou às bancas mais uma coleção de obras-primas. Tomados em conjunto, os clássicos da literatura universal (“Moby Dick”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Tom Jones”, entre outros) ocupam tranquilamente a prateleira de cima de qualquer estante – desde que se tenha a vaidade de exibir para uma eventual visita o gosto contumaz pela leitura.
Mas a grande verdade é que tanto o ato de ler quanto de escrever inevitavelmente – e de um jeito ou de outro – acabam atraindo a atenção. Ainda mais a que não desejamos de forma alguma.
Ao abrirmos um livro, já estamos divulgando ao mundo uma espécie de “diploma de intelectual”. Um atestado de que, num Maranhão (ou o Brasil de uma forma geral) com tantos analfabetos, o CDF é uma criatura diferente. O problema é que, de vez em quando, ser um indivíduo diferenciado atrai a curiosidade impertinente e, o que é pior, o preconceito.
Sempre ouvi que ler em ônibus é prejudicial à saúde da visão. Algo a ver com o deslocamento da retina, em razão das tantas sacolejadas do carro. Graças a Deus, nunca funcionou comigo. Porque, numa cidade como São Luís, que têm várias ruas parecidas com cenários de pós-guerra, muito provavelmente eu já teria ficado cego. E ainda há a questão do tempo que levo para chegar ao trabalho. Quem mora na Cidade Operária, Maiobão e adjacências sabe muito bem o que é passar entre 40 minutos e uma hora (naturalmente descontados os eventuais engarrafamentos) dentro de um coletivo que geralmente trafega pela Ilha para lá de abarrotado. Sem um livro ou qualquer forma de distração, não dá para aturar numa boa esse estresse.
Mas eu quero mesmo tratar é dos chatos que perturbam os bookaholics que estão sempre com um livro debaixo do braço e não se contêm em lê-los onde quer e com quem estejam. Nem com quem. Lembro agora de duas ocasiões. Na primeira, ligeiramente afundado no assento do ônibus no qual me encontrava, me vi perdido na trama mirabolante de “Ponto de impacto”, de Dan Brown, quando sentou-se ao meu lado um mala que muito me perturbou, do Terminal de Integração do São Cristóvão ao bairro do São Francisco comentando tudo quanto foi diacho de romance que disse ter lido creio eu desde a invenção da imprensa. Em condições normais de temperatura e pressão, a tagarelice dele seria até louvável porque abordava um assunto a respeito do qual arrogantemente me considero um especialista. O que jogou a sujeira no ventilador nesse caso foi a surpreendente anedota final do sujeito.
Depois de encher o saco falando e falando sobre tudo quanto foi peça de ficção que lhe caiu nas mãos, o indivíduo encarou-me com seriíssima gravidade e disse, quase em tom de confidência: “Pois é meu jovem. Li tudo o que me apareceu pela frente. E sabe o que foi que isso me rendeu?”. Não esperou minha resposta, que obviamente seria negativa: “Nada. Estou desempregado há dois anos e tenho dois periquitos pra dar de comer. Por isso, largue esse negócio de livro de mão e procura trabalhar, que é melhor”.
É isso aí, prezado Raimundo Martins: certos malas, só matando.
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
PIADAS CURTAS
Salário Mínimo
Racismo
Numa escola americana a professora diz aos alunos:
- A partir de hoje não há mais racismo na minha sala de aula! Agora já não há mais brancos e negros. Passamos a ser todos azuis!
E prosseguiu:
- Agora vamos todos sentar. Os azuis clarinhos aqui na frente e os azuis escuros lá no fundão!!!!!
Descobrindo o Brasil
-Porque senão ele nunca teria conquistado a américa.
O Banguelo
A mãe chega ao pai com cara de feliz assustada segurando a mão de seu filho de 1 ano e fala e fala :
- Ontem nasceu o primeiro dente e ele falou pela primeira vez !!
- E o que o nenem disse ?
- Queblei o dente!
PIADAS SOBRE O CORINTHIANS
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
LUCIANO DO VALLE
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
DISTORÇÕES
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
DAS VAIDADES
O nosso corpo deve ser um sacrifício vivo. A Bíblia diz em Romanos 12:1 “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
No sentido espiritual o nosso corpo pertence a Deus e é considerado o seu Templo. A Bíblia diz em 1 Coríntios 6:19-20 “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.”
terça-feira, fevereiro 07, 2012
DICKENS - 200 ANOS
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
SALVADOR EM TRANSE
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
ESCOLA PARA QUÊ?
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
A TENDÊNCIA É PIORAR
Para começo de conversa, o sistema de transporte coletivo de São Luís do Maranhão sempre foi ruim.
Lembro dos meus tempos de colégio. Eu tinha entre dez e onze anos quando aprendi, sozinho, a entrar em um ônibus para ir ao bom e velho Meng. Saía de casa, na saudosa Rua Professor Mata Roma, acessava a não menos memorável Rua 15 – onde morava a inesquecível Rosângela – e a partir daí seguia até o ponto final dos coletivos que serviam ao Bairro de Fátima.
Não morávamos muito longe do Centro, mas a impressão que dava é que a distância era maior. Muitos anos depois, já residindo na Cidade Operária e precisando ir à UFMA, passei muito sufoco me espremendo em verdadeiras latas de sardinha. Quando eu era garoto, parecia ser muito pior. O que eu via era que o Bairro de Fátima ficava do outro lado da cidade, de tanto que o lotação parava para recolher passageiros.
Uma vez, tomei uma suspensão justamente por isso. Na época, chegar atrasado à escola não era regra e sim exceção. Até que um dia a tolerância da diretoria terminou, e eu acabei entrando em um grupo de alunos “relapsos”. Em casa, fui acusado de “dormir demais”. Com essa falta de apoio, o jeito era me esforçar para não cometer mais uma vez o mesmo “erro”.
O certo mesmo é que, se você não nascer em berço de ouro nem acertar de cara em uma Mega-Sena acumulada de 60 milhões, o jeito é virar refém do sistema de transporte coletivo. Hoje mesmo, um dia após a confusão ocorrida no Terminal de Integração do São Cristóvão, passei por uma situação constrangedora.
Quando o ônibus da linha Jardim Tropical/Santos Dumont aproximava-se do Parque do Bom Menino, o motorista simplesmente estacionou em um posto de combustível e instruiu o cobrador a “colocar os passageiros em outro carro”. O ônibus apresentou qualquer problema mecânico, não informado, e ficou por isso mesmo. E assim foi feito. Entre mortos e feridos, salvaram-se os que nada têm a ver com os defeitos mecânicos apresentados por veículos que deveriam ter sido aposentados há séculos. E a tendência, lamento constatar, é que essa esculhambação piore.
Agora, o mais engraçado – e triste – é que os motoristas e cobradores se passam por vítimas do sistema, quando não passam de colaboradores. As greves que protagonizam não passam de um recurso dos empresários que os comandam no sentido de pressionarem a Prefeitura a aumentarem o preço das passagens. Assim, deliram esses imbecis, podem encontrar um jeito de aliviar os “prejuízos” que encontram ao gerirem o sistema que eles mesmos tornaram precário.
Mas ainda não aconteceu em São Luís a Grande Crise. Como ocorre em Recife, em Teresina, em localidades nas quais a população parte para cima do sistema. Ônibus apedrejados e incendiados, um verdadeiro clima de guerra civil.
Talvez seja este o choque de que se precisa, aqui na Ilha, para melhorar a situação do transporte coletivo de São Luís.
terça-feira, janeiro 31, 2012
CABEÇA DE BOLEIRO
Em seu melhor momento, o boleiro, para lá de bem-humorado, aceita ser entrevistado por toda sorte de repórteres. Quando faz três, quatro gols, pede música no "Fantástico". Quando ajuda sua equipe a conquistar um título, então, aceita de bom grado o rótulo de "herói".
Agora, quando a fase não é boa, bico fechado.
Lembro quando Neymar se meteu naquela queda de braço com Dorival Júnior, no Santos. Um episódio foi sintomático: o "Moicano" caminhando por um aeroporto protegido por um segurança. Um repórter televisivo e o cinegrafista que o acompanhava aproximaram-se para falar com o garoto e foram repelidos violentamente pelo brucutu.
Quando está numa boa, ele aparece nos programas da Globo repondendo aos questionários mais tolos o tempo todo exibindo um sorriso falso e rindo de maneira mais falsa ainda.
Hoje, leio na Internet mais um exemplo de como funciona a cabeça do jogador. O elenco do Vasco, em razão de salários atrasados, decidiu não se concentrar para a partida de amanhã contra o Bangu.
Fico pensando: esse negócio de Roberto Dinamite não disponibilizar na conta dos jogadores os valores devidos certamente já era um problema que originou-se ano passado e que, por causa do bom momento vivido pelo Gigante da Colina - venceu a Copa do Brasil e batalhou, sem sucesso, pela Sul-Americana e pelo Brasileirão -, jogou-se tudo para as famosas "entocas", para não atrapalhar o bom desempenho da equipe.
Diz-se que carreira de boleiro é igual a viaduto: uma hora você está por cima, na outra está por baixo. Mas acho muito mais jogo o boleiro se comportar de forma natural tanto nas vitórias quanto nos maus momentos.
Para que se evite esse "pacto da mediocridade" comum a quem se envolve com o universo do esporte bretão - que só é legal nas quatro linhas. Fora, é uma sucessão de situações vergonhosas.
segunda-feira, janeiro 30, 2012
PEDAÇOS DA REALIDADE
2) A Renata Ingrata do Big Brother pediu anticoncepcionais à produção do programa e será submetida a exames. Para a alegria de Boni, só falta Pedro Bial anunciar a gravidez da loirinha.´
3) E Barrichello não para. Não quer sossegar a periquita, não pretende esfriar a bacurinha automobilística. Parece que vai correr pela Fórmula Indy. Caso se confirme, será interessante ver um piloto egresso da Fórmula 1 disputar as 500 Milhas de Indianápolis, que só não é mais desafiadora do que o Grande Prêmio de Mônaco.
4) Achei também interessante essa história do Miguel Falabella. Ele, que é o diretor da peça em que aconteceu o acidente com os atores "globais", no momento do causo estava em um cinema. Como é que é isso? Eu dirijo um espetáculo e não estou presente quando o mundo caía na cabeça alheia? Como diz a música, "nada é fácil de entender".
5) Wilson Lima acaba de se despedir desta redação. Vai trilhar outros caminhos, tentará ser feliz noutros rincões jornalísticos. Vai na paz, garoto. Que Deus ilumine sua trajetória.
domingo, janeiro 29, 2012
ESPORTE "DE NÍVI"
Dois dos melhores atletas do mundo na atualidade se enfrentaram numa batalha de quase seis horas, mas por incrível que pareça em momento algum a partida deu sono.
Novak Djokovic, o vencedor da peleja, e Rafael Nadal mostraram que são grandes mestres dos aces, dos slashes e das "paradinhas" - que obrigam o adversário a desmontar a estratégia de contra-atacar utilizando o fundo de quadra.
sábado, janeiro 28, 2012
A MILÉSIMA POSTAGEM
Romário marcou o milésimo dele pelo Trem-Bala da Colina em São Januário no domingo, 20 de maio de 2007.
Hoje, 28 de janeiro de 2012, um vascaíno convicto alcança a marca (para ele histórica) de 1.000 postagens em seu blog "Diário da Ilha".
Este meu recanto na rede mundial de computadores vai comemorar cinco anos em abril. Devo admitir que em matéria de blogs fui meio que um "Maria vai com as outras", porque tanto ouvi a respeito do milagre da multiplicação de páginas pessoais na Internet que resolvi fazer o meu.
Como jamais fui uma "pessoa pública", sequer uma dessas tais "subcelebridades", raros foram aqueles que dispuseram seus comentários a respeito de algo que eu tivesse colocado aqui - produções minhas próprias particulares e informações recolhidas na rede.
Não que isso vá me fazer "deitar na BR" - lembrando agora da letra de um forró de grande sucesso. Por mais que me acusem de ser um sem-ambição, tenho muito mais a ganhar na condição de ilustre desconhecido.
Não há ninguém, por exemplo, para patrulhar meus escritos. Um indivíduo famoso tem mais essa preocupação de se policiar quando vai colocar o que pensa em seu blog, no Twitter, no Facebook ou no Orkut.
O que importa mesmo é escrever. E a minha primeira postagem, no já distante abril de 2007 (ano em que perdemos o brilhante Raimundo Martins, então editor de capa de O Estado), foi justamente um conto ou um esboço de conto, cujo título era "Adeus, de novo"- que ora reproduzo:
ADEUS, DE NOVO
A viagem foi um pesadelo de oito horas. Chovia muito e por duas vezes o ônibus saiu da estrada. Nas duas ocasiões, esteve a ponto de capotar, e foi um verdadeiro milagre ninguém ter sofrido lesões graves.
Outro aspecto terrível dessa dantesca odisséia foram os muitos carros e corpos destroçados que os passageiros viram ao longo da odisséia dantesca. Houve um caso, antes de chegarem a Arari, no qual cinco automóveis pegavam fogo ao mesmo tempo. Duas senhoras, de idade avançada, vomitaram quando viram oito cadáveres dilacerados pelas chamas.
Sentado próximo ao motorista do ônibus, Daniel Mendes não deixou de comentar que em momentos como esse fica muito difícil aceitar a existência de Deus. Uma das senhoras que colocara para fora sua última refeição indignou-se e, nem bem refeita da tragédia que testemunhara, indignou-se.
- Como o senhor pode dizer um absurdo desse? - vociferou. - Nós acabamos de escapar duas vezes da morte certa! Se Deus não nos ajudou, que explicação me dá para o que aconteceu com a gente?
O professor Daniel Mendes, 38 anos, tinha uma resposta na ponta da língua, mas preferiu guardá-la para si. A verdade era que, após a morte de Luciana, desfez de um golpe tudo o que relacionava o casal a Deus Nosso Senhor e aos santos dos quais eram devotos. Queimou livros de orações, as coleções de hinos religiosos, a Bíblia que deixavam aberta na mesa da sala no começo do Evangelho de São Mateus, as imagens de São Judas Tadeu, de São Jorge com o dragão, de Nossa Senhora do Carmo, de Nossa Senhora de Fátima e de Nossa Senhora das Dores. Por último, quebrou em pedaços bem miúdos uma impressionante imagem do Cristo Crucificado, em tamanho natural, para a qual construíram uma capela no quintal e diante da qual passavam pelo menos uma hora em orações contritas após o almoço e o jantar, todo santo dia.
Não deu nem tempo a si mesmo de digerir o abrupto rompimento com os desígnios divinos. Foi até o Terminal Rodoviário e comprou uma passagem para São Bento. Porque foi o primeiro município sobre o qual alguém falou, ao chegar à rodoviária. Não conhecia o lugar. Tampouco tinha parentes que lá residissem. Tudo o que queria era ir para bem longe, para alguma cidade que significasse para ele a terra do esquecimento, onda ñão teria mais que pastorear seus rancores, sua raiva, sua mágoa, sua tristeza e, mais importante, a saudade, que parecia não ter limites.
No dia seguinte, apareceu na rodoviária às seis da manhã - que era o horário de saída do ônibus, marcado no bilhete. Imaginou o que pensaria o diretor do colégio da rede particular quando soubesse que seu professor de língua portuguesa, literatura brasileira e redação não desse as caras às sete horas na escola, e na raiva que o homem teria de engolir quando soubesse que Daniel não trabalharia para ele nunca mais. Daniel deu de ombros. "Que vá para o inferno", murmurou. Em seguida, entrou no ônibus. Nesse momento, o céu tornou-se cor de carvão, o ribombar do trovão sacudiu a Ilha e os ventos gelados apavoraram os bentivis em seus beirais carcomidos pelo descuido crônico de uma Prefeitura de merda.
Não houve mais percalços pelo resto da viagem demente. Mas a chuva continuava quando ele colocou os pés na cidade que desconhecia por completo e na qual haveria de viver até o fim de sua residência na terra. Não se sentia cansado. Podia muito bem suportar o peso de suas duas grandes malas, sob o temporal, enquanto procurava uma pousada provisória, a partir da qual procuraria seu castelo definitivo.
Antes de começar sua caminhada, soltou um longo suspiro e disse para o céu enfarruscado:
- Mais uma vez adeus, minha querida Luciana. Você morreu, mas é a minha vida que deve continuar. Sinto muito mesmo.Em seguida, movendo o pé direito, deu início à última aventura de sua vida.
Pois é. Agora, daqui até a postagem 2.000.
Se Deus assim quiser e permitir.
Um abraço!
sexta-feira, janeiro 27, 2012
OS EGOS SÃO ASSIM
quinta-feira, janeiro 26, 2012
SETE CONSELHOS
Alguém aí na plateia certamente já ouviu falar em Gabriel García Márquez. Antes de Shakira deixar o mundo abismado com seu contorcionismo no palco, sua boz e sua boa música, Márquez encantou esse mesmo mundo com romances maravilhosos, como (em minha modesta opinião) “Cem anos de solidão”, “O amor nos tempos do cólera e “Do amor e outros demônios”.
Este preâmbulo serve como suporte para lhes contar que na última quarta-feira (25), vasculhando pela Internet - cada vez mais sob ameaça de controle do “dragão imperialista” estadunidense -, encontrei sem querer um blog no qual consta um opúsculo cujo título é “Sete conselhos de Gabriel García Márquez a um editor de blog”.
Na verdade, o título serve apenas para chamar a atenção, porque o próprio autor (não me peçam nomes agora: a memória tem escorrido por goteiras) afirma que o mestre de “Olhos de cão azul” não se dirigia exclusivamente a quem escreve em um blog e sim a qualquer um que trabalha com a palavra.
Eu mui humildemente, como diria o poeta, atrevo-me a de vez em quando “remover a neve da folha de papel”. E porque tenho um longo chão pela frente até preencher esta com as minhas inofensivas considerações, lhes passarei os sete conselhos, com o acréscimo de comentários – mais ou menos como Napoleão Bonaparte fez em relação a “O príncipe” do sempre atual Maquiavel.
1 – “Uma coisa é uma história longa e outra coisa é uma história alongada”.
A primeira deve ser mais interessante que a segunda. Os romances de Dan Brown, por exemplo. Tem 105 capítulos, mas, além da maioria deles ter pelo menos cinco páginas, as peripécias de Robert Langdon estão encadeadas de tal forma que o leitor termina o livro em menos de uma semana (o meu caso). Já em “Os cães ladram...”, de Truman Capote, há um “alongado” (e porre) relato dividido em duas partes de uma viagem que o autor empreendeu à então União Soviética. Uma obra assim pode ser largada pela metade sem o menor remorso.
2 – “O final de um artigo deve ser escrito quando estiver indo pela metade”.
É meio que um negócio de maluco. E meio impossível de se fazer, dada a concentração total exigida no ato de escrever. Você começa digitando, se perde na floresta de palavras feito um porco cego e o fim do texto é, literalmente, o último elemento com que deve ser preocupar.
3 – “O autor lembra mais facilmente como um artigo termina do que como ele começa”. Porque às vezes o começo do texto é um grande bolo de matéria fecal, e o escriba termina precisando se redimir do meio para o fim.
4 – “É mais fácil agarrar um coelho que um leitor”. Lógico. Quem lê é exigente. Não se deixa enganar por qualquer Paulo Coelho.
5 – “É necessário começar com a intenção de que se escreverá a melhor coisa jamais escrita, porque logo essa vontade diminui”.
Todo mundo que está no início da jornada pelas letras quer ser o próximo Jorge Amado, Érico Verissimo, John Updike ou Michael Crichton. Pretende ser a “bola da vez”, a encontrar uma forma de ajudar seu leitor a pensar de formas diferentes. Mas à medida que o tempo avança e traz consigo diversas decepções – não apenas no campo literário – a realidade obriga a arrogância a murchar feito um balão desamarrado.
6 – “Quando alguém se aborrece escrevendo, o leitor se aborrece lendo”. Quem escreve quer ser lido. É simples. Não sei se foi Montesquieu quem disse “Eu não faço nada sem alegria”. Em todo caso, essa lição deve ser aplicada a todas as atividades. E, já que você vai encarar a “luta com as palavras”, tente se divertir. As pessoas que lerão seus trabalhos vão agradecer que só.
7 – “Não force o leitor a ler uma frase novamente”. É o maior pecado que um escritor pode cometer. Vale para os prolixos e os que padecem de elefantíase literária – escrevem demais, sem conteúdo relevante. E eu espero ter seguido os sete conselhos à risca. Porque senão tentarei novamente. Até acertar.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
SALVE O CORINTHIANS
terça-feira, janeiro 24, 2012
DE BESTIAL A BESTA
Críticas à parte, o Nacional, da Cidade Operária, e o Roma, do Bairro de Fátima, entraram em campo às sete da noite em ponto. Nas arquibancadas e sociais, um bom público. Mais gente, com certeza, do que haveria em um MAC x São José, por exemplo. E mais animada, sem dúvida alguma, com ambas as torcidas levando para o Gigante da Vila Passos suas respectivas charangas e batucadas.
O Nacional era o favorito. Mas ponha favoritismo nisso. Dos 96 timinhos, times razoáveis e timaços que começaram o Interbairros em setembro, foi o único a vencer todas as suas partidas goleando quem passou pela frente. O desempenho mais fraco ocorreu nas oitavas, diante do Manchester, do Filipinho, que apanhou só de três.
Já o Roma... Bem, o glorioso representante do Bairro de Nossa Senhora de Fátima não chegou invicto à grande final. Não se apresentou bem na primeira fase. Não tivesse feito um bom saldo de gols, teria ficado pelo meio do caminho. E das oitavas em diante eliminou seus adversários nos pênaltis.
E além do bom time que entrou nos diversos campos da Ilha para exibir um futebol esplendorosamente histórico, o Nacional contava, no banco de reservas, com o até então considerado melhor técnico do Interbairros, Luciano Ribeiro, o “José Mourinho de Upaon-Açu”. Porque, apesar de muito competente, era um chato de carteirinha, arrogante e prepotente. Em razão do ótimo trabalho realizado no torneio, acreditava-se a última jujuba do pote, em matéria de futebol-arte.
Quem acompanhava de perto o Interbairros de uma forma geral estava doido para ver o “bestial” (como o próprio se rotulava) virar besta e calçar as famosas havaianas da humildade. O problema era que o time de Luciano simplesmente não sabia o que era perder. Seu grande trunfo era o artilheiro do campeonato. Pedrinho, um moleque de 17 anos, fera até não poder mais, tinha o estilo do Messi: quando a dominava no meio-campo, a bola grudava em suas chuteiras e só parava dentro do gol do outro time.
E Pedrinho na decisão destruiu o Roma. Três gols em 40 minutos. Até o fim do primeiro tempo, o Nacional apenas tocava a bola no meio-campo, ouvindo o “olé” de sua torcida.
Os times foram para o intervalo. Quinze minutos depois, o Nacional voltou. Mas sem Pedrinho. De acordo com relatos fidedignos, ao saber que seria rifado porque seu treinador preferiu continuar administrando a partida a pulverizar de vez o Roma o menino e o técnico se estapearam no vestiário. O certo mesmo é que Luciano subiu para o gramado com o olho esquerdo machucado e Pedrinho nem mais na Cidade Operária continuou morando. E mais certo mesmo foi que o Roma aproveitou que a substituição adversária não surtiu efeito, reagiu e empatou a decisão de forma espetacular. A partida foi para os pênaltis... e aí o favoritismo mudou de residência.
E o bestial tornou-se besta. O que muita gente estava mesmo a fim de ver.