segunda-feira, setembro 29, 2008

Jeder für sich und Gott gegen alle

Jeder für sich und Gott gegen alle (br: O enigma de Kaspar Hauser) é um dos mais celebrados filmes do diretor Werner Herzog. O trabalho, cujo título significa, em tradução literal, "cada um por si e Deus contra todos", narra a história de Kaspar Hauser, uma criança abandonada envolta em mistério, encontrada na Alemanha do século XIX, com alegadas ligações à família real de Baden.
O filme inicia mostrando um jovem acorrentado em um porão, alimentado por um homem misterioso. O prisioneiro brinca com um cavalo de madeira, e o nome do objeto é a única palavra que pronuncia: cavalo. O homem quer que o jovem aprenda e escrever e lhe dá papel e tinta. O jovem aprende a escrever seu nome, Kaspar Hauser.
Depois, o misterioso homem retira Kaspar do porão durante a noite e o deixa numa cidade próxima, em 1828, com uma carta para o oficial da guarda. Perplexos com a figura, os moradores o deixam prisioneiro numa torre. O rapaz não é violento e se mostra inteligente, surgindo rumores de que ele pertença à nobreza. Durante dois anos, ele amplia seu vocabulário ensinado por uma família que o ajuda e por um padre. Ele aprende facilmente música, tricô e jardinagem, mas é um fracasso em compreender as convenções da época, principalmente às ligadas à sociedade, ciência e religião.

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER





Kaspar Hauser (provável 30 de Abril de 181217 de Dezembro de 1833 em Ansbach, Mittelfranken) foi uma criança abandonada, envolta em mistério, encontrada na praça Unschlittplatz em Nuremberg, Alemanha do século XIX, com alegadas ligações com a família real de Baden.


Hauser passou os primeiros anos de sua vida aprisionado numa cela, não tendo contato verbal com nenhuma outra pessoa, fato esse que o impediu de adquirir uma língua. Porém, logo lhe foram ensinadas as primeiras palavras, e com o seu posterior contato com a sociedade, ele pôde paulatinamente aprender a falar, da mesma maneira que uma criança o faz. Afinal, ele havia sido destituído somente de uma língua, que é um produto social da faculdade de linguagem, não da própria faculdade em si. A exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala, mas de uma série de conceitos e raciocínios, o que fazia, por exemplo, que Hauser não conseguisse diferenciar sonhos de realidade durante o período em que passou aprisionado.


Hauser, supostamente com quinze anos de idade, foi deixado em uma praça pública de Nuremberg, em 26 de maio de 1828, com apenas uma carta endereçada a um capitão da cidade, explicando parte de sua história, um pequeno livro de orações, entre outros itens que indicavam que ele provavelmente pertencia a uma família da nobreza.


Entre as idiossincracias originadas pelos seus anos de solidão, Hauser odiava comer carne e beber álcool, já que aparentemente havia sido alimentado basicamente por pão e água. Aprendeu a falar, a ler e a se comportar, e a sua fama correu a Europa, tendo ficado conhecido à época, como o "filho da Europa". Obteve um desenvolvimento do lado direito do cérebro notadamente maior que o do esquerdo, o que teoricamente lhe proporcionou avanços consideráveis no campo da música.


Hauser foi assassinado com uma facada no peito, em dezembro de 1833, nos jardins do palácio de Ansbach. As circunstâncias e motivações ou autoria do crime jamais foram esclarecidas, apesar da recompensa de 10.000 Gulden (c. 180.000,00 Euros) oferecida pelo rei Luís I da Baviera.
A sua história foi representada no filme de Werner Herzog, "Jeder für sich und Gott gegen alle" (em língua portuguesa, "Cada um por si e Deus contra todos"), de 1974, lançado no Brasil com o título "O Enigma de Kaspar Hauser".

sábado, setembro 27, 2008

Morre, aos 83 anos, o ator Paul Newman



SÃO PAULO - O ator norte-americano Paul Newman, de 83 anos, faleceu na sexta-feira nos Estados Unidos noticiou neste sábado (27) o jornal 'The Oregonian' e a agência de notícias Associated Press. O ator lutava contra um câncer de pulmão.

Na primeira semana de agosto, o jornal “The Daily Mail” divulgou que Newman teria poucas semanas de vida e pediu aos seus familiares para deixar o hospital e morrer em casa. O jornal citava como fonte um “amigo da família".

Newman tinha três filhas com Joanne Woodward, com quem foi casado por 40 anos, e outras duas de seu primeiro casamento com Jackie White. Há um mês, a imprensa noticiou que o ator teria pedido para sua filha mais velha, Nell, cuidar dos negócios da família.

Newman anunciou há pouco mais de um ano que estava se aposentando da carreira devido à sua idade. Ele atuou em cerca de 60 filmes. Ao todo, recebeu nove indicações ao Oscar, mas só levou a estatueta de melhor ator em 1986, pelo filme "A cor do dinheiro", no qual fez o mesmo papel pelo qual foi indicado ao prêmio em 1961, no filme "Desafio à corrupção".

Newman também dirigiu carros de corrida e criou uma linha de produtos alimentícios, a "Newman's Own", que tem seu nome e seu rosto nos rótulos - os lucros são integralmente doados para a caridade.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Frei Caneca

"Com uma pesada corrente de ferro no pescoço o prisioneiro ia andando devagar. Estava descalço, usava uma batina suja e rasgada, vigiado por soldados bem armados. Em direção ao porto, caminhava em silêncio. A Revolução Pernambucana tinha sido esmagada, mas a idéia de libertar a província do poder central estava cada vez mais viva."
O prisioneiro retratado acima foi Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, mais conhecido como Frei Caneca, um dos mentores da Revolução Pernambucana. Preso em 1817, Frei Caneca foi levado para Salvador, onde cumpriu pena até 1821.
De família humilde, desde cedo demonstrando inteligência viva e grande força moral, Frei Caneca teve formação religiosa. Professou votos no convento do Carmo, em Pernambuco e tornou-se secretário do visitador da ordem. Freqüentou centros de estudos políticos de tendência liberal e participou do movimento revolucionário, pelo qual foi preso.
Ao ser libertado, de volta a Pernambuco, tornou-se professor de filosofia, geometria e retórica. Em meio a intensa atividade jornalística, fundou o jornal "Tifis Pernambucano", de oposição ao governo central conservador. Os temas políticos dominaram a carreira literária de Frei Caneca. Como escritor, ele assimilou os modelos do jornalismo panfletário e deu um tom pessoal às idéias dos filósofos franceses do Iluminismo, como Montesquieu e Rousseau.
Com a instauração da monarquia, por D. Pedro I, em 1822, preparava-se uma Constituição para reger o país. Em 1824 o Imperador dissolveu a Assembléia Constituinte, outorgando uma Constituição de perfil conservador, contra a qual se insurgiu o grupo de Caneca.
As lutas políticas que opunham o poder local ao Império tomavam vulto cada vez maior em Pernambuco. Dia 2 de julho de 1824, os líderes pernambucanos romperam definitivamente com o poder central. Anunciaram a formação de uma nova república - a Confederação do Equador - e pediram a adesão das outras províncias do Norte e Nordeste.
O movimento, no entanto, não obteve o apoio necessário. A adesão dos países estrangeiros, a princípio esperada, também não foi adiante. O movimento acabou sufocado, depois de muitas lutas sangrentas. Dia 29 de novembro de 1824, a coluna na qual lutava Frei Caneca foi cercada pelas tropas legalistas.
Frei Caneca, um dos maiores idealizadores e combatentes do movimento, foi condenado à forca. Foi preso e levado para um calabouço. No dia de Natal do mesmo ano, foi transferido de sua cela a uma sala incomunicável, para receber a sentença. Muito foi feito para que Caneca não fosse executado. Houve petições, manifestações de ordens religiosas, pedidos de clemência. Em vão.
Dia 13 de janeiro de 1825, o prisioneiro foi conduzido à forca. Na hora de chamar o carrasco, surgiu um problema. Não havia quem aceitasse enforcar Caneca. Castigos, sangue, pancadas. Nada, ninguém queria se prestar ao papel de carrasco. Por fim, resolveram trocar a forca pela execução por fuzilamento. Estava encerrada a carreira revolucionária de Frei Caneca. Seu corpo foi deixado num caixão de pinho em frente ao Convento das Carmelitas, de onde os padres o recolheram.

quarta-feira, setembro 24, 2008

E-mail deve ser extinto até 2015, diz especialista

Fernanda Ângelo

Em painel realizado nesta quarta-feira, durante o 17º Congresso Nacional de Auditoria de Sistemas, Segurança da Informação e Governança (CNSAI), evento que acontece na capital paulista, Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, garante que os hábitos digitais da Geração Y devem levar ao fim do e-mail.
"Hoje, a média etária dos usuários de e-mail é de 47 anos", revela, acrescentando que, talvez, apenas essas pessoas, que formam a geração conhecida como Baby Boomers, nascidos após o fim da Primeira Guerra Mundial, continuarão a utilizar a ferramenta.
"O e-mail deixará de existir dentro de cinco a sete anos", profetiza Taurion. O motivo? A entrada da chamada Geração Y - constituída por jovens nascidos já na era da Internet - no mercado de trabalho.
Taurion explica que, com os jovens profissionais, chega também às empresas uma nova postura diante da Tecnologia da Informação (TI), que já é parte do dia-a-dia destes profissionais, na forma de ferramentas de colaboração como wikis, redes sociais, comunicadores instantâneos e grupos de trabalho online.
O executivo apresentou dados de uma pesquisa realizada em 2005 destacando que, já naquela época, apenas 6,3% dos jovens entrevistados consideravam inúteis as informações obtidas em blogs. "Significa que a credibilidade das novas ferramentas online é enorme", sinalizou. Na IBM, de acordo com Taurion, já há uma série de projetos em que os participantes não mais utilizam o e-mail.

terça-feira, setembro 23, 2008

ODE AOS TRABALHOS DE HÉRCULES

Alvarenga Peixoto

Tarde Juno zelosa
Vê Júpiter, o Deus onipotente,
Em Alcmena formosa
Ter Hércules; e tanto esta dor sente,
que, em desafogo à pena,
Trabalhos mil de Jove ao filho ordena.
Manda-lhe, enfurecidas,
Duas serpentes logo ao berço terno,
Criadas e nascidas
No infernal furor do estígio
Mas nada surte efeito,
Se um sangue onipotente anima o peito;
Nas mãos o forte infante
Despedaça as serpentes venenosas
E fica triunfante
Das ciladas mortais e furiosas,
Que Juno lhe ordenava
Quando ele a viver mal começava.
Cresce, e a cruel madrasta,
Que, sempre nos seus danos diligente,
A vida lhe contrasta,
Ou que viva em descansos não consente,
Faz com que, vagabundo,
Corra, sempre em trabalhos, todo o mundo.
Aqui lhe põe, irada,
De diversas cabeças a serpente,
Que em briga porfiada
Trabalha por troncar inutilmente:
Divide-as, mas que importa,
Se outras tantas lhe nascem quantas corta?
Enfim, por força e arte,
Este monstro cruel deixa vencido,
Que já em outra parte
Trabalhos lhe tem Juno apercebido,
Tais que eu não sei dizê-los,
Mas pode o peito de Hércules sofrê-los
Triunfando e vencendo,
Fazendo-se no mundo mais famosos,
A Terra toda enchendo
De seu heróico nome gloriosos,
No templo da Memória
Gravou o Non plus ultra a sua glória.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Rigor na imprecisão

Em A Volta do Parafuso, o inglês Henry James faz questão de não desvendar os personagens

Felipe Fortuna, de Londres

Pergunte a um estudante educado em língua inglesa como classifica a novela mais famosa de Henry James, A Volta do Parafuso (1898), e a resposta poderá ser "história de terror", ou "drama psicológico". Insista um pouco mais, e outras classificações poderão surgir: "alegoria vitoriana", "narrativa do recalque". A imprecisão é proposital: Henry James escreve com zelo, mas poucas vezes revela ao leitor os segredos que cada um dos personagens guarda. Sua narrativa, por isso, confunde e desvia a atenção, e quase sempre sonega informações, e força o leitor a se sentir parte de uma situação estranha e mesmo desconfortável. A jovem governanta, que narra a história passada no interior da Inglaterra e é personagem central da novela, pode ser considerada respeitosa e reprimida, ou ainda doentia e louca. Responsável pelo bom comportamento de um casal de crianças, Flora e Miles, ela admira a beleza e o talento de cada uma delas, ao mesmo tempo em que vê ameaças e pressente situações sobrenaturais. Um dos enigmas do livro consiste em saber, justamente, se a governanta é vítima de uma conspiração de fantasmas ou se ela de fato projeta seus desejos sexuais de modo alucinatório (assim, o escritor estaria criticando a moral vitoriana, que via em muitos empregados a possibilidade de desvios de conduta).
Obviamente, ninguém obteria de Henry James uma classificação tão precisa quanto a solicitada a um estudante educado em língua inglesa. Porém, alguns intérpretes começaram a divagar, tocados por teorias freudianas, sobre a possibilidade de a governanta de A Volta do Parafuso ser uma louca, ou pelo menos uma pessoa tomada pela esquizofrenia, e sexualmente reprimida. O ensaio que consolidou essa interpretação se intitula "A Ambigüidade de Henry James", de Edmund Wilson, publicado no livro The Triple Thinkers (1938). O crítico americano examina, como um detetive, as passagens em que a governanta vê os fantasmas e o modo como vai espalhando terror nas crianças. Da trama em que relata a aparição de duas aparições que, quando vivas, teriam tido um caso amoroso, Edmund Wilson comenta a incapacidade de a governanta abandonar seu emprego: "Ela agora está aparentemente apaixonada pelo menino".
A tradução de Chico Lopes, na edição bilíngüe, consegue transmitir as sentenças longas e repletas de minúcias. Tem ainda o mérito de restituir, em português, o título A Volta do Parafuso, e não A Outra Volta do Parafuso, como se lia na tradução de Leônidas de Carvalho e Brenno Silveira, que talvez assim pretendessem eliminar uma ridícula equivalência da palavra "volta" com a palavra "retorno" (talvez a melhor opção fosse A Torção do Parafuso). Seja como for, a nova edição corrige algumas imperfeições, como a de traduzir "a couple of very bad days" por "dois dias (...) muito maus", o que é uma solução bem inferior a "alguns dias muito difíceis", da atual edição. Com revisões assim, ganha o leitor, que só ficará assombrado com o enredo.