Mostrando postagens com marcador VATICANO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador VATICANO. Mostrar todas as postagens

terça-feira, outubro 01, 2013

Papa: 'Cúria é Vaticano-cêntrica e farei tudo para mudá-la'

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/papa-curia-e-vaticano-centrica-e-farei-de-tudo-para-muda-la

Pontífice fez duras críticas ao governo da Igreja em entrevista a jornal italiano. Afirmou que 'a corte é a lepra do papado' - e que pensou em rejeitar o cargo

Papa Francisco beija uma criança na chegada para a audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira (18)
Papa Francisco beija uma criança na chegada para a audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira (18) (Stefano Rellandini/Reuters)
"Os chefes da Igreja geralmente têm sido narcisistas, amantes da adulação e excitados de forma negativa por seus cortesãos" Papa Francisco
O papa Francisco deflagrou nesta terça-feira mais um capítulo de sua guerra contra os desmandos da Santa Sé. A pouco mais de duas semanas da saída do cardeal italiano Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano demitido pelo pontífice, Francisco concedeu uma entrevista ao jornal italiano La Reppublica, publicada nesta terça-feira, em que faz duras críticas ao governo da Igreja Católica. Segundo o papa, o grande defeito da Cúria é se ocupar apenas de seus próprios problemas, esquecendo-se do mundo que a cerca. Nesta terça, Francisco se reúne com um conselho de oito cardeais de cinco continentes para tratar das reformas da Igreja.
Declarou o pontífice: “A Cúria é Vaticano-cêntica. Não compartilho dessa visão e farei de tudo para mudá-la”, afirmou Francisco, em entrevista ao fundador do jornal, Eugenio Scalfari. O pontífice pediu à instituição que se comprometa mais com o mundo moderno e afirmou que "os chefes da Igreja geralmente têm sido narcisistas, amantes da adulação e excitados de forma negativa por seus cortesãos". E completou: "A corte é a lepra do papado". Francisco explicou que, apesar da Cúria não ser propriamente uma corte, nela existem "cortesãos".
De fato, o papa já deu início à limpeza ética e moral na burocracia da Igreja Católica, com a demissão de Bertone. Trata-se do primeiro grande movimento de Francisco na mais árdua de suas missões. O coração da Cúria, já no período de João Paulo II e mais recentemente com Bento XVI, à revelia deles, virou um templo de denúncias de pedofilia acobertadas, roubalheira, corrupção e chantagem envolvendo prelados homossexuais que sequestravam o poder decisório do Vaticano mediante extorsão de dinheiro.
A nomeação de Bertone, ocorrida em 2006, é tida pela banda boa da Igreja como um dos maiores enganos cometidos por Bento XVI, agora papa emérito. O homem que deveria ter sido o braço-direito do pontífice alemão acumulou inimigos e está sob suspeita de má gestão e abuso de poder. A destituição de Bertone foi a reivindicação mais frequente durante as reuniões dos cardeais que antecederam o conclave que elegeu Francisco. No fim do processo, Francisco quer chegar à chamada colegialidade, a forma de governar uma Igreja com a inclusão do clero nas decisões do papa. Hoje, não é assim que funciona.
O conclave também foi tema da entrevista de Francisco ao La Reppublica. O pontífice afirmou ao jornal que, ao receber a notícia de que fora escolhido para suceder Bento XVI, pensou em rejeitar o cargo. "Antes de aceitar, pergunteis se poderia retirar-me por alguns minutos para um quarto anexo ao da varanda sobre a praça. Senti muita ansiedade", disse. "Fechei os olhos e todos os pensamentos desapareceram. Inclusive o de rejeitar a designação. Em algum momento, uma grande luz me preencheu. Durou um momento, mas pareceu muito tempo", completou.
(Com agências EFE e France-Presse)

segunda-feira, setembro 30, 2013

João Paulo 2º e João 23 serão proclamados santos em 2014, diz papa Francisco

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/09/30/joao-paulo-ii-e-joao-xxiii-serao-proclamados-santos-em-27-de-abril-de-2014.htm







EFE 
Na Cidade do Vaticano

Os papas João Paulo 2º (1920-2005) e João 23 (1881-1963) serão canonizados no dia 27 de abril de 2014 e se tornarão assim outros dois pontífices proclamados santos nos últimos cem anos junto com Pio 10, segundo anunciou nesta segunda-feira (30) o papa Francisco.
Pio 10 foi canonizado em 3 de setembro de 1954. O anúncio do papa foi feito em latim durante o consistório realizado hoje junto com os cardeais e no qual exaltou a vida de ambos.
O dia eleito pelo papa argentino é o primeiro domingo depois das celebrações da Semana Santa, quando a Igreja Católica comemora a festa da Divina Misericórdia, instituída por João Paulo 2º após a santificação da freira polonesa Faustina Kowalska, em 2000, conhecida como a Santa Teresa de Jesus polonesa.
O caminho rumo à santidade tem várias fases: nos casos mais tradicionais, primeiro é necessário ser nomeado Venerável Servo de Deus, título dado após a morte e concedido para quem reconhecidamente viveu as "virtudes de maneira heroica".
Ampliar

Conheça os candidatos a santo do Brasil46 fotos

Padre Francisco de Paula Victor nasceu em 1827, em Campanha (MG). Era filho de escrava, mas não foi criado como propriedade, pois sua madrinha, dona da fazenda onde vivia, era abolicionista. Cresceu muito pobre e exerceu desde cedo a humildade. Ordenado padre aos 24 anos, fundou o Colégio Sagrada Família de Três Pontas (MG), onde foi professor e diretor por 30 anos. Morreu em 1905, aos 78 anos. É servo de Deus Leia mais Reprodução/paulavictor.com.br
Depois é necessário, após uma espécie de "julgamento", que um milagre seja reconhecido para que o indivíduo se torne beato e em seguida mais um para a canonização, embora o papa possa saltar algum destes passos, como no caso de João 23.

O CAMINHO PARA VIRAR SANTO

Servo de Deus
Título recebido logo que a causa é iniciada. A vida do servo de Deus é minuciosamente investigada a fim de se comprovar sua fama de santidade
Venerável
O candidato recebe o decreto de "virtudes heróicas" ou "martírio". A vida continua sendo pesquisada para se encontrar milagres ou comprovar que a morte foi santa
Beato
Se ao menos um milagre é comprovado pelo postulador e reconhecido pelo Vaticano, o venerável é beatificado
Santo
Se dois milagres, ou mais, forem comprovados, o beato é finalmente canonizado e se torna um santo

Os milagres de João Paulo 2º

O canonização de João Paulo 2º chegou em tempo recorde, mas seguiu todos os passos estipulados pela Igreja. Bento 16, no entanto, retirou uma norma que determinava um período de espera de cinco anos antes do início dos trâmites da canonização.
A subida ao altar do papa polonês, cujo mandato durou quase 27 anos, foi quase por aclamação popular após o Santo Súbito, que durou vários dias na praça São Pedro, no Vaticano.
Em maio de 2011, a Congregação para as Causas dos Santos, o organismo do Vaticano que avalia os candidatos à santidade, elegeu como primeiro milagre o caso da freira francesa e enfermeira Marie Simon Pierre, de 51 anos, que segundo a comissão médica se curou de maneira inexplicável de mal de Parkinson.
O episódio ocorreu em 2005, dois meses depois da morte do papa polonês. A doença da freira tinha sido diagnosticada em 1988 e ela praticamente não podia escrever e caminhar.
Em 2 de junho de 2005, a freira pediu a sua superiora que a substituísse de suas funções no hospital onde trabalhava, mas foi convencida a pedir para que João Paulo 2º curasse sua doença.
Segundo a versão da freira, na manhã seguinte a enfermidade tinha desaparecido.
O outro milagre de João Paulo 2º beneficiou uma mulher na Costa Rica que não seguiria práticas religiosas. Trata-se de Floribeth Mora, que foi internado em um hospital com um aneurisma cerebral grave, em maio de 2011.
Segundo seu próprio relato, ela teria feito uma prece a João Paulo 2º, pouco depois de receber seu diagnóstico, pedindo que este a curasse, no mesmo momento em que o falecido Papa era beatificado na Praça de São Pedro.
Alguns dias depois, os médicos confirmaram que o coágulo no cérebro de Floribeth havia se dissolvido, excluindo assim a necessidade de tratamento. Um dos médicos que lideraram seu caso afirmou que nunca encontrou explicação científica para a melhora de sua paciente.
Ampliar

Pontificado de Francisco

30.set.2013 - O papa Francisco participa de audiência com membros da reunião internacional da paz, organizada pela comunidade católica romana. O sumo pontífice anunciou hoje que João 23 e João Paulo 2º serão proclamados santos em 27 de abril de 2014. O Papa escolheu como data o dia no qual a Igreja comemora a festa da Divina Misericórdia Reuters/Observatório Romano

João 23, o santo sem milagre

Em relação a João 23, o papa Francisco, que em seus seis meses de pontificado ressaltou em várias ocasiões a figura do "papa Bom", surpreendeu em 5 de julho ao anunciar que o proclamaria santo sem esperar por um milagre, uma decisão inédita.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que Francisco, no caso de João 23, não tem dúvidas de Sua Santidade.
"Conhecemos todas as virtudes e a personalidade do papa Roncalli, não é necessário explicar os motivos de Sua Santidade", disse Lombardi, que no entanto explicou que isso não quer dizer que a partir de agora todos os beatos serão canonizados sem um segundo milagre.
O arcebispo Loris Capovilla, de 95 anos, que foi secretário privado de João 23, disse que não se surpreendia com a decisão de Francisco, já que o "papa Bom" era um homem simples, humilde e obediente, e assegurou que a canonização será "a grande festa" do Concílio Ecumênico Vaticano 2º.

A santificação de João Paulo 2º e João 23 irá acontecer no 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano 2º, convocado por Roncalli, que sempre contou com a devoção dos fiéis.
João 23 foi beatificado junto ao papa Pio 9º, o polêmico último papa-rei (1792-1878, eleito pontífice em 1846).
A beatificação conjunta gerou uma forte polêmica em setores da igreja, que consideraram uma injustiça colocar os dois papas no mesmo nível.
João 23 e Pio 9º foram dois pontífices de pensamentos opostos: enquanto o primeiro criou o Concílio Vaticano 2º e abriu a Igreja ao mundo e aos humildes, o segundo se opôs às conquistas sociais de sua época, à modernidade, ao movimento que levou à unidade da Itália e foi anti-semita.
Agora, João 23 será proclamado santo junto a outro papa, João Paulo 2º, o pontífice mais midiático da história da igreja, de uma personalidade arrasadora. Por isso, vaticanistas asseguraram hoje que novamente, embora por outra razão, o "papa bom" ficará "eclipsado".
Ampliar

Odetinha pode virar a primeira santa nascida no Rio de Janeiro

Dona Maria Helena, ex-babá de Odetinha, toca no caixão com os restos mortais da menina ao fim da cerimônia Leia mais Júlio César Guimarães/UOL

sábado, setembro 21, 2013

Papa Francisco anuncia novas mudanças na Cúria Romana

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/09/21/papa-francisco-anuncia-novas-mudancas-na-curia-romana.htm

EFE

Cidade do Vaticano, 21 set (EFE).- O papa Francisco anunciou neste sábado novas mudanças na Cúria Romana, entre elas a nomeação do arcebispo Beniamino Stella como responsável pela Congregação para o Clero, dicastério vaticano que se ocupa dos seminaristas e sacerdotes.

Stella, de 72 anos, foi núncio em Cuba e na Colômbia e presidia atualmente a Pontifícia Academia Eclesiástica. Agora, ele substitui o cardeal Mauro Piacenza, de 69 anos, designado ao cargo três anos atrás.
Ampliar

Qual foi a melhor frase do papa Francisco no Brasil? Vote16 fotos

11 / 16
27.jul.2013 - "Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo", disse o pontífice, em discurso direcionado a autoridades, diplomatas, políticos e artistas, no Theatro Municipal, na área central do Rio de Janeiro. Segundo ele, um país cresce quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais. "Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo", afirmou Leia maisArte/UOL

Pacienza agora assumirá a Penitenciária Apostólica, responsável pelas indulgências. A função era anteriormente do cardeal português Manuel Monteiro de Castro, que completou 75 anos em março, atingindo a idade de aposentadoria dos religiosos.

O papa Francisco anunciou também a substituição do arcebispo croata Nikola Eterovic, até o momento secretário do Sínodo dos Bispos, que deixa o cargo após 9 anos, dando lugar ao arcebispo italiano Lorenzo Baldisseri, de 73 anos, que era Secretário da Congregação dos Bispos.

Eterovic, por outro lado, foi nomeado como núncio apostólico na Alemanha.

Francisco confirmou o cardeal italiano Fernando Filoni como prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e o alemão Ludwig Müller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Quanto a Congregação para o Clero, o papa confirmou como secretário deste dicastério o espanhol Celso Morga Iruzubieta. Já o responsável para os seminaristas passa a ser o mexicano Jorge Carlos Patrón Wong.

O novo responsável pela Pontifícia Academia Eclesiástica, escola diplomática da Santa Sé, agora é o italiano Giampiero Gloder.

Desde que Francisco iniciou pontificado, a mudança mais importante na Cúria foi a nomeação de Pietro Parolin, como substituto de Tarsicio Bertone na Secretaria de Estado do Vaticano.

segunda-feira, março 18, 2013

Papa Francisco escolhe anel de prata e fará cerimônia mais curta e sem latim

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1248258-papa-francisco-escolhe-anel-de-prata-e-fara-cerimonia-mais-curta-e-sem-latim.shtml

FABIANO MAISONNAVE
BERNARDO MELLO FRANCO
FELIPE SELIGMAN
ENVIADOS ESPECIAIS A ROMA


Continuando com gestos simbólicos, o papa Francisco determinou que sua missa inaugural, hoje de manhã, seja simplificada e encurtada, além de escolher um anel de prata em vez de ouro. A cerimônia deve reunir dezenas de milhares de fiéis diante da basílica de São Pedro e terá a participação de 31 chefes de Estado, entre os quais a presidente Dilma Rousseff e o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe.
A principal mudança se refere ao abandono do latim para a leitura do Evangelho. A língua morta vinha sendo revalorizada pelo antecessor, o papa emérito Bento 16.
Hoje, a leitura será apenas em grego, língua que simboliza a "unidade das igrejas do ocidente e do oriente", conforme explicou ontem o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.
O grego é usado em algumas missas papais como indicação de que a Igreja Católica Apostólica Romana quer se reunir às igrejas orientais, separadas pelo cisma de 1054. O turco Bartolomeu 1º, o "papa" dos cristãos ortodoxos, participará da posse --é a primeira vez que isso ocorre desde a ruptura.
As outras mudanças para "enxutar" a missa, que terá cerca de 2h, incluem uma procissão mais curta e a promessa de obediência por 6 cardeais --na inauguração de Bento 16, foram 12 cardeais.
O papa escolheu ainda seu anel de pescador --alusão à ocupação de são Pedro, o primeiro papa-- em prata folhado de dourado. O anel de Bento 16 e de vários outros pontífices eram fabricados principalmente em ouro.
"O papa ama uma certa espontaneidade", afirmou o porta-voz, em seu encontro regular com a imprensa. Ele aconselhou os jornalistas a não ficarem presos apenas ao texto da homilia que será distribuída antes da missa, já que Francisco tem improvisado nas falas.
A caminho da cerimônia, Francisco passeará a bordo do papamóvel pela praça de São Pedro para saudar os fiéis. Essa aparição está prevista para as 9h locais (5h da madrugada em Brasília).

Veja os diferentes estilos dos dois últimos papas

 Ver em tamanho maior »
Fotomontagem/Reuters
AnteriorPróxima
O cardeal Jorge Mario Bergoglio (acima) aparece pela primeira vez como papa Francisco usando roupas brancas. Em sua primeira aparição, Bento 16 já usava a capa vermelha.
Desde que foi escolhido, na quarta-feira passada, Francisco tem dado vários gestos de que fará uma papado com menos pompa e protocolo em relação a Bento 16. No dia em que foi escolhido, por exemplo, recusou a limusine para ir de ônibus da basílica aos seus aposentos, juntos com os cardeais.
Para a cerimônia de hoje, chamada oficialmente de "inauguração do ministério petrino do bispo de Roma", vieram 132 comitivas de países e organizações. Várias religiões cristãs enviaram representantes, além de muçulmanos, judeus e budistas.
Um dos chefes de Estado é o católico Mugabe, que está proibido de entrar na União Europeia, mas foi autorizado pela Itália porque se trata de uma cerimônia no Vaticano, um Estado independente.
Lombardi esclareceu ontem que o Vaticano não convida ninguém, mas que todos os chefes de Estado que queiram comparecer à missa são bem-vindos.
DIFERENTES ESTILOS
A escolha de um anel de prata não é a única diferença de estilo entre o papa Francisco e o papa emérito Bento 16.
Desde a primeira aparição pública, quando surgiu no balcão da praça de São Pedro, o novo papa exibiu um estilo mais sóbrio, com a batina, a capa e o solidéu predominantemente brancos.
A vestimenta destoa do vermelho vibrante e dourado usados por Bento 16 quando saiu para saudar pela primeira vez os fiéis, seguindo a tradição de muitos papas antes dele.
Outro detalhe que chamou a atenção na indumentária do novo pontífice foi sua cruz de ferro.
É a mesma que ele carrega desde que foi proclamado bispo de Buenos Aires. Segundo seus colaboradores, ele não a trocou quando passou a ser arcebispo e é possível que ele a mantenha durante seu pontificado.
Bento 16, ao contrário, seguiu a tradição e desde o dia em que assumiu o posto usou apenas cruzes de ouro, algumas delas muito ricamente adornadas.
Finalmente, outra diferença foi que os sapatos vermelhos utilizados por Bento 16 deixaram de ser usados pelo novo papa.
A cor vermelha foi uma antiga tradição do papado abandonada por João Paulo 2º e recuperada pelo papa emérito. O vermelho simboliza os mártires da igreja e o sangue de Jesus Cristo, e diziam que os de Bento 16 eram de uma marca de luxo.
O papa Francisco, nas aparições públicas que fez até agora, usou sapatos pretos, como João Paulo 2º.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Bento 16 revelará descobertas do caso VatiLeaks aos cardeais antes de conclave, diz jornal

DO UOL, EM SÃO PAULO


Antes da renúncia oficial do papa Bento 16, programada para o dia 28 de fevereiro, o pontífice vai se reunir com todos os cardeais para revelar as descobertas feitas pela comissão de inquérito que apura o escândalo do vazamento de documentos confidenciais da Santa Sé, chamado VatiLeaks. A informação foi publicada pelo jornal italiano "La Stampa", nesta sexta-feira (22).

ENTENDA O PROCESSO SUCESSÓRIO DO PAPA

Quando o chefe da Igreja Católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados do mundo exterior.

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave que se reunirá para eleger o sucessor do papa Bento 16. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no conclave.

Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite.
A previsão é que a reunião seja realizada no início da próxima semana. As revelações serão feitas pelos cardeais Julián Herranz (Espanha), Jozef Tomko (Eslováquia) e Salvatore De Giorgi (Itália). Os três foram designados por Bento 16 no ano passado para iniciar uma investigação sobre os escândalos que vieram à tona em maio de 2012. 
As investigações se transformaram em um relatório de 300 páginas que foi entregue ao pontífice em dezembro do ano passado. O documento é sigiloso, mas, conforme informado pelo jornal italiano "La Reppublica", revela um sistema de "chantagens" internas baseado em fraquezas sexuais e ambições pessoais.
O periódico, que relacionou as descobertas com a renúncia de Bento 16, também apontou a existência de uma "rede transversal unida pela orientação sexual", além da descrição de casos de mau uso de dinheiro e relações homossexuais dentro da Cúria Romana.
As revelações feitas por Bento 16 e pela comissão de inquérito poderão orientar os cardeais durante o conclave, que irá eleger o novo papa. Ainda não há definição quando a reunião de cardeais eleitores terá início. Mas, espera-se que o próximo pontífice seja conhecido até a Páscoa, no final de março. 

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Análise: Alemão é brilhante como teólogo, mas fracassou como papa

12/02/2013 - 06h00

LUIZ FELIPE PONDÉ
COLUNISTA DA FOLHA


Joseph Ratzinger é um dos maiores teólogos vivos do cristianismo. Como papa Bento 16, fracassou.
Conservador, um tanto liberal no começo de sua carreira, Bento 16 iniciou seu papado com um projeto, já em curso quando era a eminência parda intelectual de João Paulo 2º, de pôr "medida" na herança do Concílio Vaticano 2º, verdadeira "revolução liberal" na Igreja Católica.
Já nos anos 80 atacava a teologia da libertação latino-americana por considerá-la certa quanto ao carisma profético bíblico de procurar justiça no mundo, mas errada quanto a assumir o marxismo como ferramenta de realização desta justiça.
Bento 16 foi um duro crítico da ideia de que a igreja deva aceitar soluções modernas para problemas modernos.
Nesse sentido, apesar de ter resistido bravamente, com a idade e a fraqueza que esta implica, acabou por ser um papa acuado pelas demandas modernas feitas à igreja e por uma incapacidade de pôr em marcha sua "infantaria", que nunca aceitou plenamente seu perfil de intelectual alemão eurocêntrico.
Sua ideia de igreja é a de um pequeno grupo coeso de crentes, fiéis ao magistério da igreja (conjunto de normas para condução moral da vida), distante das "modas moderninhas".
Quais seriam algumas dessas demandas modernas? Diálogo simétrico com outros credos (multiculturalismo), casamento gay, divórcio, sacerdócio das mulheres, fim do celibato, uso de contraceptivos, aborto, punição pública de padres pedófilos (a igreja deveria passar esses padres para a Justiça comum), aceitação de avanços da medicina pré-natal como identificação de fetos sem cérebro e consequente aborto, alinhamento político do clero com causas sociais e políticas do terceiro mundo --enfim, desafios típicos do contemporâneo.
Bento 16 esbarrou com o fato de que a maior parte dos católicos militantes hoje é de países pobres (afora o caso dos EUA, o cristianismo é uma religião de país pobre).
Os fiéis, portanto, estão mais próximos de um discurso contaminado pelas teorias políticas de esquerda, que fala de justiça social como um direito "divino" e aproxima Jesus de Che Guevara, do que da complicada discussão acerca dos excessos do iluminismo racionalista ou da crítica bíblica que tende a humanizar Cristo excessivamente em detrimento de sua divindade.
Seu próprio clero (sua "infantaria") ajudou no fracasso de seu papado, resistindo sistematicamente à "romanização da igreja", o que em jargão técnico significa centralização das decisões relativas ao cotidiano da instituição na lenta burocracia do Vaticano, com sua típica alienação europeia, distante do "caos" do mundo real do Terceiro Mundo. O Vaticano é muito europeu, inclusive em sua decadência como referência para o mundo no século 21.
Mas há dimensões que transcendem as dificuldades específicas de seu projeto conservador e tocam dificuldades da Igreja Católica contemporânea como um todo.
A igreja hoje tem um sério problema de formação de quadros. Antes era "um bom negócio" entrar para a igreja; hoje, quem o faz, salvo casos de grande vocação mística e espiritual ou de revolta contra as ditas "injustiças sociais", é muitas vezes gente sem muita opção de vida.
Quando não, tal como é visto por parte da população secular, gente com desvios sexuais graves.
Os cursos de formação do clero, quando não totalmente contaminados pelos próprios teóricos que João Paulo 2º chamava em sua encíclica "Fides et Ratio" ("Fé e Razão") de "pensadores da suspeita" contra a fé e a razão (Marx, Nietzsche, Freud, Foucault), são fracos, com professores mal formados e conteúdos vazios. Claro que existem exceções, que, como sempre, em sendo exceções, confirmam a regra.
Enfim, o papado de Bento 16 fracassou, em grande parte, em razão do fogo amigo: sua própria infantaria.
A Igreja Católica agoniza diante de um mundo que cada vez é mais opaco para quem pensa, como ela, que a vida seja algo mais do que conforto, prazer e liberdade pra transar com quem quisermos e quando quisermos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Papa Bento XVI deixará suas funções em 28 de fevereiro

Ratzinger sai oito anos após substituir João Paulo II como líder da Igreja Católica


Atualizado às 10h40

O papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira (11/02) , durante o consistório para a canonização de dois mártires, que vai se retirar de suas funções no dia 28 de fevereiro. Pouco antes, o Vaticano havia confirmado a informação às agências internacionais. "O papa anunciou que renunciará a seu ministério às 20 horas do dia 28 de fevereiro", disse o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, citado pela agência France Presse em um pronunciamento em latim.

Leia também:
Bento XVI tinha visita programada para o Brasil em julho
Direito Canônico prevê renúncia do papa sempre que for por livre vontade

Nascido Joseph Alois Ratzinger, Bento XVI, de 85 anos, afirmou que iria deixar o posto por não reunir mais condições físicas para exercê-lo.  A partir de sua saída, será iniciado um período de vacância na Igreja Católica até a formação de um conclave que irá eleger um novo sumo pontífice.
Agência Efe

Bento XVI, no dia em que anunciou sua saída do comando da Igreja Católica, em Roma

O cardeal alemão Joseph Ratzinger assumiu a chefia da Igreja Católica em 19 de abril de 2005, no lugar de João Paulo II, adotando a alcunha de Bento XVI. No ano passado, Bento XVI tinha já dito que estava “na última etapa da vida”, abrindo espaço para especulações sobre sua saída.

Sua decisão de deixar o cargo em vida tem poucos precedentes na história, mas é prevista no direito canônico. O último papa a abdicar de seu pontificado foi Gregório XII (1406-1415), aos 88 anos. Ele assmuiu o poto quando a instituição se encontrava em grave crise, no episódio histórico conhecido como "Grande Cisma do Ocidente".  Na ocaisão, brigas políticas acabaram levando à criação de três papas simultâneos, minando o prestígio da Santa Sé. Após ser nomeado, sempre deixou claro que deixaria o cargo à disposição se isso fosse para o bem da instituição. Sua postura facilitou uma reconciliação, dando início ao Concílio de Constança. Após ter se tornado novamente o único papa reconhecido, cumpriu o prometido e, aos 88 anos, deixou o cargo nove anos após assumi-lo.

O primeiro a tomar tal decisão o papa Clemente I (de 88 a 97), que renunciou a favor de Evaristo, porque após ser detido e condenado ao exílio decidiu que os católicos não poderiam ficar sem um guia espiritual.

Segue a íntegra das palavras do papa de anúncio de sua renúncia, lida por ele em carta:

"Queridísimos irmãos,
Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando.

No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado.

Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Queridísimos irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro, gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração.

Vaticano, 10 de fevereiro 2013
".

(*) com agências de notícias internacionais

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/27111/papa+bento+xvi+anuncia+que+renunciara+em+28+de+fevereiro+.shtml


sábado, maio 14, 2011

Padres gays, orgias e filhos clandestinos são parte da rotina do Vaticano, descreve jornalista italiano em livro

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo


"Os dois acompanhantes lhe homenageiam, espremendo-o no meio, em um sanduíche. Envolvem-no em uma dança muito sensual. Esfregam-se, rodeiam, esmagam-se, abrem a sua camisa, o acariciam, tocam nele. Dirty dancing a três em uma variação homossexual. O grupo olha para eles de cima a baixo. Apreciam. Aplaudem. Incitam. Assobiam. Cutucam. O francês [no meio dos acompanhantes] é um padre. Poucos dias antes havia celebrado a missa da manhã na basílica de São Pedro. No Vaticano."

A cena é de uma festa em Roma, uma entre as muitas nas qual padres, bispos e cardeais exercem a sexualidade que as regras da sua própria Igreja Católica restringem e condenam, de acordo com a descrição feita pelo jornalista italiano Carmelo Abbate em seu novo livro, "Sex and the Vatican - viaggio segreto nel regno dei casti" (em tradução livre, "Sexo e o Vaticano - viagem secreta no reino dos castos").

O fenômeno da sexualidade na Igreja Católica, segundo o autor, é gigantesco e complexo. Fazem parte deste mundo os padres gays que optam por uma vida dupla; os sacerdotes que se relacionam com mulheres clandestinamente; e mesmo os filhos desses relacionamentos, que são abortados, escondidos ou privados de um pai pela vida inteira, para que se evite escândalos.

“Entre os sacerdotes que não respeitam a castidade, há muitos que têm uma verdadeira vida paralela, uma companhia fixa com a qual não apenas fazem sexo, mas com quem vivem uma vida escondida, como marido e mulher", afirmou Abbate, em uma entrevista exclusiva ao UOL Notícias.

O jornalista conta que a investigação, nascida de uma reportagem publicada na revista italiana "Panorama", terminou como um extenso mergulho nesse mundo, munido de uma câmera escondida para garantir "provas sobre aquilo que iria contar".

E apesar de ter seu foco em Roma, Abbate garante que o cenário que ele descreve não está restrito ao núcleo do Vaticano. "Da Alemanha à França, da Espanha à Irlanda, da Suíça à Áustria, da Polônia à África, da América Latina aos Estados Unidos e ao Canadá. Acontece a mesma coisa em toda parte do mundo", afirma.

Procurada pela reportagem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que não tinha conhecimento do livro e por isso não poderia comentar os temas citados.

Acompanhe abaixo os principais trechos da entrevista.

* * *

UOL Notícias: Em seu livro, o senhor denuncia vários casos de padres que têm uma vida religiosa tradicional ao mesmo tempo em que também exercem sua sexualidade. Como o senhor fez a investigação para chegar a essas histórias? Qual era o seu objetivo em publicar o livro?

Carmelo Abbate: Realizei a reportagem com uma câmera escondida, isso com o objetivo de ter provas sobre aquilo que iria contar. O objetivo do meu trabalho é trazer à tona a vida escondida de grande parte do clero católico, como padres que têm uma vida sexual secreta, tanto homossexuais quanto heterossexuais. Há padres que têm uma companhia fixa e até mesmo filhos.

E me choca especialmente a atitude da alta hierarquia eclesiástica, o comportamento dos bispos, quando tomam conhecimento das relações secretas dos religiosos, as tentativas de convencer as mulheres a abortarem, dar o filho para adoção, os contratos que garantem o sustento e compram o silêncio das mães com relação à identidade dos pais destas crianças.

UOL Notícias: O senhor diz que o Vaticano conhece a questão dos padres gays e mesmo dos abortos. Quais são as verdadeiras dimensões do fenômeno?

Abbate: Coletar dados para dimensionar o fenômeno é uma tarefa difícil. Difícil porque, como é óbvio, não há estudos e tabelas oficiais, é preciso se contentar com estimativas parciais, que não têm a pretensão de trazer a verdade científica, mas que podem ajudar a entender quão grande é o terreno sobre o qual caminhamos.

As tentativas mais articuladas vêm dos Estados Unidos. Segundo vários estudos do psiquiatra Richard Sipe, ex-monge beneditino e ex-sacerdote, 25% dos padres americanos tiveram relações com mulheres depois da ordenação. Outros 20% estiveram envolvidos em relações homossexuais ou se identificam como homossexuais ou se sentiram em conflito com essa questão.

No Brasil, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) realizou uma pesquisa anônima com 758 padres católicos: 41% admitiram ter tido relações sexuais. Metade se diz contrária ao celibato.

Vamos à Europa. Eugene Drewermann, escritor, crítico, teólogo e ex-padre, afirma que na Alemanha, em um total de 18 mil sacerdotes, pelo menos seis mil vivem com uma mulher.

O jornal “The Guardian” fala de milhares de casos de filhos de padres católicos no Reino Unido. Segundo Pat Buckley, bispo irlandês que fundou um grupo de apoio para amantes de padres, pelo menos 500 mulheres na Irlanda têm uma relação com um padre católico.

E na Itália? Nada de nada. Ninguém nunca tentou esboçar qualquer levantamento. E tente entrar em contato com os psiquiatras que acompanham os casos mais difíceis de padres envolvidos em affaires sexuais. Evitam você como se fosse a peste.

UOL Notícias: Então seria possível afirmar que este é um fenômeno presente no mundo inteiro?

Abbate: Da Alemanha à França, da Espanha à Irlanda, da Suíça à Áustria, da Polônia à África, da América Latina aos Estados Unidos e ao Canadá. Acontece a mesma coisa em toda parte do mundo, não só em Roma e nas vizinhanças do Vaticano.

UOL Notícias: O seu livro conta de padres que procuram espaços para expressar a sexualidade, seja em bares, seja na internet, com perfis secretos no Facebook nos quais assumem a homossexualidade, mas que ao mesmo tempo não desejam abandonar a vida religiosa. Depois de tudo que o senhor conheceu, como vê exigência do celibato?

Abbate: O celibato não funciona, é óbvio. Nunca funcionou. O sexo é onipresente. Estão envolvidos nesses casos não só padres, mas bispos e cardeais. A cultura do sigilo que permeia a Igreja existe há milênios, ditada pelos eclesiásticos. Os eclesiásticos são um círculo restrito que controla toda a igreja e detém todo o poder, e o poder exige um nível de sigilo. O resto do mundo que fique na ignorância.

UOL Notícias: O Vaticano nega os casos? Como reage a Igreja?

Abbate: Para o Vaticano, o centro do problema é o escândalo, não o pecado individual. Porque o escândalo vai além da questão individual e alcança a instituição, alimenta uma série de dúvidas fortes sobre quem é envolvido. O escândalo coloca o problema de uma Igreja que mantém a seu serviço aqueles que não cumprem com sua missão universal, aqueles que traem essa missão. Em resumo, o escândalo afugenta os fiéis da Igreja.

Durante o tempo em que estive envolvido com essa questão, entendi uma coisa: a Igreja não quer problemas. O respeito aos pobres fiéis ingênuos, salvo raríssimas exceções, é fator secundário. Muito diligente nas declarações de princípio, muito hipócrita nas questões práticas: esta é hierarquia vaticana. Esta é a Igreja de Roma. Seu primeiro mandamento é salvaguardar sua espécie, uma espécie a caminho da extinção.

sábado, fevereiro 05, 2011

PAPA ORDENA CINCO NOVOS BISPOS: "A FÉ TEM UM CONTEÚDO CONCRETO"

05/02/2011
13.59.03

Cidade do Vaticano, 05 fev (RV) -O Papa Bento XVI celebrou a Santa Missa na manhã deste sábado na Basílica de São Pedro durante a qual ordenou cinco novos bispo que exercerão seu ministério na Cúria Romana e na Representações Pontifícias. São eles: Dom Savio Hon Tai-Fai, chinês, 59 anos, salesiano, Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos; Dom Marcelo Bartolucci, italiano, 66 anos, Secretário da Congregação das Causas dos Santos; Dom Celso Morga Iruzibieta, espanhol, 63 anos, Secretário da Congregação para o Clero; António Guido Filipazzi, italiano, 47 anos, Núncio Apostólico; e Edgar Peña Parra, venezuelano, 50 anos, Núncio Apostólico.

Na sua homilia Bento XVI recordou o trecho do Atos dos Apóstolos sobre a comunidade primitiva de Jerusalém, tema da recente Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. O Papa sublinhou alguns aspectos da missão episcopal, observando que “o Pastor não deve ser um bambu de um pântano que se inclina conforme o vento sopra, mas um servo do espírito do seu tempo”...

“O ser intrépido, ter a coragem de se opor às correntes do momento, pertence de modo essencial à tarefa do Pastor. Não deve ser um bambu de pântano, mas sim – segundo a imagem do Salmo 1 – ser como uma árvore que tem raízes profundas, nas quais permanece firme e bem fundamentado”. “Isso – precisou o Papa – não tem nada que ver com a rigidez ou a inflexibilidade. Só onde existe estabilidade existe também crescimento”.

Em seguida recordando o cardeal Newman, com as suas três “conversões”. Ele dizia que “viver é transformar-se”. Mas – insistiu Bento XVI – “as suas três conversões e as transformações correspondentes constituem, contudo, um único caminho coerente: o caminho da obediência em direção à verdade, em direção a Deus; o caminho da verdadeira continuidade que precisamente assim faz progredir”.

“A fé tem um conteúdo concreto” – sublinhou depois o Papa, comentando a expressão “perseverar no ensinamento dos Apóstolos”. “A fé não é uma espiritualidade indeterminada, uma sensação indefinível pela transcendência. Deus agiu e falou fez realmente algo. Podemos contar sobre a estabilidade da sua Palavra”. “Estando em comunhão com os Apóstolos, permanecendo na sua fé, nós próprios estamos em contato com o Deus vivo”.

“É para este objetivo - continuou o Papa - que serve o ministério dos Bispos: que não se interrompa esta corrente, esta sucessão da comunhão”. É esta a essência da Sucessão apostólica: conservar a comunhão com aqueles que encontraram o Senhor de modo visível e tangível, mantendo assim aberto o Céu, a presença de Deus no meio de nós. “Só mediante a comunhão com os Sucessores dos Apóstolos estamos também em contato com o Deus encarnado”. Vale também o contrário – observou o Papa: “só graças à comunhão com Deus, só graças à comunhão com Jesus Cristo, se mantém unida esta corrente de testemunhas”.

“Nunca se é bispo sozinho, diz o Vaticano II, mas sempre só no colégio dos Bispos. E isto não se pode confinar no tempo da própria geração. À colegialidade pertence o entrelaçar de todas as gerações, a Igreja viva de todos os tempos. Vocês queridos irmão, têm a missão de conservar esta comunhão católica, acrescentou o Papa.

Na sua homilia Bento XVI comentou ainda a “fração do pão”, que caracteriza a comunidade inicial de Jerusalém, recordando que “a santa Eucaristia é o centro da Igreja e deve ser o centro do nosso ser cristãos e da nossa vida sacerdotal”.

“A dimensão social, a partilha não é um apêndice moral que se acrescenta à Eucaristia, mas é parte dela”. “A fé se exprime sempre no amor e na justiça de uns para com os outros e que a nossa praxis social se inspire na fé; e que a fé seja vivida no amor, destacou Bento XVI”. (SP)

quinta-feira, julho 15, 2010

Fiscal vaticano: normas sobre abusos, “forte sinal”

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O fiscal da Santa Sé, monsenhor Charles Scicluna, considera que as novas “Normas sobre os delitos mais graves” (Cf. http://www.resources.va) são um “forte sinal” de Bento XVI.

O promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé (seu cargo oficial) explicou nesta quinta-feira aos jornalistas o espírito e as novidades deste documento com que a Igreja responde a delitos contra a fé, os sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Ordem, e naturalmente aos delitos de abuso sexual contra menores por parte de membros do clero.

O sacerdote maltês, que coordena uma equipe de oito magistrados eclesiásticos, explicou que este documento é significativo, se se leva em conta que as antigas normas se promulgaram há menos de dez anos, em 2001, e que depois, em 2003, João Paulo II concedeu à Congregação para a Doutrina da Fé “faculdades” específicas para tratar de julgar delitos particularmente graves.

Ele esclareceu que estas “faculdades” não tinham sido integradas nas “Normas” precedentes, motivo pelo qual foram agora revisadas e atualizadas.

“É um forte sinal, pois as faculdades têm uma vida algo efêmera: dependem muito da vontade dos Sumos Pontífices”, explicou o fiscal vaticano aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé.

“Pelo contrário, o Papa Bento XVI, pouco depois de ter sido eleito em 2005, expressou o desejo de que as faculdades de que a Congregação para a Doutrina da Fé gozava se estabilizassem em uma normativa”, pois as normas, diferentemente das “faculdades”, “permanecem vigentes até que o Papa não autorize sua modificação”.

Novidades

Entre as novidades introduzidas pelas novas “Normas” está o período de prescrição em caso de abusos sexuais, que passa de 10 anos para 20 anos, depois da vítima ter cumprido 18 anos de idade. Portanto, será possível apresentar denúncia até os 38 anos. Um período muito superior ao geralmente usado nas legislações civis.

Outra novidade é a introdução de leigos no pessoal do tribunal eclesiástico, como advogados ou procuradores.

Monsenhor Scicluna explicou: “no âmbito diocesano, a contribuição dos leigos é essencial quando o bispo tem necessidade de um parecer sobre a avaliação de um caso, pois necessita da competência de psicólogos, sociólogos, especialistas em psicologia da criança, da influência do abuso sobre a vítima”.

“E não podemos encontrar todas estas competências no clero – disse –. Sabemos que há bispos que se serviram da competência de antigos policiais para realizar suas investigações, pois queriam chegar à verdade. E isso para nós é muito importante”.

Uma das novidades que mais interesse causou entre os jornalistas é o “direito, com prévio mandato do Romano Pontífice”, a julgar os cardeais, patriarcas, os legados da Sé Apostólica e os bispos”.

“Trata-se de um sinal importante, pois significa que a Congregação para a Doutrina da Fé poderá investigar e submeter ao Papa seus resultados”, explicou Scicluna.

Justiça civil

O representante vaticano esclareceu que o Papa “não dá nenhum passo atrás sobre o caráter obrigatório de apresentar as denúncias aos tribunais civis, pois a indicação de obedecer às leis do Estado é claríssima: o cristão obedece às leis civis quando são justas, e não há dúvidas de que neste caso a lei civil é justa”.

Assim, “não há nenhuma escapatória para apresentar a denúncia à justiça. Se a lei dá à vítima a faculdade de decidir se quer denunciar ou não, há que respeitar sua vontade. Não é tarefa do legislador canônico entrar no campo do direito civil”.

quarta-feira, julho 07, 2010

Bento 16 muda normas da igreja contra abusos sexuais, diz revista

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - O papa Bento 16 revisou as normas para prevenir a ocorrência de abusos sexuais, em uma tentativa de lidar com os recentes escândalos sexuais envolvendo a Igreja Católica, informou a revista americana "National Catholic Reporter".

Em seu site, a publicação afirma que o papa aprovou recentemente revisões num decreto papal elaborado por seu antecessor, João Paulo 2º, em 2001, estabelecendo procedimentos para julgar e disciplinar religiosos envolvidos em abusos.

Essas mudanças, que serão anunciadas oficialmente em um prazo de duas semanas, deverão tornar as punições mais rígidas, de acordo com fontes do Vaticano.

Em 2001, o atual papa -na época cardeal Joseph Ratzinger- ajudou João Paulo 2º a elaborar o decreto e redigiu uma carta anexa que explicava as regras para os bispos.

Dois anos mais tarde, ele criou um conjunto de "condições especiais" que permitiriam que a Congregação para a Doutrina da Fé pulasse etapas demoradas e custosas em julgamentos canônicos de padres transgressores.

No entanto, tais normas ainda não haviam sido formalmente reconhecidas.

De acordo com fontes do Vaticano, uma das mudanças é a extensão do prazo de prescrição de casos de abuso contra crianças. Ele passaria a ser de 20 anos, a contar do 18º aniversário da suposta vítima, em vez de 10.

Outra mudança é a menção da pornografia infantil como uma "ofensa grave".

quarta-feira, junho 30, 2010

Vaticano tem sistema de poder misto que une o laico e o religioso

EL PAÍS

Miguel Mora
Roma (Itália)

Os Gentis-homens de Sua Santidade fazem parte da família pontifícia como o comandante da Guarda Suíça ou os clérigos que trabalham com o papa. Antes se chamavam Camareiros de Capa e Espada, e havia os secretos e os de honra. Em março de 1968, dois meses antes que em Paris fosse proibido proibir, em Roma Paulo 6º aboliu a Corte vaticana e criou os gentis-homens. Montini escreveu com um toque de pena: "Tanto na Igreja inteira, especialmente depois do concílio ecumênico Vaticano 2º, como na opinião pública mundial, abriu caminho uma mais atenta, digamos mais zelosa, sensibilidade sobre a preeminência dos valores puramente espirituais, uma exigência de verdade, ordem e realismo em relação ao eficaz, funcional e lógico, contra o que é só simbólico, decorativo e exterior".

Morto o patriciado, parecia que a modernidade finalmente havia chegado ao Vaticano. E o papa tentava explicá-lo "motu proprio": "Nossa antiga e benemérita Corte - que agora será designada unicamente com seu original e nobre apelativo de Casa Pontifícia - continuará resplandecendo em seu prestígio autêntico, compreendendo eclesiásticos e laicos que, além de sua particular competência e autoridade, se distingam por seus destacados serviços no campo do apostolado, da cultura, da ciência, das diversas profissões, pelo bem das almas e a glória do nome do Senhor".

Saiba-se que os gentis-homens de Sua Santidade não recebem do Vaticano, mas às vezes trabalham dando pompa aos ritos. Vestem-se de preto rigoroso e levam o peitoril do fraque forrado de medalhas. Altivos, fugidios e misteriosos, fazem parte do clube mais exclusivo do mundo e têm a categoria mais alta a que um laico pode aspirar no Vaticano.

Hoje, o trabalho secreto dessa nova nobreza negra é muito estimado em São Pedro. Sua "competência e autoridade" e seus "destacados serviços" representam ações beneméritas para a Santa Sé. Em alguns casos, dir-se-ia que o requisito básico para entrar no clube é ajudar a engordar as arcas do Estado pontifício, o paraíso fiscal mais rico, melhor decorado e mais visitado do mundo.

Alguns gentis-homens são verdadeiros prodígios das finanças. Tomemos por exemplo Herbert Batliner. Nascido em 1928 em Liechtenstein, é considerado pela polícia alemã um dos maiores peritos em criar sociedades fiscalmente obscuras, um grande especialista em lavar dinheiro sujo. Batliner é um dos banqueiros que se movem na sombra das finanças vaticanas. O presidente da Fundação Peter Kaiser trabalha há décadas em silêncio pelo bem da Europa cristã. Pelo menos desde 1970. Foi nomeado gentil-homem por João Paulo 2º em 1998, e continua sendo.

No ano de 2000, segundo revelou uma recente reportagem de "La Repubblica", um empregado do escritório de Batliner entregou à promotoria de Bochum, Alemanha, um CD cheio de dados secretos. Nesse momento ele foi qualificado como o rei dos evasores fiscais em um relatório do serviço secreto alemão, que definiu o "sistema Batliner" como um mecanismo que durante anos havia subtraído ao fisco pelo menos 250 milhões de euros.

Polícia
Apesar do anterior, em 9 de setembro de 2006, Batliner se encontrou com o papa Joseph Ratzinger em Ratisbona. Batliner foi até lá para doar pessoalmente à Igreja local um órgão avaliado em 730 mil euros. Sobre ele pesava uma ordem de busca e captura da polícia alemã. Mas conseguiu entrar no país graças aos bons ofícios da diplomacia vaticana. E não foi detido. Apenas um ano depois, no verão de 2007, Batliner admitiu suas culpas e fez um pacto com o Estado alemão, aceitando pagar uma multa de 2 milhões de euros. Cinco anos antes, a Suprema Corte de Liechtenstein confirmou em uma sentença que Batliner já era em 1990 o fiduciário do equatoriano Hugo Reyes Torres, indicado como chefe mafioso da droga, que nesse ínterim foi condenado.

Enquanto Ratzinger emprega em suas homilias e encíclicas a ética da economia e clama contra os especuladores e "os sacerdotes que tentam fazer carreira para enriquecer", alguns membros desse clube de cavalheiros parecem entender o contrário.

Nem todos, é claro. No clube laico papal figuram 147 notáveis. Embora o título seja vitalício, o papa pode revogá-lo quando considerar oportuno. Batliner ainda não foi expulso. Mas Angelo Balducci, sim.

Balducci é um engenheiro que durante 25 anos se encarregou de executar as obras públicas na região do Lácio, onde se encontram Roma e o Vaticano. Dali passou ao governo central como responsável pelo Conselho Superior de Obras Públicas. Depois de uma vida dedicada a melhorar as infraestruturas italianas e vaticanas, Balducci, de 62 anos, vive hoje na prisão romana de Regina Coeli.

Desde fevereiro Balducci é o principal acusado no escândalo de corrupção da todo-poderosa Proteção Civil italiana, que por enquanto tem mais de 50 pessoas acusadas ou sob investigação. Desde 2001 até agora, o superministério que depende da Presidência do Governo (primeiro-ministro) gastou fundos públicos no valor de 13 bilhões de euros, segundo o último relatório da Autoridade para Vigilância dos Contratos Públicos.

O dinheiro era administrado pelo chefe da Proteção Civil, o secretário de Estado Guido Bertolaso, também acusado de corrupção, e pelo executor das obras, Balducci, graças a uma argúcia autorizada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, para superar a maldita burocracia e enfrentar as emergências com mais rapidez: a licitação de contratos públicos sem concurso, a dedo, abolindo-se os procedimentos comuns.

Esse tratamento especial criou um monstro de mil cabeças. A Proteção Civil de Berlusconi não se encarrega só de calamidades. Também organiza provas esportivas como o Mundial de Natação, cúpulas internacionais como a do G-8, restaurações de museus e teatros e todo tipo de atividades religiosas.

A investigação dos fiscais de Perugia vinculou desde o início a Igreja Católica com a trama corrupta. Descobriu, por exemplo, que o padre Evaldo Biasini, de 83 anos, gerente da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue de Jesus, guardava grandes quantias de dinheiro para o construtor Diego Anemone, a quem os promotores acusam de ter recebido numerosos contratos da Proteção Civil em troca de comissões, presentes e favores de toda sorte, desde massagens em seu clube esportivo até reformas de apartamentos. Desde aquele dia, o ancião dom Evaldo passou a ser conhecido como "Dom Bancomat" (dom caixa automático).

Eventos
O "sistema gelatinoso", como o definiram os promotores em seu texto de acusação, "inclui nomes de grande espessura institucional" e se expande por diferentes vias religiosas. A lista de eventos católicos organizados pela Proteção Civil e pagos nestes anos pelo contribuinte italiano é longa, desde o Giro pela Itália do papa no Ano Paulino até as exéquias de João Paulo 2º ou as canonizações do Padre Pio e de São Josemaría Escrivá.

Balducci foi nomeado gentil-homem pelo papa Wojtyla em 1995. Quinze anos depois caiu em desgraça e o Vaticano foi obrigado a cancelar seu nome do anuário pontifício. Mas seu pecado, ironicamente, não foi roubar. Balducci só foi riscado da lista quando se tornou público que recorria com frequência a um tenor africano do coral suplente de São Pedro para que organizasse encontros com jovens seminaristas e sem-papéis. As escutas telefônicas interceptadas do corista e do gentil-homem eram deste estilo: "Tenho um bailarino da RAI", "Tenho um negro...".

Como Balducci, os cavaleiros papais se destacam por seus contatos, seu poder e seu patrimônio. No índice são abundantes os banqueiros, empresários, príncipes, políticos e diplomatas. A Itália encabeça de longe a lista, com 114 "gentiluomini". São seguidos por EUA, com sete, e Áustria e Espanha com cinco cada.

Poucos meses depois de chegar ao trono, em 2005, Bento 16 nomeou seus primeiros sete gentis-homens. Embora a doutrina e a teologia sejam os assuntos favoritos do papa alemão, também lhe preocupa a eficácia organizacional. Nessa primeira lista apareceu o personagem central das perigosas amizades Igreja-Estado. Trata-se do jornalista e político Gianni Letta, 75, secretário de Estado da Presidência do Governo e número 2 de fato do Executivo de Berlusconi em 1994, 2001 e 2008, mentor e protetor de Guido Bertolaso, herdeiro do estilo e da arte para a tubulação política de Giulio Andreotti.

Curiosamente, o poderoso Letta se transformou em gentil-homem muitos anos depois que o anônimo técnico Balducci. Ex-forense, ex-diretor de "Il Tempo" e ex-jornalista da Mediaset, vice-presidente da Fininvest Comunicações, supervisor dos serviços secretos e conselheiro externo do Goldman Sachs para investimentos na Itália, Letta talvez seja o único berlusconiano que adora negociar. Dá-se bem com todos, e comenta-se que é o único político italiano capaz de contentar a maçonaria e a Opus Dei. É o grande mediador, o homem que atende ao telefone quando há problemas.

Abuso de poder
E sua referência na cúria é Ratzinger. "Sob sua aparência de homem religioso, a fatura que Letta passa ao Vaticano é a mais discreta, mas também a mais cara", afirma o sacerdote e vaticanista Filippo di Giacomo. "O doutor Letta tem tanto poder que se permite nomear bispos a sua conveniência, como fez há alguns meses em L'Aquila ao promover seu amigo Giovanni d'Ercole.

"No plano familiar, Letta não está só. Seu sobrinho Enrico é um alto dirigente católico do Partido Democrata. Sua filha Marina é casada com o restaurador Ottaviani: é dele o monopólio do "catering" da Proteção Civil. Até agora o nome de Letta só apareceu de forma colateral nas 410 mil ligações telefônicas que os promotores têm depositadas em Perugia. Embora em novembro de 2008 tenha sido imputado por abuso de poder e estelionato em um assunto que parece diferente, mas não é tanto: supostamente, mediou a favor de uma cooperativa do movimento Comunhão e Libertação para a contratação de um centro de assistência para imigrantes.

Quando se revelou o caso da Proteção Civil, o papa dedicou a Letta um "pensamento especial" durante um discurso público. Coisa rara, que significa: é um amigo. Como se explica essa condescendência em um papa tão estrito? Segundo o filósofo Paolo Flores d'Arcais, o problema de Ratzinger é que está preso em um dilema existencial e histórico. "Estou convencido de que sua vontade de limpar a Igreja dos dois pecados capitais, sexo e dinheiro, é séria", diz o diretor da revista "Micromega". "Sua linha é a do Concílio de Trento: dogmatismo radical e ataque aos comportamentos imorais. Quer acabar com os padres pederastas e os prelados corruptos. Mas fazer isso supõe o impossível: sentar Wojtyla no banco dos réus. E isso não é tão fácil quanto pedir perdão pela condenação de Galileu. Representaria reconhecer que seu antecessor encobriu Marcinkus (presidente do banco vaticano IOR entre 1971 e 1989) e Marcial Maciel (dirigente dos Legionários de Cristo). Limpar de verdade o obrigaria a revelar porcaria a granel e a demitir meia cúria. Mas se não o fizer a Igreja continuará perdendo credibilidade. É esse seu dilema.

"Letta é o eixo da aliança de Berlusconi com o cardeal Camillo Ruini, ex-chefe da Conferência Episcopal italiana e criador do projeto cultural que ajudou a arrebatar da esquerda a hegemonia intelectual e informativa na Itália. Quando a Democracia Cristã desapareceu em 1993 sob o terremoto de Tangentópolis (o escândalo das comissões dos partidos), seus componentes se distribuíram entre Força Itália e a católica Margarita da centro-esquerda. Depois o católico Romano Prodi nomeou Guido Bertolaso chefe da Proteção Civil em 1996. E o católico Francesco Rutelli, ex-prefeito de Roma, pôs para trabalhar juntos Balducci e Bertolaso no Ano Santo do Jubileu.

Corrupção
Ali nasceu o sistema gelatinoso. O cardeal Crescenzio Sepe, que acaba de ser denunciado por corrupção, era o secretário-geral do comitê organizador do jubileu. O Ano Santo foi uma maionese de negócios, obras, subvenções, presentes, silêncios e favores que ligou altos funcionários públicos com a cúria da Opus Dei e os Legionários de Cristo.

Protegido de Wojtyla, Sepe, agora arcebispo de Nápoles, foi entre 2001 e 2006 o responsável pela Propaganda Fide, hoje chamada Congregação para a Evangelização dos Povos. É o ministério vaticano que se encarrega de financiar as missões e de administrar o patrimônio imobiliário do Vaticano. E seu principal assessor era Angelo Balducci.

A acusação afirma que o cardeal Sepe concedeu de graça um dos 2 mil apartamentos que a Propaganda Fide possui em Roma ao chefe da Proteção Civil, Guido Bertolaso. E que além disso vendeu em 2004 um luxuoso palacete romano a preço de banana (entre 3 e 4 milhões de euros, quando valia 9 ou 10 milhões) ao então ministro de Infraestruturas, Pietro Lunardi, também acusado formalmente por essa operação. A hipótese dos promotores é que em troca Lunardi financiou com dinheiro estatal da sociedade Arcus obras milionárias da Propaganda Fide que nunca foram realizadas.

O cardeal se defendeu acusando seus superiores: "A administração vaticana aprovou todas as operações", disse. E insiste em se considerar um mártir: "Trabalhei sempre com transparência e pelo bem da Igreja, uma Igreja sempre perseguida". Segundo Sepe, foi Francesco Silvano, outro de seus assessores na Propaganda Fide, membro da Comunhão e Libertação e atual economista do arcebispado de Nápoles, quem lhe recomendou emprestar e vender as propriedades.

A investigação revelou que os apartamentos são o principal objeto de intercâmbio de favores entre a Itália e o Vaticano. Chefes dos serviços secretos, da polícia fiscal, dos Carabineiros, magistrados, políticos, empresários e o próprio Bruno Vespa, o jornalista preferido de Berlusconi e de Wojtyla, vivem ou viveram em apartamentos da Propaganda Fide.

O cardeal Sepe foi afastado da Propaganda Fide por Bento 16, no que hoje parece uma tentativa de afastar a cúria italiana e a Comunhão e Libertação da gestão imobiliária. Depois de cinco anos de papado, é um segredo em voz alta que Ratzinger não confia em sua cúria, com exceção de um pequeno punhado de fiéis. Embora tenha substituído o núcleo duro de Wojtyla, o governo vaticano continua nas mãos de grupos como a Opus Dei - seus porta-vozes se empenham em negá-lo -, a citada Comunhão e Libertação e os Legionários de Cristo, embora hoje esteja prestes a desaparecer como movimento carismático para pagar pelos crimes de seu fundador.

Presença dos laicos
Os movimentos eclesiásticos ganharam peso no Vaticano desde o último concílio. Aparentemente solidários, lutam pelo controle dos melhores cargos e negócios, e na refrega esquecem o que for preciso do Evangelho e se dedicam a um ajuste de contas permanente, enquanto os fiéis atônitos assistem ao espetáculo.E os laicos eclesiásticos controlam amplos setores da política, da informação, da empresa, da caridade, da educação, da saúde e da magistratura. Em Roma exercem uma influência cada vez maior, em estreita e democrática conivência com a centro-direita ateia-devota, mas também com a lânguida oposição do Partido Democrático e a cúria dos bons e felizes tempos do papa viajante.

A fragilidade das ordens religiosas, castigadas pela escassez de vocações, favoreceu a sufocante presença dos laicos. "Em 1998, Ratzinger aumentou a integração laica durante um congresso organizado por Wojtyla", lembra Paolo Ciani, membro da Comunidade de São Egídio, um movimento eclesiástico que conta com 50 mil voluntários distribuídos pelo mundo e só 25 empregados. "Ratzinger releu a experiência das ordens religiosas e monásticas junto com a dos movimentos eclesiais e reconheceu a estes, com seu dinamismo e competência, um papel na Igreja. A mensagem foi que para sobreviver era preciso confiar no rebanho fiel.

"Hoje a Cúria Romana é uma máquina ingovernável e reumática que custa anualmente ao Vaticano 102,5 milhões de euros. A estrutura depende da Secretaria de Estado, uma espécie de conselho administrativo com um presidente (o secretário de Estado) e um diretor-geral (o substituto), as duas únicas pessoas que têm acesso direto ao gabinete do papa. No Vaticano trabalham 2.748 pessoas. Delas, 778 são eclesiásticos, contra 333 religiosos e 1.637 laicos (destes, 425 são mulheres).

Os laicos tomaram o poder cooptando bispos e cardeais menos cristãos do que se supõe. "A nulidade da cúria se deve a sua falta de informação e a seu excesso de italianidade", explica o sacerdote e canonista Filippo di Giacomo. "Das dioceses chega o pessoal com conta-gotas porque os bispos demoram para enviar seus melhores homens. As ordens, antes canteiro privilegiado de inteligência e talento, têm cada vez menos matéria cinzenta a que recorrer. Os bons chegam a bispos, e à cúria só chega o pior de cada família."

Assim nasceu um sistema de poder misto que confunde o laico e o religioso, a Igreja e o Estado, a Itália e o Vaticano, a cúria com a elite civil. O sistema se baseia em um enorme poder econômico, sensação de impunidade, gosto pela "omertà" e o encobrimento e a capacidade de infiltração.

A ambição desse sistema é conseguir a fusão fria entre Itália e Vaticano. Em seus esquemas mentais, essa nova cúria negociante e carnal não visualiza dois Estados, mas um único país que poderia se chamar, abreviando, Vaticália. "Impossível confiar em canalhas que usam Deus para satisfazer sua atrofiada vaidade!", diz o padre genovês Paolo Farinella.

A grande caixa-forte laica do momento se chama Comunhão e Libertação (CL). Nascida em 1954 e assim denominada desde 1969, está presente em 70 países; na Itália controla empresas, meios de informação, dioceses, colégios, universidades, hospitais privados e públicos e inclusive uma holding de cooperativas sociais, a Auxilium, que administra vários centros de identificação e expulsão de imigrantes para o Ministério do Interior."Há 20 anos a Auxilium é o braço clerical da ultra-direita milanesa", explica Di Giacomo. "Sua estratégia é cultural e política. Seus padres povoam os seminários lombardos; seus prelados se mobilizam onde for preciso." Afirma também que seus chefes ideológicos ditam a lei em diferentes jornais e que sua presença é constante em televisões e rádios: "Mandam a torto e a direito".

Roberto Formigoni é há 15 anos presidente da Lombardia, a região italiana com renda mais alta da Europa, junto com a de Paris-Ile de France. Pertence de pleno direito, e não o oculta, à Comunhão e Libertação. Isso poderia lhe permitir inclusive aspirar a suceder Berlusconi. Nos últimos meses, o governador distribuiu entre os homens da CL, os postos fundamentais da organização da Expo Milão 2015. Um paraíso de contratos públicos, privados e mistos no qual a magistratura já detectou a penetração das máfias.

Quase diariamente vêm à luz novas amizades perigosas. Há poucas semanas os juízes enviaram uma comissão rogatória ao Vaticano porque suspeitam que o tesouro oculto do bando gelatinoso pode estar depositado no IOR - Instituto para Obras Religiosas. E esta semana reclamaram por via oficial os documentos da Propaganda Fide, a imobiliária da Santa Sé.

Embora o trabalho dos promotores seja exaustivo, em Vaticália se sabe que não será fácil para eles apurarem a verdade. O Vaticano continua sendo um paraíso fiscal, o "concordato" lhe concede amplas cotas de imunidade e as contas secretas que prosperam à sombra do IOR, da APSA - a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, a antiga Propaganda Fide e um longo número de empresas participantes são o segredo mais bem guardado.

Apesar dos apelos à limpeza de Ratzinger, as coisas não parecem ter mudado muito. Aqui os mistérios se resolvem com tempo. Com muito tempo. Balducci é por enquanto o grande bode-expiatório. Durante 15 anos ninguém viu nada nem suspeitou de nada: era um gentil-homem e os sinos tocavam a "omertà". Hoje se fala dele, mas logo tudo voltará a seu ser e a gelatina continuará se ampliando. Hoje, em junho de 2010, os italianos ainda não têm uma lei de casais de fato; os imigrantes sem papéis são considerados criminosos e não se respeita o direito de asilo; os homossexuais são agredidos diariamente nas ruas e as mulheres que querem se submeter a inseminação artificial devem emigrar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves