"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
segunda-feira, julho 04, 2011
A MORTE REDIME
Lembro de quando morreu Leonel Brizola. A respeito dele, comentou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
"O Brasil perdeu uma importante referência que marcou a história de meio século. Todo mundo sabe que, ainda nos momentos de divergência, sempre nutri um profundo respeito e admiração pela história política de Brizola."
E Brizola foi um dos políticos mais truculentos de que se tve notícia na política deste país.
Agora, temos Itamar Franco. Não foi dos piores. Teve o mérito de pelo menos tentar colocar o país nos eixos enquanto ainda se recuperava do caos propiciado pela descoberta das falcatruas cometidas por Paulo César Farias e o impeachment de Collor.
Ora, pitombas: o homem ainda esboçou a ressurreição do nosso velho e querido Fusca!
Mas também um dia cercou a sede do Executivo estadual mineiro com blindados da Polícia Militar apenas porque se considerava alvo de "perseguições".
E devemos lembrar o "episódio Lilian Ramos", a "periguete" que dançou ao lado do presidente Itamar na Marquês de Sapucaí vestindo apenas uma camisa. Para quem não sabe da missa a metade, a danada estava sem calcinha! E já havia sido uma obscura capa da Playboy em mil novecentes e não interessa. E desapareceu depois de ter colhido as benesses desses 15 minutos fama. Dela, não se tem notícia. Itamar terá seu nome registrado nos livros de história como um "grande estadista".
Porque a morte tem esse dom de resgatar os maiores personagens da história republicana de suas iras e imperfeições.
"As novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente", diz Regina Duarte sobre a teledramaturgia atual
Do UOL, no Rio
Na TV há 46 anos, Regina Duarte, de 64, sabe que não é fácil fazer novela de sucesso. Em entrevista ao portal UOL, a atriz – que está no ar na reprise da novela “Vale Tudo”, do canal Viva, e poderá ser vista, em breve, em “Roque Santeiro”, também do canal Viva, e “O Astro”, da Globo – diz que a teledramaturgia sofreu um desgaste natural, mas, apesar disso, ainda defende o gênero. “De vez em quando vem um ‘Cordel Encantado’, uma ‘A Favorita’, mas em geral as novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente”, afirma.
Para ela, faz parte do processo de evolução da teledramaturgia patinar de vez em quando e, de repente, ter um avanço criativo extraordinário. “Não dá para querer estar sempre fazendo sucesso. Nunca foi assim. Quantas novelas foram feitas e que nunca vão virar remake? É humano acertar e errar, é o que a gente faz o tempo todo”, argumenta ela, confessando, contudo, que tem se surpreendido com a audiência de “Vale Tudo”. “A repercussão é enorme. É como se eu estivesse no ar na novela das nove”, afirma, aos risos.
Em “O Astro”, que estreia dia 12 de julho, Regina vai dar vida à fútil e fofoqueira Clô Hayalla, papel que coube à atriz Tereza Rachel no folhetim homônimo exibido em 1977 na emissora. Para encarnar a perua, ela revela que perdeu três quilos e meio. “Quis emagrecer porque a Clô é uma mulher elegante. E o rosto mais fino fotografa melhor”, justifica.
Na história, adaptada da obra de Janete Clair, Clô é casada com o poderoso Salomão Hayalla (Daniel Filho), que só pensa em trabalho e não liga a mínima para ela. Além de ter de lidar com a indiferença do marido, a dondoca ainda tem problemas com o único filho, Márcio (Thiago Fragoso), que apesar de milionário, é completamente desapegado de seus bens materiais.
Para fugir dessa realidade, a personagem começa a ter um caso com o jovem e ambicioso Felipe Cerqueira (Henri Castelli). “Ela trai porque quer se vingar do abandono em que se encontra em função do descaso e da agressividade, dos maus-tratos do marido”, adianta Regina, acrescentando que, ao contrário de Clô, não se interessaria por um homem muito mais novo do que ela. “Não faz a minha cabeça. Já fui casada com uma pessoa dez anos mais nova que eu, mas sempre me senti mais nova que ele”, conta, às gargalhadas. Leia, a seguir, a entrevista completa com Regina Duarte:
UOL – Como você definiria a sua atual fase na TV?
Regina Duarte – É um momento glorioso. Tem “Vale Tudo”, agora vem “Roque Santeiro” [a reprise da novela estreia dia 18 de julho, no canal Viva], “O Astro"...
UOL – Você assiste à reprise de “Vale Tudo” no canal Viva?
Regina Duarte – Eu assisto 60% dos capítulos e a repercussão é enorme. É como se se eu estivesse no ar na novela das nove [risos]. As pessoas me reconhecem demais. Antes de “Vale Tudo”, dificilmente me reconheciam sem maquiagem, sem estar montada. Mas agora, me reconhecem de qualquer jeito. Me param, sinto um carinho enorme, é uma repercussão fantástica.
UOL – Em “O Astro”, você vai interpretar Clô Hayalla, personagem que teve bastante destaque quando foi interpretado por Tereza Rachel, em 1977. Como está sendo reviver um papel tão marcante?
Regina Duarte – Eu me sinto agradecida à TV Globo por me proporcionar mais essa grandiosa experiência como atriz.
UOL – Você assistiu à novela em 1977?
Regina Duarte – Não. Na época, eu estava viajando o norte e o nordeste com o espetáculo “O Santo Inquérito”, do Dias Gomes. A gente se apresentava no horário da novela e não havia o recurso da internet, para rever os capítulos. Vi muito pouco e não me lembro, foi um momento bastante turbulento da minha vida. Viajar com uma peça é extremamente tumultuado. Foi um ano difícil. Tem um lado bom porque estou com a minha intuição e muita liberdade, sem referência nenhuma. Por outro lado, admiro demais a Teresa Rachel. E sei que foi uma interpretação magistral.
UOL – Na história, a Clô é uma mulher que não se sente amada pelo marido e acaba se envolvendo com o Felipe [Henri Castelli], rapaz anos mais novo que ela. Como será essa relação?
Regina Duarte – Até onde eu sei, a Clô não se apaixona por esse garoto. Ela está carente e com raiva do marido. Ela faz isso como uma vingança – muitas mulheres fazem isso quando se sentem incompreendidas pelos maridos. O caso da Clô é um pouco por aí. As intenções dele [Felipe] são econômicas, mas as dela são de vingança. É uma mulher que o marido nem olha, só olha para o trabalho. Ela também está num momento de desequilíbrio porque o filho é internado num hospital psiquiátrico.
UOL – Mas ela sabe que o Felipe só está com ela por interesse?
Regina Duarte – No primeiro encontro ela já percebe que ele está interessado no dinheiro dela. Mas o que ela quer é se vingar do abandono em que se encontra em função do descaso, da agressividade e dos maus-tratos do marido.
UOL – Você acredita na relação de uma senhora com um jovem?
Regina Duarte – Claro que acredito. E dá certo! Não me impressiona. Mas eu não me envolveria numa relação assim. Não faz a minha cabeça. Já fui casada com uma pessoa dez anos mais nova que eu, mas sempre me senti mais nova que ele [risos]. Mas foi o máximo, mais que isso eu não fiz.
UOL – O que você acha da obra de Janete Clair?
Regina Duarte – Ah, eu acho o máximo! A Janete era minha fada madrinha, fiz muita coisa dela. Tenho uma identificação com as obras dela! É a autora que melhor traduz o espírito do folhetim, da telenovela. Ninguém soube fazer isso como ela. Estar novamente em uma obra adaptada, que está sendo atualizada, está me deixando encantada. E aquela fantasia, a falta de pudor e de viajar no sonho é fantástica.
UOL – Você acha que a magia das telenovelas se perdeu?
Regina Duarte – O gênero teve um desgaste natural. De vez em quando vem um “Cordel Encantado”, uma “A Favorita”, mas em geral as novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente. Acho que faz parte do processo de evolução patinar de vez em quando e, de repente, ter um avanço criativo extraordinário. Não dá para querer estar sempre fazendo sucesso. Nunca foi assim. Quantas novelas foram feitas e que nunca vão virar remake? É humano acertar e errar, é o que a gente faz o tempo todo.
UOL – Mas então a que você atribui esse sucesso todo das reprises do “Viva”?
Regina Duarte – Quem vê “Vale Tudo” e revê é como fazer um flashback da sua própria vida. Isso é muito bonito. É como usar um perfume com 16 anos e voltar a usar aos 40. Quando você puser, vai se sentir de novo com 16 [risos].
UOL – “O Astro” trata de astrologia, vidência, telepatia e mágica. Você acredita nessas coisas?
Regina Duarte – Acredito em tudo [risos]. Acho o ser humano infinito em suas capacidades.
UOL – Já foi a astrólogos, tarólogos ou cartomantes?
Regina Duarte – Nunca fui. Para não dizer que não, uma amiga me levou em Miami, numa cubana. Mas foi um programa de lazer. Ela até acertou, mas em frases que cabiam para todo mundo. Ela me disse: “Você precisa parar de se preocupar com os outros e se preocupar mais com você” [risos].
UOL – Foi veiculado na imprensa que você fez tratamentos para rejuvenescer. O que você fez?
Regina Duarte – Eu ganhei um tratamento de sessões de laser que nem sei o nome. Cheguei a fazer dois. É isso. E fiquei muito bem. Estou melhor? Alguém nota? Eu me sinto muito bem! [risos].
UOL – Mas você já colocou botox, fez preenchimento ou outros tratamentos?
Regina Duarte – Nunca fiz botox. Preciso de toda a minha musculatura livre! Preciso de expressões.
UOL – Você lida bem com o envelhecimento?
Regina Duarte – Envelhecer não é fácil, mas a gente tem de enfrentar. Estou ficando velhinha e vou ficar cada vez mais. Vocês vão ter de me aguentar assim [risos]. E eu também vou ter de me aguentar assim.
UOL – Você teve de fazer alguma mudança de visual para interpretar a Clô?
Regina Duarte – Perdi três quilos e meio em três meses. Mas porque quis. A Clô é uma mulher elegante e o rosto mais fino fotografa melhor no vídeo.
UOL – O que fez para perder peso em tão pouco tempo?
Regina Duarte – Só diminuí as porções, passei a beber muita água e a comer de três em três horas, mesmo sem fome. Com duas colheres de arroz, uma colher de caldo de feijão e um pedaço de bife fico plena. Açúcar é difícil, não consigo cortar. Pelo menos no café. Mas tirei bolo e doces. E como pão só uma vez por dia, até três da tarde. Depois, não mais.
UOL – Você faz exercícios?
Regina Duarte – Faço, mas não tenho feito. Deveria fazer mais, pelo menos caminhar uns 40 minutos umas quatro vezes por semana. É muito importante. Quanto mais exercício você faz, mais energia tem. Se eu passar uma semana sem fazer uma caminhada, deprimo. Não consigo levantar de manhã, fico naquela onda “viver dá muito trabalho”.
domingo, julho 03, 2011
Aliado, Chomsky contesta venezuelano
americana pede que presidente liberte juíza em prisão domiciliar
Acusada de corrupção por libertar banqueiro, a magistrada
María Lourdes Afiuni diz que o processo é político
CLAUDIA ANTUNES
DO RIO
O linguista Noam Chomsky, ícone da esquerda americana, divulga hoje na Venezuela carta aberta pela libertação da juíza María Lourdes Afiuni, 48, detida desde dezembro de 2009 sem julgamento.
Acusada de corrupção pelo próprio presidente Hugo Chávez após conceder liberdade condicional a um empresário, a juíza diz que o processo contra ela é político.
"Numa época em que o mundo se vê sacudido por clamores de liberdade, a detenção (...) sobressai como uma exceção flagrante que deve ser remediada rapidamente, pelo bem da justiça e dos direitos humanos em geral e para afirmar o papel honrado da Venezuela nestas lutas", afirma a carta.
A Folha teve acesso antecipado ao texto, que deve causar impacto devido à admiração declarada do presidente por Chomsky.
Em 2006, na ONU, o venezuelano recomendou a leitura de "O Império Americano: Hegemonia ou Sobrevivência" (Campus), livro do linguista. Os dois se encontraram em Caracas há dois anos.
Em entrevista à Folha, Chomsky se disse "empolgado" com a esquerda sul-americana, mas afirmou que as denúncias sobre a falta de independência do Judiciário na Venezuela "merecem ser levadas muito a sério".
O professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) vinha há sete meses tentando uma mediação discreta em favor da juíza, a pedido do Centro Carr de Políticas de Direitos Humanos, da Universidade Harvard.
Ele enviou três apelos ao venezuelano, sem resposta. Em janeiro, porém, Afiuni passou à prisão domiciliar após operação para remover o útero. Leonardo Vivas, do Centro Carr, avalia que o pedido "cordial, mas firme" de Chomsky pode ter pesado.
A decisão de divulgar uma carta agora foi tomada antes de Chávez anunciar que está com câncer. O centro e Chomsky resolveram levá-la adiante, e o linguista disse que espera a "pronta e total" recuperação do venezuelano.
O texto sairá hoje no jornal "Ultimas Noticias", o de maior circulação na Venezuela e o único que não faz oposição sistemática a Chávez.
Ele pede um "gesto de clemência", sob a forma de "perdão oficial". Menciona o "tratamento degradante" a Afiuni na prisão, onde ficou com mulheres que havia condenado e foi ameaçada.
A carta não entra no mérito da acusação contra a juíza, detida após libertar o banqueiro Eligio Cedeño, ex-aliado do governo acusado de fraude cambial e hoje asilado nos EUA. Afiuni foi acusada de receber suborno dele e infringir normas processuais.
A acusação de suborno não foi provada pela Promotoria. A juíza afirma que ditou o habeas corpus porque o prazo legal de detenção de Cedeño sem julgamento (ele foi preso em 2006) se esgotara.
sábado, julho 02, 2011
HEMINGWAY VIVE
Eu li esse livro de crônicas pela primeira vez aos 15 anos. Nele, Ernest Hemingway já vive de seu ofício de escritor. Abandonara conscientemente o jornalismo para ganhar a vida exclusivamente com o dinheiro que porventura recebesse com seus contos, romances e material de free lancer. Ainda não conseguiu a consagração. A fama só viria bem mais tarde. E quando se faz esse tipo de afirmação pensa-se logo na celebrização propiciada pelo falecimento. Penso ter sido exatamente isso o que aconteceu com Hemingway.
Hoje em dia, quantos de nós podem se dar ao luxo de largar um emprego - qualquer que seja - para sobreviver explorando a própria vocação - ou a de outrem? Para não fugir do assunto: quantos escritores, aqui no Brasil, tem como única tarefa capaz de lhe garantir o pão de cada dia a arte de diariamente remover a neve da folha de papel? Entendo ser mais comum esse tipo de fenômeno no Estados Unidos. Os exemplos são poucos, mas importantes: Tom Clancy, Stephen King, Ken Follet. Ganharam rios de dinheiro com os frutos de sua imaginação essencialmente literária. Tenho certeza de aqui no Brasil não é possível a repetição de tal fenômeno.
Há poucos minutos, fiquei sabendo que 2011 marca meio século de falecimento do autor de "Adeus às armas". Para quem não sabe, Hemingway tirou a própria vida com um disparo de sua pistola. Até onde sei sobre esse suicídio, foi possibilitado porque, para Ernest, o poço literário havia secado. Para quem escreve, isso é o pior que pode acontecer. Li há seis meses um romance em dois volumes intitulado "Saco de ossos", no qual o protagonista - um escriba, naturalmente - começa a sofrer do tal do "bloqueio de escritor" após a morte da esposa. O personagem, após um montão de peripécias, conseguiu se recuperar. Ernest não pode dizer o mesmo. Ou até pode, desde que se comunique por meio de uma necessária sessão espírita.
Por ele ter participado dela, a guerra foi um tema recorrente na obra de Hemingway. E foi por causa dela que nasceu a famosa expressão "geração perdida" - um rótulo maldoso carimbado pela triste Gertrude Stein aos jovens que sobreviveram ao inferno das batalhas e que desafortundadamente não foram tratados como heróis na volta para casa. Esse rótulo foi um dos motivos pelos quais Francis Scott Fitzgerald também encontrou sua perdição como prosador. O outro foi a esposa dele, uma mulher bela e neurótica. Tudo isso está retratado em "Paris é uma festa". Penso em retirá-lo hoje da minha desorganizada estante cheia de livros. Afianl de contas, escritores como Hemingway de vez em quando precisam ser retirados do limbo destinado aos mestres dos quais ninguém mais se ocupa - a exemplo dos maranhenses Coelho Neto e Humberto de Campos.
Porque a imortalidade nas letras é isso: encontrar pelo menos um leitor disposto a entrar em bibliotecas improváveis atrás de alfarrábios esfarelados produzidos por genialidades que iluminaram determinada época e que se apagaram em razão da ignorância e do desprezo das gerações posteriores.
quinta-feira, junho 30, 2011
Renascimento marca nova função dos castelos
da riqueza do poder centralizado
Na França, Versalhes e Fontainebleau são dois exemplos
de obras pós-medievais; próximos a Paris, têm fácil acesso
JOÃO BATISTA NATALI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Durante a Idade Média, os castelos reais eram fortificados porque, numa terminologia atual, os países só permaneceriam soberanos caso nenhum inimigo conseguisse sequestrar ou matar o rei.
Com o Renascimento e o absolutismo, a pólvora e os canhões tornaram inúteis as fortificações. A função do castelo passou a ser outra. Ele virou símbolo da opulência do poder centralizado. Os castelos franceses de Fontainebleau e de Versalhes são dois exemplos de construções pós-medievais.
Estão localizados perto de Paris, facilmente acessíveis por trem.
Fontainebleau está associado a Francisco 1º (1494-1547), e Versalhes, a Luís 14 (1638-1715).
Transformados em imensos museus, eles são os maiores e mais interessantes em meio a uma dúzia de castelos que em algum momento, na França, funcionaram como residência real.
O caso de Fontainebleau é bastante curioso. Um dos moradores do antigo castelo, demolido no século 16, foi nada menos Luís 9º, mais conhecido por são Luís, que morreu em 1270 na África do Norte, durante a oitava Cruzada, e depois virou santo católico.
Francisco 1º, seu filho, Henrique 2º, e a viúva deste, Catarina de Médicis, construíram um novo castelo, em operação entregue a arquitetos, escultores e pintores italianos. O Renascimento, na história das artes francesas, deu-se em Fontainebleau. Entre Luís 14 e Luís 16, já no final do século 18, o castelo virou residência de verão da corte. Também abrigou Napoleão Bonaparte e Napoleão 3º, deposto em 1870.
Entre os 60 ambientes indicados pelos historiadores da arte, há a galeria Francisco 1º, com 60 m de comprimento e 6 m de largura, a capela da Trindade, os apartamentos da rainha-mãe e do papa, o salão da torre, a câmara oval, a antecâmara da rainha ou o salão branco.
Versalhes já é uma construção mais coerente e harmônica, bem maior que Fontainebleau. Luís 14 passou a ocupá-la em 1682. É algo imenso, com 2.300 cômodos, dos quais menos da metade é visitável com a compra da entrada do museu. Literalmente imperdíveis são a galeria dos espelhos, os apartamentos do rei e os da rainha, a capela e a ópera real.
A manutenção do castelo -ele hospedava também parte da nobreza- consumia quase todo o orçamento oficial no fim do reino de Luís 16. Veio a crise fiscal, e a França faliu. O rei convocou os Estados Gerais para resolver o problema. Deu no que deu: a Revolução Francesa, o fim da monarquia e o colapso do Antigo Regime.
terça-feira, junho 28, 2011
Maradona denuncia fraudes de Grondona e dirigentes que teriam levado River Plate ao descenso
Das agências internacionais
De Buenos Aires (Argentina)
O argentino Diego Armando Maradona apresentou uma denúncia contra o presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, e ex-dirigentes do River Plate por suposta administração fraudulenta, fato que teria desencadeado problemas financeiros e culminado na queda do clube para a segunda divisão nacional. A informação foi confirmada por fontes judiciais.
Segundo Alejandro Sánchez, advogado de Maradona responsável pela ação, Grondona e o ex-presidente do River Plate, José María Aguilar, entre outros dirigentes, são responsáveis por inúmeros delitos e uma conduta omissa.
"Os responsáveis pela direção do River Plate, ao lado da entidade que rege o futebol argentino, são culpados por terem prejudicado o patrimônio do clube e aumentando a crise, levando o mesmo ao descenso de sua categoria", assegurou.
A imprensa esportiva local calcula que o clube argentino tem uma dívida aproximada de US$ 50 milhões. Aguilar presidiu o River Plate entre 2001 e 2009, quando foi sucedido pelo ex-técnico Daniel Passarella, que acusou uma grave situação econômica assim que assumiu o clube.
C. Alberto chama Tostão de demagogo em polêmica sobre aposentadoria para campeões
Bruno Freitas
Em São Paulo
À espera de um desfecho, a aposentadoria para os jogadores campeões mundiais pela seleção prometida pelo Governo Federal ainda na gestão Lula suscita debate acalorado mesmo dentro deste rol seleto de ídolos das Copas. Recém nomeado presidente de honra da associação que cuida dos interesses destes atletas, Carlos Alberto Torres qualificou como demagógica a posição do ex-companheiro de 1970 Tostão, que manifestou publicamente que abrirá mão do dinheiro, caso ele realmente seja oferecido.
"É um demagogo, pode escrever aí. O Tostão não precisa ficar falando. Ele teve mais sorte que do os outros, é médico, não sei nem se é ele que escreve aquela coluna lá no jornal. Mas tem gente que não foi preparada. Esse filho da p... deveria falar algum tipo de verdade. Não gosto nem de falar", comentou Torres.
"Demagógica? Não sou bilionário. Só entendo que o governo não pode pegar dinheiro e distribuir assim [sem critérios]. E os campeões de outros esportes, as outras classes? Um artista que elevou o nome do Brasil também poderia pedir esse benefício. Mesmo assim, entendo também que a carreira de um jogador tem suas particularidades, precisa realmente ser amparada de um jeito diferente", rebate Tostão, que reforçou à reportagem do UOL Esporte que recusaria o auxílio financeiro em caso de aprovação.