"É CLARO QUE, COMO TODO ESCRITOR, TENHO A TENTAÇÃO DE USAR TERMOS SUCULENTOS: CONHEÇO ADJETIVOS ESPLENDOROSOS, CARNUDOS SUBSTANTIVOS E VERBOS TÃO ESGUIOS QUE ATRAVESSAM AGUDOS O AR EM VIAS DE AÇÃO, JÁ QUE A PALAVRA É AÇÃO, CONCORDAIS?" CLARICE LISPECTOR - "A HORA DA ESTRELA"
terça-feira, junho 30, 2009
Globo descumpre lei e põe pronunciamento de ministro fora do horário
Colunista do UOL Notícias
Diferentemente de todas as emissoras abertas do país, a Globo descumpriu ontem uma determinação federal e exibiu fora do horário o pronunciamento do ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin. O discurso do ministro deveria obrigatoriamente ser exibido pelas TV's entre 20h e 21h. A Globo o exibiu por volta das 19h45.
A Record pediu formalmente informações sobre o descumprimento junto ao Ministério das Comunicações e à Secretaria de Comunicação Social. Segundo Ooops! apurou, a Record quer que a Globo seja punida, pois acredita que houve "má fé" da emissora. A Globo nega (leia mais abaixo).
A suspeita da Record se deve ao fato de que ontem, entre 20h e 21h, ocorreu a estreia de Ana Paula Padrão e do novo cenário no "Jornal da Record". A emissora acredita que o descumprimento do horário pode ter sido mais uma "manobra" da Globo para aumentar seu ibope em relação à concorrente nessa faixa.
Na verdade, não houve qualquer mudança para a Globo com a estreia de Ana Paula ou do cenário. O "JR" registrou um aumento de cerca de 10% em relação à bancada anterior. O telejornal, que começou às 19h50, marcou 11 pontos de média no ibope.
O pronunciamento do ministro também só entrou após o "Jornal da Record", durou três minutos e derrubou o ibope da emissora de 11 para 7 pontos.
O Ministério das Comunicações não soube informar à Record, até o momento, qual seria a punição da Globo pelo descumprimento da ordem.
HQ nacional amadurece e faz seu debute na principal festa literária do país
(Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação)

Flip abre nesta quarta-feira à noite em Paraty; mesas começam na quinta. Grampá, Moon, Bá e Rafael Coutinho debatem quadrinhos no evento.
Diego Assis
Do G1, em São Paulo
Seus álbuns já passam das cem páginas, vêm com lombada quadrada e vendem não mais em bancas de jornal mas em grandes livrarias. Mais do que a forma, no entanto, é o conteúdo que ajudou a abrir as portas da literatura para as HQs. E em grande estilo: quatro artistas da nova geração de autores brasileiros têm nesta quinta-feira (2) a responsabilidade de dar o pontapé inicial em uma das principais festas literárias do país, a Flip, em Paraty.
Antes, portanto, de Gay Talese, Chico Buarque e Richard Dawkins - para citar alguns dos escritores convidados de destaque desta Flip -, os bibliófilos vão se sentar diante de Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá e Rafael Coutinho em uma mesa que deve discutir, a princípio, os elos entre a literatura e os quadrinhos.
"Não dá para dizer que HQ é literatura", sai na frente o gaúcho Grampá, desenhista e roteirista de seu álbum de estreia, o elogiado "Mesmo delivery". "Mas essa discussão vai ser boa. Coisas como 'Isaac, o Pirata' e 'I killed Adolf Hitler', de Jason, são tão boas quanto qualquer livro que já li", conserta.
Autor de graphic novels como "O girassol e a lua", do fanzine "10 pãezinhos" e um dos quadrinistas brasileiros mais reconhecidos no exterior - juntamente com o irmão gêmeo, Bá -, Moon concorda. "O que tem sido produzido recentemente tem gerado um reconhecimento muito maior para os quadrinhos, tem chamado a atenção de um público que não é só aquele que lê HQs, como o pessoal da Flip. Eles estão interessados no conteúdo que está sendo produzido", opina o quadrinista paulistano.
Veteranos das convenções de quadrinhos - inclusive a americana San Diego Comic-Con, em que, em 2008, venceram o cobiçado (e inédito para um brasileiro) prêmio Eisner -, Moon e Bá devem ficar à vontade em um evento literário. "A literatura sempre foi muito importante para o jeito como a gente escreve. Decidimos fazer quadrinhos não pelas HQs que a gente leu, mas pelos livros que a gente leu", revela Moon, fã de "Capitães de areia" dos tempos de escola e responsável por uma das melhores adaptações de "O alienista", de Machado de Assis, para os quadrinhos.
Inversão de papéis
Crescido em um ambiente mais do que propenso às HQs, o artista plástico - e filho do quadrinista Laerte - Rafael Coutinho também reconhece o flerte entre as linguagens. "É verdade que nos últimos tempos os quadrinhos adultos amadureceram e vêm conversando com a literatura em diversos níveis. Acho interessante que as pessoas façam um esforço para ver o ponto em comum entre as mídias, mas, para os autores, isso vai bem mais além: eles se permitem voar entre as mídias de uma forma muito mais solta do que se espera", defende Coutinho, que prepara uma história longa em parceria com o... escritor Daniel Galera.
"'Cachalote' são seis histórias, contadas em seis frentes diferentes que não se cruzam, mas são conduzidas por uma supra-história que as une", define. "O Galera estava muito interessado em fazer alguma coisa em quadrinhos. Ficamos amigos no bar, jogamos as ideias na mesa e vimos o que saía." Um preview da HQ foi publicado neste mês na revista "Piauí".
Coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch morre aos 68 anos
A bailarina alemã Pina Bausch (Foto: Volker Hartmann/AFP)
Dançarina era conhecida pelo estilo expressionista único de dança. Segundo comunicado, ela morreu de câncer cinco dias após diagnóstico.
Da France Presse
A coreógrafa de dança moderna e bailarina alemã Pina Bausch faleceu nesta terça-feira (30), aos 68 anos, informaram à AFP fontes do Tanztheater de Wuppertal (oeste da Alemanha), onde ela estava radicada.
"Pina Bausch faleceu na manhã desta terça-feira no hospital, uma morte repentina e rápida, cinco dias depois de ter um câncer diagnosticado", anunciou a porta-voz do Tanztheater, Ursula Popp.
No domingo passado ainda estava no palco, junto à companhia, na ópera de Wuppertal", completou.
Seu verdadeiro nome era Josephine Bausch. A fama começou na Metropolitan Opera de Nova York. Era considerada a grande dama da dança contemporânea alemã, com um estilo expressionista único que no início de sua carreira provocou polêmica, antes de ser reconhecido mundialmente.
segunda-feira, junho 29, 2009
Lula diz que Mangabeira Unger deixará o governo
Mangabeira Unger (Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil )
Segundo presidente, ministro não conseguiu ampliar licença de Harvard. Na semana retrasada, em nota, ele disse que pretendia ficar no governo.
Jeferson Ribeiro
Do G1, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou na tarde desta segunda-feira (29) que o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, deixará o governo por não ter conseguido ampliar sua licença de professor da Universidade de Harvard, nos EUA. O presidente não disse quem o substituirá.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Assuntos Estratégicos informou que o ministro não se pronunciará nesta segunda-feira sobre sua saída do governo. Os assessores disseram que ele ainda não informou a data que deixará o ministério e que deve falar sobre o assunto somente na terça-feira.
A chegada de Mangabeira ao governo foi cercada de polêmica, porque antes de se tornar ministro ele classificou o governo Lula como “o mais corrupto da história” e chegou a pedir o impeachment do presidente num artigo publicado no jornal "Folha de S. Paulo" em 2005.
Já na campanha eleitoral pela reeleição, em 2006, Lula perdoou Mangabeira, que chegou a participar de um dos comícios do presidente.
Mangabeira emitiu nota na quarta-feira (17) informando que pretendia continuar no governo. A nota foi uma resposta aos boatos sobre sua saída do ministério por conta de uma possível troca de partido. Ele está no ministério a pedido do vice-presidente da República, José Alencar, que é filiado ao PRB.
Prefiro que haja mais interesse pelo meu corpo do que por minhas ideias, diz Millet

Crítica de arte francesa narrou suas aventuras sexuais em livro. Catherine Millet estará na Flip, evento literário em Paraty (RJ).
Shin Oliva Suzuki
Do G1, em São Paulo
Antes da enxurrada de confissões sobre experiências sexuais por autoras como Lolita Pille e Melissa Panarello, ou antes mesmo do diário de Bruna Surfistinha, uma quarentona intelectual francesa chamada Catherine Millet já fazia metade de seu país soltar um “ulalá” ao revelar sua atividade favorita quando não estava à frente de uma conceituada revista de arte: sexo desenfreado, com múltiplos parceiros e de várias maneiras.
A fundadora da respeitada “Art Press” e crítica de arte, que participa da sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) nesta semana, relatou orgias com 150 pessoas, transas com desconhecidos no Bois de Boulogne, o maior parque de Paris, um ménage à trois envolvendo dois cozinheiros africanos, entre outras revelações bem detalhadas ao longo das 220 páginas de “A vida sexual de Catherine M.” (2001) – lançado no país pela Ediouro.
Programada para o próximo domingo (5), a mesa literária conduzida pela psicanalista Maria Rita Kehl também servirá para Millet, de 51 anos, falar de seu trabalho mais recente, “A outra vida de Catherine M.” (“Jour de souffrance” no original, que está saindo aqui pela editora Agir). O livro traz novas revelações, mas de uma outra espécie: a mulher entusiasta da libertinagem deixa agora à mostra o ciúme doentio quando descobre as eventuais puladas de cerca do marido, o escritor Jacques Henric.
“Não posso explicar a contradição. Eu a vivo. Os seres humanos não são monólitos. Eles são cheios de contradições e uma delas que é uma das mais disseminadas é que, à vezes, os sentimentos entram em conflito violento com a filosofia e a regra da vida”, diz Millet ao G1, em entrevista por e-mail.
Para a escritora, o impulso sexual forte sempre existiu em sua vida. “Mas me parece que foi como a maior parte das crianças: muito curiosa por qualquer coisa sobre a qual não se sabe o nome: o sexo. Eu tinha jogos eróticos com o meu irmão e, depois, com os meus colegas de colégio, e então descobri a masturbação. Como a minha família não era muito repressora, essa libido se desenvolveu naturalmente”.
Sem dramas pessoais nem um espírito de rebeldia para os que querem uma justificativa para a sua vida sexual intensa, Millet prefere apontar para uma atmosfera propícia para que isso acontecesse. “Eu não elaborei uma filosofia transgressora porque eu vivi minha juventude numa época e num ambiente muito livres. Eu viva minha liberdade sexual como um peixe dentro d’água. E adorava que todos fossem como eu.”
domingo, junho 28, 2009
Papa revela ter encontrado restos de São Paulo
Papa Bento XVI (Foto: Tara Todras-Whitehill/AP)Brasil consegue virada maiúscula sobre os Estados Unidos e leva a taça
Luís Fabiano e Kaká correm para o abraço após um dos gols do Brasil Seleção conquista a Copa das Confederações depois de começar com desvantagem de dois gols. Luís Fabiano (dois) e Lúcio garantem o vira-vira
Thiago Dias e Thiago Lavinas, direto de Joanesburgo
Se o lema dos americanos era “Yes, we can” (“Sim, nós podemos), imortalizado pelo presidente Barack Obama, a seleção de Dunga mostrou que é brasileira e não desiste nunca. Após sair perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo, virou na etapa final e conquistou neste domingo a Copa das Confederações pela terceira vez na história (ganhou também em 1997 e 2005) com a vitória de 3 a 2 sobre os Estados Unidos no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.
A temperatura na África do Sul marcava 7ºC, com sensação térmica de 2ºC. Frio, assim como será na Copa do Mundo de 2010. Mas uma final quente, movimentada, e que os sul-africanos esperam ver novamente no ano que vem. No primeiro tempo, dois gols americanos: Dempsey e Donovan. Na etapa final, três gols brasileiros: dois de Luís Fabiano, artilheiro do torneio com cinco, e um de Lúcio, que pela primeira vez levantou a taça como capitão do Brasil.
Poderia ter tido mais, caso o bandeirinha Henrik Andren tivesse marcado um de Kaká, também após o intervalo: a bola cruzou a linha antes de o goleiro Howard pegar, mas o auxiliar não viu e o árbitro sueco Martin Hansson mandou o lance seguir.
Com o título, o Brasil passa a ser o maior campeão nas duas competições oficiais da Fifa de futebol profissional: cinco Copas do Mundo e três Copa das Confederações (a França tem duas conquistas).
Em 45 jogos com o técnico Dunga, são 31 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas. Com os dois gols deste domingo, Luís Fabiano virou o artilheiro da era Dunga, com 16, um a mais que Robinho.
Nos primeiros 45 minutos, o Brasil teve 59% do controle da bola. Mas foram os Estados Unidos que conseguiram tudo que o time de Dunga queria: um gol no início e outro no meio do tempo, apostando nos contra-ataques, para ficar com tranquilidade na partida.
