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sábado, outubro 12, 2013

A difusão da literatura brasileira depois da Feira de Frankfurt

http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/10/12/a-difusao-da-literatura-brasileira-depois-da-feira-de-frankfurt-511777.asp

Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional, e José Castilho Marques Neto, diretor do Plano Nacional do Livro e da Leitura, anunciam mudanças e defendem novos papéis das instituições nas políticas públicas para a área que, afirmam, devem ir além da participação em feiras como a alemã

Por Guilherme Freitas, enviado especial a Frankfurt

Desde que assumiu a presidência da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), em março, e com ela a chefia do comitê organizador da participação do Brasil como convidado de honra da Feira de Frankfurt este ano, o cientista político Renato Lessa criticou os gastos de R$ 18,9 milhões assumidos pelo governo com o evento e defendeu que sua instituição deveria ter outro tipo de papel nas políticas públicas para o livro e a leitura. A partir de amanhã, quando ocorre a cerimônia de passagem de bastão para a Finlândia, homenageada de 2014, Lessa poderá colocar essa visão em prática sem ter mais no horizonte o maior evento editorial do mundo.

— Fomos bem-sucedidos em Frankfurt, nosso pessoal trabalhou 80 horas por dia, de forma heroica, para honrar os compromissos — comemora Lessa. — Mas a Biblioteca Nacional não pode mais ser percebida e tratada como produtora de feiras, porque temos outras prioridades. Podemos ter uma função de curadoria, montando a programação. Homenagens ao Brasil em eventos desse tipo têm que ser encampadas pelo governo brasileiro como um todo, do Ministério da Cultura (MinC) ao Itamaraty, e o investimento precisa ser compartilhado também com o setor privado.

Mudança de rumo

Como parte dessa “mudança de princípios”, diz Lessa, o orçamento da FBN para a participação do Brasil como país homenageado da Feira do Livro Infantil de Bolonha, maior evento mundial do gênero, que acontece em março de 2014, será reduzido de R$ 2,5 milhões para R$ 1,4 milhão. O restante será assumido pelo Itamaraty, que cuidará da execução da compra de serviços locais na Itália. Lessa conta também com a participação do setor privado.

A decisão é mais um sinal da mudança de perfil da FBN em relação à administração do presidente anterior, Galeno Amorim, demitido pela ministra Marta Suplicy este ano. Sob o comando de Galeno, a FBN estimulou a participação brasileira em megaeventos editoriais, como as feiras de Guadalajara e Bogotá, em 2012, Frankfurt e Bolonha.

Apesar da alteração de rumo, Lessa reconhece a importância dos eventos internacionais e aponta como principal legado de Frankfurt para a política nacional do livro o programa de fomento à tradução. A iniciativa, que por muito tempo existiu de forma intermitente, foi reestruturada em 2011 por Galeno, com a criação de uma escala que prevê, até 2020, investimentos de US$ 7,6 milhões em edições de obras brasileiras no exterior. Desde então, foram concedidas 357 bolsas para tradutores estrangeiros.

— O programa de apoio à tradução continuará, inclusive porque é um investimento com ótima relação custo/benefício, que ajuda muito a divulgação do livro brasileiro no exterior — diz Lessa, que reconhece as feiras internacionais como “oportunidades de promoção da cultura brasileira do exterior”, mas faz uma ressalva. — Se o país não tiver políticas permanentes de valorização da literatura e do livro, as feiras têm pouco valor. Elas são importantes, mas o Brasil precisa mais urgentemente redesenhar a organização institucional de suas políticas para o livro.

Passo decisivo para isso é o retorno do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) à estrutura do MinC. Anunciada em março como outra mudança em relação à administração de Galeno, que havia levado o Plano para a FBN, a decisão ainda depende de um decreto que, segundo Lessa, será concluído e assinado até o início de 2014.

Diretor do PNLL de 2006 a 2011, quando pediu demissão por não concordar com a integração à FBN, José Castilho Marques Neto foi reconduzido ao cargo pela ministra Marta Suplicy este ano. Com a oficialização do retorno do órgão ao MinC, ele pretende retomar metas de sua gestão anterior, como a transformação do PNLL em lei, a regulamentação de um fundo pró-leitura com a contribuição do setor privado e, a longo prazo, a criação do Instituto Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, que concentraria as políticas públicas para a área no país.

Com o retorno de Castilho, pode ganhar força também o debate sobre a criação no Brasil de uma lei de preço único para livros, semelhante às que existem em países como França e Alemanha. Na cerimônia de abertura da Feira de Frankfurt, terça-feira, autoridades alemãs defenderam a lei local contra o assédio de gigantes do comércio virtual como a Amazon. Castilho é favorável à medida.

— Países com uma longa tradição de leitura, como França e Alemanha, adotam com sucesso a lei do preço único para preservar a bibliodiversidade. Essa discussão ainda não foi feita no governo brasileiro, mas é uma pauta possível. Se a livraria do seu Pereira vende pelo mesmo preço que Cultura, Saraiva e Amazon, todos concorrem em condições de igualdade — diz Castilho.

Em entrevista coletiva durante a feira, a ministra da Cultura Marta Suplicy afirmou que ainda não há projeto sobre preço único em estudo no governo. Mas reconheceu a necessidade de debater novos modelos de negócios diante das mudanças no mercado de livros, que trazem riscos para editoras e de livrarias tradicionais.

— Estamos em um período de começo de transição — disse Marta.

Editoras pedem políticas nacionais

Entre os representantes do mercado brasileiro em Frankfurt, o programa de tradução da FBN é visto como o grande legado da feira para as políticas públicas. Para Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), o evento deu uma visibilidade inédita do livro brasileiro no exterior e abriu caminho para que o Brasil, tradicional comprador de direitos, reforce seu papel também como vendedor.

— Esperamos que essa política bem-sucedida continue depois de Frankfurt — disse Karine.

No mercado interno, ela vê como grande desafio o impacto que pode ser causado pela ampliação dos negócios da Amazon no Brasil, a partir do próximo ano. Diante disso, as livrarias têm exigido medidas mais protecionistas. Mas Karine vê um ponto positivo nesse cenário:

— No Brasil temos um problema histórico de distribuição. O livro que sai de São Paulo precisa de 15 dias para chegar a Manaus. A presença da Amazon vai ajudar a acelerar a distribuição. Mas temos que ficar atentos para não aceitar más condições de negócio — diz Karine, que acredita que a lei de preço único teria poucas possibilidades de ser aprovada no Brasil.

Para Sônia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), uma forma de incentivar a leitura seria ampliar um projeto de doação de livros de literatura, e não apenas didáticos, como já vem sendo feito na Bienal do Livro.

— O principal incentivador da leitura entre crianças é o professor, mas como podemos esperar que ele motive a leitura se não tem o hábito de ler? No Rio temos um programa que funciona como um clube do livro para professores, e que serve de base para que eles ensinem aos seus alunos o hábito de leitura. Mas falta um programa que funcione assim em todo o Brasil.

quinta-feira, setembro 08, 2011

“O autor é apenas um ninguém para as editoras” afirma o Escritor Ryoki Inoue

Quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A afirmação que serve para chacoalhar os escritores é de Ryoki Inoue que se trata do escritor mais produtivo do mundo, o mais prolífico do planeta. O ex-cirurgião torácico já escreveu 1,100 livros e foi parar no Guinness cansou de esperar as Editoras e ganhou o mundo.

Veja alguns números do autor: por anos, dominou 95% do mercado de pocket books e já ultrapassou os 10 milhões de exemplares vendidos; usou pelo menos 39 pseudônimos; e escreveu de tudo: de faroeste à ficção científica, de novelas românticas a livros de guerra, de misticismo a suspense e intrigas políticas.

Atualmente ele escreve dois livros por ano e se dedica a ajudar autores iniciantes através da Produtora que tem o seu selo, Ryoki Inoue Produções.

Também oferece cursos online e ministras palestras sobre o tema: Como escrever e publicar um livro de sucesso.

Ryoki Inoue já publicou pelos maiores grupos editoriais do país, mas decepcionado se sentiu desvalorizado, desistiu e resolveu publicar por conta própria suas futuras obras. O escritor disse ainda em entrevista ao G1 que "esperar por Editora é utópico".

“Cansei de ficar esperando prestações de contas. E também cansei de esperar que essas grandes editoras fizessem alguma coisa do ponto de vista de divulgação e marketing”. Em entrevista ao G1 Ryoki Inoue diz ter um controle maior do processo de publicação, da divulgação, da distribuição (com vendas especialmente pela internet) e do retorno financeiro pelos livros vendidos.

“As editoras grandes, ditas convencionais, estão preocupadas em investir só em autores de retorno certo. Um principiante dificilmente encontra um lugar ao sol”, disse. Segundo ele, a dificuldade em conseguir falar com os editores é outro motivo que o faz escolher e incentivar a publicação independente. “É mais fácil uma boa relação com uma editora pequena do que com uma grande.”

O milésimo livro do autor "E agora, Presidente?"

Em meio à corrupção do governo, caminha o representante da opnião pública, da consciência coletiva, o jornalista Jeff Taylor — bem informado, insistente e inconveniente para os que não querem transparência nas ações que serve de epígrafe deste livro e que soa com um epitáfio:
"Não sei o que é pior para o Presidente — se a corrupção ou a AIDS". — Alexandre Garcia.

Mais informações no sites do autor:Site do Autor - http://www.ryoki.com.br/ Ryoki Produções - http://www.ryokiproducoes.com.br/

Confira o Especial Exclusivo no G1http://g1.globo.com/bienal-do-livro/rio/2011/

quarta-feira, agosto 31, 2011

O Mala: Manual de Identificação e Uso - Mario Kostzer

"Mulher! Olha o que saiu no jornal... Vão baixar nosso salário... Mas é certo que vão baixar também os preços, né?! E vão criar um novo imposto. Bom, daí o governo vai ter mais recursos para fazer as coisas... Eu sou otimista, você vai ver, dê tempo ao tempo." (p.28 - O mala otimista)
Autor: Mario Kostzer
Editora: Belas Letras
Categoria: Humor
ISBN: 9788560174751
Páginas: 80
Lançado: 2011

O enredo do livro tem tudo a ver com o título, é um Manual de Identificação de “pessoas malas”.
O livro é pequeno, cheio de ilustrações e cada capítulo se destina a traçar o perfil de um tipo de “Mala”.
É uma leitura bem divertida, apesar de rápida. Em muitos momentos me vi rindo sozinha e comparando os diversos tipos de “malas” com as diversas pessoas que conheço. É impressionante como existem os mais variados tipos de “malas” no nosso dia-a-dia.
Entre os diversos tipos de malas citados no livro encontramos “O mala da internet”. Será que alguém aí conhece aquele “tipinho” que vive mandando correntes no seu e-mail?
Outro “mala” que me chamou muito a atenção durante a leitura foi “O mala que faz alarde de seus títulos”. Só nessa parte me lembrei de pelo menos uns três professores de faculdade no primeiro dia de aula.
Além dos diversos tipos de “malas” o autor Mario Kostzer ainda nos apresenta uma lista de “Desculpas que todo mala emprega” e os “Contratempos malas”.
Em síntese é uma leitura bem divertida para aqueles momentos corriqueiros do dia-a-dia em que não dá pra ler um livro muito grande.

"PESQUISADORES
estão experimentando uma nova droga que,
asseguram, servirá para acordar as crianças para
irem à escola. O experimento, testado com êxito
por um técnico mecânico dos subúrbios de
Londres, instiga o interesse do mundo cientifico."
(p. 26 - A notícia mala)

Qual o pior tipo de mala?
Autor: Acho que o pior mala é aquele com poder. Às vezes com um poder efêmero, mas que produz prejuízos importantes.

Os malas do livro surgiram de suas observações ou são fictícios?
Autor: São composições armadas a partir da vida real. Inclusive acredito que são facilmente identificáveis pelas pessoas. São aqueles que em alguns casos nos amargam a vida, ou talvez, se você aprende a conviver com eles, nos arrancam um sorriso.

Você imaginava que seu livro faria tanto sucesso na Argentina? Como você acha que ele será recebido no Brasil?
Autor: Sempre escrevemos com certa expectativa. Até aquele náufrago que lança no mar uma garrafa com uma mensagem quer que a leiam. Obviamente que a resposta que recebi superou essa expectativa e obviamente foi bem-vinda. No Brasil, imagino que os leitores reconhecerão muitos dos personagens descritos no meu livro, já que a maioria deles é universal.



terça-feira, dezembro 14, 2010

APCA escolhe "Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus" como melhor romance de 2010

Saiu a lista dos vencedores do prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes). Confira abaixo os escolhidos na categoria literatura.
Romance
"Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus" (Record), de Evandro Affonso Ferreira
Ensaio/Crítica
"Ideologia e Contra Ideologia" (Cia. Das Letras), de Alfredo Bosi
Infanto-Juvenil
"Sou Eu!" e "O Nervo da Noite" (Scipione), de João Gilberto Noll
Poesia
"A Duração do Dia" (Record), de Adélia Prado
Contos/Crônicas/Reportagens
"Ficção Interrompida" (Ateliê), de Diógenes Moura
Biografia
"Memórias de Um Historiador de Domingo" (Cia. Das Letras), de Boris Fausto
Tradução
Paulo César de Souza por "Obras Completas", de Sigmund Freud

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Google lança loja de livros eletrônicos com mais de 3 milhões de obras gratuitas

DE SÃO PAULO

O Google lançou oficialmente nesta segunda-feira (6) sua loja de livros eletrônicos, a Google eBookstore. São mais de 3 milhões de obras gratuitas já disponíveis aos usuários, além das pagas.

A loja é compatível com navegadores de internet convencionais e com aparelhos Android, iPhone, iPad e iPad touch, além dos e-readers da Sony e o Nook. Assim, é possível usar diversos aparelhos para ler os livros.

"Desenhamos o Google eBooks para que ser aberto. A maioria dos dispositivos com navegador moderno é compatível com Google eBooks, desde portáteis a netbooks, de tablets a smartphones", comentou no blog da companhia Abraham Murray, chefe do departamento Google Books.

Google eBooks conta com um leitor no site de livros digitais e oferece o acesso a maior livraria existente na rede que combina exemplares digitalizados pelo Google desde 2004 junto de "centenas de milhares" de obras à venda.

Além do acesso pelo endereço da internet, o Google anunciou que sua livraria contará com aplicações específicas para Android e Apple, o que "tornará possível comprar e ler pelo mesmo aplicativo". "Muitos livros oferecerão a opção de selecionar o tipo de letra, tamanho, modo de leitura para dia e noite e o entrelinhas", disse Murray.

Google eBooks memorizará a página na qual parou de ler e voltará a ela quando o usuário volte a se conectar, sem importar o dispositivo a partir do qual o faça.

LIVROS
O Google fez uma parceria com editoras e autoras para colocar os livros à disposição dos usuários. Estão na loja bestsellers e clássicos, o que inclui obras que estão em domínio público.
O usuário pode navegar pela página de New Arrivals, a procura das obras mais recentes adicionadas à loja, ou pelo Free Classics, com obras gratuitas.

Estão disponíveis títulos gratuitos e pagos, mas apenas os usuários residentes nos Estados Unidos podem comprar livros por enquanto, segundo a empresa.

Com agências de notícia

domingo, novembro 14, 2010

Seleção de livros ajuda criançada a aprender a ler e contar

DENISE DE ALMEIDA
Colaboração para o UOL Crianças

Chega uma hora na vida das crianças em que as letras deixam de ser aqueles símbolos super esquisitos e passam a formar um monte de palavras, que podem ser curtas ou compridas, bonitas ou feias, fáceis ou difíceis.

Então, um novo universo se abre aos seus olhos e ela começa a entender o que está escrito no gibi, na placa de rua, na caixa do brinquedo. E também passa a ler as próprias histórias.

Várias obras são feitas especialmente para esses novos leitores, mas que livro dar para quem está nesta fase? Para lembrar o Dia Nacional da Alfabetização, comemorado em 14 de novembro, o UOL Crianças fez uma seleção de alguns livros para quem está começando a ler. Confira.


Conversa de Bicho

Escrito em letra bastão, própria para quem está começando a ler, o livro faz divertidos jogos com palavras, letras, imagens e frases, que são entendidas até pelos leitores iniciantes.

Bastante colorido e ilustrado, mostra, por exemplo, que se juntar a letra A, de abelha, com o U, de unhas, dá para escrever AU, que é como os cachorros latem. E se pegar o B, de balão, e o E, de esquimó? Dá a palavra BÉ, que é como as ovelhinhas conversam.

“CONVERSA DE BICHO”
Idade: A partir de 7 anos
Editora: Biruta
Autora: Lila Prap
Ilustrações: Lila Prap
Páginas: 40
Data de Edição: 2010


Numeródromo

Se você acha que circo é lugar só de palhaço e mágico, está muito enganado! O divertido livro mostra que você também está cercado de números até no picadeiro.

Afinal, quantos coelhos sairão da cartola? Também dá para contar quantas bolas o malabarista equilibra – ou desequilibra, já que o circo deste livro vira palco para uma grande e engraçada confusão.

As ilustrações do livro chamam a atenção por serem bem diferentes: os cenários parecem estar cheios de personagens recortados em tecido pelas crianças e colados ali. “Numeródromo” é escrito em letra bastão, que facilita a leitura de quem começa a aprender a ler.

“NUMERÓDROMO”
Idade: A partir de 5 anos
Editora: Larousse Júnior
Autora: Telma Guimarães
Ilustrações: Sami e Bill
Páginas: 32
Data de Edição: 2008


O Batalhão das Letras

Mario Quintana, um dos mais importantes poetas brasileiros, usa a graça em forma de poesia para percorrer o alfabeto e ensinar às crianças como se escreve várias palavras da nossa língua.

“Outras letras dizem tudo.
Mas o O nos desconcerta.
Parece meio abobalhado:
Sempre está de boca aberta...”

O livro é cheio de ilustrações coloridas, que mostram, a cada página, animais, objetos e brinquedos que têm aquela letra como inicial.

“O BATALHÃO DAS LETRAS”
Idade: A partir de 3 anos
Editora: Globo
Autor: Mário Quintana
Ilustrações: Rosinha
Páginas: 32
Data de Edição: 2009


Maricota e o Mundo das Letras

A pequena Maricota ganhou de presente de aniversário uma caixa com letras coloridas de madeira. Mas, na hora da brincadeira, algo muito estranho aconteceu: a caixa de madeira ganhou vida e se pôs a tagarelar com a garota!

O novo amigo, chamado Alfabeto, se apresentou à Maricota e contou que apenas com as 26 letrinhas dele dava para escrever todas as palavras da língua portuguesa, que é o idioma falado no Brasil. E essas mesmas letras, ao se juntarem em sílabas para formar palavras e frases, podiam servir para escrever desde um bilhetinho até um livro bem grandão.

O falante Alfabeto também ensina à Maricota que com apenas 10 algarismos (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9) dá para formar qualquer número, seja o zero ou o um trilhão.

“MARICOTA E O MUNDO DAS LETRAS”
Idade: A partir de 5 anos
Editora: Mercuryo Jovem
Autor: Frei Betto
Ilustrações: Marco Carillo
Páginas: 40
Data de Edição: 2009


A Paixão de A e Z

O livro conta que as letras A e Z eram apaixonadas, mas viviam tristes, porque elas moravam muito longe uma da outra: cada uma estava em uma ponta do alfabeto.

Para piorar a situação, as palavras mais comuns tinham a letra A, como boneca, casa, pipa e bola, mas elas não deixavam o casal ficar juntinho. E quase ninguém por aí fala azeviche, azinhaga ou zaragata. Então, como deixar o azar de lado e unir esse apaixonado casal? Só lendo a história para descobrir.

No final do livro há um glossário onde dá para aprender o significado de algumas palavras usadas na história. Zaragata, por exemplo, é o mesmo que confusão.

“A PAIXÃO DE A E Z”
Idade: A partir de 7 anos
Editora: Peirópolis
Autor: Alonso Alvarez
Ilustrações: Marcelo Cipis
Páginas: 32
Data de Edição: 2010

sexta-feira, novembro 05, 2010

Livro de Monteiro Lobato é liberado para ser usado em sala de aula

Professor reclamou de trechos da obra 'Caçadas de Pedrinho'.
Ministro Fernando Haddad teve que intervir.


Do G1, com informações do Bom Dia Brasil


Um clássico da literatura infantil quase foi banido das escolas públicas do país. Algumas frases que aparecem na história "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, foram consideradas preconceituosas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O ministro da Educação, Fernando Haddad, teve que intervir.

Veja o site do Bom Dia Brasil


Monteiro Lobato racista? Um professor da universidade de Brasília achou que sim. Considerou que no livro "Caçadas de Pedrinho" há preconceito racial contra a personagem Tia Anastácia, a empregada negra do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Em um trecho, o autor diz que Tia Anastácia "tem carne preta”. Em outro, afirma "que trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro”.

A Secretaria de Igualdade Racial concordou com a crítica. “As expressões que o livro contém são expressões de um conteúdo fortemente preconceituoso e que precisam de tratamento explicativo na sala de aula, para que não se ofenda a autoestima das crianças e dos leitores”, disse o ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo.

O Conselho Nacional de Educação chegou a recomendar que o MEC deixasse de adotar "Caçadas de Pedrinho" nas escolas públicas. O argumento era que ele desrespeita o critério usado na avaliação dos livros didáticos, de não ter preconceitos ou estereótipos.

A Academia Brasileira de Letras condenou o veto. “A obra do Monteiro Lobato, depois de tantas décadas, sofrer esse tipo de avaliação, é completamente equivocada. A academia, na linha das suas convicções democráticas, rejeita qualquer tipo de censura e entendeu a manifestação do conselho como uma forma de censura”, afirmou o presidente da ABL, Marcos Vinicios Vilaça.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, não é o caso de tirar o livro das escolas. “Décadas se passaram. Expressões que não eram consideradas ofensivas, hoje são. Mas, em se tratando de Monteiro Lobato, de um clássico brasileiro da literatura infantil, nós só temos que contextualizar, advertir e orientar sobretudo o professor sobre como lidar com esse tipo de matéria em sala de aula”, disse.

E o problema foi resolvido. O livro vai continuar na lista do MEC, mas, a partir de agora, com uma explicação sobre o contexto em que foi escrito. Algo parecido com o que uma edição já traz sobre a caça à onça. A editora deixa claro que a aventura aconteceu em uma época em que a espécie não estava ameaçada de extinção, nem os animais silvestres eram protegidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O clássico da literatura infantil "Caçadas de Pedrinho" foi publicado pela primeira vez em 1933.

domingo, agosto 29, 2010

Concurso de resenhas: agora, é com os especialistas

Foi uma semana de intensa participação popular. De 19 a 26 de agosto, dias em que VEJA Meus Livros teve recordes sucessivos de acesso, foram computados quase 62.000 votos. Agora, é a vez dos especialistas escolherem os quatro textos que receberão os prêmios do concurso cultural Resenhando no blog Meus Livros: uma caixa de filmes fornecida pela parceira Livraria Cultura; livros lançados na Flip deste ano, oferecidos pela também parceira Flip; uma coleção completa de clássicos da Abril Coleções e, para o primeiro colocado, um leitor digital Kindle.

A banca conta com Alcir Pécora, professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Também farão parte do time de especialistas o jornalista e escritor Jerônimo Teixeira, editor de VEJA, e Carlos Graieb, editor-executivo de VEJA.com. Os vencedores serão anunciados no início da próxima semana. Fique ligado.

Confira, abaixo, as dez resenhas mais votadas pelo público:
1. ‘Ensaio sobre a Cegueira’, por Daniela Hespanha (13.0%, 8,008 Votos)
2. ‘O Albatroz Azul’, por Giancarlo Reis (12.0%, 7,707 Votos)
3. ‘O Código Da Vinci’, por Eduardo Hernandes (12.0%, 7,342 Votos)
4. ‘Ensaio sobre a Cegueira’, por Rodrigo Ferrarezi (11.0%, 6,814 Votos)
5. ‘Cem Anos de Solidão’, por Naiara Costa (10.0%, 5,971 Votos)
6. ‘Cem Anos de Solidão’, por Hugo César (9.0%, 5,271 Votos)
7. ‘A Menina que Roubava Livros’, por Giovana Celinski (8.0%, 5,158 Votos)
8. ‘Amanhecer’, por Carolina Pavanelli (6.0%, 3,664 Votos)
9. ‘Ensaio sobre a Cegueira’, por Zanine Tomé (6.0%, 3,643 Votos)
10. ‘Amanhecer’, por Eduardo Mesquita Cabrini (5.0%, 3,017 Votos)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Rimbaud, biografia do poeta maldito

Jardel Dias Cavalcanti

Uma espécie de filho maldito de Baudelaire, o prenunciador do surrealismo, o mestre espiritual de Jim Morrison, o poeta do desregramento de todos os sentidos adorado pelos beatniks, o menino quase sobre-humano, segundo Proust. Rimbaud tornou-se uma lenda literária ainda vivo, embora tenha deixado de se interessar por poesia já aos 19 anos. Qualquer pessoa que queira mergulhar no que há de mais radical e imaginativo em poesia moderna deve passar por ele.

Uma forma bem interessante de se aproximar de Rimbaud é lendo a biografia Rimbaud ― A vida dupla de um rebelde (Companhia das Letras, 2010, 192 págs.), de Edmund White, lançado este ano pela Companhia das Letras. White já havia escrito as biografias de Jean Genet, outro escritor maldito, e também a do romancista Marcel Proust. Seu relato da vida de Rimbaud cruza dados do desenvolvimento de sua carreira como poeta, dos 15 aos 19 anos, com seus desvarios homoeróticos com Paul Verlaine, sua eterna postura rebelde e antiburguesa e, finalmente, relata o abandono da carreira literária e sua busca por riqueza e posterior destruição e morte no período em que viveu no continente que chamou em suas derradeiras cartas de "tediosa África".

Ainda bem jovem Rimbaud deixou cair em suas mãos As flores do mal, o livro de poesias de Charles Baudelaire. Jamais voltaria a ser o mesmo. Também inebriou-se com a leitura das poesias de Victor Hugo e suas obras Os miseráveis e Os trabalhadores do mar, tornando-se ainda companheiro literário e sexual do poeta Paul Verlaine. Baudelaire, Hugo e Verlaine: ingredientes perigosos transformados em um verdadeiro coquetel molotov pelo jovem poeta de Charleville.

Segundo White, Rimbaud transportou a novas alturas "a nostalgia do ignóbil" de Baudelaire. E a prova evidente disso é o poema "Soneto do buraco do cu" ("Sonnet du trou du cul"), escrito com seu parceiro de bebedeiras e cama, Verlaine (que escreveu os primeiro oito versos, enquanto Rimbaud escreveu os últimos seis). Há nesse poema a direta intenção de ofensa contra o soneto tradicional com seus temas elevados. É um poema que pode ser considerado uma espécie de irmão espiritual de alguns poemas de Baudelaire, principalmente o denominado "A carniça".

Eis o poema "Soneto do buraco do cu":

"Obscuro e enrugado como um cravo roxo,
Ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo
Úmido ainda de amor que segue a doce fuga
Das nádegas brancas até o âmago de sua orla.

Filamentos parecidos a lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através dos pequenos coágulos de marga raiva
Para irem se perder onde o declive os chamava.

Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;
Minh´alma, com ciúmes do coito material,
Dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.

É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;
É o tubo por onde desce a celeste pralina:
Canaã feminino encerrado nas umidades!"

Rimbaud foi um rebelde não só do ponto de vista poético, mas também na forma existencial de se opor aos comportamentos sociais burgueses. Decidiu por uma vida desregrada, consumindo-se numa aventura homossexual pública com Verlaine, que viria a destruir seu casamento e terminaria causando inúmeros problemas aos dois poetas, como quando tomado de fúria Verlaine colocou fogo na cabeleira de sua mulher e quando atirou enlouquecidamente seu próprio filho ainda bebê na parede. E ainda, entre outras coisas, a prisão do desesperado Verlaine ao disparar um tiro contra Rimbaud, que o ameaçava deixar.

Entregando-se ao mau comportamento entre o meio literário parisiense, acabou sendo acusado de irresponsável, agressivo, intragável e boca-suja. Fazendo uso de haxixe e absinto praticou aquilo que exigia do verdadeiro poeta: "o longo, imenso e sistemático desregramento de todos os sentidos". Sua própria mãe não o via senão como um cabeludo, piolhento, arruaceiro, blasfemo, vagabundo, desrespeitoso de todas as formas de ordens. Seu comportamento antipático, obsceno e grosseiro talvez tenha sido aprendido com velhos anarquistas que conheceu, sugere White.

Em meio às turbulências do seu cotidiano desregrado, não deixava de escrever seus poemas, desafiando constantemente um ambiente literário francês ainda conservador, proclamando como ordem do dia "cuspir no sagrado" e "injuriar o belo".

A ideia de uma espécie de inspiração grotesca seria o componente vital de sua poesia. Seu professor ginasial Izambard relembrou anos mais tarde seu brilhante aluno recitando o seguinte trecho dos ensaios de Montaigne: "O poeta, sentado sobre o tripé das musas, cospe furiosamente tudo o que lhe entra pela boca, agindo como uma gárgula, e dele saem coisas de toda sorte diferente, substâncias contrárias num fluxo irregular".

O texto acima não poderia ser melhor para definir a imagem da poesia do autor de Uma temporada no inferno e "O barco bêbado". Sua "Carta aos videntes" propõe uma ruptura radical com o passado da poesia. Para Rimbaud, resume White, "o poeta é um vidente que conquista seus poderes visionários pelo desregramento de todos os sentidos através do álcool, das drogas, da loucura, da doença e do crime. Assim como Baudelaire havia falado das virtudes da embriaguez, que permite ao individuo fundir-se com o mundo a sua volta e com a humanidade universal, de igual modo Rimbaud atribui a lucidez sobrenatural do poeta a tudo o que desregula os hábitos embotados da percepção".

Rimbaud tornou a poesia uma espécie de parteira das sensações capaz de registrar tudo o que seus sentidos detectem, intensificando o brilho dos fatos através da linguagem ousada e entrecortada de sua poesia. Essa poesia objetiva de pura sensação, diz White, é um impulso que Rimbaud corporificou à perfeição em seu famoso soneto "Vogais".

No poema "O barco bêbado", com cem versos, Rimbaud libera a poesia de todas as regras clássicas, levando a linguagem especificamente a ser como o narrador do poema, que é o barco sem leme, errante, bêbado, partindo sem rumo em direção ao desconhecido. Estava colocado em prática o verso livre. Diz alguns versos do poema:

"E desde logo me banhei no Poema
do Mar, infuso de astros, e lactescente,
devorando os azuis verdes; onde, flutuação pálida
e arrebatadora, um afogado pensativo às vezes vaga."

O poema compreende rimas descontraídas, imagens surpreendentes e sintaxe intrincada. "Cada elemento do poema de Rimbaud ― semântico, rítmico, linguístico é calculado para desestabilizar o leitor (...) e falar diretamente a todos os seus sentidos", diz White.

Dando continuidade e renovando Baudelaire, Rimbaud praticamente inventa o poema em prosa. Segundo White, "Baudelaire já tinha feito experimentos com poemas em prosa, mas Rimbaud iria descartar o aspecto informal, descritivo, anedótico daquelas peças e substituí-lo por um tipo órfico de enunciado que era mais visionário e mais difícil, mais frio e sublime. Também seria lírica e condensada, visual ao extremo e intrincadamente tecida".

Após fazer 19 anos Rimbaud despediu-se para sempre da literatura. "Considerava seus anos de criatividade, dos quinze aos dezenove, um tempo de bebedeiras, um período de escândalo homossexual, de arrogância e rebeldia que não levaram a nada".

Desaparecido da Europa, Rimbaud tornou-se uma lenda, principalmente depois da publicação em 1883 de Les poètes maudits, livro de Verlaine sobre Rimbaud, Mallarmé e Tristan Corbière. Em 1887, chegou a Paris a falsa notícia da morte de Rimbaud. Verlaine prontamente escreve um belo poema:

"Não quero crer em nada disso. Morto, vós,
Tu, deus entre os semideuses!
Os que o dizem estão loucos!
Morto, meu grande pecado radioso (...)"

O resto de sua curta existência se passa entre viagens a lugares exóticos e distantes da Europa, em busca de dinheiro, através, principalmente, do tráfico de armas, do comércio internacional de especiarias e como intérprete comercial.

Segundo White, a lenda de que Rimbaud era traficante de escravos na África não é verdadeira, mesmo a escravidão e o comércio de escravos sendo fatos corriqueiros na África (prática especialmente feita por brancos árabes). Rimbaud viveu ali como comerciante bem-sucedido, mas ainda assim considerava a África o lugar mais atroz do mundo, chegando a confessar à sua mãe que viver um ano naquele inferno equivalia a viver cinco anos em qualquer outro lugar. Apesar de seu ódio à África, o poeta jamais voltou para a França, senão para se tratar e morrer.

Com a perna gangrenada e depois amputada voltou à sua cidade natal, mas não conseguiu retornar ao continente africano. Veio a morrer pouco depois, aos 37 anos, em 1891, no momento de sua segunda internação em Marselha, quando um enorme tumor entre a coxa e o estômago lhe foi fatal.

Há boas traduções de Rimbaud no Brasil, como as de Lêdo Ivo e Rodrigo Garcia Lopes e Mauricio Arruda Mendonça, sendo especialmente brilhantes as de Augusto de Campos, em Rimbaud Livre. E para quem quiser ver a trajetória de Rimbaud e Verlaine no cinema, pode assistir ao excelente filme Eclipse de uma paixão, com o belo Leonardo DiCaprio.

Mas não deixe de ler a instigante biografia escrita com grande sensibilidade por Edmund White, formidável encontro com o satânico e impertinente menino rebelde que mudou o rumo da poesia na Europa.

domingo, agosto 01, 2010

No Irã, a literatura contra a mão que apedreja

Se a vivência de um escritor serve de substância à sua obra, a da iraniana Azar Nafisi, 54, não para aí. Ela oferece – ou requer – algo mais. Pede uma posição política. E Azar não tem se furtado. Testemunha nada silenciosa dos acontecimentos operados pelo regime islâmico em seu país, retratados em obras como Lendo Lolita em Teerã: uma Memória em Livros (2003), a escritora, que se recusava a usar burca no Irã e hoje trabalha em uma universidade americana, publicou no último dia 25 um artigo contra o apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani – a quem Lula prometeu oferecer asilo político neste sábado, 31.

Condenada à morte por, de acordo com as leis iranianas, ter cometido adultério – ela teria tido relações “ilícitas” com dois homens, coisa que nega – Sakineh tem sido causa de uma campanha internacional. A ação conta com a participação de Azar, que colabora para um site que já recebeu 114.000 assinaturas contra a execução e quer não apenas salvar Sakineh, mas questionar todo o tratamento concedido à mulher no Irã.

No artigo sobre Sakineh, publicado pelo jornal americano The Huffington Post, a escritora lembra o caso de outra mulher vítima das autoridades islâmicas iranianas. Neda Agha Soltan foi morta aos 27 anos, com um tiro no peito, enquanto protestava contra a fraude nas eleições presidenciais que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad em junho de 2009. Ao contrário do que dizem os defensores do regime de Ahmadinejad, escreve Azar, Neda não estava pedindo que seu país adotasse padrões democráticos do Ocidente, e sim de seu próprio acervo.“Neda procurou um modelo não no Ocidente, mas no passado de seu país, no tempo da sua mãe, avó, bisavó, das mulheres que lutaram por seus direitos, de um Irã aberto e democrático, como foi a partir de meados do século XIX, mulheres que ajudaram a implantar a Revolução Cultural no começo do século XX, a primeira do tipo na Ásia.”

Um modelo que, vai concluir Azar ao final de seu artigo, não tem limites geográficos: ele é humano, como atesta a reação de pessoas de todo o mundo aos fatos ocorridos no Irã. “A reação das pessoas parte de uma empatia profunda, da percepção de que, não importa quão diferentes somos, nós, como seres humanos, compartilhamos o melhor e o pior, que quando nós imaginamos a condição de Sakineh ou ouvimos os apelos das suas corajosas crianças, nossos corações se partem, porque naquele momento não estamos pensando de modo político, nacional, religioso ou étnico. Tolerar tais atos brutais é se diminuir como ser humano.”

A própria diferença entre a jovem Neda, estudada e moderna, e Sakineh, de uma geração anterior, mais tradicional, é um indício de que as leis iranianas ferem a todos, sem distinção – exceto, é claro, aos que se submetem aos radicalismos do regime de Ahmadinejad. Hoje, há 12 mulheres e três homens condenados à morte por apedrejamento no Irã. Mas parece que, no que depender de Azar Nafisi, muito vai ser discutido antes que se atire a primeira pedra.
A discussão deve ter continuidade já na próxima sexta-feira, quando Azar participa, ao lado do israelense A. B. Yehoshua, da mesa “Promessas de um Velho Mundo”, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).