Do UOL Esporte
Em São Paulo
Após uma reunião especial do International Board, a Fifa anunciou nesta terça-feira o veto à paradinha em cobranças de pênalti a partir da abertura da Copa do Mundo, no dia 11 de junho, permitindo apenas que os jogadores façam alguma finta durante a corrida e não no momento do chute.
“Simular na corrida para confundir os oponentes na cobrança de um pênalti é permitido, mas simular o chute na bola uma vez que o jogador completou sua corrida agora é considerada uma infração à regra 14 e um ato de comportamento antidesportivo em que o jogador deverá ser advertido”, informou a principal entidade do futebol mundial em comunicado de seu site oficial.
A decisão da Fifa vai contra o que faz, por exemplo, o atacante Neymar, do Santos, que na partida de domingo contra o Ceará, pelo Campeonato Brasileiro, parou sobre a bola na hora de chutar a cobrança de pênalti.
“Temos a certeza que todos os árbitros e também os jogadores serão informados sobre essa decisão”, afirmou o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke.
A Fifa também anunciou que utilizará de forma experimental durante o período de dois anos dois árbitros assistentes adicionais, conforme o que foi testado na edição 2009/2010 da Liga Europa, mas a regra será válida apenas ao final da Copa do Mundo da África do Sul.
A entidade ainda afirmou que vai ouvir jogadores, treinadores e árbitros que estarão na Copa do Mundo da África do Sul para discutir a regra 12, sobre faltas e conduta, com as relações de expulsões, ofensas e punições.
"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
terça-feira, maio 18, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
Jean-Claude Carrière: "O e-book vai desaparecer"
Escritor diz que o livro eletrônico será substituído a partir do momento em que outra engenhoca puder conectar os leitores com todas as bibliotecas do mundoREDAÇÃO ÉPOCA
JEAN-CLAUDE Carrière, autor, com Umberto Eco, de _ não contem com o fim do livro.
Dois escritores, amantes do livro e da leitura, encontram-se para registrar diálogos sobre o que será do objeto de seu afeto quando as novas tecnologias começarem a democratizar os livros eletrônicos. As conversas de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, organizadas por Jean-Philippe de Tonnac, transformam-se no livro _não contem com o fim do livro que está sendo lançado no Brasil pela Editora Record.
Além de escritor, Jean-Claude Carrière é dramaturgo e roteirista. Nasceu em 1931, trabalhou com Luis Buñuel, escreveu mais de 80 roteiros e é autor de mais de 30 livros. De Paris, Jean-Claude Carrière conversou com ÉPOCA sobre os diálogos com Umberto Eco, o livro, o futuro da leitura e a preservação da memória.
ÉPOCA - De quem foi a ideia de fazer o livro e como ele foi realizado?
Jean-Claude Carrière - Conheço Umberto há muito tempo. Temos mais ou menos a mesma idade. Já trabalhamos juntos em outro livro, há alguns anos. A idéia surgiu com o aparecimento do e-book, o livro eletrônico. Foi Jean-Philippe Tonnac, o jornalista que fala conosco no livro, quem teve a ideia. Ele falou com um editor, da Grasset, que imediatamente concordou em fazer o livro. Ele foi feito em vários tempos, quer dizer, primeiramente trabalhamos em Paris, na minha casa. Logo depois fui passar duas semanas na casa de campo de Umberto, na Itália. Nós trabalhamos muito, os dias inteiros, e em seguida revisamos as transcrições dos nossos textos orais. O material é apresentado como conversas, mas na verdade nós reescrevemos e retrabalhamos as falas. E Jean-Philippe de Tonnac organizou o material e dividiu-o em capítulos.
ÉPOCA - No texto, vocês se referem à permanência do livro considerando quase sempre o livro no papel. Em sua opinião, o que faz do livro um livro?
Carrière - Essa é uma pergunta que ninguém nunca se faz. Pois um livro é um objeto que nós lemos. Então, por exemplo, nós chamamos de “livro” um manuscrito da Idade Média, escrito à mão, que não é impresso. Da mesma maneira, nós chamamos de “livro” também o livro eletrônico. Então, um livro não é necessariamente um objeto impresso, cujas páginas a gente vira com o auxílio da mão. É um objeto que é lido e que tomou várias formas ao longo dos tempos. Mas nem foram tantas formas assim, afinal, desde o século XV, quando foi inventado o livro impresso, essa forma se manteve a mesma em todos os lugares do mundo. Ele continua sendo sempre o mesmo tipo de objeto e tudo leva a crer que assim continuará por um bom tempo. Como diz Umberto, é uma forma que foi encontrada, como um martelo, como uma colher, e que atende perfeitamente a demanda que temos para essa forma.
ÉPOCA - Em várias passagens do seu livro, o senhor demonstra uma grande preocupação com a preservação da memória. Que riscos correm o livro e a leitura?
Carrière - Confunde-se muito o livro e a leitura. Não é a mesma coisa. O livro é um objeto, a leitura é uma atividade. Será que a leitura está sendo ameaçada? Por ora, não. Absolutamente. Pois, para usar um computador e todos os objetos eletrônicos que nós utilizamos, é preciso saber ler. Além disso, utilizamos às vezes um certo vocabulário, ainda mais complicado, que é a linguagem do próprio computador. Há signos novos a serem aprendidos. Umberto e eu pensamos - e não somos os únicos - que cada vez que surgem novas técnicas, essas pretendem eliminar todas as outras. Por exemplo, quando o cinema apareceu, pensou-se que era o fim do teatro, da ópera e até mesmo o fim da literatura. De modo algum. O cinema ocupou um lugar entre as várias formas de expressão. Então, é provável que a leitura eletrônica seja extremamente útil para documentos, para cientistas, para juristas, e mesmo para mim às vezes será útil. E é muito provável que ela vá ocupar um espaço entre outras formas de leitura.
ÉPOCA - Se o senhor pudesse resumir, quais seriam as vantagens e as desvantagens dos livros digitais?
Carrière - Quando eu trabalhava com Luis Buñuel, em um filme que se chamava Via Láctea, e que trata das heresias da religião cristã, eu era obrigado a carregar comigo 50 livros sobre a história das heresias. Hoje, eu poderia carregar todos num e-book. Tomaria tempo para fazê-lo, mas seria muito mais cômodo para transportar. E até mesmo para consultar, porque eu poderia ter um sistema de referências que me permitiria ir diretamente ao assunto que gostaria de consultar.
ÉPOCA - E as desvantagens?
Carrière - O uso do livro digital não é igual ao uso do livro. O inconveniente é que lemos todos os livros no mesmo suporte, que não tem diferença de formato e que não tem diferença quanto à qualidade do papel, temos o mesmo objeto para ler coisas extremamente diferentes, ao passo que – pensamos Umberto e eu, como todos os admiradores do livro – há uma relação entre a forma de um livro, seu aspecto exterior, e seu conteúdo. Não é o caso do e-book, evidentemente, que é sempre o mesmo.
ÉPOCA - Há uma funcionalidade no Kindle que permite, ao sinalizar ou fazer anotações em um determinado trecho do livro, que outros leitores, que destacaram o mesmo trecho, possam ter acesso a esses comentários. Como o senhor vê essa possibilidade de compartilhamento, de socialização das observações, sendo a leitura um exercício tão íntimo, ao menos até hoje em dia?
Carrière - Sim, conheço isso, é extremamente útil para todos os trabalhos de pesquisa, de erudição, trabalhos científicos e da área do direito. Pode ser muito útil, pode prestar grandes serviços. Mas é também preciso dizer que o e-book já está obsoleto. Já está ultrapassado. Pois teremos no ano que vem uma nova geração de telefones celulares que nos colocarão diretamente em contato com as bibliotecas, ou seja, não teremos mais necessidade de abastecer o nosso e-book. É esse o problema no momento: o mais cansativo é colocar no e-book o que queremos levar na viagem, ou o que queremos consultar a seguir. A partir do momento em que tivermos outra engenhoca que poderá nos conectar com todas as bibliotecas do mundo, o e-book vai desaparecer.
ÉPOCA - Desde que os diálogos do livro foram gravados, algumas mudanças ocorreram no mercado de livros digitais. Uma delas, o surgimento do iPad, da Apple. Diante disso, o que o senhor acrescentaria ao que está dito no livro? Cabe alguma atualização?
Carrière - Isso não muda nada do que dissemos no livro, absolutamente nada. O verdadeiro problema da técnica contemporânea, que nós seguimos de perto – Umberto e eu somos espíritos totalmente abertos às novas técnicas -, é que elas ficam obsoletas muito rápido. É a rapidez extrema com que se sucedem as invenções. O número de vezes que mudamos nosso suporte para poder olhar filmes é impressionante. E nos custou muito dinheiro. A questão a se colocar é: será que esse desenvolvimento espetacular das novas tecnologias vai chegar a um ponto de parada? Será que em alguns anos se chegará a um objeto que será definitivo? É essa a verdadeira questão que todos ao nosso redor se colocam. Por ora, não se trata, de modo algum, de comprar um e-book, pois você sabe, com certeza, que o conteúdo que se coloca nos e-books não vai durar mais que cinco anos.
ÉPOCA - A propósito, o senhor acredita que com a conectividade e as outras tantas possibilidades dos livros eletrônicos, poderíamos ter uma espécie de livro vivo, um texto literário em constante atualização?
Carrière - De todo modo um texto nunca permanece igual. Ele muda de acordo com o leitor. Se você e eu lermos o mesmo texto, leremos cada um à nossa maneira. Não será o mesmo texto.
domingo, maio 16, 2010
sábado, maio 15, 2010
"Foi o Mano quem me demitiu"
Preparador físico Walmir Cruz quebra o silêncio e diz ter sido tirado do Corinthians pelo técnico
Profissional diz ter feito um relatório para superiores que indica Ronaldo como jogador acima da média e dos que mais treinam
EDUARDO ARRUDA
DO PAINEL FC
Walmir Cruz não para de atender o telefone. Conta que é "gente do futebol" solidarizando-se com o preparador físico demitido do Corinthians, junto com dois auxiliares, após a queda na Libertadores. Ele teme carregar nas costas o peso de mais um fracasso corintiano. "É a impressão errada que ficou", disse ele, em entrevista à Folha.
Ao quebrar o silêncio, Cruz rebateu Mano Menezes, afirmou ter sido demitido por ele e entregado relatório mostrando que Ronaldo era um dos atletas com maior volume de treinos e acima da média fisicamente.
FOLHA - Você acredita que acabou como bode expiatório da eliminação do Corinthians na Libertadores?
WALMIR CRUZ - Eu não sei se a ideia, ao me demitirem, foi essa. Mas acabou passando essa impressão errada.
FOLHA - Como foi sua demissão?
CRUZ - Na sexta-feira, dei treino, e o Mário Gobbi e o Mano me chamaram para conversar. O Mano falou: "Pedi demissão, eles não aceitaram, renovaram comigo até o final de 2011, e quero fazer umas mudanças na comissão técnica". Eu disse que não havia entendido.
FOLHA - Então foi o Mano quem falou que você estava fora?
CRUZ - Foi. Eu não concordei. Disse que, se tivéssemos passado pelo Flamengo, nada disso aconteceria. O Mano falou que não foi responsável pelas demissões, e isso não é verdade.
FOLHA - E o Mário Gobbi?
CRUZ - O Mário não faria isso. Ele me adora e sempre teve muito respeito por mim.
FOLHA - Mas como era sua relação com o Mano?
CRUZ - Nosso relacionamento sempre foi muito bom. Ele nunca se expressou de forma agressiva comigo.
FOLHA - Como estava o condicionamento físico do time?
CRUZ - O time sempre esteve bem em termos de condicionamento. O Roberto Carlos, por exemplo, está voando. O que pode ter atrapalhado [para a eliminação da Libertadores] é o aspecto emocional do grupo.
FOLHA - Como assim?
CRUZ - Quando fui demitido, o Mano se queixou de o Elias ter sido substituído contra o Flamengo alegando cansaço. Disse a ele que o problema do Elias não era físico, mas emocional. É só ver que o Elias jogou domingo contra o Atlético-PR e não cansou.
FOLHA - Muito se falou da péssima forma física do Ronaldo. Qual era a condição dele?
CRUZ - Na semana anterior à minha demissão, eu entreguei um relatório ao Mano e ao Mário. É um documento com gráficos mostrando que o problema do Ronaldo não era de falta de treinos. E que ele era um dos que têm maior volume de treinos e que está até acima da média do grupo fisicamente.
FOLHA - Então qual foi o problema com ele?
CRUZ - Eu só posso falar de dentro do campo. Jamais me envolvi nas questões de fora. Mas posso dizer que o Ronaldo, apesar de ser a estrela que é, sempre cumpriu tudo o que a gente combinou.
FOLHA - Sua amizade com o Antônio Carlos [técnico do Palmeiras e desafeto de Mano Menezes] pode ter contribuído para sua demissão?
CRUZ - Não sei até que ponto poderia pesar isso. Faz tempo que não falo com ele.
FOLHA - Qual era a sua situação?
CRUZ - Renovei com o Corinthians até dezembro de 2011 porque a ideia era montar uma comissão técnica fixa. Agora estamos vendo como é que fica.
Profissional diz ter feito um relatório para superiores que indica Ronaldo como jogador acima da média e dos que mais treinam
EDUARDO ARRUDA
DO PAINEL FC
Walmir Cruz não para de atender o telefone. Conta que é "gente do futebol" solidarizando-se com o preparador físico demitido do Corinthians, junto com dois auxiliares, após a queda na Libertadores. Ele teme carregar nas costas o peso de mais um fracasso corintiano. "É a impressão errada que ficou", disse ele, em entrevista à Folha.
Ao quebrar o silêncio, Cruz rebateu Mano Menezes, afirmou ter sido demitido por ele e entregado relatório mostrando que Ronaldo era um dos atletas com maior volume de treinos e acima da média fisicamente.
FOLHA - Você acredita que acabou como bode expiatório da eliminação do Corinthians na Libertadores?
WALMIR CRUZ - Eu não sei se a ideia, ao me demitirem, foi essa. Mas acabou passando essa impressão errada.
FOLHA - Como foi sua demissão?
CRUZ - Na sexta-feira, dei treino, e o Mário Gobbi e o Mano me chamaram para conversar. O Mano falou: "Pedi demissão, eles não aceitaram, renovaram comigo até o final de 2011, e quero fazer umas mudanças na comissão técnica". Eu disse que não havia entendido.
FOLHA - Então foi o Mano quem falou que você estava fora?
CRUZ - Foi. Eu não concordei. Disse que, se tivéssemos passado pelo Flamengo, nada disso aconteceria. O Mano falou que não foi responsável pelas demissões, e isso não é verdade.
FOLHA - E o Mário Gobbi?
CRUZ - O Mário não faria isso. Ele me adora e sempre teve muito respeito por mim.
FOLHA - Mas como era sua relação com o Mano?
CRUZ - Nosso relacionamento sempre foi muito bom. Ele nunca se expressou de forma agressiva comigo.
FOLHA - Como estava o condicionamento físico do time?
CRUZ - O time sempre esteve bem em termos de condicionamento. O Roberto Carlos, por exemplo, está voando. O que pode ter atrapalhado [para a eliminação da Libertadores] é o aspecto emocional do grupo.
FOLHA - Como assim?
CRUZ - Quando fui demitido, o Mano se queixou de o Elias ter sido substituído contra o Flamengo alegando cansaço. Disse a ele que o problema do Elias não era físico, mas emocional. É só ver que o Elias jogou domingo contra o Atlético-PR e não cansou.
FOLHA - Muito se falou da péssima forma física do Ronaldo. Qual era a condição dele?
CRUZ - Na semana anterior à minha demissão, eu entreguei um relatório ao Mano e ao Mário. É um documento com gráficos mostrando que o problema do Ronaldo não era de falta de treinos. E que ele era um dos que têm maior volume de treinos e que está até acima da média do grupo fisicamente.
FOLHA - Então qual foi o problema com ele?
CRUZ - Eu só posso falar de dentro do campo. Jamais me envolvi nas questões de fora. Mas posso dizer que o Ronaldo, apesar de ser a estrela que é, sempre cumpriu tudo o que a gente combinou.
FOLHA - Sua amizade com o Antônio Carlos [técnico do Palmeiras e desafeto de Mano Menezes] pode ter contribuído para sua demissão?
CRUZ - Não sei até que ponto poderia pesar isso. Faz tempo que não falo com ele.
FOLHA - Qual era a sua situação?
CRUZ - Renovei com o Corinthians até dezembro de 2011 porque a ideia era montar uma comissão técnica fixa. Agora estamos vendo como é que fica.
sexta-feira, maio 14, 2010
UMA CITAÇÃO
“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”
Mikhail Bakunin
Mikhail Bakunin
quinta-feira, maio 13, 2010
ESSE BRASIL QUE DEVE LER
Concluída a leitura da pesquisa Retratos da leitura no Brasil (Instituto Pró-livro, 2008), no qual consta, no segundo parágrafo do 5º capítulo, intitulado “A escola e a formação de leitores” – de autoria de André Lázaro e Jeanete Beauchamp –, a seguinte observação: “A pesquisa evidencia que é a escola quem faz o Brasil ler. O Brasil está estudando e é a partir da escola que os brasileiros entram em contato com o processo de leitura e, por meio dela, acessam os livros, independentemente de sua classe social”.
Pode até parecer, em um primeiro momento, a famosa “descoberta da pólvora”. Mas não é bem assim. Afinal, como se sabe, nosso país não é desigual apenas em termos políticos e econômicos. As disparidades ocorrem no mais importante de todos os pontos nevrálgicos: a educação.
De um lado, temos as escolas do Sudeste – nas quais, até onde sei, algumas aulas já estão sendo ministradas por meio da tal da tecnologia 3-D.
Na outra vertente, a do atraso, muitas crianças do Norte-Nordeste sequer tem uma escola para chamar de sua. “Estudam”, muitas vezes, em espaços cedidos por igrejas ou simplesmente ao ar livre – quando não encontram uma alma caridosa capaz de ajudá-las a ter acesso ao mais básico dos direitos, previsto pela Constituição: a cidadania. Mas como podem encontrá-la se às vezes não recebem nem a obrigatória merenda escolar?
Dez anos atrás, o Ministério da Educação informou apenas 4% das salas de aula das escolas públicas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tinha dicionário, 1 em cada 3 não tinha apagador e em 25% delas não havia quadro-negro em condições de uso.
Uma década depois, a situação mudou muito pouco. Em recente editorial, o site do “Diário de Popular” nos diz que, “como nos demais aspectos sociais, também no que se refere à redução do analfabetismo, o Brasil avança muito lentamente. Os poucos recursos orçamentários que tem destinado aos programas de alfabetização, evidenciam que o governo não considera a solução do problema uma efetiva prioridade”. Com certeza houve avanços, mas nada que surtisse efeito a longo prazo ou tivesse sido destacado pelos meios de comunicação.
Outro aspecto destacado pela pesquisa Retratos da leitura no Brasil é que a criança e o adolescente raramente levam o hábito da leitura para a fase adulta justamente porque encontraram na escola alguém que os obrigasse a ler. Trata-se, como se pode logo perceber, da questão do livro paradidático. Confesso que os odiava. Precisava lê-los para responder às questões encartadas na obra – a fim de obter uma determinada nota. Além do quê, as histórias eram péssimas. Os piores eram os textos voltados para o público adolescente. Antecipavam as bisonhices hoje vistas em folhetins como Malhação e outros que-tais.
Hoje, estamos às voltas com o filão das séries literárias. O Fiat Lux desse lance foram os livros protagonizados pelo insofismável Harry Potter. Hoje, nós temos Percy Jackson, House of Night e, claro, Crepúsculo. Nada que agrade, enquanto gênero, este velho leitor de clássicos machadianos que vos escreve. Mas jamais seria a favor de que tais livros fossem queimados em praça pública apenas porque deles não gosto.
Pelo contrário. Dependesse de mim, eles seriam dados “de grátis” a escolas e a comunidades carentes ou que então não tivessem facilitado o acesso ao livro. Porque são voltados a um público jovem. E, diferente dos torcedores do Maranhão Atlético Clube, esse público-alvo deve ser constantemente renovado, para garantir que este nosso Brasil varonil seja realmente feito de homens e livros.
Pode até parecer, em um primeiro momento, a famosa “descoberta da pólvora”. Mas não é bem assim. Afinal, como se sabe, nosso país não é desigual apenas em termos políticos e econômicos. As disparidades ocorrem no mais importante de todos os pontos nevrálgicos: a educação.
De um lado, temos as escolas do Sudeste – nas quais, até onde sei, algumas aulas já estão sendo ministradas por meio da tal da tecnologia 3-D.
Na outra vertente, a do atraso, muitas crianças do Norte-Nordeste sequer tem uma escola para chamar de sua. “Estudam”, muitas vezes, em espaços cedidos por igrejas ou simplesmente ao ar livre – quando não encontram uma alma caridosa capaz de ajudá-las a ter acesso ao mais básico dos direitos, previsto pela Constituição: a cidadania. Mas como podem encontrá-la se às vezes não recebem nem a obrigatória merenda escolar?
Dez anos atrás, o Ministério da Educação informou apenas 4% das salas de aula das escolas públicas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tinha dicionário, 1 em cada 3 não tinha apagador e em 25% delas não havia quadro-negro em condições de uso.
Uma década depois, a situação mudou muito pouco. Em recente editorial, o site do “Diário de Popular” nos diz que, “como nos demais aspectos sociais, também no que se refere à redução do analfabetismo, o Brasil avança muito lentamente. Os poucos recursos orçamentários que tem destinado aos programas de alfabetização, evidenciam que o governo não considera a solução do problema uma efetiva prioridade”. Com certeza houve avanços, mas nada que surtisse efeito a longo prazo ou tivesse sido destacado pelos meios de comunicação.
Outro aspecto destacado pela pesquisa Retratos da leitura no Brasil é que a criança e o adolescente raramente levam o hábito da leitura para a fase adulta justamente porque encontraram na escola alguém que os obrigasse a ler. Trata-se, como se pode logo perceber, da questão do livro paradidático. Confesso que os odiava. Precisava lê-los para responder às questões encartadas na obra – a fim de obter uma determinada nota. Além do quê, as histórias eram péssimas. Os piores eram os textos voltados para o público adolescente. Antecipavam as bisonhices hoje vistas em folhetins como Malhação e outros que-tais.
Hoje, estamos às voltas com o filão das séries literárias. O Fiat Lux desse lance foram os livros protagonizados pelo insofismável Harry Potter. Hoje, nós temos Percy Jackson, House of Night e, claro, Crepúsculo. Nada que agrade, enquanto gênero, este velho leitor de clássicos machadianos que vos escreve. Mas jamais seria a favor de que tais livros fossem queimados em praça pública apenas porque deles não gosto.
Pelo contrário. Dependesse de mim, eles seriam dados “de grátis” a escolas e a comunidades carentes ou que então não tivessem facilitado o acesso ao livro. Porque são voltados a um público jovem. E, diferente dos torcedores do Maranhão Atlético Clube, esse público-alvo deve ser constantemente renovado, para garantir que este nosso Brasil varonil seja realmente feito de homens e livros.
quarta-feira, maio 12, 2010
Sarney diz que Joaquim Nabuco adicionou o ideal humanitário na luta pela abolição
Em seu discurso em homenagem a Joaquim Nabuco, nesta quarta-feira (12), o presidente do Senado, José Sarney, ressaltou a importância fundamental do diplomata, político e historiador para a abolição da escravatura, afirmando que ele adicionou à luta "o ideal humanitário".- Foi ele que transformou aquela causa, que existia como uma revolta de cada um, numa causa nacional a qual ele dedicou sua vida inteira e por que pregou, discursou e abriu jornais - disse Sarney, acrescentando que também como parlamentar Joaquim Nabuco aderiu à causa abolição e a ela de dedicou, chegando a enfrentar "tempos de desalentos".
Sarney lembrou que Joaquim Nabuco relata em seu livro, Minha Formação, que se tornou abolicionista ao visitar o cemitério dos escravos no engenho onde viveu a infância, em Pernambuco, após retornar de suas viagens pela Europa. Nesse momento teria decidido dedicar sua vida à luta contra a escravatura, bandeira já defendida por José Bonifácio desde a campanha pela Independência, mas a partir daí, disse o senador, "transformada por Nabuco".
- Ele foi um dos grandes homens deste país, porque reuniu, pela primeira vez, a consciência nacional em torno de uma grande causa, a causa extraordinária que foi a da libertação dos negros no Brasil, esses negros que deram ao Brasil a identidade nacional - afirmou o senador.
Ao procurar trazer informações diferentes do que o ideário popular já consagrou, e os oradores anteriores já haviam rememorado, Sarney buscou destacar outras facetas de Joaquim Nabuco, a sua "figura humana". Disse que era conhecido como "Quincas, o belo", e foi vanguardista ao influenciar a mudança da indumentária grave que existia no tempo do Império quando voltou da Inglaterra, ao adotar roupas de casimira inglesa e ternos de xadrez.
Sarney mencionou a adesão de Joaquim Nabuco ao movimento que pregava a manutenção da monarquia, e disse que "estaria contra Nabuco" se vivesse naquele século, pois acredita na república. Por esta bandeira, Joaquim Nabuco teria ficado "isolado dos grandes homens do seu tempo, vendo o esplendor de Rui Barbosa, vendo crescer Rio Branco" e teria dito na ocasião "cumpri dez anos de viuvez", relatou o parlamentar.
Sarney lembrou ainda que Joaquim Nabuco alternava momentos de euforia e depressão e teria até pensando em suicídio, como revela uma das cartas destinadas a seu pai. Ele também era romântico, disse Sarney, mas ao mesmo tempo "um homem da noite, mundano", que gostava de conversar com as mulheres e de "transmitir seu encanto" para elas.
Da Redação/Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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