sexta-feira, maio 17, 2013

"A América Latina é parte do imaginário universal", diz o chileno Antonio Skármeta

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/05/1280210-a-america-latina-e-parte-do-imaginario-universal-diz-o-chileno-antonio-skarmeta.shtml

17/05/2013 - 10h29

DE SÃO PAULO


O escritor, cineasta, compositor e filósofo chileno Antonio Skármeta, que participa da Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes, iniciada na última quinta-feira (16) em São Paulo, afirmou que a América Latina faz parte agora do imaginário universal.
"Com um papa e uma rainha da Holanda de origem argentina, vários prêmios Nobel de Literatura e famosos jogadores desta parte do continente, há um sentimento de que a América Latina hoje é parte do imaginário universal", afirmou Skármeta em entrevista exclusiva à Agência Efe.
"Não é somente um dado anedótico, versos de uma canção, título de um filme bem-sucedido e um prêmio a mais ou um prêmio menos, é um continente que produz uma variedade de aspectos e realizações culturais, econômicas, políticas e diplomáticas, fato que o situou muito solidamente no panorama mundial", ressaltou.
Apesar de todo esse protagonismo e projeção global da região, o autor e diretor de "Ardente Paciência" (1983), filme que ganhou uma nova versão uma década depois por Michael Radford com o título de "O Carteiro e o Poeta", considerou que não existe na atualidade um estilo próprio que distinga os escritores latino-americanos no mundo.
Divulgação
O escritor chileno Antonio Skármeta
O escritor chileno Antonio Skármeta
"Hoje não há uma tendência homogênea para dizer que a literatura latino-americana está nisto ou naquilo, está em muitas coisas, mas isso também não tem nada de errado", declarou o autor de "O Baile da Victoria", levada ao cinema pelo espanhol Fernando Trueba.
Segundo o chileno, com base em suas "leituras" e frequentes visitas a países da região", pode se afirmar categoricamente que na literatura latino-americana de hoje não há uma tendência homogênea ou com grande visibilidade", como na década de 60 e o chamado "realismo mágico" de Gabriel García Márquez e do argentino Julio Cortázar.
"No entanto, a América Latina tem um problema: não há uma política cultural unida, os países estão separados apesar dos pactos e alianças comerciais que não incluem grandes iniciativas de tipo cultural, não há uma 'intraamérica' unida culturalmente", ponderou o escritor.
O intelectual também criticou a falta de um instituto cultural latino-americano como o Cervantes, da Espanha, apesar da existência de agregados culturais e programas nas embaixadas dos países da região fora de suas fronteiras.
O autor da peça "O Plebiscito", ponto de partida do célebre filme "No" (2012), de Pablo Larraín, destacou sua "conexão" com o Brasil, "um cenário fastuoso para qualquer empresa de imaginação".
"Como escritor, me sinto imensamente motivado aqui por causa de sua cultura, seu cinema, sua literatura e, especialmente, por sua música. Por isso não podemos separar o Brasil da América Latina como muitos pensam", completou.
Em qualidade de compositor, Skármeta trabalhou recentemente com músicos brasileiros destacados, como Toquinho, que incluiu a canção "Obra de Arte" em seu último álbum, e Roberto Menescal, que terá em seu próximo disco a versão em português de "Fugaz", outra criação do chileno.
Os jovens músicos Killy Freitas e Blanca Obino, no Rio Grande do Sul, estado fronteiriço com a Argentina e Uruguai, também incluem em seu próximo trabalho fonográfico algumas canções de Skármeta.
"Esse projeto me deixou muito contente e pode ser que, em novembro, apresentemos o trabalho conjunto em público antes de gravar o álbum do próximo ano", adiantou o escritor.
A 30º edição da Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes, que espera receber 4 mil visitantes até o próximo sábado, tem Skármeta como principal convidado e homenageado.
"Imagine a alegria que pode sentir um criador que trabalha com a língua espanhola se conectar em um encontro com jovens brasileiros através do idioma, que é minha ferramenta de trabalho", finalizou o autor.
Com agências de notícias

quinta-feira, maio 16, 2013

“A arte brasileira vale o quanto custa?”

http://www.revistaserrote.com.br/2013/03/desentendimento-a-arte-brasileira-vale-o-quanto-custa/


Heitor Reis e Paulo Sergio Duarte

“A arte brasileira vale o quanto custa?” – Heitor Reis e Paulo Sergio Duarte

O sétimo encontro da série “Desentendimento” trata da crescente valorização da arte brasileira no mercado internacional, com trabalhos de nomes como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes chegando às casas de US$ 1 milhão e US$ 2 milhões. “A arte brasileira vale o quanto custa?” é a pergunta que move o debate entre o crítico e professor de arte Paulo Sergio Duarte e, falando como conhecedor do mercado, o curador do fundo de investimentos Brazil Golden Art, Heitor Reis. A mediação é do crítico Luiz Camillo Osorio, curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Bloco 1: “Nós não somos o mercado. Fazemos parte do mercado”
Depois da introdução de Luiz Camillo, Heitor Reis recorda sua longa trajetória à frente do Museu de Arte Moderna da Bahia e como migrou, recentemente, para o trabalho junto a colecionadores e investidores, participando ativamente de algo que antes praticamente desconhecia: a “precificação”, como chama, das obras. Ele diz hoje estar certo de que o mercado contribui muito para a melhora do panorama da arte brasileira.


Bloco 2: “Na média, a arte brasileira ainda está abaixo do seu valor real”
Paulo Sergio Duarte ressalta que artistas que deram e outros que continuam dando contribuições decisivas à arte contemporânea do mundo ainda têm trabalhos sendo vendidos por preços muito abaixo daqueles feitos por nomes de outros países. Isso indica que a valorização da produção nacional ainda crescerá. Segundo ele, casos como os de Adriana Varejão e Beatriz Milhazes são picos, não a regra. O crítico diz que investir em arte é assunto para especialistas, não para quem, como ele mesmo, deseja apenas ter a companhia de boas obras. Mas aponta como esse pode ser um investimento seguro se comparado, por exemplo, a comprar carros.


Bloco 3: “Tudo começa como movimento cultural”
Contrapondo-se à fala anterior de Paulo Sergio, Heitor afirma que a crítica também está por trás dos preços que o mercado estabelece. Ao contrário do que acontece no mercado financeiro, em que qualquer boato pode produzir fortes oscilações, na arte os valores crescem após muitos anos de exposições, reflexões e consolidações de movimentos. Os artistas em alta raramente são modas passageiras, e sim fruto de anos de trabalho e de atenção dos críticos.
Paulo Sergio diz que, se por acaso vai à residência de um milionário como os que estacionam carros de R$ 500 mil diante de restaurantes de São Paulo, não sente desejo de ter nem um cinzeiro da pessoa, muito menos algum quadro que esteja na parede. No entanto, o carro se desvalorizará muito antes de uma boa obra de arte.


Bloco 4: “Há 40 anos, o coração carmim de Jeff Koons parecia decoração de loja de chocolate para Dia dos Namorados”
Segundo Paulo Sergio, a arte está totalmente inserida na lógica de consumo que marca o mundo atual. Essa mudança de estatuto democratizou o acesso e alterou o modo de fruição, em que a contemplação solitária apenas é possível para quem tem muitos recursos para ter obras em casa. “Antes eu ficava uma hora na sala do Mark Rothko na Tate, em Londres. Agora eu fico cinco minutos e passam 60 pessoas na minha frente”, constata o crítico. Nesse contexto, há artistas que trabalham explicitamente para ser grifes, caso do americano Jeff Koons, que fotografou suas relações sexuais com a atriz pornô Cicciolina. E outros que viram grifes à revelia, por causa das apostas do mercado, como aconteceu com Adriana Varejão e Beatriz Milhazes.
Heitor ressalta que a arte brasileira valorizou mesmo após a crise internacional de 2008. E que hoje, em qualquer lugar, é muito mais charmoso ter um quadro do que um carro de luxo. Especialmente com a ascensão das mulheres no campo profissional, a arte se tornou objeto de desejo e sinal de status, glamour.


Bloco 5: “Por causa dos preços do mercado, a tendência é o circuito da arte ficar insustentável”
Luiz Camillo alerta que a alta valorização de obras de arte produz um efeito colateral perverso: preços de transporte, de seguros e de tudo o que envolve a exposição de um trabalho vêm subindo muito, por imposição do mercado, que quer se proteger. O resultado é que obras importantes ficam nas casas dos colecionadores e não circulam, não chegam a um público maior. “Vamos acabar expondo muita coisa ruim”, teme o crítico.
Paulo Sergio diz que há uma demanda reprimida nas negociações de arte no Brasil, pois as instituições públicas não têm política de compra de obras e de formação de acervo. Ele atribui a culpa a uma elite política que é “obscurantista, não é inteligente, é estúpida”. Um artista que está se firmando hoje e, portanto, tem preços acessíveis para que seus trabalhos sejam adquiridos por um museu público poderá ser muito valorizado em dez anos, quando então não haverá mais recursos para que ele integre uma coleção que não seja privada.


Bloco 6: “Não temos no Brasil uma história da arte minimamente formada”
Para Luiz Camillo, as decisões que norteiam os rumos do mercado estão nas mãos de muito pouca gente. A mudança dessa situação passa pelo fortalecimento da educação, dos museus e pelo contato com a produção crítica realizada nas últimas décadas sobre os principais movimentos e artistas nacionais, hoje ainda precariamente conhecida.
De acordo com Paulo Sergio, o mercado de arte brasileira amadureceu bem mais do que a maioria das instituições públicas. Há gerações que se formam nas universidades sem ir a um museu. E mesmo professores de arte se formam sem ver uma exposição. Ele, Heitor e Camillo concluem o debate concordando que “a arte brasileira vale mais do que custa”.


quarta-feira, maio 15, 2013

Veja raio-x da divisão da torcida em um jogo do Corinthians no Pacaembu

15/05/2013 - 12h00

LUCAS REIS
DE SÃO PAULO


Dentro do Pacaembu, estádio do jogo decisivo entre Corinthians e Boca Juniors, na noite desta quarta-feira, pela Libertadores, com ingressos (cerca de 37 mil) esgotados, as torcidas organizadas têm seu espaço, e elas mesmas quem definem a própria hierarquia.
Abaixo, veja um raio x de como é a divisão em um jogo do Corinthians no Pacaembu.
Editoria de arte/Folhapress
http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2013/05/1278948-veja-raio-x-da-divisao-da-torcida-em-um-jogo-do-corinthians-no-pacaembu.shtml

terça-feira, maio 14, 2013

CASSAS E A CIRCULATURA DO QUADRADO


O ano era 2008. Meados de abril, para caprichar na exatidão. Aqui no Maranhão, de acordo com pesquisa da Escutec, a maioria da população reprovava – quase 60% dos entrevistados – a administração do então governador, Jackson Lago. Também com tristeza absoluta, recordamos a morte do mestre de obras Airton Castro e a do servente Wanderson Silva, que pereceram no desabamento do pilar de sustentação da obra do Hospital São Domingos. Aqui em São Luís, o São José (que na época era time de verdade e não esse “coiso” recém-rebaixado) recebia o Imperatriz a fim de somar pontos suficientes rumo à Série C do Campeonato Brasileiro. E lá no Rio de Janeiro Botafogo e Flamengo se enfrentavam pela semifinal da Taça Rio.
            Qual será o time do coração de Luís Augusto Cassas? Vou arriscar: Botafogo, no Rio, e Maranhão Atlético, aqui na terrinha.Faço estas elucubrações em plena convocação da Seleção Brasileira que vai disputar a Copa das Confederações. Marin, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, acaba de dizer que tem “a maior confiança” no trabalho da comissão técnica verde-amarela.
            O que será que Cassas pensa a respeito dessa Seleção? Acredita que vencerá as Confederações e a copa do ano que vem? Ou, como eu, imagina que ela vai dar com os canários n’água nas duas competições?
            Mas lá em abril de 2008 Luís Augusto Cassas mostrava pela enésima vez que o bolão que ele batia mesmo era – ainda é – no gramado da poesia. Nesse período de sua vida, alheio a pesquisas, a governos pessimamente avaliados e a vidas ceifadas sem mais nem menos e de uma hora para a outra, o mestre de “A poesia sou eu” alargou seus horizontes líricos a partir do momento em que abordou sua condição de portador de câncer na próstata.
            Sei mais ou menos como se comporta um indivíduo que descobre que está com câncer. Porque só tem mesmo noção do que essa pessoa passa e enfrenta quem se encontra no mesmo barco ou, mesmo não estando doente, decide ajudá-lo a enfrentar mal, sentindo as navalhadas que a má estrela dá na carne e no espírito.
            Cassas resolveu combatê-lo com orações aliadas à meditação zen-budista, incorporada as suas crenças, dessa forma afastando gradativamente o desespero e solidificando a esperança nas 40 sessões de radioterapia a que se submeteu no Hospital da Beneficência Portuguesa. E nessas sessões surgiram os “Poemas para iluminar o trópico de câncer”. Um deles é “A cura”, que nos diz: “quando os olhos/ daquele que é/ absolutamente nada// chorarem pelos olhos/ daquele que é/ absolutamente todo// e as lágrimas claras/ do absolutamente todo/ lavarem os ciscos dos olhos// do absolutamente nada/ então veremos às claras/ tudo absolutamente novo”.
            Jogo de palavras a partir do qual o poeta ressalta o processo de iluminação a que se submeteu para enfrentar a dificuldade de que padecia desde o ano anterior. E percebam o círculo se fechando, do “absolutamente todo” para o “absolutamente nada” e do nada para o todo absoluto – do homem para o divino, do efêmero para o infinito. É o que, pensou eu, o escritor Airton Paschoa chamou de “Circulatura do quadrado”:
            “Indo de um canto a outro e deste àqueloutro e destrouto ao penúltimo e do penúltimo ao último canto, perfaz-se um quadrado. Perfazendo-o vida afora, em que pese a distração com a poeira que levantamos, observa-se com justeza que o último confina palmo a palmo com o primeiro canto. Não deixamos de perfazê-lo por isso, notando embora requerer sempre mais e mais esforço, à medida que mais e mais nos faltam forças. – Mas há o pó, o pó! o tom subindo, subindo e descendo em sua infinita variedade, e a réstia de sol, volta e meia nos dizemos, erguendo a coluna”.
            Luís Augusto Cassas aceitou esse esforço diário, em busca da réstia de sol que possibilitará os versos e porventura os reversos que brilham dentro de si ou mesmo ainda se encontram escondidos da glória de estar vivo.

domingo, maio 12, 2013

Nicolas Cage vai estrelar thriller Hotel 33, baseado em "acontecimento sobrenatural"

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/diversao/2013/05/12/325725-nicolas-cage-vai-estrelar-thriller-hotel-33-baseado-em-acontecimento-sobrenatural#100

12/05/2013 19h22 • Da Redação















Um acontecimento estranho em um hotel norte-americano foi parar nos noticiários nos anos 50. O lugar tinha sido vítima, supostamente, de forças sobrenaturais. O episódio chamou a atenção da roteirista Kellie Madison e dará vida ao thriller Hotel 33, que também será dirigido pela moça.
Nicolas Cage, vencedor do Oscar em 1996 por Despedida em Las Vegas, confirmou sua participação no filme, que ainda não tem data de lançamento, mas a produção deve começar em setembro deste ano. A diretora, que tem feito apenas curta-metragens, estreará em seu primeiro longa.
Produzido por Randall Emmett e George Furla, a trama gira em torno do desaparecimento de 32 pessoas na noite de abertura do Grand Hotel em Williamsport, Pensilvânia, em 1953. O detetive Kaminsky, papel de Cage, investiga o caso.
Durante o inquérito, quatro adolescentes invadem o hotel abandonado para fazer uma festa e, em seguida, desparecem. O detetive terá, então, que descobrir que mistérios cercam esse lugar.