O irregular diretor e roteirista francês Luc Besson nunca escondeu sua predileção em trazer humor para seus filmes de aventura e ação. Exemplos como "O Quinto Elemento", "Táxi", "Carga Explosiva" e até o sensível "O Profissional" falam por si. Assim, não é de se estranhar que ele tenha roteirizado e dirigido "As Múmias do Faraó", baseado na obra de Jacques Tardi, um dos mais reconhecidos autores de quadrinhos da França.
Porém, antes de falar da adaptação de Besson, que estreia em circuito nacional, é preciso entender a que vem esta produção. Não se trata de um filme sobre múmias, embora elas estejam presentes na trama, e sim de uma tradução fiel de "As Aventuras Extraordinárias de Adèle Blanc-Sec", como o autor batizou, Luc Besson manteve, mas a versão brasileira omitiu.
De forma comparativa, seria como dar outro título aos quadrinhos "As Aventuras de Tintin", do belga Hergé.
A história "Tintin no Tibet", por exemplo, se tornaria, pelo mesmo princípio adotado no Brasil no filme de Besson, "Os Monges do Tibet". Uma mudança de foco, enfim.
A constatação é importante, pois a trama, a princípio, é um pouco confusa. Com um humor marcadamente francês, a história começa com a apresentação dos personagens por um narrador, que introduz o espectador no tempo (1911) e no espaço (Paris). Algo similar ao visto no início de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", de Jean-Pierre Jeunet, mas sem a genialidade deste último.
O narrador explica que o antropólogo, especialista em história egípcia, professor Esperandieu (Jacky Nercessian), sabe como reviver o que está morto. Com os conhecimentos antigos do povo do Nilo, ele traz à vida um pterodáctilo, que passa, mais tarde, a aterrorizar Paris.
Nesse contexto, é apresentada a protagonista: a repórter Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin, de "O Pequeno Nicolau"). Disposta a curar sua irmã, que vive em estado vegetativo após um acidente, ela vai ao Egito roubar a múmia do médico do faraó Ramsés II, com a esperança que Esperandieu reviva o profissional egípcio. Na fantasia criada por Tardi, os conhecimentos ancestrais podem salvar Agathe (Laure de Clermont-Tonnerre) de seu mal.
Com um humor que beira o pastelão, a narrativa flui entre a missão de Adèle e a caça ao animal jurássico, o tal pterodáctilo, pelos personagens secundários. Nesse meio, há o detetive trapalhão, o cientista apaixonado, o caçador maluco, entre outros coadjuvantes voltados ao alívio cômico do que se vê na tela.
Um destaque no elenco é Mathieu Amalric ("Conto de Natal", "O Escafandro e a Borboleta") - que interpreta o vilão Dieuleveult e pode passar despercebido sob uma pesada maquiagem, que o torna quase irreconhecível.
Besson não é muito literal ao tratar da personagem Adèle em seu filme. Ensimesmada e cínica, a heroína de Tardi parece mal representada na versão cinematográfica. Como é criada para ser a primeira parte de uma franquia, "As Múmias do Faraó", ou melhor, "As Aventuras Extraordinárias de Adèle Blanc-Sec", já tem uma continuação encaminhada. Resta saber se o segundo filme fará jus à heroína de Tardi.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
sexta-feira, outubro 29, 2010
terça-feira, outubro 26, 2010
Coronel Nascimento dá razão a Foucault em "Tropa de Elite 2"
PLÍNIO FRAGA
DO RIO
E o coronel Nascimento, quem diria, rendeu-se a Foucault e seus asseclas.
Ou aos "intelecutuaizinhos de merda", no linguajar que pontua seu sucesso como personagem do mais bem-sucedido filme nacional dos últimos anos, "Tropa de Elite 2", de José Padilha.
Cinematograficamente, a crítica de Inácio Araujo nesta Ilustrada ("'Tropa de Elite 2' se prende em discurso sem espessura", 7/10) já dimensionou o produto: "Tem o mérito de nos apresentar, com eficácia e um ótimo elenco (e apesar do falatório), a um mundo do qual o cinema brasileiro raramente se aproxima", mas "preso a um discurso sem espessura, uma espécie de niilismo a rigor tão ingênuo quanto as ideias de Nascimento no primeiro filme".
Mais do que discutir cinema, a proposta deste texto --por coincidência elaborado por um Fraga, assim como o anti-herói de "Tropa 2"-- é sugerir que o coronel Nascimento do segundo filme é resultado de uma derrota simbólica na discussão pública sobre o primeiro. Nada pessoal, gente.
"Tropa de Elite" chegou a ser definido como um filme em que espectador é subtraído do papel de vítima e associado ao lugar do algoz, na competente visão de outro crítico da Folha, Cássio Starling Carlos ("Em 'Tropa de Elite', Padilha transforma a plateia em algoz", 5/10/07).
Lembrava ele que a brutalidade do Bope é a realização de desejos sociais de extermínio. "Com um fuzil apontado para nossa cara, somos retirados da confortável posição de voyeurs e colocados na incômoda cadeira dos réus", concluiu brilhantemente.
Em "Tropa 2", não há vestígio da tese de que quem consome droga arma o tráfico ou de que o papel de organizações não governamentais em favelas se resume a hipocrisia interessada de usuários drogados _duas das bandeiras a que titãs do conservadorismo se apegaram para elevar o filme a símbolo da derrota das causas humanitárias. O desejo social de extermínio é sublimado pela revelação truística de que o mundo é político.
O SISTEMA
Há, em "Tropa de Elite 2", uma cena em que um oficial do Bope tortura com um saco plástico um traficante --reproduzindo o que ordenara o então capitão Nascimento no primeiro filme.
A história se repete como farsa. No primeiro filme, a tortura de Nascimento nada mais era do que a consumação prática de que os fins justificam os meios.
No segundo, o mesmo saco plástico simboliza a ingenuidade de um capitão do Bope a ser ludibriado por PMs menos bem formados, menos bravos, menos inteligentes e mais bandidos.
Onde havia celebração da força passa a haver subjugação desta à esperteza acética. Ou seja, o "pega geral" do cântico dos agentes supertreinados, máquinas de matar, é contornado por uma nova espécie macunaímica, o miliciano que dribla as leis, as instituições e os colegas mais inteligentes armado da destreza da falta de caráter, da falta de ética, da ganância econômica e política.
O novo saco plástico em que o coronel Nascimento tropeça é o que chama de "sistema" --uma máquina complexa, impessoal, a gerar dinheiro e votos.
Descobre que o tráfico não é seu maior inimigo, mas sim a estrutura política corrupta. O tal inimigo que havia demorado a identificar.
Se atirasse menos e pensasse mais, Nascimento economizaria cartuchos e entenderia o que é o processo político desde sempre.
Não se pode falar de moralidade como força política porque todos os discursos que a envolvem camuflam interesses de alguém.
Não se pode falar de progresso a menos que se entenda que ele é mais ou menos estimulado de acordo com o poder de diferentes grupos.
Não se pode falar de ideais que modificam o curso das coisas a menos que se entenda que eles representam outro grupo de interesses.
Não se pode falar de governantes, partidos, atores políticos e poderes constituídos, exceto que se perceba que são meios pelos quais operam os grupos de interesses.
Nascimento é alvejado por essa descoberta, uma bala perdida centenária, estruturada por gente como Arthur F. Bentley (1870-1957), em "O Processo do Governo", de 1908. Precisa se reciclar.
E, quando descobre esse inimigo, Nascimento o denuncia em CPI, por meio do discurso no qual o diretor do filme assume o papel de intelectual específico preconizado por Michel Foucault (1926-1984), desdenhado no primeiro filme, numa leitura rasa sobre o papel do Estado como agente opressor.
Disse Foucault que cada luta se desenvolve em torno de um foco particular de poder. Designar os focos, denunciá-los, falar deles publicamente, é uma primeira inversão de poder, é o primeiro passo para outras lutas contra o poder. E é assim que procede Padilha.
Em "Tropa de Elite 2", o coronel Nascimento vem humildemente dar razão a Foucault e pedir para sair.
DO RIO
E o coronel Nascimento, quem diria, rendeu-se a Foucault e seus asseclas.
Ou aos "intelecutuaizinhos de merda", no linguajar que pontua seu sucesso como personagem do mais bem-sucedido filme nacional dos últimos anos, "Tropa de Elite 2", de José Padilha.
Cinematograficamente, a crítica de Inácio Araujo nesta Ilustrada ("'Tropa de Elite 2' se prende em discurso sem espessura", 7/10) já dimensionou o produto: "Tem o mérito de nos apresentar, com eficácia e um ótimo elenco (e apesar do falatório), a um mundo do qual o cinema brasileiro raramente se aproxima", mas "preso a um discurso sem espessura, uma espécie de niilismo a rigor tão ingênuo quanto as ideias de Nascimento no primeiro filme".
Mais do que discutir cinema, a proposta deste texto --por coincidência elaborado por um Fraga, assim como o anti-herói de "Tropa 2"-- é sugerir que o coronel Nascimento do segundo filme é resultado de uma derrota simbólica na discussão pública sobre o primeiro. Nada pessoal, gente.
"Tropa de Elite" chegou a ser definido como um filme em que espectador é subtraído do papel de vítima e associado ao lugar do algoz, na competente visão de outro crítico da Folha, Cássio Starling Carlos ("Em 'Tropa de Elite', Padilha transforma a plateia em algoz", 5/10/07).
Lembrava ele que a brutalidade do Bope é a realização de desejos sociais de extermínio. "Com um fuzil apontado para nossa cara, somos retirados da confortável posição de voyeurs e colocados na incômoda cadeira dos réus", concluiu brilhantemente.
Em "Tropa 2", não há vestígio da tese de que quem consome droga arma o tráfico ou de que o papel de organizações não governamentais em favelas se resume a hipocrisia interessada de usuários drogados _duas das bandeiras a que titãs do conservadorismo se apegaram para elevar o filme a símbolo da derrota das causas humanitárias. O desejo social de extermínio é sublimado pela revelação truística de que o mundo é político.
O SISTEMA
Há, em "Tropa de Elite 2", uma cena em que um oficial do Bope tortura com um saco plástico um traficante --reproduzindo o que ordenara o então capitão Nascimento no primeiro filme.
A história se repete como farsa. No primeiro filme, a tortura de Nascimento nada mais era do que a consumação prática de que os fins justificam os meios.
No segundo, o mesmo saco plástico simboliza a ingenuidade de um capitão do Bope a ser ludibriado por PMs menos bem formados, menos bravos, menos inteligentes e mais bandidos.
Onde havia celebração da força passa a haver subjugação desta à esperteza acética. Ou seja, o "pega geral" do cântico dos agentes supertreinados, máquinas de matar, é contornado por uma nova espécie macunaímica, o miliciano que dribla as leis, as instituições e os colegas mais inteligentes armado da destreza da falta de caráter, da falta de ética, da ganância econômica e política.
O novo saco plástico em que o coronel Nascimento tropeça é o que chama de "sistema" --uma máquina complexa, impessoal, a gerar dinheiro e votos.
Descobre que o tráfico não é seu maior inimigo, mas sim a estrutura política corrupta. O tal inimigo que havia demorado a identificar.
Se atirasse menos e pensasse mais, Nascimento economizaria cartuchos e entenderia o que é o processo político desde sempre.
Não se pode falar de moralidade como força política porque todos os discursos que a envolvem camuflam interesses de alguém.
Não se pode falar de progresso a menos que se entenda que ele é mais ou menos estimulado de acordo com o poder de diferentes grupos.
Não se pode falar de ideais que modificam o curso das coisas a menos que se entenda que eles representam outro grupo de interesses.
Não se pode falar de governantes, partidos, atores políticos e poderes constituídos, exceto que se perceba que são meios pelos quais operam os grupos de interesses.
Nascimento é alvejado por essa descoberta, uma bala perdida centenária, estruturada por gente como Arthur F. Bentley (1870-1957), em "O Processo do Governo", de 1908. Precisa se reciclar.
E, quando descobre esse inimigo, Nascimento o denuncia em CPI, por meio do discurso no qual o diretor do filme assume o papel de intelectual específico preconizado por Michel Foucault (1926-1984), desdenhado no primeiro filme, numa leitura rasa sobre o papel do Estado como agente opressor.
Disse Foucault que cada luta se desenvolve em torno de um foco particular de poder. Designar os focos, denunciá-los, falar deles publicamente, é uma primeira inversão de poder, é o primeiro passo para outras lutas contra o poder. E é assim que procede Padilha.
Em "Tropa de Elite 2", o coronel Nascimento vem humildemente dar razão a Foucault e pedir para sair.
segunda-feira, outubro 25, 2010
Morre Dona Celeste vodunsi da Casa das Minas
SÃO LUÍS - Morreu nesta segunda-feira (25), aos 86 anos, vítima de uma parada cardíaca, Dona Maria Celeste Santos, vodunsi da Casa das Minas Jeje, em São Luís. Segundo informações, Dona Celeste que usava marca-passo passou mal em casa e foi levada para o hospital Socorrão I, no Centro de São Luís, mas já teria chegado ao local sem vida. O corpo de Dona Celeste foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), e vai ser velado na Casa das Minas que fica na Rua São Pantaleão, no bairro Madre Deus. O enterro vai ser amanhã (26), às 16h, no cemitério do Gavião.
Dona Maria Celeste Santos começou a frequentar a Casa das Minas ainda jovem, em 1950, ao tempo da famosa mãe Andresa, foi iniciada vodunsi-he.
Dando continuidade a uma tradição que vem do século XIX, em 1968, Dona Celeste assumiu a responsabilidade pela organização da festa do Divino na Casa das Minas. Como especialista no assunto, ajudou a organizar essa e muitas outras festas, em várias casas e terreiros de São Luís e Alcântara. Era considerada uma das grandes conhecedoras da Festa do Divino no Maranhão.
Na missa campal que celebrou no aterro do Bacanga, quando visitou o Maranhão em 1991, o Papa João Paulo II recebeu presentes típicos das mãos de diversos representantes do povo maranhense. Dona Celeste ofereceu ao Papa uma pomba branca, símbolo dessa devoção, que em São Luís é assumida principalmente pela religião afro-brasileira.
Em 1993, quando visitou o Benin, a convite de Pierre Verger, participando da cerimônia de inauguração de um monumento que assinalava o local do embarque dos escravos em Ouidah, Dona Celeste entoou cântico da Casa das Minas, que foi reconhecido e acompanhado pelos mais velhos, conhecedores do culto, que estavam presentes.
Dona Maria Celeste dos Santos nasceu em 13 de abril de 1924.
Dona Maria Celeste Santos começou a frequentar a Casa das Minas ainda jovem, em 1950, ao tempo da famosa mãe Andresa, foi iniciada vodunsi-he.
Dando continuidade a uma tradição que vem do século XIX, em 1968, Dona Celeste assumiu a responsabilidade pela organização da festa do Divino na Casa das Minas. Como especialista no assunto, ajudou a organizar essa e muitas outras festas, em várias casas e terreiros de São Luís e Alcântara. Era considerada uma das grandes conhecedoras da Festa do Divino no Maranhão.
Na missa campal que celebrou no aterro do Bacanga, quando visitou o Maranhão em 1991, o Papa João Paulo II recebeu presentes típicos das mãos de diversos representantes do povo maranhense. Dona Celeste ofereceu ao Papa uma pomba branca, símbolo dessa devoção, que em São Luís é assumida principalmente pela religião afro-brasileira.
Em 1993, quando visitou o Benin, a convite de Pierre Verger, participando da cerimônia de inauguração de um monumento que assinalava o local do embarque dos escravos em Ouidah, Dona Celeste entoou cântico da Casa das Minas, que foi reconhecido e acompanhado pelos mais velhos, conhecedores do culto, que estavam presentes.
Dona Maria Celeste dos Santos nasceu em 13 de abril de 1924.
Morre em Londres o cantor jamaicano Gregory Isaacs
Gregory Isaacs é um dos músicos jamaicanos mais consumidos pela massa regueira de São Luís
SÃO LUÍS - Descrito como "uma da vozes mais sofisticadas do reggae", Gregory Isaacs morreu nesta segunda-feira (25), em Londres, de acordo com o filo do artista Kevin Isaacs, [que estará na capital maranhense], no próximo dia 15], repassadas ao cantor jamaicano Noris Collys e o DJ Valdinei, do programa Reggae Point, na rádio Mirante FM. Diagnosticado com câncer de pulmão há um ano, o músico foi responsável pelo disco Night Nurse, o mais famoso de sua carreira, lançado em 1982.
De acordo com Kevin, um comunicado de seu empresário aponta que ele estava com sua família. O músico estava viajando pela Jamaica recentemente antes de retornar ao Reino Unido para ficar com sua mulher, Linda. Em nota, ela diz que "Gregory era muito amado por todos e trabalhou muito para que sua música levasse amor e alegria".
A faixa título de seu álbum mais conhecido ganhou um cover de Sly and Robbie ao lado do Simply Red e chegou na 13ª posição da parada britânica em setembro de 1997.
Gregory teve uma carreira prolífica, lançando mais de 50 álbuns ao longo de quatro décadas. Seu último disco, "Brand New Me", saiu em 2008 e recebeu críticas positivas.
Gregory Isaacs é um dos músicos jamaicanos mais consumidos pela massa regueira de São Luís. Ele esteve na capital maranhense por duas vezes.
SÃO LUÍS - Descrito como "uma da vozes mais sofisticadas do reggae", Gregory Isaacs morreu nesta segunda-feira (25), em Londres, de acordo com o filo do artista Kevin Isaacs, [que estará na capital maranhense], no próximo dia 15], repassadas ao cantor jamaicano Noris Collys e o DJ Valdinei, do programa Reggae Point, na rádio Mirante FM. Diagnosticado com câncer de pulmão há um ano, o músico foi responsável pelo disco Night Nurse, o mais famoso de sua carreira, lançado em 1982.
De acordo com Kevin, um comunicado de seu empresário aponta que ele estava com sua família. O músico estava viajando pela Jamaica recentemente antes de retornar ao Reino Unido para ficar com sua mulher, Linda. Em nota, ela diz que "Gregory era muito amado por todos e trabalhou muito para que sua música levasse amor e alegria".
A faixa título de seu álbum mais conhecido ganhou um cover de Sly and Robbie ao lado do Simply Red e chegou na 13ª posição da parada britânica em setembro de 1997.
Gregory teve uma carreira prolífica, lançando mais de 50 álbuns ao longo de quatro décadas. Seu último disco, "Brand New Me", saiu em 2008 e recebeu críticas positivas.
Gregory Isaacs é um dos músicos jamaicanos mais consumidos pela massa regueira de São Luís. Ele esteve na capital maranhense por duas vezes.
domingo, outubro 24, 2010
Por que a China está errada sobre Liu Xiaobo
HERALD TRIBUNE
Thorbjorn Jagland*
O fato de as autoridades chinesas terem condenado a escolha do ativista político preso Liu Xiaobo como vencedor do Prêmio da Paz de 2010 pelo comitê do prêmio Nobel ilustra, inadvertidamente, por que vale a pena defender os direitos humanos.
As autoridades afirmam que ninguém tem o direito de interferir nos assuntos internos da China. Mas elas estão erradas: a lei e as normas internacionais de direitos humanos estão acima do Estado-nação, e a comunidade tem o dever de assegurar que elas sejam respeitadas.
O sistema de Estado moderno evoluiu a partir da ideia da soberania nacional estabelecida pela paz de Westphalia em 1648. Na época, assumia-se que a soberania deveria ser incorporada por um governante autocrático.
Mas as ideias sobre soberania mudaram com o tempo. A Declaração de Independência Norte-Americana e a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão substituíram o autocrata com a soberania do povo como fonte de poder e legitimidade nacionais.
A ideia de soberania mudou novamente durante o século passado, à medida que o mundo deixou o nacionalismo e partiu para o internacionalismo. A Organização das Nações Unidas, fundada logo após duas desastrosas guerras mundiais, fez com que os estados membros se comprometessem a resolver as disputas de forma pacífica e definiu os direitos fundamentais de todos os povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Estado-nação, diz a declaração, não teria mais um poder final e ilimitado.
Hoje, os direitos humanos universais oferecem uma forma de checar as maiorias arbitrárias em todo o mundo, quer sejam democráticas ou não. Uma maioria no parlamento não pode decidir prejudicar os direitos de uma minoria, nem votar a favor de leis que enfraquecem os direitos humanos. E embora a China não seja uma democracia constitucional, ela é membro da ONU, e fez uma emenda em sua Constituição para cumprir com a Declaração dos Direitos Humanos.
Entretanto, a prisão de Liu é uma prova clara de que a lei criminal chinesa não está alinhada com sua constituição. Ele foi condenado por “espalhar rumores, caluniar ou usar quaisquer outros meios para subverter o poder do Estado e derrubar o sistema socialista”. Mas numa comunidade mundial baseada nos direitos humanos universais, não é tarefa do governo suprimir opiniões e rumores. Os governos são obrigados a garantir o direito à liberdade de expressão – mesmo que quem se expressa defenda um diferente sistema social.
Esses são direitos que o comitê do Nobel defende há tempos, agraciando as pessoas que lutam para protegê-los com o Prêmio da Paz, incluindo Andrei Sakharov por sua luta contra os abusos aos direitos humanos na União Soviética e Martin Luther King Jr. por sua luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Não é de surpreender que o governo chinês tenha criticado duramente o prêmio, alegando que o comitê do Nobel interferiu de forma ilegal com seus assuntos internos e causou humilhação. Pelo contrário, a China deveria se orgulhar de que se tornou poderosa o suficiente para se tornar tema de debate e críticas.
Entretanto, o governo chinês não é o único a criticar o prêmio. Alguns acreditam que dar o prêmio a Liu pode piorar as condições para a oposição na China.
Mas isso é ilógico: esse argumento leva à conclusão de que a melhor forma de promover os direitos humanos é ficar quieto. Se continuarmos quietos em relação à China, qual será o próximo país a reivindicar seu direito pelo silêncio e não-interferência? Isso seria um passo para o precipício do enfraquecimento da Declaração Universal e dos princípios básicos dos direitos humanos. Nós não devemos e não podemos ficar calados. Nenhum país tem direito de ignorar suas obrigações internacionais.
A China tem todos os motivos para se orgulhar do que conquistou nos últimos 20 anos. Queremos que esse progresso continue, e é por isso que demos o Prêmio da Paz para Liu.
Se a China quiser avançar em harmonia com os outros países e se tornar uma parceira-chave para sustentar os valores fundamentais da comunidade mundial, ela precisa primeiro garantir a liberdade de expressão para todos os seus cidadãos.
É uma tragédia que um homem esteja preso há 11 anos simplesmente porque expressou sua opinião. Se quisermos caminhar em direção à fraternidade entre as nações sobre a qual falou Alfred Nobel, os direitos humanos universais precisam ser nosso critério fundamental.
*Thorbjonr Jagland é presidente do Comitê Norueguês do Nobel
Tradução: Eloise De Vylder
Thorbjorn Jagland*
O fato de as autoridades chinesas terem condenado a escolha do ativista político preso Liu Xiaobo como vencedor do Prêmio da Paz de 2010 pelo comitê do prêmio Nobel ilustra, inadvertidamente, por que vale a pena defender os direitos humanos.
As autoridades afirmam que ninguém tem o direito de interferir nos assuntos internos da China. Mas elas estão erradas: a lei e as normas internacionais de direitos humanos estão acima do Estado-nação, e a comunidade tem o dever de assegurar que elas sejam respeitadas.
O sistema de Estado moderno evoluiu a partir da ideia da soberania nacional estabelecida pela paz de Westphalia em 1648. Na época, assumia-se que a soberania deveria ser incorporada por um governante autocrático.
Mas as ideias sobre soberania mudaram com o tempo. A Declaração de Independência Norte-Americana e a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão substituíram o autocrata com a soberania do povo como fonte de poder e legitimidade nacionais.
A ideia de soberania mudou novamente durante o século passado, à medida que o mundo deixou o nacionalismo e partiu para o internacionalismo. A Organização das Nações Unidas, fundada logo após duas desastrosas guerras mundiais, fez com que os estados membros se comprometessem a resolver as disputas de forma pacífica e definiu os direitos fundamentais de todos os povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Estado-nação, diz a declaração, não teria mais um poder final e ilimitado.
Hoje, os direitos humanos universais oferecem uma forma de checar as maiorias arbitrárias em todo o mundo, quer sejam democráticas ou não. Uma maioria no parlamento não pode decidir prejudicar os direitos de uma minoria, nem votar a favor de leis que enfraquecem os direitos humanos. E embora a China não seja uma democracia constitucional, ela é membro da ONU, e fez uma emenda em sua Constituição para cumprir com a Declaração dos Direitos Humanos.
Entretanto, a prisão de Liu é uma prova clara de que a lei criminal chinesa não está alinhada com sua constituição. Ele foi condenado por “espalhar rumores, caluniar ou usar quaisquer outros meios para subverter o poder do Estado e derrubar o sistema socialista”. Mas numa comunidade mundial baseada nos direitos humanos universais, não é tarefa do governo suprimir opiniões e rumores. Os governos são obrigados a garantir o direito à liberdade de expressão – mesmo que quem se expressa defenda um diferente sistema social.
Esses são direitos que o comitê do Nobel defende há tempos, agraciando as pessoas que lutam para protegê-los com o Prêmio da Paz, incluindo Andrei Sakharov por sua luta contra os abusos aos direitos humanos na União Soviética e Martin Luther King Jr. por sua luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Não é de surpreender que o governo chinês tenha criticado duramente o prêmio, alegando que o comitê do Nobel interferiu de forma ilegal com seus assuntos internos e causou humilhação. Pelo contrário, a China deveria se orgulhar de que se tornou poderosa o suficiente para se tornar tema de debate e críticas.
Entretanto, o governo chinês não é o único a criticar o prêmio. Alguns acreditam que dar o prêmio a Liu pode piorar as condições para a oposição na China.
Mas isso é ilógico: esse argumento leva à conclusão de que a melhor forma de promover os direitos humanos é ficar quieto. Se continuarmos quietos em relação à China, qual será o próximo país a reivindicar seu direito pelo silêncio e não-interferência? Isso seria um passo para o precipício do enfraquecimento da Declaração Universal e dos princípios básicos dos direitos humanos. Nós não devemos e não podemos ficar calados. Nenhum país tem direito de ignorar suas obrigações internacionais.
A China tem todos os motivos para se orgulhar do que conquistou nos últimos 20 anos. Queremos que esse progresso continue, e é por isso que demos o Prêmio da Paz para Liu.
Se a China quiser avançar em harmonia com os outros países e se tornar uma parceira-chave para sustentar os valores fundamentais da comunidade mundial, ela precisa primeiro garantir a liberdade de expressão para todos os seus cidadãos.
É uma tragédia que um homem esteja preso há 11 anos simplesmente porque expressou sua opinião. Se quisermos caminhar em direção à fraternidade entre as nações sobre a qual falou Alfred Nobel, os direitos humanos universais precisam ser nosso critério fundamental.
*Thorbjonr Jagland é presidente do Comitê Norueguês do Nobel
Tradução: Eloise De Vylder
sábado, outubro 23, 2010
Natália sobre beijo em Fani: ''Não botei a língua''
O ensaio "lésbico-artístico" entre Fani e Natália Casassola para a "Playboy" continua dando o que falar. Procurada pela coluna, Natália contou que no início ficou assustada com a proposta da revista. "Fiquei chocada porque não sou lésbica, mas encarei como um trabalho artístico", revela. Quando o assunto é o beijo de língua que rolou entre elas, Nat fica na defensiva. "Não botei a língua. Eu fiquei com a boca fechadinha, até fechei os olhos para não ver. Foi aí que Fani encostou a dela no meu lábio. Foi bem caliente", confessa.
O ensaio das ex-BBBs aconteceu num hotel em São Paulo, com fotos de Maurício Nahas. A historinha foi a seguinte: duas mulheres chegam a um hotel vindas de uma balada. Alegrinhas de bebida, se 'pegam' e fazem sexo. "A gente ficou bebendo e fumando a noite toda, no final eu estava acabada".
Além do fotógrafo, seis pessoas da produção acompanharam as fotos que contou também com um banho de uísque dentro de uma banheira de porcelana dourada."Fomos tirando a roupa uma da outra lentamente e depois joguei bebida nela. O ensaio vai satisfazer o fetiche dos homens e atrair também a curiosidade das mulheres e do público GLS", aposta a beldade, que atualmente mora em Florianópolis, onde apresenta o programa "Clube do Champanhe", numa afiliada da TV Globo em Santa Catarina.
Cachê de R$ 400 mil
A coluna teve acesso aos valores do contrato que Fani Pacheco e Natália Casassola assinaram com a “Playboy” de novembro. As ex-BBBs vão ganhar, cada uma, R$ 400 mil mais uma porcentagem por vendas cerca de R$ 2 por revista vendida. Fani ganhou o mesmo cachê em 2007. Já Natália está embolsando o dobro do que ganhou quando posou em 2008.
O ensaio das ex-BBBs aconteceu num hotel em São Paulo, com fotos de Maurício Nahas. A historinha foi a seguinte: duas mulheres chegam a um hotel vindas de uma balada. Alegrinhas de bebida, se 'pegam' e fazem sexo. "A gente ficou bebendo e fumando a noite toda, no final eu estava acabada".
Além do fotógrafo, seis pessoas da produção acompanharam as fotos que contou também com um banho de uísque dentro de uma banheira de porcelana dourada."Fomos tirando a roupa uma da outra lentamente e depois joguei bebida nela. O ensaio vai satisfazer o fetiche dos homens e atrair também a curiosidade das mulheres e do público GLS", aposta a beldade, que atualmente mora em Florianópolis, onde apresenta o programa "Clube do Champanhe", numa afiliada da TV Globo em Santa Catarina.
Cachê de R$ 400 mil
A coluna teve acesso aos valores do contrato que Fani Pacheco e Natália Casassola assinaram com a “Playboy” de novembro. As ex-BBBs vão ganhar, cada uma, R$ 400 mil mais uma porcentagem por vendas cerca de R$ 2 por revista vendida. Fani ganhou o mesmo cachê em 2007. Já Natália está embolsando o dobro do que ganhou quando posou em 2008.
terça-feira, outubro 19, 2010
LIVROS ESSENCIAIS
Como qualquer lista de livros importantes, a das “obras essenciais para a humanidade” não passa de mero exercício de subjetividade. Por mais que sejam utilizados métodos especializados de seleção, acredito que sempre alguém vai bradar da platéia: “Ah, faltou aquela obra-prima”.
Há alguns dias, deparei-me com o volume 1 da “Coleção Super Essencial” – da revista Super Interessante, publicada pela Editora Abril. O título dessa edição especial é justamente “101 livros que mudaram a humanidade”. Do alto da minha experiência de leitor inveterado e formador de biblioteca (a minha, logicamente), posso dizer que tenho meus pontos de discordância e de concordância a respeito do que vi.
Depois de um cara ou coroa básico, resolvi começar pelas discordâncias. Logo de cara, talvez escandalize os mais puritanos: para mim, “Dom Casmurro” não pode ser relacionado como uma das obras que modificaram a espécie humana. A justificativa dos autores da revista: “Machado de Assis criou personagens-símbolo na literatura mundial (o livro foi traduzido para 19 idiomas) e é um dos marcos do realismo na literatura brasileira. O escritor explora todas as nuances psicológicas de seus personagens, que carregam traços ao mesmo tempo de heroísmo e fragilidade e sentimentos contraditórios, como amor e ódio”. Marco do realismo na literatura brasileira? Perfeito. Quanto às “nuances psicológicas”, não foi melhor do que Henry James – considerado sua contraparte européia. Mesmo a eterna dúvida da infidelidade de Capitu jamais me pareceu forte o suficiente para se colocar na lista de “grandes enigmas humanos”.
Outra obra cuja presença na lista do especial discuto com veemência: “Frankenstein”. Explicação da revista: “Surgido após um período de grande avanço das ciências, o movimento romântico foi em boa parte uma reação à idéia do Universo concebido como máquina. ‘Frankenstein’ foi a mais contundente crítica a esse novo cientificismo, que tudo desejava explicar e dominar”. Meu ponto de vista: apesar desse viés que já se aproxima do que um dia viria a ser entendido como “linguagem moderna”, o (ótimo) romance de Mary Shelley é radicalmente uma história de terror. Mas não é a história de terror. Esse papel atribuo tranqüilamente a “Drácula”. Além de conter o tal cientificismo abordado por Shelley, ainda é uma história de amor por excelência – de amor eterno, sobrevivente às maresias do tempo.
Passemos às concordâncias. Preciso dizer que a revista acertou em cheio com “Dom Quixote”? É a grande comédia da história da literatura. O grande romance de aventuras. O grande drama. A mescla perfeita entre maneirismo e barroco. O deslocamento da trama do patético para o burlesco. Vejo também na lista “On the Road – Pé na Estrada”, de Jack Kerouac. A obra-prima da famosa “Geração Beat”, cujos participantes foram por assim dizer os ancestrais do movimento hippie. Afinal de contas, os poetas, escritores e artistas que dela fizeram parte simplesmente um dia “pegaram a viola, colocaram na sacola e foram viajar”. E nessa aventura de girar pelos Estados Unidos por estradas por eles até então desconhecidas, foram criando aqui e acolá sociedades alternativas, nas quais os limites impostos eram os estabelecidos pela criatividade de elementos como Allen Ginsberg e o próprio Kerouac.
No fim das contas, entre acordos e desacordos, tenho a lamentar o esquecimento de obras basilares para a literatura mundial. Como deixar de lado “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez? Ou então “Os irmãos Karamázov”, de Dostoiévsky? Colocaram “Dom Casmurro” na lista. Muito bem. Mas eu acharia melhor a inclusão de “Memórias póstumas de Brás Cubas”. Escolheram “Orlando”, de Virginia Woolf. Pois eu preferia ver no lugar desse livro qualquer dos romances de Jorge Amado. Tenho certeza de que você aí tem as suas preferências.
Qual foi o grande livro que alterou seu jeito de ser e de refletir antes de modificar esta vã humanidade?
Há alguns dias, deparei-me com o volume 1 da “Coleção Super Essencial” – da revista Super Interessante, publicada pela Editora Abril. O título dessa edição especial é justamente “101 livros que mudaram a humanidade”. Do alto da minha experiência de leitor inveterado e formador de biblioteca (a minha, logicamente), posso dizer que tenho meus pontos de discordância e de concordância a respeito do que vi.
Depois de um cara ou coroa básico, resolvi começar pelas discordâncias. Logo de cara, talvez escandalize os mais puritanos: para mim, “Dom Casmurro” não pode ser relacionado como uma das obras que modificaram a espécie humana. A justificativa dos autores da revista: “Machado de Assis criou personagens-símbolo na literatura mundial (o livro foi traduzido para 19 idiomas) e é um dos marcos do realismo na literatura brasileira. O escritor explora todas as nuances psicológicas de seus personagens, que carregam traços ao mesmo tempo de heroísmo e fragilidade e sentimentos contraditórios, como amor e ódio”. Marco do realismo na literatura brasileira? Perfeito. Quanto às “nuances psicológicas”, não foi melhor do que Henry James – considerado sua contraparte européia. Mesmo a eterna dúvida da infidelidade de Capitu jamais me pareceu forte o suficiente para se colocar na lista de “grandes enigmas humanos”.
Outra obra cuja presença na lista do especial discuto com veemência: “Frankenstein”. Explicação da revista: “Surgido após um período de grande avanço das ciências, o movimento romântico foi em boa parte uma reação à idéia do Universo concebido como máquina. ‘Frankenstein’ foi a mais contundente crítica a esse novo cientificismo, que tudo desejava explicar e dominar”. Meu ponto de vista: apesar desse viés que já se aproxima do que um dia viria a ser entendido como “linguagem moderna”, o (ótimo) romance de Mary Shelley é radicalmente uma história de terror. Mas não é a história de terror. Esse papel atribuo tranqüilamente a “Drácula”. Além de conter o tal cientificismo abordado por Shelley, ainda é uma história de amor por excelência – de amor eterno, sobrevivente às maresias do tempo.
Passemos às concordâncias. Preciso dizer que a revista acertou em cheio com “Dom Quixote”? É a grande comédia da história da literatura. O grande romance de aventuras. O grande drama. A mescla perfeita entre maneirismo e barroco. O deslocamento da trama do patético para o burlesco. Vejo também na lista “On the Road – Pé na Estrada”, de Jack Kerouac. A obra-prima da famosa “Geração Beat”, cujos participantes foram por assim dizer os ancestrais do movimento hippie. Afinal de contas, os poetas, escritores e artistas que dela fizeram parte simplesmente um dia “pegaram a viola, colocaram na sacola e foram viajar”. E nessa aventura de girar pelos Estados Unidos por estradas por eles até então desconhecidas, foram criando aqui e acolá sociedades alternativas, nas quais os limites impostos eram os estabelecidos pela criatividade de elementos como Allen Ginsberg e o próprio Kerouac.
No fim das contas, entre acordos e desacordos, tenho a lamentar o esquecimento de obras basilares para a literatura mundial. Como deixar de lado “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez? Ou então “Os irmãos Karamázov”, de Dostoiévsky? Colocaram “Dom Casmurro” na lista. Muito bem. Mas eu acharia melhor a inclusão de “Memórias póstumas de Brás Cubas”. Escolheram “Orlando”, de Virginia Woolf. Pois eu preferia ver no lugar desse livro qualquer dos romances de Jorge Amado. Tenho certeza de que você aí tem as suas preferências.
Qual foi o grande livro que alterou seu jeito de ser e de refletir antes de modificar esta vã humanidade?
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