"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?"
CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelfc/2013/12/1388273-tribunal-em-campo.shtml
O Ministério Público de Pernambuco entrou com ação contra a Fifa pedindo que a entidade pague indenização de R$ 5 milhões a torcedores brasileiros. O órgão diz ter recebido reclamações de diversas pessoas que se sentiram lesadas na Copa das Confederações. Os torcedores alegam que compraram ingressos para o torneio, mas não puderam ver os jogos porque, de seus assentos, não tinham visão completa do campo.
Convocada. Na ação, o Ministério Público pede que a Fifa seja condenada por danos morais coletivos. O processo foi instaurado anteontem, e a federação deverá ser intimada para explicar o problema com os torcedores.
Malas... Eleito na premiação da CBF como o melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro de 2013, Alex Telles está acertando sua ida para a Turquia. O gremista conclui os detalhes finais do acordo para atuar no Galatasaray.
...prontas. Para ter Alex Telles, o Galatasaray vai desembolsar € 6 milhões (R$ 19,2 milhões). Mas apenas R$ 7,6 milhões vão para o Grêmio, dono de 40% dos direitos econômicos do lateral. O dinheiro será um respiro para o clube, que passa por problemas financeiros.
Atrasado. Jogadores do Grêmio, aliás, reclamam de falta de pagamento dos salários –o atraso está para completar o terceiro mês. Alguns, inclusive, estão prestes a ter seus contratos rompidos automaticamente por falta de pagamento. Kleber é um deles. O atacante notificou o clube dizendo que gostaria de ficar em Porto Alegre, mas é o atleta que está mais perto de uma rescisão.
Cabo de guerra. A diretoria do São Paulo tentará aprovar a obra da cobertura do Morumbi em janeiro, mas não terá missão fácil. Conselheiros do clube, que precisam dar aval para o início das obras, fazem pressão para que o acordo seja discutido após a eleição presidencial, marcada para abril.
Memória. Acertado com o Palmeiras, Marquinhos Gabriel tinha propostas de outros clubes: Santos, Grêmio e Cruzeiro entraram em contato com o estafe do jogador. A opção pelo clube da capital paulista se deu porque o meia era fã de ídolos alviverdes, como Zinho e Evair.
Variável. No Palmeiras, Marquinhos terá contrato de produtividade e poderá dobrar seu salário mensal, dependendo de seu desempenho. A contratação do jogador depende ainda do BMG, que está adquirindo parte de seus direitos, e precisa autorizar a realização do negócio.
Jogo... A Sky e a Net, operadores de televisão por assinatura, se tornaram alvo de clientes por causa do Mundial de Handebol.
...fechado. Os assinantes reclamam com as empresas porque não podem assistir à semifinal entre Brasil e Dinamarca hoje pois as operadoras não liberam o canal Esporte Interativo, detentor dos direitos de transmissão do torneio. Trata-se da primeira vez que a seleção nacional da modalidade chega a esta fase do Mundial.
Presença... Nick Bollettieri, descobridor de Maria Sharapova e ex-treinador de Andre Agassi, Boris Becker e das irmãs Venus e Serena Williams, virá ao Brasil para o Rio Open. A competição acontece entre 15 e 23 de fevereiro no Jockey Club Brasileiro, na capital fluminense.
...ilustre. Bollettieri vai conduzir uma de suas clínicas de tênis no penúltimo dia do torneio para crianças.
DIVIDIDA
"Quem ama o São Paulo quer as coisas bem explicadas", Marco Aurélio Cunha, conselheiro do clube e oposicionista, argumentando que seu grupo deseja obter detalhes do contrato da obra da cobertura do Morumbi
painel fc
A coluna Painel FC, publicada de segunda a sábado na versão impressa de 'Esporte', é editada pelo jornalista Bernardo Itri. Traz notícias dos bastidores dos esportes, principalmente do futebol.
Seu Pedrinho é uma figura que todo mundo conhece na pequena Areal, em Mata de São João, na Bahia. É dono de um bar que recebe dois clientes numa tarde calorenta de domingo. Ele também é o único responsável por guardar a chave da capela da comunidade, bem ao lado de seu estabelecimento. A vida passa devagar por ali, quase do lado do luxuoso resort na Costa do Sauipe que já recebe os carrões da delegação da Fifa e o movimento já exagerado das forças de segurança.
Na sexta-feira, a base montada no resort atrairá a atenção do mundo inteiro no evento do sorteio dos grupos da Copa do Mundo no Brasil. Mas a cerca de 3 km de distância, a pacata Areal parece não se importar. Quem vive lá, em uma das comunidades mais pobres da região, não espera que eventuais benefícios sociais caiam do céu em razão da vizinhança de ocasião da festa da Fifa.
"De vez em quando mexem nessa estrada daí, mas nada especial agora para esse evento", diz João Bonfim, um dos dois clientes que movimenta a tarde no bar de seu Pedrinho.
O pequeno comerciante local também afirma que não pretende se deslocar para as proximidades do complexo que abriga a Fifa, perto dali. Diz que não troca sua tranquilidade de Areal, já se satisfaz por zelar pelo bar e pela capela. Já a segunda cliente do domingo admite que nem sabia do evento, mas que espera ter a chance de ganhar um brinde: "eu adoro bonés, queria um desses de patrocinador".
Enquanto os carros de vidro escuro com a logomarca da Fifa já cruzam em velocidade a estrada local, galinhas circulam por Areal, desviando de oscilações do solo, de jegues e de telefones públicos destruídos.
A estrada em questão é a BA-099, que bem poderia mudar de nome nesta semana. Apesar dos coqueiros que desenham a paisagem da rodovia estadual que liga Salvador até o litoral norte da Bahia, a pista terá uma característica singular nos próximos dias. Ela virará uma espécie de "Rodovia da Fifa", tamanha movimentação de carros da organização que lá já trafegam.
Será assim até próximo dia 6, data do sorteio que define os grupos da Copa do Mundo no luxuoso complexo da Costa do Sauípe, em festa que custará aproximadamente R$ 26 milhões, sendo R$ 6,5 milhões pagos pelo governo da Bahia.
Números que pouco fazem a diferença em Areal, onde a placa no acostamento que indica a entrada foi aparentemente escrita a mão. Apesar de tão próximo ao mar, o caminho sinuoso que leva até seus moradores se revela quase como uma trilha a uma região das mais áridas do centro do Nordeste.
Apesar da proximidade geográfica, a cerimônia da Fifa apresenta um abismo de sensações em comparação com Areal. Nada de coquetéis e deslocamentos em carrinhos de golfe. A diversão na vizinha pobre da Costa do Sauipe é outra. "O que fazemos aqui é ir na igreja e levar as crianças na escola", diz um morador do local, que convidou dois amigos para ver o jogo do Bahia em casa no domingo.
Em Areal, as cercas e portões são feitas de plantas grandes que "protegem" o redor das casas. Uma delas, sem ser tão bem protegida, é até oferecida com o contato de um telefone celular à disposição. O preço? R$ 8 mil.
"Mas ela não está rebocada, não tem nada. É 10 x 15 m. Só comprei o terreno, mas cabe uma cama lá. Tem sofá, produtos pra limpar. Ôxa se dá pra morar", falou o dono, José dos Santos, pedreiro em Imbassaí, vila ao lado.
Só a tenda provisória comprada para a festa de gala da Fifa na sexta-feira está avaliada em cerca de R$ 4 milhões.
Massimo Moratti, presidente da Inter, anunciou a venda do clube
Massimo Moratti, presidente da Inter de Milão, anunciou nesta
terça-feira que o clube italiano foi oficialmente vendido para um grupo
de investidores da Indonésia, após seis meses de negociações. O grupo,
liderado pelo magnata Erick Thohir, adquiriu 70% das ações do clube por
cerca de 300 milhões de euros (aproximadamente R$ 880 milhões).
O presidente, porém, não deixou claro se continuará no cargo - ele
comanda a Internazionale desde 1995. "Não sei. Ainda tenho obrigações",
se limitou a dizer Moratti, em entrevista publicada no site do clube.
A Inter, assim, se torna o primeiro dos grandes clubes italianos ser
comandada por grupo de empresários, seguindo a tendência de times que
cresceram na Europa nos últimos tempos, como Paris Saint-Germain e
Manchester City.
"Estamos felizes e me parece que tudo será bem-feito. O ritmo será
diferente. Coloquei o clube na mão de boas pessoas, tenho certeza
disso", completou Moratti.
Presidente do clube há 18 anos, ele levou a Inter a cinco títulos
italianos, um da Liga dos Campeões e um do Mundial de Clubes (2010).
Dassler Marques Napoleão de AlmeidaDireto de São Paulo
Alguns dias antes do anúncio realizado por 75 jogadores na terça-feira, o Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo teve sinalização positiva da Rede Globo para o calendário do futebol brasileiro. Não para o próximo ano, mas sim para 2015.
De acordo com Luís Eduardo Pinella, diretor do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, a emissora estava disposta a ceder para mudar o calendário do futebol brasileiro. A informação já teria sido confirmada por Marcelo Campos Pinto, diretor executivo da Globo Esportes.
Na reunião com Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato, a Rede Globo havia sinalizado que a programação de 2014 seria exatamente idêntica ao divulgado na última semana. A CBF definiu o calendário a portas fechadas, sem as presenças das lideranças sindicais. Também não há esperanças concretas de nenhuma das partes envolvidas sobre a chance de alterações a curto prazo. Nem mesmo entre os jogadores, sobretudo Alex e Paulo André, que criaram o Bom Senso F.C.
Nos próximos dias, o Sindicato dos Atletas Profissionais e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais (Fenapaf) devem levar adiante a ideia de ir à Justiça do Trabalho para assegurar os 30 dias de férias ininterruptos a que os jogadores têm direito. A CBF havia feito proposta de 34 dias (24 entre dezembro e janeiro e outros dez durante a Copa do Mundo), mas a classe não aceitou.
Outra medida extrema considerada pela Fenapaf contra o calendário de 2014 é de realizar greve nas duas rodadas finais do Campeonato Brasileiro. "Mandei essa mensagem a todos os capitães colocando isso. Levamos a proposta do manifesto", explicou Alfredo Sampaio, vice-presidente, ao Terra. "Ou se muda isso imediatamente ou entramos em greve. Essa é a proposta do sindicato", afirmou.
O Terra entrou em contato com a Rede Globo para comentar o assunto, mas não teve retorno nas ligações. Já a CBF, por meio de sua assessoria de imprensa, informou desconhecer a informação de um calendário com menos jogos para 2015.
O presidente em exercício da Federação Nacional dos Atletas (Fenapaf), Alfredo Sampaio, informou nesta terça-feira, à rádio ESPN,
que pedirá aos jogadores para que façam greve nas duas últimas rodadas
do Brasileirão. A proposta de parar o torneio está sendo esboçada pela
entidade e será encaminhada nos próximos dias aos clubes.
A Federação dos Atletas diz que a proposta de greve é um protesto ao
planejamento de jogos feito pela CBF. A paralisação seria uma resposta
para que seja repensada a programação de jogos para o calendário do
próximo ano, tendo mais tempo de férias e descanso.
"Estou preparando e vou encaminhar [proposta de greve nas duas últimas rodadas em 2013]
e todos vão estar recebendo. É importante que os atletas saibam da
força coletiva que têm. Eles têm que ter consciência e coragem, senão
não vai mudar. Nós não podemos permitir que isso continue", disse
Alfredo Sampaio.
"Se o calendário é uma porcaria, se 2014 é um absurdo, todo mundo sabe.
Se estamos todos dispostos a um mesmo posicionamento, vamos mostrar
força ou senão os jogadores param as duas rodadas de 2013", acrescentou.
A entidade criticou o manifesto articulado pelos atletas,
que pedem melhorias no calendário de jogos no Nacional. Um grupo de
mais de 70 jogadores das Séries A e B se reuniu para sugerir à CBF um
encontro para discutir a programação de jogos.
A Federação dos Atletas se diz excluída pelos jogadores, entende que
deveria ser acionada por eles e comunica que sempre defendeu os
interesses da categoria.
JUCA DEFENDE ATLETAS E CRITICA SINDICATO: 'HORA DOS OPORTUNISTAS'
Como era de se esperar, os acomodados "sindicalistas do futebol"
que há décadas fazem de seus cargos meros cabides de empregos, agora
surgem radicalizando, propondo até greve e querendo tomar para si as
conquistas trabalhistas dos atletas que jamais tiveram o dedo deles.
Sobrou para o zagueiro Paulo André, que encabeça o grupo dos jogadores insatisfeitos.
"Eu espero que haja uma mudança de comportamento deste grupo no sentido
de procurar as entidades. Eu acho que o Paulo André fala demais e
desconhece as conquistas das entidades. Se o jogador tem passe livre,
direito de arena, horário de jogos no verão a partir de 17h, foram
conquistas de sindicato, e não de jogadores", disparou.
Vitinho, no centro da foto: foi bom enquanto durou
( Para seguir o blog no Twitter: @mariomagalhaes_ )
As coisas não andam bem aqui pelo futebol do Rio. Parece que a síndrome de vira-lata, sentimento de inferioridade diagnosticado pelo grande tricolor Nelson Rodrigues, voltou a nos maltratar.
Avassalador no Campeonato Estadual, o Botafogo chegou forte ao Brasileiro, não é à toa que ocupa o segundo lugar. Mas se desfez de Fellype Gabriel e Andrezinho, jogadores importantes, com a competição já em andamento. Agora, foi-se a preço de banana Vitinho, garoto bom de bola que vinha crescendo ao aprender que futebol é esporte coletivo. Partiu graças à multa rescisória baixíssima, expressão de pensamento pequeno. Faltou à direção alvinegra pensar mais alto. Parece que, se der para vencer o Brasileiro, bom. Se não der, tudo bem. Desperdício de oportunidade de reviver 95. Que Oswaldo, Seedorf e companhia se virem com o elenco contadinho.
O Vasco foi incapaz de avisar Dorival sobre a possível saída de Éder Luís. O técnico soube na véspera e teve de improvisar contra o Corinthians. O clube dá impressão de achar que escapará do rebaixamento, mas que não adianta sonhar com muita coisa.
O Flamengo, nem se fale, com seus reforços buscados na xepa. Se os contratados do interior paulista fossem bons, é lógico que algum clube da capital os teria chamado antes. O time voltou a se acomodar na parte de baixo da tabela. Até agora, reedita anos recentes, quando cobiçou no máximo permanecer na primeirona.
O Fluminense perdeu Nem, Thiago Neves e, agora, o aposentado Deco. O retrato da virada no atual campeão é a retranca pusilânime montada por Vanderlei para encarar o São Paulo no Morumbi. Parecia que enfrentaria o Galo, o Cruzeiro. Mas era o São Paulo, caindo pelas tabelas.
Os quatro clubes cariocas têm algo em comum além da incapacidade de honrar o pagamento dos salários nas datas combinadas. No atual momento, falta ambição, até para o Botafogo que dá gosto ver jogar _pelo menos dava até outro dia.
(A Copa do Brasil tem características peculiares. No mata-mata, um clube de massa como o Flamengo, com o Maracanã lotado, pode ganhar do Cruzeiro, ainda que os mineiros sejam os favoritos.)
O ex-goleiro Gylmar dos Santos Neves, bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e 1962, está internado em estado grave em São Paulo. Ele foi encaminhado ao hospital Sírio Libanês inicialmente por causa de uma infecção urinária seguida de desidratação e sofreu posteriormente um infarto.
"A situação parece irreversível", disse Marcelo Izar Neves, filho do bicampeão mundial. "Agora está um pouco mais estável, mas é um quadro muito complicado", completou.
O filho mais velho de Gylmar, Rogério Neves, que é médico e vive nos Estados Unidos, está no Brasil. Ele teve uma reunião com os médicos do Sírio Libanês para falar sobre o quadro, e a decisão foi não colocar o ex-jogador na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
O quadro de Gylmar dos Santos Neves foi agravado pela condição dele. O ex-jogador havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) em 2000. Por isso, perdeu cerca de 40% dos movimentos e ficou debilitado.
"Pela situação dele, meu irmão e os médicos preferiram deixá-lo sedado e sem uma iniciativa mais agressiva. Estamos aguardando", relatou Marcelo.
Atualmente, a família aguarda uma posição dos médicos sobre os próximos passos. Gylmar está inconsciente, e a doença já começou a causar complicações no pulmão e nos rins.
"Por causa de todos esses anos de doença depois do AVC, o coração também está muito fraco. Ele não tem mais 20 anos. Infelizmente, os médicos acham que é muito difícil", explicou o filho do ex-goleiro.
Além dos dois títulos mundiais pela seleção brasileira, Gylmar construiu carreira como goleiro de Jabaquara, Corinthians e Santos. Ele completou 83 anos na última quinta-feira.
Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o Sírio Libanês não confirmou o quadro clínico do ex-jogador. O hospital disse que vai emitir na manhã de sábado um boletim sobre o paciente.
( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_ )
A Libertadores acabará nesta quarta-feira com os clubes brasileiros revoltados com a organização da competição feita pela Conmebol. São alvo de críticas premiações, arbitragem, condições precárias de estádios no exterior e critérios dos tribunais esportivos. É fato que muitos desses itens já geraram reclamações dos dirigentes nacionais anteriormente, mas o nível de irritação desta vez é generalizado e já se ouve discurso por mudanças imediatas no torneio.
Até o Atlético-MG, finalista, tem demonstrado nos bastidores estar contrariado com a confederação sul-americana. Seus dirigentes evitam críticas mais abertas antes da decisão, mas a verdade é que nenhum deles confia na Conmebol. O discurso interno é que a confederação tem outros interesses escusos que não o futebol.
São mencionados os erros de arbitragem contra o clube na semifinal da Libertadores, diante do Newells Old Boys, quando houve dois pênaltis não marcados a favor do time brasileiro. Outro item questionado, neste caso publicamente, foi a permissão de que o primeiro jogo da final fosse no Defensores Del Chaco, e o Independência tenha sido proibido. Lembre-se que o presidente do Galo, Alexandre Kalil, já foi visto como forte nos bastidores da Sul-Americana durante essa competição.
Outros clubes eliminados mais cedo também estão irritados. É o caso do Corinthians, também prejudicado pela arbitragem de Carlos Amarilla, no jogo contra o Boca Juniors. Mas a reclamação vai além do juiz.
Dirigentes corintianos consideraram muito baixa a premiação para o campeão da Recopa, que foi de US$ 100 mil, com US$ 200 mil pela participação na competição. Esse montante está abaixo até de uma bilheteria de jogo do Brasileiro da equipe. As cotas da Libertadores também são vistas como bem fracas, com US$ 5 milhões para um campeão, comparadas com o que o mercado brasileiro oferece.
A diretoria do Corintihans estuda conversar com outros clubes brasileiros e sul-americanos para criar um grupo comum, como acontece na Europa, para questionar as decisões da confederação sul-americana. Assim, existiria um fórum de discussão para tentar obter melhorias na competição.
“Um dia nós temos que fazer (um grupo que peça mudanças). Pela maneira como as coisas aconteceram com a gente”, explicou o gerente de futebol do Corinthians, Edu Gaspar. “Já passou da hora. Temos que fazer o quanto antes.”
“Tem que se criar uma estrutura de colegiado em que as decisões sejam tomadas de forma coletiva. Para que os clubes pudessem se posicionar sem ter o temor de haver uma retaliação”, completou o diretor executivo de futebol do Grêmio, Rui Costa.
Fato é que o cenário que sempre se desenhou de confronto entre os clubes brasileiros se intensificou nesta Libertadores. Os diversos problemas enfrentados e a guerra de poder dentro da Conmebol são as explicações para o azedamento das relações.
As Copas do Mundo de futebol costumam ter, sobre os países que as sediam, um efeito que transcende em muito as quatro linhas do campo de jogo.
Basta pensar no mundial de 1978, na Argentina, vencido meio na marra pelos anfitriões e usado para intensificar o poder de uma das ditaduras mais sangrentas da história. Ou na Copa de 1998 na França, um caso oposto, em que o triunfo da multiétnica seleção de Zidane, Thuram e Djorkaeff serviu para silenciar, ao menos momentaneamente, a vociferação racista e xenófoba de Jean-Marie Le Pen e seus sequazes.
Nos países em que o futebol está impregnado no dia a dia dos cidadãos, as copas catalisam sentimentos, medos, desejos e expectativas que configuram uma espécie de “espírito do tempo”. Qual é o “espírito do tempo” no (ou do) Brasil às vésperas do segundo mundial em seu território?
Não tenho a pretensão de responder aqui a essa complicadíssima questão, mas talvez um cotejamento sumário com o que ocorria no país na época da primeira copa aqui sediada lance alguma luz sobre o assunto.
Euforia e trauma
Todos estão cansados de ouvir falar do “trauma de 50”. A “derrota incomparável”, o “silêncio ensurdecedor do Maracanã”, o “complexo de vira-lata” tornaram-se clichês mais ou menos intercambiáveis, numa constelação de signos nefastos.
Mas se houve um baque espetacular, uma depressão profunda e generalizada, é porque havia antes uma grande esperança, convertida em euforia antecipada às vésperas da grande final. Vale a pena dar uma espiada no que ocorria no Brasil em 1950.
O país vinha se modernizando e urbanizando intensamente nas últimas décadas. Para se ter uma ideia, a população de São Paulo quase quadruplicou entre 1920 e 1950, saltando de 580 mil habitantes para 2,2 milhões. Terminada a guerra – e a ditadura do Estado Novo –, o sentimento geral era de otimismo. O Brasil era o país do futuro, e o futuro estava logo ali. A construção do estádio do Maracanã – “o maior do mundo” – sintetizava essa crença de que, finalmente, entraríamos de cabeça erguida no tal concerto das nações, nem que fosse tocando pandeiro e tamborim.
Embriaguez patriótica
O entusiasmo nacional era galvanizado em campo por um time de primeira linha, com craques como Zizinho, Ademir de Menezes e Jair da Rosa Pinto. Já tínhamos encantado a Europa na copa anterior, de 1938, e agora tudo apontava para um triunfo retumbante, prenunciado pelas vitórias categóricas nas primeiras rodadas. A embriaguez patriótica atraiu ao Maracanã 200 mil pessoas – pouco menos de um décimo da população carioca na época –, sem contar as que não conseguiram entrar no estádio superlotado. O desfecho todos conhecem.
Corta para 2013 e a Copa das Confederações, antessala da segunda Copa do Mundo em solo brasileiro. Nas seis décadas cobertas por esse salto vertiginoso, o Brasil conquistou cinco títulos mundiais e se consolidou como “país do futebol”, com uma excelência reconhecida internacionalmente só comparável à da nossa música popular. O binômio que José Miguel Wisnik chamou de “tecnologia de ponta do ócio”.
Mais que isso: em seus momentos altos, o futebol brasileiro foi visto como uma encarnação das nossas melhores potencialidades, um sonho de país que dá “aos pés astúcia de mão”, como diz o verso de João Cabral, um lugar em que se harmonizam a eficiência e a fantasia, a criatividade individual e a solidariedade coletiva, o trabalho e o prazer, a guerra e a festa. Uma revanche do sensual, mestiço e dionisíaco hemisfério sul (do globo e do corpo humano) contra a supremacia do norte apolíneo, branco, cerebral, disciplinado.
Ainda que resista como horizonte utópico, essa imagem hoje está bastante obscurecida, ou no mínimo desfocada. Dentro de campo o escrete canarinho deixou há algum tempo de ser sinônimo de alegria e exuberância, tendo se igualado, em seu pragmatismo cauteloso, a inúmeros outros selecionados, sobretudo europeus. Em face do desempenho medíocre nas últimas competições internacionais, o Brasil caiu para um inacreditável 19º posto no ranking da FIFA, atrás de países como Equador, Suíça e Costa do Marfim, e mesmo jogando em casa não é propriamente favorito ao mundial do ano que vem.
Nenhuma surpresa, portanto, que o treinador escolhido para a seleção seja Luiz Felipe Scolari, técnico de inclinações primordialmente defensivas, para quem futebol bonito é “frescura para agradar jornalistas”, adepto de um estilo autoritário e paternalista de comando (a “família Scolari”). É claro que pesou muito, para a sua escolha, o fato de ter sido o treinador que conquistou nosso último título mundial. No Brasil, a força do pensamento sebastianista é mais forte do que normalmente se pensa.
Pátria da avacalhação
E fora de campo, como anda o ânimo dos brasileiros, e a articulação deste com a expectativa pré-Copa? Essa resposta só poderia ser dada por uma ampla pesquisa de opinião, mas alguns fatos são evidentes.
Primeiro: os atrasos, os superfaturamentos, as inaugurações politiqueiras de estádios inacabados, tudo isso parece confirmar os piores temores de quem se opunha à realização da Copa no país. As obras de infraestrutura de transporte urbano, comunicações, segurança etc. que ficariam como “legado” permanente para a população das cidades revelaram-se, como se temia, pouco mais que balela.
Mas, à medida que a Copa das Confederações e a Copa do Mundo se aproximam, parece que essas mazelas são vistas pela maioria como fato consumado, mera comprovação de que “é assim mesmo” no Brasil, “pátria da avacalhação e da impunidade”. Por isso, não causa mais espanto a ninguém que a CBF seja presidida por um homem com um passado de comprometimento com os setores mais tenebrosos da repressão política, sem falar nas fortes suspeitas de corrupção. Afinal, a própria FIFA é uma das entidades mais corruptas do mundo.
Tampouco causa maiores indignações o fato de os estádios serem construídos majoritariamente com dinheiro público para depois serem entregues à iniciativa privada, confirmando nosso pendor para privatizar os lucros e socializar os prejuízos.
Patriotismo compulsório
Sobre essa matéria amorfa de conformismo e resignação, a propaganda massiva, o otimismo forçado, o patriotismo compulsório imposto aos gritos pela mídia hegemônica parecem cair como uma chuva sobre um terreno impermeável, sem chegar a irrigá-lo. Nas ruas, nos bares e mesmo nos novos estádios onde se apresentam nossos craques, é difícil detectar algum entusiasmo genuíno. Pelo contrário: o que se vê é uma insatisfação difusa, caxirolas atiradas no gramado, vaias para os jogadores, gritos de “burro” para o treinador. (Mesmo a vitória em Porto Alegre sobre a fraca seleção da França representou mais uma trégua do que propriamente uma reversão desse quadro).
A caxirola e os estádios merecem comentários à parte, por concentrarem talvez sentidos mais amplos. A primeira, “inventada” por Carlinhos Brown, é um abastardamento industrial, modernoso,kitsch e antiecológico de um lindo artefato de origem africana, o caxixi, chocalho de som agradável e discreto. Como observou o músico Naná Vasconcelos, a diferença é que a caxirola pode ser usada para machucar. Ao que parece, o novo instrumento já foi abandonado. Não colou, a exemplo do esdrúxulo nome “Fuleco” escolhido arbitrariamente para o mascote da Copa.
Se essas novidades parecem concebidas em gabinetes distantes do Brasil real, os novos estádios (ou os velhos, radicalmente transformados) estão surgindo como objetos estranhos a sua paisagem física e humana. São “arenas” assépticas, de arquitetura imponente e visual vagamente futurista, que durante as duas Copas – e provavelmente também depois – serão inacessíveis ao torcedor popular. Como bem observou o jornalista e cineasta Eduardo Souza Lima, “o futebol começou como esporte de elite e está voltando a ser esporte de elite”.
Eis o paradoxo: num país que viveu, nos últimos anos, uma perceptível ascensão das camadas mais pobres e sua inclusão no mercado, o esporte mais popular se converte em diversão de endinheirados. Barrados na arquibancada e na geral que lhes deram os apelidos, os antigos “arquibaldos” e “geraldinos” verão os jogos da seleção – e possivelmente também os dos seus times – do sofá da sala, sob a voz onipresente de você sabe quem.
O risco a médio e longo prazo dessa bizarra tendência – que entretanto parece perfeitamente de acordo com os ditames da publicidade, da FIFA, da globalização e dos interesses políticos estabelecidos, tanto da situação como da oposição – é o esvaziamento do futebol brasileiro daquilo que era a sua seiva, a sua energia, a sua temperatura: a paixão do torcedor popular.
* José Geraldo Couto é jornalista, tradutor e crítico de cinema.
Uma pesquisa do UOL Esporte com 105 jogadores em atividade em grandes clubes do país revela uma reflexão crítica sobre a identidade atual do boleiro brasileiro. Os atletas que responderam o questionário em condição de anonimato dizem ver uma geração "cai-cai", com pouca educação esportiva e iludida com a fama.
Questionados pela reportagem sobre qual a pior característica do jogador brasileiro, 28% afirmaram que é a mania do "cai-cai", da catimba e simulação de faltas. Esta foi a resposta mais comum entre os entrevistados.
Jogadores no divã: craques avaliam o que sobra e o que falta ao atleta brasileiro
Em segundo lugar aparece a ilusão com o sucesso, presente nas respostas de 12% dos jogadores ouvidos. A seguir, 10% apontam a falta de respeito como um problema para a geração atual do futebol brasileiro. Para completar o pacote, 7% dizem ver a classe como arrogante, com mania de querer tirar vantagem em qualquer situação.
O jogador brasileiro "se acha esperto", afirmou um dos nomes consultados pela reportagem do UOL Esporte no levantamento, de forma anônima.
Em menor incidência, outros itens presentes nas respostas foram preguiça desobediência tática, excesso de baladas e obsessão por uma transferência para a Europa.
Por outro lado, perguntados sobre qual a melhor coisa a respeito do jogador brasileiro, a maioria dos entrevistados (45%) indica a habilidade técnica. A seguir aparecem improvisação (11%) e inteligência (5%).
CALENDÁRIO DESORGANIZADO LIDERA RECLAMAÇÕES
A mesma pesquisa ainda listou o que mais desagrada os atletas em atividade no país. Os nomes ouvidos apontaram o calendário do futebol nacional como o maior vilão de suas vidas profissionais.
Para 30% dos jogadores ouvidos na pesquisa, o calendário de partidas é a pior coisa que existe no futebol brasileiro. Os atletas reclamam de excesso de jogos, falta de datas e discrepância com a programação da temporada europeia.
Adicionalmente, 3% das respostas apontam a pré-temporada curta como grande problema do futebol no país, em mais uma consequência do planejamento de calendário.
Qual é o maior artista da simulação? Vote
Diferentes itens chamam a atenção nas respostas dos jogadores ouvidos pela reportagem do UOL Esporte. Para 10% deles, a simulação de faltas é um grande problema do futebol do país. Outros 8% citam os estádios vazios como frustração. Mais 8% apontam a violência de torcida como a marca negativa da atividade.
Nas respostas dos jogadores ouvidos no levantamento também constam questões como arbitragem (5%), atraso dos salários (4%) e falta de união da classe (2%). Falta de centros de treinamentos adequados, interferência da Justiça Desportiva e falta de conhecimento tático também foram citados em menor número.
Foram ouvidos na pesquisa jogadores de Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco da Gama.