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quinta-feira, julho 19, 2012

BOOKAHOLIC

Quando cheguei a “O Estado”, Deus me concedeu o privilégio e a grande felicidade de me tornar amigo do saudoso Raimundo Martins. Para quem não faz a menor ideia de quem eu possa estar falando, o profissional em questão atuava em duas frentes: era editor de capa deste jornal e tinha uma função bem relevante na TV Difusora. Tarefas que invariavelmente o tiravam de casa bem cedo pela manhã e faziam-no retornar à família lá pelas tantas da noite – quando não de madrugada.
Além de se mostrar diariamente devotado ao trabalho e à esposa e aos dois filhos, aqueles que conheceram Martins mesmo que superficialmente identificavam nele uma terceira faceta – a do bookaholic.
Nós tínhamos essa “competição”, por assim dizer: quando ele comprava um livro, acabava me incentivando a fazer o mesmo no dia seguinte. Lembro quando, há alguns anos, chegou às bancas mais uma coleção de obras-primas. Tomados em conjunto, os clássicos da literatura universal (“Moby Dick”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Tom Jones”, entre outros) ocupam tranquilamente a prateleira de cima de qualquer estante – desde que se tenha a vaidade de exibir para uma eventual visita o gosto contumaz pela leitura.
Mas a grande verdade é que tanto o ato de ler quanto de escrever inevitavelmente – e de um jeito ou de outro – acabam atraindo a atenção. Ainda mais a que não desejamos de forma alguma.
Ao abrirmos um livro, já estamos divulgando ao mundo uma espécie de “diploma de intelectual”. Um atestado de que, num Maranhão (ou o Brasil de uma forma geral) com tantos analfabetos, o CDF é uma criatura diferente. O problema é que, de vez em quando, ser um indivíduo diferenciado atrai a curiosidade impertinente e, o que é pior, o preconceito.
Sempre ouvi que ler em ônibus é prejudicial à saúde da visão. Algo a ver com o deslocamento da retina, em razão das tantas sacolejadas do carro. Graças a Deus, nunca funcionou comigo. Porque, numa cidade como São Luís, que têm várias ruas parecidas com cenários de pós-guerra, muito provavelmente eu já teria ficado cego. E ainda há a questão do tempo que levo para chegar ao trabalho. Quem mora na Cidade Operária, Maiobão e adjacências sabe muito bem o que é passar entre 40 minutos e uma hora (naturalmente descontados os eventuais engarrafamentos) dentro de um coletivo que geralmente trafega pela Ilha para lá de abarrotado. Sem um livro ou qualquer forma de distração, não dá para aturar numa boa esse estresse.
Mas eu quero mesmo tratar é dos chatos que perturbam os bookaholics que estão sempre com um livro debaixo do braço e não se contêm em lê-los onde quer e com quem estejam. Nem com quem. Lembro agora de duas ocasiões. Na primeira, ligeiramente afundado no assento do ônibus no qual me encontrava, me vi perdido na trama mirabolante de “Ponto de impacto”, de Dan Brown, quando sentou-se ao meu lado um mala que muito me perturbou, do Terminal de Integração do São Cristóvão ao bairro do São Francisco comentando tudo quanto foi diacho de romance que disse ter lido creio eu desde a invenção da imprensa. Em condições normais de temperatura e pressão, a tagarelice dele seria até louvável porque abordava um assunto a respeito do qual arrogantemente me considero um especialista. O que jogou a sujeira no ventilador nesse caso foi a surpreendente anedota final do sujeito.
Depois de encher o saco falando e falando sobre tudo quanto foi peça de ficção que lhe caiu nas mãos, o indivíduo encarou-me com seriíssima gravidade e disse, quase em tom de confidência: “Pois é meu jovem. Li tudo o que me apareceu pela frente. E sabe o que foi que isso me rendeu?”. Não esperou minha resposta, que obviamente seria negativa: “Nada. Estou desempregado há dois anos e tenho dois periquitos pra dar de comer. Por isso, largue esse negócio de livro de mão e procura trabalhar, que é melhor”.
É isso aí, prezado Raimundo Martins: certos malas, só matando.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

PIADAS CURTAS

Salário Mínimo

Salário mínimo é como menstruação, vem uma 1 vez por mês, dura 3 ou 4 dias e se atrasar deixa todo mundo louco.

Racismo

Numa escola americana a professora diz aos alunos:

- A partir de hoje não há mais racismo na minha sala de aula! Agora já não há mais brancos e negros. Passamos a ser todos azuis!

E prosseguiu:

- Agora vamos todos sentar. Os azuis clarinhos aqui na frente e os azuis escuros lá no fundão!!!!!


Descobrindo o Brasil

Por que sabemos que Pedro Álvares Cabral não era corinthiano?
-Porque senão ele nunca teria conquistado a américa.

O Banguelo

A mãe chega ao pai com cara de feliz assustada segurando a mão de seu filho de 1 ano e fala e fala :

- Ontem nasceu o primeiro dente e ele falou pela primeira vez !!

- E o que o nenem disse ?

- Queblei o dente!


PIADAS SOBRE O CORINTHIANS

“Corinthians é igual a Dercy Gonçalves – 100 anos fazendo a gente rir!”
“Perder uma Libertadores é humano, perder todas é corintiano.”
“Corinthians é igual tartaruga em cima de árvore – a gente nunca sabe como ela chegou lá, mas sabe que vai cair.”

E por hoje é só, pessoal!

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

LUCIANO DO VALLE

A idade avança e os efeitos vão se fazendo cada vez mais evidentes.
Lembro de uma ocasião, eu com uns 12 anos, em que precisei ir rapidamente da feira do Bairro de Fátima para casa. Na minha cabeça adolescente, "vem rápido" significava correr como o vento (aqui eu pego uma fala de Forrest "Tom Hanks" Gump).
Vários anos depois, já com meus 30 e poucos, ficando barrigudo por causa da cerveja e do sedentarismo, perguntem se aguento correr vinte metros. É fazer isso e demorar bastante para recuperar o fôlego. Ora, direis, é só uma questão de que se vá a uma academia. O negócio é que um de meus defeitos é ser diariamente seduzido pelo canto das sereias. E elas, aparentemente, não prezam a qualidade de vida.
Todo esse preâmbulo para tratar de Luciano do Valle. Acabo de saber que o narrador foi afastado da Bandeirantes por causa de "problemas psicológicos". Parece que, no jogo Santos x Palmeiras, o jornalista cometeu muitas gafes e trocou nomes e posições de alguns jogadores. E dizem que na última Copa do Mundo o indivíduo deu tanto trabalho nesse sentido que acabou sendo dispensado nos últimos dias.
O esporte brasileiro muito deve a iniciativas de Luciano do Valle. Foi graças a ele que o Brasil ficou sabendo da Fórmula Indy e das 500 Milhas de Indianápolis. Graças a ele, Adilson Maguila Rodrigues tornou-se um fenômeno do boxe mundial, com direito a lutar pelo título mundial dos pesos-pesados. E muitos de nós ainda se lembram com muito carinho da Seleção Brasileira de Masters. Mas como o peso da idade afeta todos os seres humanos - inclusive o próprio Maguila, que hoje sofre do Mal de Parkinson -, Luciano também vai sentindo as consequências do peso da idade. Afinal, já são 68 anos.
É nesse ponto que a qualidade de vida aos 30 e poucos deve fazer a diferença.
Fica a lição. Não apenas para mim. Mas principalmente.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

DISTORÇÕES

Acredito que este mundo de meu Deus começou a ser marcado pelas distorções quando o homem passou a se interessar pela concentração de riquezas.
Enquanto em uma escola da rede particular de ensino daqui de São Luís o professor emprega recursos da mais avançada tecnologia para ministrar suas aulas, muitas crianças não conseguem sequer uma vaga na rede pública.
Agora, vejo em um site que determinada passista de uma escola de samba em São Paulo desfilará com um sapato de cinco mil reais.
Falei ainda há pouco pelo msn com uma amiga. Contei-lhe essa história, e ela me disse o seguinte:
"E eu aqui, ralando para apurar 1.000 reais no fim do mês".
Porque ela usou a abordagem errada. Em vez de se preocupar com especializações e diplomas, devia seguir o exemplo da passista. Essa minha amiga também é uma mulata de parar o trânsito. Tenho certeza de que se daria muito melhor requebrando seu corpo maravilhoso.
E como afirma uma outra boa amiga, quem nasce pobre e feio tem mais é que ir estudar.
Neste mundo de meu Deus em que imagem e aparência são boa parte das regras do jogo para certas pessoas serem mais felizes do que outras, há uma certa (e insólita) razão no que me dizem as pessoas que não foram criadas para mostrar os peitos e a bunda para o brasileiro tarado se acabar no banheiro com a prática do onanismo.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

DAS VAIDADES

"A vaidade quer aplauso".
Essa frase é do escritor, pintor e escritor italiano Massimo d'Azeglio (1798-1866) e se ajusta perfeitamente a uma notícia que acabei de ler na Internet.
Ângela Bismarchi, sempre ela, pretende fazer uma cirurgia plástica que teoricamente a deixará com o sorriso "igual" ao da Mona Lisa de Leonardo Da Vinci.
Ângela é uma desses fenômenos com seu próprio movimento de translação. Uma vez por ano, por meio de sua assessoria de imprensa, ela "planta" na mídia uma notícia a respeito de mais uma das tantas alterações que promove em seu corpo em tempos de Carnaval para chamar a atenção.
O que nos leva a algumas reflexões.
Logo de cara, faço um control c, control v básico e lhes ofereço um trecho do ponto de vista a respeito do que diz a Bíblia sobre o corpo humano, oferecido pelos autores do site http://www.jesusvoltara.com.br.
Deus é o Criador do corpo humano. A Bíblia diz em Salmos 139:14 “Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.”
O nosso corpo deve ser um sacrifício vivo. A Bíblia diz em Romanos 12:1 “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
No sentido espiritual o nosso corpo pertence a Deus e é considerado o seu Templo. A Bíblia diz em 1 Coríntios 6:19-20 “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.”

"O nosso corpo deve ser um sacrifício vivo". Interessante. Dá o que pensar. Li em algum lugar que o ser humano deseja dominar seu invólucro carnal. Tatuagens, piercings, próteses de silicone e outros penduricalhos ou cosméticos servem para tornar o corpo atraente aos olhos do próprio dono e, principalmente, aos de quem está observando.
E se o assunto é fazer sacrifícios em nome da vaidade ou mesmo para cultivar o orgulho e o amor-próprio, lanço aqui a questão: até que ponto figuras como Ângela Bismarchi, que ganham bastante dinheiro com o que é aparente e efêmero, podem chegar no sentido de se autopromoverem com cirurgias e outras modificações significativas?

terça-feira, fevereiro 07, 2012

DICKENS - 200 ANOS

Para começo de conversa, Dickens foi um visionário.
Sabem como é que um homem dotado de vislumbres do amanhã faz para se consagrar entre seus contemporâneos e perpetuar seu nome na História? É desse jeito: dar forma a obras-primas que a maioria das pessoas considera absurdas antes que saiam da mente ou da prancheta.
E Dickens foi um visionário porque criou a novela e os seriados televisivos modernos.
Deve ter acontecido assim: alguma de suas ótimas histórias talvez não tivesse obtido os aplausos imediatos do público e da crítica. É um exercício de imaginação de nossa parte, claro, mas fico a imaginar Charles sentado à sua mesa de trabalho e dizendo de si para consigo: "Vem cá, porque é que não faço algo em série? Algo que prenda a imaginação do leitor até o episódio seguinte"?
"À espera de um milagre", de Stephen King, nasceu com essa proposta. E o mestre de "Tripulação de esqueletos" não deixou de dar o devido crédito a seu "mentor":
"Houve uma ou duas ocasiões em que perguntei a mim próprio se Charles Dickens teria sentido a mesma coisa, com a esperança de que as questões levantadas pelo enredo encontrassem as respostas em si mesmas; suponho que ele deve ter passado pela mesma coisa. Felizmente para ele, Deus concedeu ao velho Charles um pouco mais no departamento do talento".
E esse talento se cristaliza com este trecho de "Um conto de Natal":
– Bom Natal, meu tio, e que Deus o ajude! – exclamou uma voz jovial.
Era a voz do sobrinho de Scrooge, cuja entrada no escritório fora tão imprevista, que este cordial cumprimento
foi o único aviso com que o rapaz se fizera anunciar.
– Tolice! Tudo isso são bobagens!
O sobrinho de Scrooge, que havia caminhado apressadamente no meio da bruma gélida, tinha o rosto incendiado
pela corrida. Seu rosto simpático estava vermelho, os olhos brilhavam, e, quando falava, seu hálito quente transformava-
se numa nuvem de vapor.
– Natal, uma bobagem, meu tio? Parece que o senhor não refletiu bem!
– Ora! – disse Scrooge. Feliz Natal! Que direito tem você, diga lá, de estar alegre? Que razão tem você de estar
alegre, pobre como é?
– E o senhor – respondeu alegre e zombeteiramente o sobrinho –, que direito tem de estar triste? Que razão tem
o senhor de estar acabrunhado, rico como é?
Não encontrando no momento melhor resposta, Scrooge repetiu novamente:
– Tolice! Tudo isso são bobagens!
– Vamos, meu tio! Não se amofine! – disse o jovem.
– Como não me amofinar, – replicou o tio, – quando vivemos num mundo cheio de gente ordinária? Feliz Natal!...
Que vá para o diabo o seu feliz Natal! Que representa para você o Natal, a não ser uma época em que você é
obrigado a abrir o cordão da bolsa já magra? Uma época em que você se faz mais velho um ano e nem uma hora
mais rico? Em que você, fazendo um balanço, verifica que ativo e passivo equilibram, sem deixar nenhum resultado?
– Se fosse eu quem mandasse, – continuou Scrooge indignado, – cada idiota que percorre as ruas com um “feliz
Natal” na ponta da língua seria condenado a ferver em sua marmita, em companhia de seu bolo de Natal, e a ser
enterrado com um galho de azevinho espetado no coração. Pronto!
– Meu tio! – exclamou o jovem.
– Meu sobrinho, – tornou o tio num tom severo –, pode festejar o Natal a seu modo, mas deixa-me festejá-lo
como me aprouver.

Charles Dickens nasceu no dia 7 de fevereiro de 1812. Aqui no Brasil, já praticamente respiramos o Reinado de Momo. Como será que Dickens se sairia escrevendo sobre o nosso bom e velho Carnaval? Só um outro exercício de imaginação para dar essa resposta.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

SALVADOR EM TRANSE

Faz alguns dias em que Salvador amanhece pegando fogo. Mas não por causa dos preparativos para o Carnaval, como vem acontecendo aqui em São Luís.
A capital baiana virou um barril de pólvora por causa da greve da Polícia Militar. Por essa razão, a segurança pública de lá virou do avesso, com o aumento absurdo de casos de violência. Até agora, por exemplo, mais de 80 pessoas foram assassinadas. Como se não bastasse, os PMs, revoltados, ocuparam a Assembleia Legislativa local.
O mesmo aconteceu aqui, ano passado. Os militares, contando com a benevolência do Governo do Maranhão e do senhor Arnaldo Melo, ocuparam o Palácio Manoel Bequimão por mais de uma semana. A invasão absurda e a retirada sob negociação ocorreram de forma pacífica. Já na Bahia a tendência é de que o Exército expulse os paredistas, se possível sem hostilidades, mas se não pode ser à força que não vai ter problema.
Greves são importantes, sem a menor sombra de dúvida. Se bem conduzida, servem como instrumento de diálogo entre empregados e empregadores - ou os representantes destes. Agora, quando são utilizadas para bagunçar o coreto, as consequências desabam na cabeça de quem não tem nada a ver com a querela - o povão.
Esperemos que o desastre ocorrido na Bahia se resolva da melhor maneira possível.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

ESCOLA PARA QUÊ?

Vejo na internet que alguns dos grandes nomes da história contemporânea simplesmente não gostavam de ir para a escola.
Como diria a Magda, esse assunto é uma faca de dois legumes. Ninguém desconsidera a importância da educação formal. É o primeiro contato da criança com o mundo, por intermédio dos livros.
Hoje, com o avanço das tecnologias e a globalização exigindo que seus protagonistas se qualifiquem cada vez mais, a instrução básica (a alfabetização e seus processos subsequentes), é imprescindível que a pessoa se torne uma criatura dotada de intelecto suficiente para compreender tudo o que deve ser aprendido nas mais diversas áreas do conhecimento.
Mas, como para tudo há um porém, existem pessoas que acabam adquirindo determinado tipo de inteligência sem a necessidade de sentarem-se em uma carteira escolar.
Vejam o caso dos grandes jogadores de futebol. Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Zico, Roberto Dinamite, Romário e tantos outros deixaram as tabuadas e gramáticas de lado e foram tratar de se estabilizar na vida.
Mas eles fazem parte de uma minoria. Como fazemos parte de uma meritocracia, o importante mesmo, para qualquer pessoa, "é comer livro". Há de fato inteligências que, de uma forma ou de outra, não cabem em uma sala de aula. No entanto, alguns "sacrifícios" em nome do desenvolvimento deste país devem ser feitos de bom grado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

A TENDÊNCIA É PIORAR

Para começo de conversa, o sistema de transporte coletivo de São Luís do Maranhão sempre foi ruim.

Lembro dos meus tempos de colégio. Eu tinha entre dez e onze anos quando aprendi, sozinho, a entrar em um ônibus para ir ao bom e velho Meng. Saía de casa, na saudosa Rua Professor Mata Roma, acessava a não menos memorável Rua 15 – onde morava a inesquecível Rosângela – e a partir daí seguia até o ponto final dos coletivos que serviam ao Bairro de Fátima.

Não morávamos muito longe do Centro, mas a impressão que dava é que a distância era maior. Muitos anos depois, já residindo na Cidade Operária e precisando ir à UFMA, passei muito sufoco me espremendo em verdadeiras latas de sardinha. Quando eu era garoto, parecia ser muito pior. O que eu via era que o Bairro de Fátima ficava do outro lado da cidade, de tanto que o lotação parava para recolher passageiros.

Uma vez, tomei uma suspensão justamente por isso. Na época, chegar atrasado à escola não era regra e sim exceção. Até que um dia a tolerância da diretoria terminou, e eu acabei entrando em um grupo de alunos “relapsos”. Em casa, fui acusado de “dormir demais”. Com essa falta de apoio, o jeito era me esforçar para não cometer mais uma vez o mesmo “erro”.

O certo mesmo é que, se você não nascer em berço de ouro nem acertar de cara em uma Mega-Sena acumulada de 60 milhões, o jeito é virar refém do sistema de transporte coletivo. Hoje mesmo, um dia após a confusão ocorrida no Terminal de Integração do São Cristóvão, passei por uma situação constrangedora.

Quando o ônibus da linha Jardim Tropical/Santos Dumont aproximava-se do Parque do Bom Menino, o motorista simplesmente estacionou em um posto de combustível e instruiu o cobrador a “colocar os passageiros em outro carro”. O ônibus apresentou qualquer problema mecânico, não informado, e ficou por isso mesmo. E assim foi feito. Entre mortos e feridos, salvaram-se os que nada têm a ver com os defeitos mecânicos apresentados por veículos que deveriam ter sido aposentados há séculos. E a tendência, lamento constatar, é que essa esculhambação piore.

Agora, o mais engraçado – e triste – é que os motoristas e cobradores se passam por vítimas do sistema, quando não passam de colaboradores. As greves que protagonizam não passam de um recurso dos empresários que os comandam no sentido de pressionarem a Prefeitura a aumentarem o preço das passagens. Assim, deliram esses imbecis, podem encontrar um jeito de aliviar os “prejuízos” que encontram ao gerirem o sistema que eles mesmos tornaram precário.

Mas ainda não aconteceu em São Luís a Grande Crise. Como ocorre em Recife, em Teresina, em localidades nas quais a população parte para cima do sistema. Ônibus apedrejados e incendiados, um verdadeiro clima de guerra civil.

Talvez seja este o choque de que se precisa, aqui na Ilha, para melhorar a situação do transporte coletivo de São Luís.

terça-feira, janeiro 31, 2012

CABEÇA DE BOLEIRO

Costumo dizer que jogador de futebol passa por etapas bem distintas.
Em seu melhor momento, o boleiro, para lá de bem-humorado, aceita ser entrevistado por toda sorte de repórteres. Quando faz três, quatro gols, pede música no "Fantástico". Quando ajuda sua equipe a conquistar um título, então, aceita de bom grado o rótulo de "herói".
Agora, quando a fase não é boa, bico fechado.
Lembro quando Neymar se meteu naquela queda de braço com Dorival Júnior, no Santos. Um episódio foi sintomático: o "Moicano" caminhando por um aeroporto protegido por um segurança. Um repórter televisivo e o cinegrafista que o acompanhava aproximaram-se para falar com o garoto e foram repelidos violentamente pelo brucutu.
Quando está numa boa, ele aparece nos programas da Globo repondendo aos questionários mais tolos o tempo todo exibindo um sorriso falso e rindo de maneira mais falsa ainda.
Hoje, leio na Internet mais um exemplo de como funciona a cabeça do jogador. O elenco do Vasco, em razão de salários atrasados, decidiu não se concentrar para a partida de amanhã contra o Bangu.
Fico pensando: esse negócio de Roberto Dinamite não disponibilizar na conta dos jogadores os valores devidos certamente já era um problema que originou-se ano passado e que, por causa do bom momento vivido pelo Gigante da Colina - venceu a Copa do Brasil e batalhou, sem sucesso, pela Sul-Americana e pelo Brasileirão -, jogou-se tudo para as famosas "entocas", para não atrapalhar o bom desempenho da equipe.
Diz-se que carreira de boleiro é igual a viaduto: uma hora você está por cima, na outra está por baixo. Mas acho muito mais jogo o boleiro se comportar de forma natural tanto nas vitórias quanto nos maus momentos.
Para que se evite esse "pacto da mediocridade" comum a quem se envolve com o universo do esporte bretão - que só é legal nas quatro linhas. Fora, é uma sucessão de situações vergonhosas.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

PEDAÇOS DA REALIDADE

1) Acabo de saber da existência de uma publicação internacional que, traduzida, atende pelo nome de "Revista de Errologia". Trata-se de um espaço no qual consta a publicação de relatos de experiências que não deram certo. Nesse caso, em 2014 ela deverá abordar a Copa do Mundo.

2) A Renata Ingrata do Big Brother pediu anticoncepcionais à produção do programa e será submetida a exames. Para a alegria de Boni, só falta Pedro Bial anunciar a gravidez da loirinha.´

3) E Barrichello não para. Não quer sossegar a periquita, não pretende esfriar a bacurinha automobilística. Parece que vai correr pela Fórmula Indy. Caso se confirme, será interessante ver um piloto egresso da Fórmula 1 disputar as 500 Milhas de Indianápolis, que só não é mais desafiadora do que o Grande Prêmio de Mônaco.

4) Achei também interessante essa história do Miguel Falabella. Ele, que é o diretor da peça em que aconteceu o acidente com os atores "globais", no momento do causo estava em um cinema. Como é que é isso? Eu dirijo um espetáculo e não estou presente quando o mundo caía na cabeça alheia? Como diz a música, "nada é fácil de entender".

5) Wilson Lima acaba de se despedir desta redação. Vai trilhar outros caminhos, tentará ser feliz noutros rincões jornalísticos. Vai na paz, garoto. Que Deus ilumine sua trajetória.

domingo, janeiro 29, 2012

ESPORTE "DE NÍVI"

Que tal uma partida de tênis começar nas primeiras luzes e terminar quase ao meio-dia?
Foi o que aconteceu hoje, no Aberto da Austrália, o primeiro dos grandes torneios da modalidade.
Dois dos melhores atletas do mundo na atualidade se enfrentaram numa batalha de quase seis horas, mas por incrível que pareça em momento algum a partida deu sono.
Novak Djokovic, o vencedor da peleja, e Rafael Nadal mostraram que são grandes mestres dos aces, dos slashes e das "paradinhas" - que obrigam o adversário a desmontar a estratégia de contra-atacar utilizando o fundo de quadra.
O Brasil já teve um jogador assim: Gustavo Kuerten, o Guga. O "Manezinho da Ilha" chegou ao topo, foi o número 1 do ranking. Só o cobiçado Roland Garros ele o conquistou três vezes. Mas como acontece com todos os que exigem demais do corpo em suas respectivas práticas esportivas, as dores começaram a pesar contra seu desempenho. Kuerten até tentou se manter entre os top ten, mas a nova realidade chamou à razão e lhe disse: "Já deu".
Hoje, os brasileiros que se aventuram pelo tênis internacional não conseguem ser sequer pálidas sombras do que Guga foi, um dia. E tão cedo não vai haver, porque o tênis, como hoje é jogado, necessita dos "diferenciados". Dos grandes gênios da raquete.
E o Brasil ainda não conta com essa figura. Quem sabe um dia?

sábado, janeiro 28, 2012

A MILÉSIMA POSTAGEM

Pelé fez seu milésimo gol no dia 19 de novembro de 1969. O segundo do Santos sobre o Vascão, em um Maracanã em que não havia lugar para mais ninguém.
Romário marcou o milésimo dele pelo Trem-Bala da Colina em São Januário no domingo, 20 de maio de 2007.
Hoje, 28 de janeiro de 2012, um vascaíno convicto alcança a marca (para ele histórica) de 1.000 postagens em seu blog "Diário da Ilha".
Este meu recanto na rede mundial de computadores vai comemorar cinco anos em abril. Devo admitir que em matéria de blogs fui meio que um "Maria vai com as outras", porque tanto ouvi a respeito do milagre da multiplicação de páginas pessoais na Internet que resolvi fazer o meu.
Como jamais fui uma "pessoa pública", sequer uma dessas tais "subcelebridades", raros foram aqueles que dispuseram seus comentários a respeito de algo que eu tivesse colocado aqui - produções minhas próprias particulares e informações recolhidas na rede.
Não que isso vá me fazer "deitar na BR" - lembrando agora da letra de um forró de grande sucesso. Por mais que me acusem de ser um sem-ambição, tenho muito mais a ganhar na condição de ilustre desconhecido.
Não há ninguém, por exemplo, para patrulhar meus escritos. Um indivíduo famoso tem mais essa preocupação de se policiar quando vai colocar o que pensa em seu blog, no Twitter, no Facebook ou no Orkut.
O que importa mesmo é escrever. E a minha primeira postagem, no já distante abril de 2007 (ano em que perdemos o brilhante Raimundo Martins, então editor de capa de O Estado), foi justamente um conto ou um esboço de conto, cujo título era "Adeus, de novo"- que ora reproduzo:

ADEUS, DE NOVO

A viagem foi um pesadelo de oito horas. Chovia muito e por duas vezes o ônibus saiu da estrada. Nas duas ocasiões, esteve a ponto de capotar, e foi um verdadeiro milagre ninguém ter sofrido lesões graves.
Outro aspecto terrível dessa dantesca odisséia foram os muitos carros e corpos destroçados que os passageiros viram ao longo da odisséia dantesca. Houve um caso, antes de chegarem a Arari, no qual cinco automóveis pegavam fogo ao mesmo tempo. Duas senhoras, de idade avançada, vomitaram quando viram oito cadáveres dilacerados pelas chamas.
Sentado próximo ao motorista do ônibus, Daniel Mendes não deixou de comentar que em momentos como esse fica muito difícil aceitar a existência de Deus. Uma das senhoras que colocara para fora sua última refeição indignou-se e, nem bem refeita da tragédia que testemunhara, indignou-se.
- Como o senhor pode dizer um absurdo desse? - vociferou. - Nós acabamos de escapar duas vezes da morte certa! Se Deus não nos ajudou, que explicação me dá para o que aconteceu com a gente?
O professor Daniel Mendes, 38 anos, tinha uma resposta na ponta da língua, mas preferiu guardá-la para si. A verdade era que, após a morte de Luciana, desfez de um golpe tudo o que relacionava o casal a Deus Nosso Senhor e aos santos dos quais eram devotos. Queimou livros de orações, as coleções de hinos religiosos, a Bíblia que deixavam aberta na mesa da sala no começo do Evangelho de São Mateus, as imagens de São Judas Tadeu, de São Jorge com o dragão, de Nossa Senhora do Carmo, de Nossa Senhora de Fátima e de Nossa Senhora das Dores. Por último, quebrou em pedaços bem miúdos uma impressionante imagem do Cristo Crucificado, em tamanho natural, para a qual construíram uma capela no quintal e diante da qual passavam pelo menos uma hora em orações contritas após o almoço e o jantar, todo santo dia.
Não deu nem tempo a si mesmo de digerir o abrupto rompimento com os desígnios divinos. Foi até o Terminal Rodoviário e comprou uma passagem para São Bento. Porque foi o primeiro município sobre o qual alguém falou, ao chegar à rodoviária. Não conhecia o lugar. Tampouco tinha parentes que lá residissem. Tudo o que queria era ir para bem longe, para alguma cidade que significasse para ele a terra do esquecimento, onda ñão teria mais que pastorear seus rancores, sua raiva, sua mágoa, sua tristeza e, mais importante, a saudade, que parecia não ter limites.
No dia seguinte, apareceu na rodoviária às seis da manhã - que era o horário de saída do ônibus, marcado no bilhete. Imaginou o que pensaria o diretor do colégio da rede particular quando soubesse que seu professor de língua portuguesa, literatura brasileira e redação não desse as caras às sete horas na escola, e na raiva que o homem teria de engolir quando soubesse que Daniel não trabalharia para ele nunca mais. Daniel deu de ombros. "Que vá para o inferno", murmurou. Em seguida, entrou no ônibus. Nesse momento, o céu tornou-se cor de carvão, o ribombar do trovão sacudiu a Ilha e os ventos gelados apavoraram os bentivis em seus beirais carcomidos pelo descuido crônico de uma Prefeitura de merda.
Não houve mais percalços pelo resto da viagem demente. Mas a chuva continuava quando ele colocou os pés na cidade que desconhecia por completo e na qual haveria de viver até o fim de sua residência na terra. Não se sentia cansado. Podia muito bem suportar o peso de suas duas grandes malas, sob o temporal, enquanto procurava uma pousada provisória, a partir da qual procuraria seu castelo definitivo.
Antes de começar sua caminhada, soltou um longo suspiro e disse para o céu enfarruscado:
- Mais uma vez adeus, minha querida Luciana. Você morreu, mas é a minha vida que deve continuar. Sinto muito mesmo.Em seguida, movendo o pé direito, deu início à última aventura de sua vida.

Pois é. Agora, daqui até a postagem 2.000.
Se Deus assim quiser e permitir.
Um abraço!

sexta-feira, janeiro 27, 2012

OS EGOS SÃO ASSIM

Uma revista estadunidense elegeu os melhores jogadores de futebol da história.
Certo. Aí, você deve estar pensando: "Sei. Estados Unidos. Não são exatamente os maiores entendidos em matéria de futebol".
Ok. Posso entender e até aceitar esse argumento. Inclusive, se você pensar direito, até a Copa do Mundo que sediaram, em 1994, aconteceu lá mais por conta das condições infraestruturais do país do que exatamente pela paixão deles pelo soccer (como o esporte bretão é chamado naqueles rincões ianques).
O negócio dos norte-americanos é, não nessa ordem, beisebol, futebol americano, Nascar, a NBA e os esportes olímpicos praticados por estudantes universitários. E em todos esses eventos as plateias são sempre numerosas. Vemos estádios, ginásios e autódromos lotados ou contando com um bom público.
Em outras palavras, o povão vai a um jogo ou a uma corrida para se divertir. Porque vive em um país que mais sabe tratar eventos esportivos como espetáculos voltados justamente para quem está pagando o ingresso. Então, sob esse aspecto, eu levaria em consideração a opinião das pessoas que leem a tal revista. Porque listas são exatamente isso: relações formadas tendo como base o ponto de vista de determinado grupo de pessoas.
E o problema da lista é justamente esse: alguns elementos, que deveriam fazer parte dela, acabam não entrando na brincadeira. O que certamente provoca a ira de quem raciocina de forma diferente.
Pelé, então, deve ter ficado consternado ao ver seu nome em quarto lugar, na lista dos melhores boleiros da história. Ficou atrás de Cruyff (3º), Maradona (2°) e Messi (1°). Os egos, ainda mais os inflados, se comportam exatamente assim.
Aqui no Brasil a repercussão deve ter sido espetacular. Todos os bairristas certamente choraram e rangeram os dentes. Mas vamos lá. Por que Messi ficou em primeiro? Alguém poderia dizer "Porque os leitores da revista não viram Pelé jogar". Se você pensar direito, grande parte da população brasileira de hoje também não viu. Quando são exibidos os gols que Pelé fez, concordamos que ele foi, senão o melhor, um dos melhores de todos os tempos. Conquistou três copas e hoje é reverenciado em todo o planeta como uma espécie de embaixador da bola.
Mas Messi está em primeiro porque se encontra em um momento técnico simplesmente esplendoroso. É o único jogador de futebol no planeta capaz de aliar uma técnica refinada a um condicionamento físico, mental e espiritual impressionantes. A mesma condição apresentada por Pelé nos anos 1950, 1960 e 1970. No entanto, agora é a vez de Messi. Só falta a este uma Copa do Mundo. Porque já meteu no bolso vários dos torneios mais importantes do mundo.
Neymar pode vir a ser o melhor do mundo. Basta trabalhar tanto quanto Messi.
Infelizmente para ele, ser o melhor do planeta vai ficar para 2013.
Porque, pelo que vi no último jogo do Barça pelo Espanhol, Lionel Messi sem dúvida alguma vai emplacar o tetra seguido.
O tempo dirá.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

SETE CONSELHOS

Alguém aí na plateia certamente já ouviu falar em Gabriel García Márquez. Antes de Shakira deixar o mundo abismado com seu contorcionismo no palco, sua boz e sua boa música, Márquez encantou esse mesmo mundo com romances maravilhosos, como (em minha modesta opinião) “Cem anos de solidão”, “O amor nos tempos do cólera e “Do amor e outros demônios”.

Este preâmbulo serve como suporte para lhes contar que na última quarta-feira (25), vasculhando pela Internet - cada vez mais sob ameaça de controle do “dragão imperialista” estadunidense -, encontrei sem querer um blog no qual consta um opúsculo cujo título é “Sete conselhos de Gabriel García Márquez a um editor de blog”.

Na verdade, o título serve apenas para chamar a atenção, porque o próprio autor (não me peçam nomes agora: a memória tem escorrido por goteiras) afirma que o mestre de “Olhos de cão azul” não se dirigia exclusivamente a quem escreve em um blog e sim a qualquer um que trabalha com a palavra.

Eu mui humildemente, como diria o poeta, atrevo-me a de vez em quando “remover a neve da folha de papel”. E porque tenho um longo chão pela frente até preencher esta com as minhas inofensivas considerações, lhes passarei os sete conselhos, com o acréscimo de comentários – mais ou menos como Napoleão Bonaparte fez em relação a “O príncipe” do sempre atual Maquiavel.

1 – “Uma coisa é uma história longa e outra coisa é uma história alongada”.

A primeira deve ser mais interessante que a segunda. Os romances de Dan Brown, por exemplo. Tem 105 capítulos, mas, além da maioria deles ter pelo menos cinco páginas, as peripécias de Robert Langdon estão encadeadas de tal forma que o leitor termina o livro em menos de uma semana (o meu caso). Já em “Os cães ladram...”, de Truman Capote, há um “alongado” (e porre) relato dividido em duas partes de uma viagem que o autor empreendeu à então União Soviética. Uma obra assim pode ser largada pela metade sem o menor remorso.

2 – “O final de um artigo deve ser escrito quando estiver indo pela metade”.

É meio que um negócio de maluco. E meio impossível de se fazer, dada a concentração total exigida no ato de escrever. Você começa digitando, se perde na floresta de palavras feito um porco cego e o fim do texto é, literalmente, o último elemento com que deve ser preocupar.

3 – “O autor lembra mais facilmente como um artigo termina do que como ele começa”. Porque às vezes o começo do texto é um grande bolo de matéria fecal, e o escriba termina precisando se redimir do meio para o fim.

4 – “É mais fácil agarrar um coelho que um leitor”. Lógico. Quem lê é exigente. Não se deixa enganar por qualquer Paulo Coelho.

5 – “É necessário começar com a intenção de que se escreverá a melhor coisa jamais escrita, porque logo essa vontade diminui”.

Todo mundo que está no início da jornada pelas letras quer ser o próximo Jorge Amado, Érico Verissimo, John Updike ou Michael Crichton. Pretende ser a “bola da vez”, a encontrar uma forma de ajudar seu leitor a pensar de formas diferentes. Mas à medida que o tempo avança e traz consigo diversas decepções – não apenas no campo literário – a realidade obriga a arrogância a murchar feito um balão desamarrado.

6 – “Quando alguém se aborrece escrevendo, o leitor se aborrece lendo”. Quem escreve quer ser lido. É simples. Não sei se foi Montesquieu quem disse “Eu não faço nada sem alegria”. Em todo caso, essa lição deve ser aplicada a todas as atividades. E, já que você vai encarar a “luta com as palavras”, tente se divertir. As pessoas que lerão seus trabalhos vão agradecer que só.

7 – “Não force o leitor a ler uma frase novamente”. É o maior pecado que um escritor pode cometer. Vale para os prolixos e os que padecem de elefantíase literária – escrevem demais, sem conteúdo relevante. E eu espero ter seguido os sete conselhos à risca. Porque senão tentarei novamente. Até acertar.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

SALVE O CORINTHIANS

Não tenho problema nenhum com a instituição Sport Club Corinthians Paulista.
Tenho lá minhas rejeições, isto sim, quanto à violenta torcida organizada que manda e desmanda no clube.
O Corinthians deveria ser muito maior que a Gaviões... mas ocorre justamente o contrário. A Fiel, quando está "de mal" com o time, pratica as piores formas de terrorismo, para ver os mosqueteiros renderem em campo.
O pior de tudo é que dá resultado. O Coringão é o último campeão brasileiro e, hoje, arrastou a Copinha para o Parque São Jorge.
Agora, a Libertadores. Desta vez, nada de pré-Libertadores. Nada de Ronaldo Fenômeno atrapalhar mais do que ajudar.
Em 2012, pelo menos aparentemente, o Corinthians vem com força total.
Para o desespero dos torcedores dos outros times.

terça-feira, janeiro 24, 2012

DE BESTIAL A BESTA

Aconteceu assim. Era a decisão do Torneio Interbairros. A última partida do principal campeonato do futebol amador ludovicense, conforme estabelecido em seu regulamento desde a primeira edição, teve como palco o Estádio Nhozinho Santos na primeira quarta-feira de outubro do ano passado. Podia ter sido num sábado à tarde ou no domingo pela manhã, mas por aqui, como se sabe, há uma pavorosa ojeriza em relação a jogos de futebol acontecerem nos fins de semana, e as grandes vedetes são os disputados na segunda-feira à noite. Vai entender.
Críticas à parte, o Nacional, da Cidade Operária, e o Roma, do Bairro de Fátima, entraram em campo às sete da noite em ponto. Nas arquibancadas e sociais, um bom público. Mais gente, com certeza, do que haveria em um MAC x São José, por exemplo. E mais animada, sem dúvida alguma, com ambas as torcidas levando para o Gigante da Vila Passos suas respectivas charangas e batucadas.
O Nacional era o favorito. Mas ponha favoritismo nisso. Dos 96 timinhos, times razoáveis e timaços que começaram o Interbairros em setembro, foi o único a vencer todas as suas partidas goleando quem passou pela frente. O desempenho mais fraco ocorreu nas oitavas, diante do Manchester, do Filipinho, que apanhou só de três.
Já o Roma... Bem, o glorioso representante do Bairro de Nossa Senhora de Fátima não chegou invicto à grande final. Não se apresentou bem na primeira fase. Não tivesse feito um bom saldo de gols, teria ficado pelo meio do caminho. E das oitavas em diante eliminou seus adversários nos pênaltis.
E além do bom time que entrou nos diversos campos da Ilha para exibir um futebol esplendorosamente histórico, o Nacional contava, no banco de reservas, com o até então considerado melhor técnico do Interbairros, Luciano Ribeiro, o “José Mourinho de Upaon-Açu”. Porque, apesar de muito competente, era um chato de carteirinha, arrogante e prepotente. Em razão do ótimo trabalho realizado no torneio, acreditava-se a última jujuba do pote, em matéria de futebol-arte.
Quem acompanhava de perto o Interbairros de uma forma geral estava doido para ver o “bestial” (como o próprio se rotulava) virar besta e calçar as famosas havaianas da humildade. O problema era que o time de Luciano simplesmente não sabia o que era perder. Seu grande trunfo era o artilheiro do campeonato. Pedrinho, um moleque de 17 anos, fera até não poder mais, tinha o estilo do Messi: quando a dominava no meio-campo, a bola grudava em suas chuteiras e só parava dentro do gol do outro time.
E Pedrinho na decisão destruiu o Roma. Três gols em 40 minutos. Até o fim do primeiro tempo, o Nacional apenas tocava a bola no meio-campo, ouvindo o “olé” de sua torcida.
Os times foram para o intervalo. Quinze minutos depois, o Nacional voltou. Mas sem Pedrinho. De acordo com relatos fidedignos, ao saber que seria rifado porque seu treinador preferiu continuar administrando a partida a pulverizar de vez o Roma o menino e o técnico se estapearam no vestiário. O certo mesmo é que Luciano subiu para o gramado com o olho esquerdo machucado e Pedrinho nem mais na Cidade Operária continuou morando. E mais certo mesmo foi que o Roma aproveitou que a substituição adversária não surtiu efeito, reagiu e empatou a decisão de forma espetacular. A partida foi para os pênaltis... e aí o favoritismo mudou de residência.
E o bestial tornou-se besta. O que muita gente estava mesmo a fim de ver.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

VAMOS RIR, QUE É MELHOR

Diante de barbaridades como a tragédia do naufrágio do Concordia e o confronto entre a Polícia Militar e os pobres-coitados do Pinheirinho, acho que não seria de mau gosto ler um livro para lá de engraçado, que é "O humor da Playboy". Vejam como é a vida: comprei esse livro no começo de dezembro e só ontem fui capaz de lê-lo. E não me decepcionei com a leitura. A seção do "Planeta Diário" é a melhor de todas, com as frases de para-choque de caminhão: "A inveja é a arma dos invejosos", foi a primeira frase; "A merda é a arma dos incompetentes", foi a segunda frase; "A merda é uma merda", foi a frase vencedora. Adorei.
Mas como hoje é segunda-feira, transcrevo um trecho muito legal de "Abaixo a segunda-feira", de Luis Fernando Verissimo:
"Você acorda na segunda-feira como se fosse o primeiro dia da criação. Passa algum tempo só dando nome às coisas, como Adão no Paraíso: meu trabalho, meu lençol, meus pés, meu pijama, meus braços e, ai, minha cabeça! Então tudo começa a voltar, como um gosto ruim na boca. Os excessos do fim de semana. As dores musculares daquele joguinho de bola em que você se meteu, animado pela cerveja e pela ilusão de ainda ser o bom ponteiro de antigamente. A mistura de bebidas. O discurso que você fez no meio da noite e da rua. O vexame. O que foi que eu disse no meio da rua? Você não consegue se lembrar. A cabeça dói. Você pensa em ficar na cama. Para sempre! Mas precisa se levantar, é segunda-feira. O sopro da vida está em suas narinas; tudo recomeça".
Só um gênio totalmente fera como Verissimo poderia escrever algo assim. É claro que não há como sequer igualá-lo ou imitá-lo. Porque para cada cabeça uma sentença. O jeito é ter seus textos como inspiração, enquanto procuramos nosso próprio caminho no mundo das letras.

domingo, janeiro 22, 2012

O ESPETÁCULO RECOMEÇA

O nosso futebol, depois de se recuperar das fortes emoções do Campeonato Brasileiro (decidido na última rodada), promete mais uma temporada interessante, agora com o início dos torneios estaduais.
Os de maior destaque já começaram. Em São Paulo, o Corinthians venceu e a Portuguesa se deu mal. No Estádio Olímpico, o Grêmio tomou um cacete. No Rio, Flamengo e Fluminense estrearam bem. Hoje tem Botafogo e Vasco.
Aqui no Maranhão... nada. O Estadual começa para valer hoje, mas será como nas temporadas anteriores: Nhozinho Santos vazio, jogos pouco ou nada atraentes e coisa alguma que empolgue o torcedor para se deslocar à Vila Passos.
Como sempre, o grande lance mesmo do futebol daqui será aguardar a Copa do Brasil - que, depois de eventos evangélicos, é a única maneira de o Nhozinho ficar lotado.
Mesmo assim, vai ser bom torcer para que tudo dê certo. Ainda somos pentacampeões mundiais, e isso significa que nossos jogadores, pelos gramados de todo o Brasil, têm a obrigação de encantar as plateias dos estádios em que se apresentarem - porque talento é o que jamais lhes faltará.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

CLARICE

As minhas doses de Clarice Lispector:

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boca nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente – é a minha própria dor, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes." (A hora da estrela)

Ou então:

"Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa -mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava." (Restos do carnaval)

E isso é tu-tudo, pê-pessoal.