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segunda-feira, novembro 05, 2012

Carta de Lennon a Eric Clapton vai a leilão em dezembro por US$ 30 mil

05/11/201221h26

Piya Sinha-Roy
Los Angeles


Uma carta do músico John Lennon ao colega Eric Clapton, escrita em 1971, será leiloada em dezembro nos Estados Unidos, e os organizadores esperam arrecadar até 30 mil dólares com ela.

Na carta manuscrita, datada de 29 de setembro de 1971, Lennon manifesta respeito e admiração pelo guitarrista britânico e sugere que eles formem uma banda juntos.
"Eric, sei que posso trazer algo realmente grande, na verdade maior para você do que tem sido evidente até agora na sua música. Espero que possamos trazer o mesmo tipo de grandeza em todos nós, o que eu sei que acontecerá se e quando ficarmos juntos", escreveu Lennon, que foi assassinado em 1980, aos 40 anos.
O leilão da carta, junto com outros itens relativos a músicos famosos, foi marcado para 18 de dezembro, em Los Angeles, disse a casa de leilões Profiles in History. Os cerca de 300 itens à venda pertencem a um colecionador particular norte-americano.
Clapton, como sabem os fãs, quase se tornou um Beatle. Ele tocou na Plastic Ono Band, formada por Lennon e sua mulher, Yoko Ono, em 1969, ano que antecedeu à separação dos Beatles.
Ele também tocou na gravação de "While My Guitar Gently Weeps", do "Álbum Branco" dos Beatles. "Houve um momento em que George Harrison pensou em deixar a banda, e seu substituto seria Clapton, então essa carta é um elo do que poderia ter sido", disse o leiloeiro Joe Maddalena.
REUTERS/Courtesy Profiles in History/Handout
Carta de John Lennon para Eric Clapton, que vai a leilão em dezembro
Carta de John Lennon para Eric Clapton, que vai a leilão em dezembro


quarta-feira, junho 23, 2010

Caixa de CDs traz registro definitivo da obra de Chopin

IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Coleção com 17 discos reúne interpretações
de alguns medalhões do meio

Não têm faltado lançamentos para celebrar o bicentenário de nascimento de Frederic Chopin (1810-1849), mas esse aqui liquida o assunto: uma caixa com a obra completa do pianista-compositor polonês. "Chopin Complete Edition" reúne 17 CDs, combinando o que há de melhor nos catálogos de dois grandes selos eruditos: Deutsche Grammophon e Decca. Como resultado, a coletânea traz pesos-pesados até em itens menos conhecidos.

É um luxo ter o refinamento intimista do chileno de temperamento germânico Claudio Arrau (1903-1991) em obras para piano e orquestra como o "Rondó à la Krakowiak" e a "Fantasia Sobre Árias Nacionais Polonesas". No pouquíssimo executado "Trio em Sol Menor", a gravação é do Beaux Arts Trio, enquanto Mikhail Pletnev toca o quase desconhecido "Rondó Op. 16".

REGISTROS CÉLEBRES
Os itens célebres trazem alguns registros que estabeleceram os patamares de excelência pelos quais essas obras são hoje julgadas. É o caso, por exemplo, da leitura de Maurizio Pollini para os "Estudos", feita em 1972, e que, até hoje, consiste em um dos mais acabados exemplos de perfeição e excelência pianística disponíveis em disco.

Ou, ainda, do absoluto comando do polonês Krystian Zimerman, que comparece com uma interpretação sólida das quatro baladas, bem como a revolucionária gravação dos dois concertos para piano que, sem regente, fez, em 1999, para os 150 anos de morte do compositor.

As polonaises também estão a cargo de Pollini. Já as mazurcas e valsas se fazem representar pela inteligência de Vladimir Ashkenazy.

A poesia dos noturnos reside nas mãos pequenas e inspiradas de Maria João Pires, e a "Sonata para Violoncelo e Piano", no incrível duo formado por Mstislav Rostropovich e Martha Argerich. Em meio a tantos medalhões, há espaço ainda para emergentes do teclado.

Caso do chinês Yundi Li, 27, com uma gravação de 2004 dos improvisos, ou, especialmente, do espetacular polonês Rafal Blechacz, 24, vencedor da edição 2005 do Concurso Chopin, que demonstra assombrosa maturidade em sua gravação dos prelúdios. Vale muito a pena!

CHOPIN COMPLETE EDITION GRAVADORA
Deutsche Grammophon
QUANTO R$ 292 (a coleção com 17 CDs)
AVALIAÇÃO ótimo

terça-feira, março 30, 2010

Vídeo de Erykah Badu nua onde Kennedy foi assassinado causa polêmica

Cantora americana Erykah Badu no Festival de Jazz de Monteux (04/07/08)

AFP

A cantora americana Erykah Badu, uma respeitada intérprete de rythm and blues, causou polêmica nos Estados Unidos ao lançar o vídeo de sua nova música "Window Seat", onde, em uma só tomada, ela tira a roupa até chegar ao local onde assassinaram o presidente John F. Kennedy, em Dallas.

O vídeo de "Window Seat", de 5 minutos e 35 segundos de duração, começa com Badu saindo de um carro para depois caminhar pela rua em plena luz do dia, sob olhares de trabalhadores e famílias inteiras, que assistem à cantora tirar a roupa até chegar completamente nua ao local onde em 1963 Kennedy foi assassinato, na cidade de Dallas, no Texas.

Erykah Badu nasceu nessa cidade, em fevereiro de 1971.

A canção "Window Seat", uma das mais escutadas nos últimos dias segundo as listas de rythm and blues, é o single promocional do disco "New Amerykah Part Two: Return of the Ankh", lançado no mercado em 17 de março e que está sendo promovido em seu site http://www.erykahbadu.com/, no YouTube e em sua página no Twitter.

Badu explicou pelo Twitter que seu vídeo é uma declaração contra o "pensamento de grupo" e as "regras não escritas", ao se referir a uma teoria da psicologia social.

Ainda que na filmagem realizada em uma só tomada, sem cortes, podemos ver Badu bastante tranquila tirando a roupa na rua, a cantora explicou que estava tão preocupada com a possibilidade de os policiais aparecerem que a vergonha passou para segundo plano.

"Estava concentrada durante a filmagem desse vídeo, e fazê-lo me permitiu vencer os temores e lentamente domá-los. Estava muito preocupada com os policiais para ter vergonha da minha nudez."

"De certa forma, sempre estive nua em minhas palavras e atos. Essa é a verdadeira vulnerabilidade", disse no Twitter.

A artista vencedora dos Grammy em 1997 graças à música "On & On" também contou que as pessoas nas ruas gritavam: "este é um lugar público. Deveria se envergonhar" ou "coloque a roupa!".

O jornal Dallas Morning News informou que os funcionários da cidade afirmaram que a cantora violou a lei porque não tinha permissão para a filmagem, mas a polícia descartou acusar Badu por atentado ao pudor, segundo a imprensa local.

quarta-feira, setembro 03, 2008

A solitária poesia simples de Camelo

Marcelo Camelo lançará seu CD solo segunda-feira próxima, mas músicas já estão disponíveis na internet

André Sales
Editor de capa de O Estado

Lúcido. Tranqüilo. Sem preocupações. Marcelo Camelo, ex-vocalista dos Los Hermanos, dono de uma voz modesta, compensada pela boa afinação e pelo profundo apuro musical, marcou o lançamento de seu primeiro álbum solo para segunda-feira próxima. Sou pode ser considerado um presente para os desolados fãs e seguidores dos barbudos Los Hermanos, que assistiram alguns atônitos, outros conformados, o grupo desmontar-se em abril do ano passado para um tal tempo, a ser aproveitado em produções diferentes. Separadas.
Com o lirismo de versos simples, já existente em muitas de suas canções gravadas pela banda, Marcelo Camelo gravou 11 faixas bem criativas no disco. Marcha de Carnaval. Beach music. Samba. Baião. Jazz. Folk. Até axé music. O que pode insatisfazer a galera da restrição, da música originalmente fechada, do ódio à moda. As reações devem ser das mais diversas, tal como a obra. Existem os que desgostam mas respeitam o nome do artista, os inquisitores, os defensores sem personalidade e os que aguardam a confusão se armar na praia com o mp3 player no ouvido.
“É de imaginar bobagem...” é o verso que complementa a semi-instrumental Téo e a Gaivota, carregada de efeitos misturados, como riffs de guitarra eletroacústica, mergulhos em sons ambientes com uma levada praieira/havaiana, tal como as composições sobre o mar do disco 4 do Los Hermanos. Outras canções muito bem interpretadas e mais animadas são Copacabana, Menina Bordada e Vida Doce. Parecem jogos, com a percussão dinâmica e poemas de primeira.
Em algumas faixas, o compositor une-se a parceiros, além da banda Hurtmold, que toca na maioria das composições. Uma delas já revoltou muitos fãs em fóruns na web: Mallu Magalhães. Porém quem já gravou com Sandy e Júnior, há muito tempo já derrubou a casa. Engraçado para mim é simplesmente considerar uma das melhores músicas do disco exatamente aquela com a participação da garota: Janta. Na canção de letra romântica, trabalhada sobre uma batida folk, Mallu e Marcelo cantam em inglês e português com vozes pontuais. “Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar, caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá”.
O disco solo de Marcelo mostra a sua doce solidão sem a banda e apresentam o cantor como bom poeta e músico perfeccionista. De solos violões e bons arpejos ao som metálico da safona, o cantor cria canções com ritmo universal, contudo carregadas de memória, o que destrói todas as argumentações de possíveis críticas afetadas. De defensores desajeitados de regionalismos aos grandes puristas comedores de lentilha musical.
Apesar de comparações a antigos trabalhos, ali, quieto e calmo, sem muitas explosões, em produção independente, a música solo do cantor surge viva para o mundo. As reflexões das letras são palpáveis e a preocupação maior é com a evolução sonora. No disco, a poesia sem rimas fenomenais assusta pelo uso tão perfeito de muitas expressões que poderiam ser banidas, de “clichezinhos” tão bem adaptados à canção. Sem perceber, o disco roda uma, duas, três vezes e a vontade de parar é motivada apenas pelo resquício da tristeza do poeta frente à necessidade de garantir a grana diária. Coros, metais e o mar são vozes. Já o compararam ao falecido Dorival Caymmi.
Antes do lançamento, na semana passada, Camelo já havia disponibilizado em seu my space (www.myspace.com/marcelocamelo) parte do álbum. Ouvir também com a maior atenção as canções Mais Tarde e Liberdade. “É Deus, parece que vai ser nós dois, até o final”. Difícil esconder a boa impressão deixada por outras músicas do compositor. Os verdadeiros fãs do cantor são bons ruminadores. Vale ouvir com a namorada, com a mãe, com os amigos em uma noite calma ou com o cachorro.