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terça-feira, novembro 05, 2013

Escritor angolano Ondjaki vence o Prêmio José Saramago por 'Os Transparentes'

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/11/1367365-escritor-angolano-ondjaki-vence-o-premio-jose-saramago-por-os-transparentes.shtml

DE SÃO PAULO

O escritor e poeta angolano Ondjaki, 36, venceu nesta terça-feira (5) a oitava edição do Prêmio José Saramago, pelo livro "Os Transparentes", de 2012. Além do prêmio, ele levou para casa € 25 mil (R$ 77,2 mil).
"Este prêmio não é meu, este prêmio é de Angola", disse Ondjaki em seu discurso de agradecimento, segundo informa o site português "Público".
"Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra 'cantil' guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede", acrescentou.
Nuno Elias
O escritor e poeta angolano Ondjaki
O escritor e poeta angolano Ondjaki
A honraria é distribuída pela Fundação Círculo de Leitores e, de dois em dois anos, premia uma obra literária de ficção lançada originalmente em língua portuguesa, escrita por autores que tenham até 35 anos quando da publicação.
Segundo a sinopse da obra de Ondjaki divulgada pela fundação, "'Os Transparentes' dá vida a uma vasta galeria de personagens onde encontramos todos os grupos sociais, intercalando magníficos diálogos com sugestivas descrições da cidade degradada e moderna."
As brasileiras Adriana Lisboa ("Sinfonia em Branco") e Andréa del Fuego ("Os Malaquias") já receberam o Prêmio José Saramago, respectivamente em 2003 e em 2011.

terça-feira, outubro 22, 2013

“Nenhum escritor pode ser transformado em instituição”

 Com essa premissa, Jean-Paul Sartre recusou o prêmio Nobel de Literatura divulgado há exatos 49 anos, em 22 de outubro de 1964. No dia seguinte à divulgação, Sartre publicou um longo texto no jornal francês “Le Figaro”, explicando seus motivos. Leia abaixo a carta:

http://www.lpm-blog.com.br/?p=22534
“Lamento vivamente que este assunto tenha tomado a aparência de um escândalo; um prêmio foi concedido e alguém o recusa. Isto se deve ao fato de que não fui informado devidamente a tempo do que se preparava. Li no “Le Figaro Litteraire”, de 15 do corrente mês, sob a assinatura do correspondente sueco deste jornal, que a maioria na Academia Sueca era a meu favor, mas não havia sido ainda definitivamente fixada, pelo que bastava escrever uma carta à academia, o que fiz no dia seguinte, para pôr um ponto final ao assunto e não mais se falasse dele. Eu ignorava, então, que o Prêmio Nobel é outorgado sem que se peça a opinião ao interessado e pensei que ainda era tempo de impedí-lo. Mas compreendo muito bem que quando a Academia Sueca faz sua escolha, já não pode voltar atrás. As razões pelas quais renuncio ao prêmio não se referem nem à Academia Sueca, nem ao Prêmio Nobel em si, como já expliquei em minha carta à Academia. Nela invoquei duas espécies de razões; razões pessoais e razões objetivas. As razões pessoais são as seguintes: minha negativa não é um ato improvisado. Sempre recusei as distinções oficiais. Quando, depois da guerra, em 1945, me propuseram a Legião de Honra, recusei-a, apesar de possuir amigos no Governo. Igualmente nunca aceitei ingressar no Colégio de França como sugeriram alguns de meus amigos. Esta atitude é baseada em minha concepção do trabalho do escritor. Um escritor que assume posições políticas, sociais ou literárias somente deve agir com meios que lhes são próprios, isto é, com a palavra escrita. Todas as distinções que possa receber expõem seus leitores a uma pressão que não considero desejável. Não é a mesma coisa se eu assino Jean-Paul Sartre que se eu assino Jean-Paul Sartre, Prêmio Nobel. O escritor que aceita uma distinção deste gênero compromete, também, a associação ou instituição que a outorga: minhas simpatias pelos guerrilheiros venezuelanos somente a mim comprometem, mas se o Prêmio Nobel Jean-Paul Sartre toma partido pela resistência na Venezuela, arrasta consigo todo o Prêmio Nobel como instituição. Nenhum escritor deve deixar-se transformar em Instituição, mesmo que isto se verifique pela mais honrosa forma, como no caso presente. Esta atitude é inteiramente pessoal e, evidentemente, não representa nenhuma crítica contra aqueles que já foram premiados. Tenho muita estima e admiração por muitos dos laureados que conheci pessoalmente. Mas minhas razões objetivas são as seguintes: – O único combate atualmente possível no campo da cultura é o da existência pacífica das duas culturas, a do Leste e a do Oeste. Não quero dizer com isso que seja necessário que se dêem abraços. Sei perfeitamente que o confronto entre estas duas culturas deve, por necessidade, adotar a forma de um conflito, conflito que deve ter lugar entre homens e entre culturas, mas sem intervenção de instituições. Sinto pessoal e profundamente as contradições entre as duas culturas: sou feito dessas contradições. Minhas simpatias vão inegavelmente, para o socialismo e para o que se chama o Bloco do Leste, mas vivi e me eduquei numa família burguesa e numa cultura burguesa. Isto me permite colaborar com todos aqueles que querem aproximar ambas as culturas. Espero, naturalmente que a melhor ganhe, isto é, o socialismo. Por isso é que não posso aceitar nenhuma distinção concedida pelas altas instâncias culturais, tanto de Leste como do Oeste, mesmo que admita sua existência. Embora todas as minhas simpatias vão para o campo socialista, seria impossível para mim aceitar, por exemplo, o Prêmio Lênin, se alguém quisesse me conceder, o que não se dá. Sei muito bem que o Prêmio Nobel, por si mesmo, não é um prêmio literário do campo ocidental, mas se transforma no que se faz dele e podem suceder coisas que os membros da Academia Sueca não podem prever. Por isto que, na situação atual, o Prêmio Nobel se apresenta objetivamente como uma distinção reservada aos escritores do Oeste ou aos rebeldes do Leste. Não se premiou Neruda, que é um dos maiores escritores americanos. Nunca se pensou seriamente em Aragon, que bem o merece. É lamentável que se tenha concedido o prêmio a Pasternak e não a Cholokhov e que a única obra soviética coroada seja uma editada no estrangeiro, proibida em seu país. Poder-se-ia ter estabelecido um equilíbrio mediante um gesto análogo no outro sentido. Durante a guerra da Argélia, quando assinamos o Manifesto dos 111 eu teria aceito o prêmio com reconhecimento, porque ele não teria honrado somente a mim, mas à liberdade pela qual lutávamos. Mas isso não aconteceu e é somente no fim dos combates que se entregam os prêmios. Na motivação da Academia Sueca se fala de liberdade: é uma palavra que se presta a numerosas interpretações. No ocidente, se fala de liberdade num sentido geral. Entendo a liberdade de uma forma mais concreta, que consiste no direito de ter mais de um par de sapatos e de comer pão menos duro. Parece-me menos perigoso declinar do prêmio do que aceitá-lo. Se o aceitasse, me prestaria ao que se pode chamar de uma ‘recuperação objetiva’. Afirma o artigo do ‘Le Figaro Litteraire’ que ‘não se teria em conta meu passado político discutido’. Sei que este artigo não exprime a opinião da Academia Sueca, mas ele mostra claramente em que sentido seria interpretada minha aceitação em certos meios de direita. Considero este ‘passado político discutido’ como ainda válido, mesmo se disposto a reconhecer certos erros passados perante meus camaradas. Não quero dizer que o Prêmio Nobel seja um prêmio ‘burguês’, mas esta seria a interpretação burguesa que dariam inevitavelmente os meios que conhecemos. Finalmente, resta a questão do dinheiro. É verdadeiramente grave que a Academia coloque sobre os ombros do laureado, além da homenagem, uma soma enorme. Este problema me atormentou. Ou bem se aceita o prêmio e com a soma recebida se apóiam movimentos ou organizações que se consideram importantes – de minha parte seria o Comité Apartheit de Londres – ou bem se recusa o prêmio em vista de virtude de princípios gerais, e se priva este movimento ao apoio que necessita. Renuncio, evidentemente, às 250.000 coroas porque não quero ser institucionalizado nem ao Leste nem ao Oeste. Não se pode pedir que se renuncie, por 250.000 coroas, aos princípios que não são unicamente nossos, mas compartilhados por todos os nossos camaradas. Foi isto que tornou tão penoso para mim tanto a atribuição do prêmio como a recusa que manifestei. Quero terminar esta declaração com uma mensagem de simpatia ao povo sueco.”

jeanpaul

segunda-feira, outubro 21, 2013

Recordando a Iván Bunin: El anciano

http://trianarts.com/recordando-a-ivan-bunin-el-anciano/


“Se extienden ya las sombras de la noche
pero esta azul aun el occidente…”

IB
Recordamos al Premio Nobel en el aniversario de su nacimiento.

“El anciano”

Veo la silueta oscura
Del anciano en la ventana.
Hiela afuera. Arde el cigarro
En espiras azuladas.
Largo rato hace que el té
Se ha enfriado ya en la taza.
Los rayos del sol poniente,
A través de la ventana
Y del humo del cigarro
Tiñendo de oro la estancia,
Hasta el rostro del anciano
Con oro líquido esmaltan.
El viejo reloj las horas
Cuenta con sonora pausa.
El anciano oye del péndulo
El tic-tac, y su mirada
Se fija en el sol poniente
Con vaguedad obstinada,
Mientras el cigarro arde
En espiras azuladas.
Iván Bunin
Nació en Vorónezh, Rusia,  el 22 de octubre de 1870.
Obtuvo el Premio Nobel de Literatura en 1933.
Murió en París el 8 de noviembre de 1953.
*La imagen es un retrato de Ivan Bunin pintado por Leonard Turzhansky.

quinta-feira, outubro 10, 2013

Escritora canadense Alice Munro vence Nobel de Literatura

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1354474-canadense-alice-munro-vence-nobel-de-literatura.shtml

CASSIANO ELEK MACHADO
RAQUEL COZER
ENVIADOS ESPECIAIS A FRANKFURT

A escritora canadense Alice Munro foi anunciada na manhã desta quinta (10) como vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2013. Ela receberá R$ 2,72 milhões.
Aos 82 anos, ela foi saudada pela Academia Sueca como "mestre do conto contemporâneo". "Suas histórias se desenvolvem geralmente em cidades pequenas, onde a luta por uma existência decente gera muitas vezes relações tensas e conflitos morais, ancorados nas diferenças geracionais ou de projetos de vida contraditórios", destacou a Academia Sueca.
É a primeira vez que um escritor baseado no Canadá ganha a principal honraria literária mundial --o escritor Saul Bellow nasceu no Canadá, mas se naturalizou e fez sua carreira nos Estados Unidos. Em 2012, o Nobel de Literatura foi vencido pelo romancista chinês Mo Yan.
Apesar de os ganhadores do prêmios serem tradicionalmente notificados por telefone antes do anúncio oficial, a Academia Sueca, responsável pelo prêmio, não pôde localizar Munro, segundo o Twitter oficial do prêmio Nobel. A instituição acabou deixando uma mensagem em sua secretária eletrônica.
O nome dela foi recebido com sorrisos, mas sem empolgação, na sala de imprensa da Feira do Livro de Frankfurt, onde jornalistas de vários países esperavam o anúncio do prêmio, olhando para um telão.
Munro é a primeira mulher a conquistar o prêmio desde 2009, quando ganhou a romena-alemã Hertha Müller (veja relação abaixo).
Na manhã de ontem, a bielorrussa Svetlana Alexievich despontou como principal favorita nas casas de apostas britânicas, desbancando o japonês Haruki Murakami, que pelo terceiro ano seguido lidera as listas mas não leva.
Munro aparecia em segundo lugar nos últimos dias, mas caiu para a quarta posição pouco antes de ser consagrada.
Nos últimos 30 anos, 19 dos vencedores tinham nacionalidade europeia (63%) --o índice salta para 75% se considerado só o século 21.
O inglês também é o idioma dominante, sendo a língua de 33% dos últimos 30 agraciados.

Alice Munro

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Paul Hawthorne - 28.out.2002/Associated Press
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A escritora Alice Munro no consulado do Canadá em Nova York
MESTRE DA INTIMIDADE
Nascida em 10 de julho de 1931, em Wingham, Munro já revelou que desde os 14 anos soube com certeza que queria ser escritora. "Mas, naquela época, você não saía anunciando uma coisa dessas", disse recentemente. "Você não chamava a atenção. Talvez fosse por ser canadense, talvez por ser mulher. Talvez ambos."
Em entrevista
à revista "The Paris Review", ela falou sobre as dificuldades do começo da carreira. "A [revista] 'New Yorker' me mandava notas interessantes [sobre os contos que ela enviava]-- mensagens informais escritas à caneta. Eles nunca as assinavam. Elas não eram terrivelmente encorajadoras. Eu ainda me lembro de uma delas: "a escrita é muito boa, mas o tema é um pouco familiar demais". E era mesmo. Era um romance sobre duas pessoas envelhecendo --uma solteirona de meia-idade que sabe que a hora é aquela quando recebe uma proposta de casamento de um fazendeiro de meia-idade. Eu tinha um monte de solteirões de meia-idade nas minhas histórias. Eu me pergunto por que escrevia sobre eles. Eu não conhecia nenhum", disse.
A canadense, que já foi chamada pela escritora Cynthia Ozick de "a Tchéckhov dos norte-americanos", tem 14 livros publicados e já ganhara prêmios internacionais de prestígio, como o Man Booker Prize de 2009.
LIVROS NO BRASIL
No Brasil, Alice Munro tem quatro livros publicados: "Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento" (2004), pela Editora Globo, "A Fugitiva" (2006), "Felicidade Demais" (2010) e"O Amor de uma Boa Mulher" (2013), todos editados pela Companhia das Letras.
Nesta quinta, pouco após o anúncio do Nobel, Globo e Companhia das Letras anunciaram novas edições da autora no país.
Além da reedição, em dezembro, de "Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento", a Globo informou que lançará, em 2014, "Selected Stories" (1996), "Runaway" (2004) e "The View of Castle Rock" (2006), pelo selo Biblioteca Azul.
A Companhia das Letras divulgou que publicará em dezembro o último livro da autora, "Dear Life".
Sobre "O Amor de uma Boa Mulher", o crítico Luiz Bras escreveu na Folha : "Em todos os oito contos desta coletânea vencedora do National Book Critics Circle Award, a sordidez da sociedade moralista abraça forte essas heroínas [personagens das narrativas].
Ou ainda: "Alice Munro certamente pertence à linhagem de escritores como Tchekhov e Virginia Woolf, mestres da intimidade doméstica, da elipse e do desenlace indefinido. A única diferença é que em suas histórias o niilismo e o puritanismo jamais triunfam".
VIDA RURAL
A cidadezinha onde nasceu e foi criada e a região rural ao redor do condado de Huronfazem parte do mundo da ficção de Munro: comunidades isoladas onde a ambição é malvista --especialmente nas mulheres--, onde os desejos são mantidos em segredo e onde todo mundo sabe, ou pensa que sabe, da vida dos outros.
Ela ficou conhecida por sua reclusão e aversão à publicidade. Sua obra foi produzida enquanto criava três filhas e ajudava seu primeiro marido, James Munro, a dirigir uma livraria. Ela persistiu no ofício apesar de não ter muito reconhecimento no início. Sua primeira coletânea foi publicada somente em 1968.
Munro começou a conquistar reputação com seu quinto e seu sexto livro, "The Moons of Jupiter" (1982) [As luas de Júpiter] e "The Progress of Love" (1986) [O progresso do amor]. Lentamente, então, ela ascendeu ao que a escritora Margaret Atwood chamou de "santidade literária internacional".
Em 2009, a escritora revelou que se submeteu a uma cirurgia de ponte de safena e foi tratada de câncer. Em abril deste ano, enfrentou a morte de seu segundo marido, Gerald Fremlin. Ela mora atualmente em um chalé do século 19, onde Fremlin foi criado.
Em julho, a contista havia anunciado que se aposentaria.
Editoria de Arte/Folhapress
13 MULHERES DESDE 1901
Desde sua criação, em 1901, 106 prêmios Nobel de Literatura foram entregues, apenas 13 para mulheres.
Veja a lista das vencedoras:
2013 - Alice Munro (Canadá)
2009 - Herta Müller (Alemanha)
2007 - Doris Lessing (Grã-Bretanha)
2004 - Elfriede Jelinek (Áustria)
1996 - Wislawa Szymborska (Polônia)
1993 - Toni Morrison (EUA)
1991 - Nadine Gordimer (África do Sul)
1966 - Nelly Sachs (Suécia)
1945 - Gabriela Mistral (Chile)
1938 - Pearl Buck (EUA)
1928 - Sigrid Undset (Noruega)
1926 - Grazia Deledda (Itália)
1909 - Selma Lagerlöf (Suécia)
Vencedores do Nobel de Literatura no século 21
2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia-Alemanha)
2008: J.M. Le Clézio (França-Ilhas Maurício)
2007: Doris Lessing (Pérsia-Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Inglaterra)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: J.M. Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertész (Hungria)
2001: V.S. Naipaul (Trinidad e Tobago-Reino Unido)
COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

sábado, julho 13, 2013

Conheça Lila Azam Zanganeh, a iraniana que virou musa da Flip

http://ela.oglobo.globo.com/vida/cultura-em-vida/conheca-lila-azam-zanganeh-iraniana-que-virou-musa-da-flip-9023203

Escritora bateu recorde de vendas com o livro “O encantador - Nabokov e a felicidade”

Lila Azam Zanganeh: assustada com o título de musa Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Lila Azam Zanganeh: assustada com o título de musaANA BRANCO / AGÊNCIA O GLOBO
RIO - Quando foi chamada de musa de Paraty, a escritora Lila Azam Zanganeh ficou com medo.
— Eu não sabia o que significava. Depois que me explicaram, eu perguntava por que me consideravam musa. Afinal, somos nós, os escritores, que precisamos delas — comenta Lila.
A iraniana de 36 anos, que fugiu para Paris aos 2 anos (“Peguei o voo com a minha mãe no dia que estourou a Revolução”), e que aos 20 escolheu NY para trabalhar (aos 23 anos já dava aula de Literatura e Cinema franceses em Harvard), bateu recorde de vendas com o seu livro “O encantador — Nabokov e a felicidade”, deixou homens e mulheres apaixonados (há quem diga que tenha sonhado com a moça), ganhou presentes (de chocolates e cartas até uma joia de um admirador mais ousado) e ainda mostrou que sabe cantar entoando “Trem das onze”, de Adoniran Barbosa, durante o bate-papo com Francisco Bosco na Flip. O segredo? Ela garante que são os olhos.
— Minha avó dizia que era a coisa mais importante na vida. O olhar sela uma troca, uma conexão. O segredo está nisso — ensina. — Além disso, sou eu mesma. Isso foi o que a minha mãe me alertou desde quando eu era pequena. Sigo esse conselho quase como se fosse algo espiritual.
Ela pode até não saber, mas é musa, sim. Daquelas que cativa pela simpatia e inteligência, tem um sorriso largo, sobrancelhas marcantes, que não precisa de maquiagem, apenas um lápis leve nos olhos, faz a própria trança no longo cabelo acobreado escuro, fala na altura certa, anda de salto nas pedras pé de moleque de Paraty, ou da orla do Rio, como alguém que caminha num piso lisinho, e que cruza as pernas longas e magras até enroscar.
— Acho cabeleireiro a coisa mais chata do mundo. E demora, não tenho tempo livre para gastar. Por isso sempre uso trança. É mais fácil, e perfeita para a umidade. Meu cabelo fica assim (imita uma juba de leão) se deixo solto. E, na verdade, não acredito nos produtos de beleza. Me arrumo em cinco minutos — admite ela, que tem uma tática para não comer besteira o dia todo: está sempre com um saquinho de castanha-do-pará na bolsa.
E ela ainda não se faz de difícil, algo típico das musas anteriores da Flip. Lila aceita todo o tipo de convite com empolgação. O nosso foi para, poucas horas antes de ela ir para o aeroporto, conhecer um tradicional botequim, o Jobi, no bairro que ela acha uma delícia, o Leblon. Alguma restrição alimentar? “Não”. Um chope? “Prefiro um suco para aproveitar o doce que só as frutas daqui têm”. Foram pedidos, então, os clássicos pastel de carne-seca, bolinho de camarão com catupiry e suco de abacaxi sem açúcar. Guardanapos de um lado, pimentinha do outro, o papo foi indo.
— Adoro a comida brasileira. A feijoada me lembra um prato clássico do norte do Irã. Durante a Flip, comi a moqueca vegetariana com palmito e banana do restaurante Banana da Terra. Tão boa que fui lá no dia seguinte e pedi a mesma coisa. Parecia criança com paladar infantil — conta, enquanto dá uma mordida no pastel. — Beber, não bebo muito. Tomei várias caipiroscas nessa viagem, mas nunca fico bêbada. Quer dizer, fiquei bêbada uma única vez na vida, foi de cachaça, na Lapa, há um ano.
Sem saber como explicar o sucesso arrebatador, ela tenta resumir tudo como um milagre. Difícil encontrar a palavra certa para descrever o frisson repentino de um livro que foi rejeitado repetidas vezes (ela ficou mais de três anos levando “nãos” e explicando que não queria escrever uma versão de Lolita iraniana, como pediam os marketeiros das editoras) virar best-seller da feira literária, e no embalo, alavancar a venda do livro de contos de Nabokov.
— O meu livro é esquisito, cada capítulo é uma ideia da felicidade de acordo com Nabokov, não imaginaria nunca esse sucesso. Achei o máximo que tenha alavancado também a venda do livro de contos dele — anima-se, avisando que a felicidade verdadeira está no olhar de quem vê. — No modo como levar a vida. É uma opção. Eu posso tanto ver esse lugar que estamos como algo cheio de carros, barulhento e poluído, ou uma mesa de botequim tradicional, cercada por árvores exóticas, e experimentando novidades. Decido por me maravilhar com tudo. Nabokov era assim.
Verdade. Quando seu Blackberry quebrou assim que chegou ao Rio, ficou sem poder acessar a internet e mandar mensagem. Teve que usar um celular antigo, que só faz ligação. Quase se desesperou. Antes chegar a esse ponto, pensou que seria maravilhoso, como “um presente do destino”, ficar sem um aparelho cheio de aplicativos. Está até pensando em aderir por um tempo a um celular sem internet.
— Nada é por acaso. Eu estava muito dispersa. Para ler ou escrever, preciso bloquear a internet, qualquer dúvida vira desculpa para pesquisar durante horas. Agora não vou poder nem checar pelo celular. Demoro muito para ler tudo que eu quero, não posso desperdiçar tempo — diz ela, que viaja com 20 ou 25 livros na mala. — Sei que não vou dar conta, mas é mania. Odeio tablets, gosto do espaço físico do livro, de anotar e guardar. São objetos de paixão.
Na mala de volta, duas aquisições brasileiras: “Barba ensopada de sangue”, de Daniel Galera, que conheceu em Paraty e adorou, e “Paisagem com dromedário”, de Carola Saavedra, com quem se correspondia, e que conheceu esta semana na mesa O GLOBO Pós Flip, na Livraria da Travessa.
— É sempre difícil escolher o que vou ler. É algo que pode ficar comigo um mês. Estou lendo textos relacionados ao Renascimento italiano, tema do meu próximo livro, mas acho sempre bom ler o que há de novo, de autores contemporâneos. O livro do Daniel é o primeiro de prosa em português que comecei a ler, estou adorando. Vou ler também os escritos pelo João Paulo Cuenca, que virou um amigo desde que nos encontramos no Hay Festival de Cartagena — conta a escritora, que estuda português desde fevereiro, treinando com um professor da USP, com o namorado brasileiro que conheceu em NY e lendo poesias.
Fechando a conta e voltando para a praia, ela respirou fundo a maresia, comentando que fazia bem para a saúde. Em seguida, cantou a canção “Desafinado”, apenas uma do seu repertório de MPB.
— “Meu comportamento de antimusical” é uma frase linda — declara Lila, que canta música clássica e ópera desde os 16 anos.
Na hora de tirar as fotos, ela fez um pedido: era para tomar cuidado com a sombra que seus cílios enormes fazem embaixo dos seus olhos — Ufa! Ela é gente como a gente.
— Podem ficar parecendo olheiras nas fotos.
Ao fim da sessão, ela se surpreendeu:
— Fico sempre tão feia em fotografias! Até meu fotógrafo americano comenta. Só nas que fiz no Brasil fiquei bem.
Pronto. Já tem desculpa para voltar.


domingo, julho 07, 2013

"Foi divertido esquecer que Jackson era uma celebridade", diz ensaísta que escreveu sobre o cantor

http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2013/07/07/foi-divertido-esquecer-que-jackson-era-uma-celebridade-diz-ensaista-que-escreveu-sobre-o-cantor.htm

Mirella Nascimento
Do UOL, em São Paulo

Flip 2013 (julho de 2013)55 fotos

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7.jul.2013 - Convidado para escrever sobre Michael Jackson após a morte do cantor, em 2009, o ensaísta americano John Jeremiah Sullivan participou da Flip na mesa de debates "A arte do Ensaio" Walter Craveiro/Divulgação
Convidado para escrever sobre Michael Jackson após a morte do cantor, em 2009, o ensaísta americano John Jeremiah Sullivan buscou no lado mais humano do cantor a base para contar a sua história.
"Fiquei ouvindo a música dele por algumas semanas. Havia liberdade de prestar atenção no que eu não vi escrito em nenhum lugar. Foi divertido esquecer que ele era uma celebridade e tentar me conectar com ele", disse o escritor na mesa "A arte do ensaio", na noite deste domingo (7) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
O escritor contou que pensou em outros destinos que a vida de Jackson poderia ter tomado a partir de sua infância em Indiana longe do sucesso. "Tentei pensar em como essa experiência iria mudar um ser humano. Ninguém perguntou se ele queria ser famoso. Quando ele se tornou consciente de quem ele era, ele já era famoso", completou.
Sullivan e o britânico Geoff Dyer, dois grandes ensaístas da atualidade, classificaram o ensaio como uma forma "livre" de estudar sobre assuntos de seu interesse sem se especializar neles.
O britânico, que acaba de lançar no Brasil "Todo Aquele Jazz", com textos sobre músicos como Chet Baker e Thelonious Monk, comparou a escrita de ensaios aos deveres de casa que fazia quando estava na escola.
"Passei os últimos 35 anos fazendo o dever de casa. Depois que eu saí da universidade, eu não queria ir à escola. Escrever ensaios é uma forma de estudar, de me aprofundar em assuntos que eu gosto", disse Dyer.
Ele fez ainda um contraponto da escrita solta do ensaio com as pesquisas acadêmicas: "A academia tende a afunilar as pessoas em uma especialização. O ensaio é uma antiespecialização, uma certa miscelânia, sempre se espalhando".
O amadorismo e a ignorância sobre o assunto a ser escrito são o ponto de partida para o ensaio, na opinião de Sullivan, autor de "Pulphead", que reúne ensaios de assuntos diversos, inclusive um festival de rock cristão, o neoconseradorismo americano e Michael Jackson.
"A confusão do ensaio faz parte da atração da forma. É uma forma um pouco solta, que funciona bem para amadores", disse Sullivan.

quarta-feira, julho 03, 2013

Convidado da Flip, escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura

http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2013/06/1301363-convidado-da-flip-escritor-transforma-axl-rose-e-michael-jackson-em-literatura.shtml

ISABELLE MOREIRA LIMA
DE NOVA YORK

Prazos, para escritores, são sempre tensos: o editor quer menos tempo, o autor quer mais. Nos agradecimentos do livro de ensaios "Pulphead - O Outro Lado da América" (Cia. das Letras), o escritor John Jeremiah Sullivan menciona "aqueles que demonstraram gentileza e compromisso com o prazo".
John leva entre seis e nove meses para produzir um ensaio. E, eventualmente, atrasa. A justificativa? Pesquisa extensiva e extremo apuro formal.
Em seu último livro, com trabalhos escritos entre 1997 e 2011, sobre assuntos como um festival de rock cristão, a aura do neoconservadorismo americano e a genialidade esquecida de Michael Jackson, o ensaísta teve de revisitar e aprofundar textos há tempos publicados e abandonados. "Odeio o meu trabalho de uma semana atrás, nem tenho cópias dos meus livros em casa. Foi terrível."

John Jeremiah Sullivan

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Sebastian Lucrecio
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O escritor americano John Jeremiah Sullivan, que vem para a FLIP, mistura estilos diferentes para escrever sobre temas não menos distintos: do fim do Guns N’Roses até suas relações familiare
O fruto dessa "terrível" experiência, sucesso de público e crítica, será assunto na próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), entre os dias 3 e 7 de julho, em que ele participa de uma mesa sobre "a arte do ensaio".
Nos EUA, "Pulphead" foi considerado um dos cem livros notáveis do ano pelo "New York Times". Para a "Time", ficou entre as dez melhores obras de não ficção, sob a justificativa de que, "com David Foster Wallace e Hunter S. Thompson mortos e Tom Wolfe praticamente aposentado, não restam muitos escritores com coragem e cérebro para confrontar nossa cultura e não se deixar contaminar pelos seus absurdos".
A primeira ideia era que eu o acompanhasse na festa trimestral da revista "Paris Review", em que trabalha como editor, em Nova York. Seria interessante -eu repetiria seus próprios passos, quando acompanhou Miz, subcelebridade conhecida pelo reality show "The Real World", da MTV, em uma balada.
A segunda opção seria uma viagem à Carolina do Norte, para conhecer a casa onde vive com a família. Fiquei espantada com sua generosidade: ele me disse que eu poderia dormir lá.
Acabamos em um banco de praça, em Nova York. Era uma tarde de sábado. Ali, John falaria, entre tragadas de um cigarro que ele mesmo enrolou, sobre sua vida de escritor, o livro que lança no Brasil, seu próximo trabalho e a entrevista em si. "O meu trabalho é fazer exatamente o que você está fazendo."
VELHO NOVO ENSAIO
John discorda dos críticos que o consideram expoente de um estilo batizado como "o novo ensaio". "Se você lê bastante, vai ver que esse jeito de escrever sempre existiu. O que acontece é que, de vez em quando, as pessoas voltam a ficar interessadas no assunto e colocam a palavra 'novo' na frente."
Como ele mesmo define, o formato ensaio, em sua versão "século 21", dá conta de uma escrita em primeira pessoa, caracterizado pela análise e argumentação em torno de um tema. E faz uso de estratégias literárias, como o cuidado com a forma e a tensão narrativa, "como se fazia no século 18".
Geralmente, há dois caminhos para quem passa meses trabalhando em um texto assim, que requer extremo aprofundamento do tema: a repulsa ou a obsessão. John costuma ser vítima do segundo.
Há 15 anos, ele trabalha na pesquisa para um livro, a ser publicado em 2014. É a história de um advogado alemão que foi ao sul dos EUA, em 1730, e tentou fundar uma república iluminista utópica entre índios. Foi perseguido pelos ingleses e morreu na prisão, em 1743. Para o trabalho, aprendeu a ler em alemão.
"Você está perto de terminar?", pergunto. "A resposta depende do quão deprimido estou. Algumas vezes, diria que tenho 60%. Em outras, tenho 4%."
Na segunda locação da entrevista, um café ao lado do hotel em que estava hospedado com a mulher e as duas filhas, de dois e sete anos, ele fala devagar, com longas pausas entre as ideias. Com o olhar distante, dá a impressão de ter deficit de atenção. Mas o raciocínio seguinte à pausa é tão articulado que logo a hipótese é descartada.
John acredita ter se tornado escritor na infância. Nascido em Louisville, Kentucky, no sul dos Estados Unidos, em 1974, filho de um jornalista esportivo e de uma professora de inglês, ele conta que nunca teve muita esperança de "escapar do carma de escritor".
Escreveu ficção e poesia antes de chegar ao ensaio, aos 20 anos, quando disse ter ouvido sua própria voz. Para James Wood, crítico de literatura da revista "New Yorker", sua principal característica é a qualidade de camaleão, de adaptar a voz narrativa ao assunto que está sendo abordado.
Paulo Whitaker/Reuters/Michael A. Mariant/Associated Press
Convidado da Flip(Festa Literária de Paraty) escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura
Convidado da Flip(Festa Literária de Paraty) escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura
ESQUISITOS E PROBLEMÁTICOS
Mas talvez o traço mais marcante do autor seja a capacidade de retratar personagens esquisitos, problemáticos ou fracassados com doses iguais de humor e generosidade. "Eu parto do pressuposto de que todos nós somos prejudicados pela vida. Tento ver o personagem não com empatia, mas a partir de uma postura de igualdade."
Após a terceira e última mimosa (espumante com suco de laranja), diz que quer saber mais sobre o Brasil. Quase foi ao país para acompanhar a ação da polícia no Complexo do Alemão, em 2010. Agora, espera conhecer outras cidades além de Paraty, Rio e São Paulo. "Você me recomenda alguma outra região?"
Por ele ter nascido no sul dos EUA, digo que o Nordeste poderia apresentar paralelos interessantes. Falo sobre a colonização, sobre Salvador, sobre a influência africana na cultura da região. Apaixonado por música (toca vários instrumentos e escreve seguidamente sobre o assunto), ele pergunta sobre os artistas locais. E a conversa termina com um interrogatório sobre Caetano Veloso.
Não duvidaria se dali nascesse uma nova obsessão.
VEJA TRECHO DE "O ÚLTIMO RETORNO DE AXL ROSE", DE "PULPHEAD"
Será que a banda não deveria voltar? Será que não percebem o impacto gigantesco que isso causaria? Dana Gregory me contou que Slash e Izzy nunca mais vão tocar numa banca com Axl. "Conhecem ele bem demais."
Eu não conheço nem um pouco do Axl. Se o pessoal dele tivesse deixado a gente conversar, talvez ele tivesse me mordido, me batido e me mandado manter meus pirralhos de merda dentro de casa, e eu seria capaz de transcender esses sentimentos.
Mas, nas circunstâncias atuais, tudo que posso fazer é ouvir "Patience" mais uma vez. Não sei como são as coisas aí onde você mora, mas aqui no Sul dos Estados Unidos, onde estou, essa música ainda toca o tempo todo.
E eu assobio junto e espero por aquela voz, perto do fim, quando ele canta "Ooooooo, I need you. OOOOOO, I need you". E naquele primeiro Ooooooo ele alcança uma nota capaz de esgarçar tecidos. Ela conjura a imagem de alguém arrancando o próprio escalpo como se fosse uma casca de uva.
Preciso tomar cuidado para não tentar cantar junto nessa parte, porque isso pode fazer você meio que se engasgar e quase vomitar um pouquinho. E no segundo OOOOOO você enxerga apenas um crânio desnudo, verde e brilhante pairando ali, vibrando de boca escancarada numa cela de prisão.
Ou sei lá eu o que você enxerga.

segunda-feira, maio 27, 2013

Escritor moçambicano Mia Couto vence o Prêmio Camões

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/05/1285850-escritor-mocambicano-mia-couto-vence-o-premio-camoes.shtml

27/05/2013 - 19h50

DE SÃO PAULO

O escritor moçambicano Mia Couto foi escolhido nesta segunda (27) o vencedor da 25ª edição do Prêmio Camões, a mais importante honraria da literatura em língua portuguesa. O autor receberá € 100 mil (cerca de R$ 265 mil).
Autor de romances como "Terra Sonâmbula" e "Jesusalém", todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras, Mia Couto, 57, é o segundo escritor de Moçambique a ser agraciado pela premiação --o primeiro foi José Craveirinha, em 1991.
O prêmio, criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, considera o conjunto da obra de autores de língua portuguesa. Nas 24 edições anteriores, Brasil e Portugal foram agraciados dez vezes cada um. No ano passado, o vencedor foi o curitibano Dalton Trevisan.
Karime Xavier/Folhapress
O escritor moçambicano Mia Couto, que participará da próxima Bienal do Livro Rio, no final de agosto
O escritor moçambicano Mia Couto, que participará da próxima Bienal do Livro Rio, no final de agosto
O anúncio da premiação para Mia Couto foi feito na tarde desta segunda no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio. O júri que o escolheu foi composto por Clara Crabbé Rocha e José Carlos Vasconcelos, de Portugal; Alcir Pécora e Alberto Costa e Silva, do Brasil; João Paulo Borges Coelho, de Moçambique; e José Eduardo Agualusa, de Angola.
Segundo a Fundação Biblioteca Nacional, responsável no Brasil pela premiação, a decisão foi unânime. Em nota, a FBN destacou o romance "Terra Sonâmbula" como "um dos dez melhores livros africanos do século 20". O jurado Agualusa destacou nos livros do colega a "criatividade linguística inspirada no falar das populações mais pobres de Moçambique".
Mia vem neste ano ao Brasil, para a Bienal do Livro Rio, onde lançará o romance "Cada Homem É uma Raça" (Companhia das Letras).

quinta-feira, maio 23, 2013

Flip anuncia programação de 2013

http://g1.globo.com/flip/2013/noticia/2013/05/flip-anuncia-programacao-de-2013.html

Cristiane CardosoDo G1 no Rio
23/05/2013 10h43 - Atualizado em 23/05/2013 12h35

Gilberto Gil fará show de abertura; edição homenageia Graciliano Ramos.
Evento literário acontece em Paraty (RJ) de 3 a 7 de julho.

Cristiane CardosoDo G1 no Rio

O escritor norueguês Karl Ove Knausgård (Foto: Divulgação/Maria Teresa Slanzi)O escritor norueguês Karl Ove Knausgård
(Foto: Divulgação/Maria Teresa Slanzi)
Foi anunciada nesta quinta-feira (23) a programação da 11ª edição da Festa Literária de Paraty, a Flip. O evento acontece de 3 a 7 de julho e vai homenagear o romancista alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), com o show de abertura de Gilberto Gil.
Anteriormente, a Flip já havia anunciado nomes como o irlandês John Banvilleo bósnio Aleksandar Hemona americana Lydia Davis e o poeta egípcio Tamin Al-Barghouti, além de mesa com Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli, professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, sobre Fernando Pessoa. O romancista Michel Houellebecq, o jornalista inglês Geoff Dyer, o norueguês Karl Ove Knausgård e o brasileiro Daniel Galera estão entre os destaques.
A conferência de abertura será feita pelo escritor amazonense Milton Hatoum. O tema da palestra do autor de "Dois irmãos" e "Cinzas do norte" vai ser a obra de Graciliano Ramos. "A escrita do Graciliano é extremamente moderna. Sabemos que a luta política dele e sua produção literária não se deu de maneira ortodoxa. Graciliano sempre se recusou a fazer de sua arte uma pregação ideológica", comentou o curador da Flip, Miguel Conde.
Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, informou que o orçamento da Flip deste ano é de R$ 8,6 milhões. Segundo ele, o valor maior representa um crescimento. "Não queremos que extrapole a capacidade da cidade, mas queremos alcançar um público de alta qualidade. A expectativa é de recebermos entre 20 a 25 mil pessoas, que é o que alcançamos nos anos anteriores. São 15 mil leitos em hotéis mais os moradores", afirmou Munhoz.
"Pensamos em uma forma de organizar a hospedagem. Um grupo de moradores poderá fazer reservas, oferecendo quartos. Muitos amigos não conseguem ir porque é muito caro. Isso não tem cabimento", disse Belita Cermelli, diretora-executiva da Flip e da Associação Casa Azul.

Autores
A franco-iraniana Lila Azam Zanganeh fará leitura da obra de Vladimir Nabokov, tido por ela como o "grande escritor da felicidade". O escritor norte-americano Tobias Wolff e o norueguês Karl Ove Knausgård se encontram em debate sobre criação literária e experiência pessoal.
A relação da literatura com o cinema, a música e arquitetura será abordada pelo historiador de arte T.J. Clark, os cineastas Eduardo Coutinho e Nelson Pereira dos Santos, a cantora Miúcha, o arquiteto Eduardo Souto de Moura e o célebre crítico de arquitetura da "New Yorker" Paul Goldberger.
O romancista Michel Houellebecq (Foto: Divulgação)O romancista Michel Houellebecq
(Foto: Divulgação)
As poetas Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Beber se reunirão na primeira mesa da Flip. O francês Jérôme Ferrari se junta ao brasileiro Daniel Galera para refletir sobre temas ligados à tragédia clássica.
Zuca Sardan e Nicolas Behr, dois grandes satiristas brasileiros, discutirão o estilo que ironiza costumes de forma poética e caricata. Geoff Dyer e o escritor americano John Jeremiah Sullivan se juntarão em uma mesa para discutir o ensaio como gênero literário. "Os autores presentes este ano na Flip têm em comum uma exploração entre ficção e poesia. Fiquei feliz porque a gente conseguiu reunir alguns dos autores cujos livros estão entre os mais interessantes, pelo menos que eu li nos últimos anos", afirmou Conde.

Vendas
Os ingressos começam a ser vendidos a partir das 10h de 10 de junho pela internet, no site (www.ingressorapido.com.br), pelo telefone (4003-1212) e em pontos de venda. Eles custam R$ 46 (tenda dos autores), R$ 12 (tenda do telão), R$ 22 (pista do show de abertura) e R$ 46 (cadeiras do show de abertura). Após 3 de julho, as entradas só podem ser compradas em Paraty.
No dia 27 de outubro de 2013, completam-se 120 anos do nascimento de Graciliano Ramos, autor de livros como "Vidas secas", "Angústia", "São Bernardo" e "Memórias do cárcere". Antes dele, a Flip prestou homenagem a Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Oswald de Andrade e Carlos Drummond de Andrade.
O curador da Flip Miguel Conde, o diretor-geral Mauro Munhoz e a diretora-executiva Belita Cermelli durante coletiva do evento nesta quinta-feira (23) (Foto: Cristiane Cardoso/G1)O curador da Flip Miguel Conde, o diretor-geral Mauro Munhoz e a diretora-executiva Belita Cermelli durante coletiva do evento nesta quinta-feira (23) (Foto: Cristiane Cardoso/G1)