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domingo, abril 20, 2014

LUCIANO DO VALLE: A VOZ

Muito comovente a edição de anteontem do programa “Troca de Passes”, do SporTV. O narrador Jota Júnior ainda conseguiu suportar o nó na garganta para comentar Internacional x Vitória, mas Raul Quadros não foi capaz de segurar as lágrimas, ao vivo, enquanto homenageava alguém que, para ambos, representou uma sólida amizade de muitos anos.
         Luciano do Valle está morto. Para usar um bordão comum hoje em dia, “a ficha ainda não caiu”, em razão das circunstâncias nas quais se deu o falecimento. Uma hora a pessoa está numa boa, na certa conversando com a equipe com a qual trabalharia ontem na transmissão de uma partida do Campeonato Brasileiro, e na outra o país inteiro lamenta a morte do melhor narrador do país.
         Acredito que agora há um consenso em considerá-lo entre os locutores esportivos que aí estão como A Voz. Quem como eu tem mais de 30 anos e curte o esporte de uma maneira (quase) geral, sem dúvida alguma cresceu ouvindo as narrações maravilhosas de Luciano. Lembro agora – e a Internet ajuda a reproduzir aqui – o golaço de Zico pela Seleção Brasileira contra a Iugoslávia em Recife, no dia 30 de abril de 1986. O Galinho costura a defesa adversária, e Luciano o contou assim:
         “Fintou, ganhou, invadiu... Olha o gol! Olha o gol! GOOOLLLLLL!!! NÃO HÁ PALAVRAS PRA DESCREVER O GOL DE ZICO!!!!”.
         Ou então a segunda conquista das 500 Milhas de Indianápolis, em 1989, por Emerson Fittipaldi: “Colocou por dentro! Vai! Vai que cê passa! É o Brasil!!! É o Brasil!!! Vamo! Vamo lá! Mais um pouquinho, só mais um pouquinho! Vamo ver! BATEU AL UNSER!!! BATEU AL UNSER!!! EMERSON VAI GANHAR!!! EMERSON VAI GANHAR!!! Uma vitória pra ficar na história de todos nós!!!”.
         Por falar em automobilismo, Luciano narrou também o momento em que Nelson Piquet sagrou-se bicampeão mundial de Fórmula 1. Não satisfeito, o narrador simplesmente fez com que os apreciadores de corridas de automóveis aqui no Brasil se apaixonassem pela Fórmula Indy. De agora em diante, as 500 Milhas serão menos alegres porque ele não estará para levar aos espectadores televisivos a emoção de, quem sabe, mais uma vitória brasileira, como ocorreu ano passado com Tony Kannan.
         A importância de Luciano do Valle para a crônica esportiva é (e sempre será) tão grande que a transmissão do Grande Prêmio da China ficou em segundo plano. Todos os profissionais envolvidos não conseguiam disfarçar a tristeza pelo falecimento do locutor e por mais um passeio da Mercedes, mais uma vez com Lewis Hamilton em primeiro.
         Fernando Alonso foi o outro destaque da prova, mais uma vez carregando a Ferrari nas costas. Mais uma vez ousado na largada, Felipe Massa foi prejudicado pela incompetência da Williams em sua primeira parada e voltou para a pista em último lugar. Terminou em 15°.
         Lá do alto, na qualidade de alguém que testemunhou grandes façanhas brasileiras no esporte, Luciano do Valle certamente não gostou nem um pouco do que viu.

sábado, dezembro 14, 2013

CAPITÃO CAVERNA

Que é que eu vou te dizer? As fotos e os vídeos estão aí, em tudo quanto é página de internet. O cara do Atlético no chão, nem sei se ainda tava acordado. Eu e mais dois acertando a cabeça dele como aqueles caras do Serra Pelada destroçando o morro à procura do ouro. O porrete, com o improvisado prego na ponta, nem foi ideia minha. Alguém botou ele na minha mão. Bem ali, no meio da guerra, com um monte de rubro-negros a fim da nossa pele. Era só uma questão de saber quem ia derramar sangue primeiro, na arquibancada da arena.
Sou vascaíno desde sempre. Tem duas coisas que me emocionam muito, sempre que assisto: o gol de Sorato no Morumbi em 89 e a virada épica em cima do Palmeiras. Bons tempos. Grandes times. Hoje tá uma vergonha só. Rebaixamento com 5 x 1 na última partida é demais. O pior de tudo é que aconteceu no mandato do nosso maior ídolo, o Roberto. E foram dois! O tipo de absurdo, de vergonha, que o cruzmaltino não pode nem deve engolir e digerir numa boa. Um professor me falou uma vez que tudo tem seu limite de saturação. E o limite da nossa organizada chegou domingo passado.
Escreve aí no teu jornal: a nossa organizada não foi lá pra brigar. A gente foi lá pra apoiar o time. Mesmo que não desse certo, porque a situação era mesmo complicada, todo mundo sabia. Um time fraco como o nosso – que passou o ano sem arrumar um goleiro que prestasse – nunca conseguiria superar o Furacão. Aliás, foi o que acabou acontecendo, não foi não? Passou um furacão pela gente, com direito a tsunami de gols. É foda a gente reconhecer. Desculpa aí o palavrão.
Como você pode perceber, tá complicado. A gente nem pode conversar direito, por exemplo, sobre a copa. Quando começo a falar sobre quem tem chance de passar para as oitavas e quem vai ficar pelo caminho, vem um gaiato e debocha: “Que nada, teu time foi pra Segundona!”. Dá vontade de usar o porrete. Isso, que nem um troglodita ou um bárbaro. Na falta de diálogo, um bom tacape resolve.
É isso aí, companheiro. Aqui estou eu, mofando numa cadeia. Eu achava que o diretor da nossa organizada fosse providenciar logo um advogado pra me tirar daqui. Como já aconteceu em outros carnavais. Mas pelo pouco que vou acompanhando daqui, ele também tem seus problemas. Parece que querem banir a galera dos estádios. É que nem naquele comercial: “Não tá fácil pra ninguém”.
Eu que o diga. Ainda agora, liguei lá pra casa. Pra dizer pra Soraya que a coisa aqui tá complicada. Pois a minha querida esposa não deu a mínima pro meu perrengue. Tava injuriada comigo. Por causa dos meninos. Ao que parece, ganhei um apelido interessante na escola deles: “Capitão Caverna”.

O Brasil é o país dos comediantes.

domingo, dezembro 08, 2013

INACREDITÁVEL FUTEBOL BRASILEIRO

Costumo dizer que o futebol disputado aqui no Brasil só é um espetáculo dentro das quatro linhas. Porque longe delas a tristeza corre sem madrinha.
Um exemplo dessa melancólica mediocridade ocorreu ontem mesmo, justo na última rodada. O Atlético Paranaense já vencia – e rebaixava para a Segundona – o Vasco da Gama quando os torcedores das duas equipes travaram uma legítima batalha sanguinolenta nas arquibancadas. Indivíduos que no cotidiano devem praticar a política da boa vizinhança, levam os filhos para a escola, amam suas esposas... de repente transformados em gladiadores, cujo objetivo único e mais importante é massacrar seu adversário até as piores consequências, se preciso for.
O pior de tudo é que o confronto já estava “marcado”, por assim dizer. A organizada atleticana “Os Fanáticos”, ciente de muitos entreveros na estrada com vascaínos que também nunca mais deveriam colocar os pés nas dependências de qualquer estádio, não vendeu ingresso para mulheres.
Não havia policiais na arena. Um acordo estapafúrdio entre o governo do Paraná e o Ministério Público determinou que a Polícia Militar não garantiria a segurança de eventos privados. Como assim? O bem-estar de milhares de pessoas assegurado por alguma empresa? Isso a menos de um ano do início da Copa do Mundo? Até as 19h de Brasília, senhores governantes e representantes do MP paranaense, um torcedor estava internado, com fratura no crânio. Ninguém morreu? Com a graça de Deus. A morte mesmo foi a do encanto que uma criança poderia ter de ir com seus pais a um estádio, para ver os gols do time do seu coração. Isso é o que mais devemos lamentar.
Repito: ano que vem acontecerá uma Copa do Mundo aqui no Brasil. Após uma sucessão de apresentações chatas e sem-graça, o sorteio colocou o Brasil em um grupo que não causa pesadelos em ninguém. O problema são as tais “oitavas da morte”. Num cenário pessimista, os canarinhos poderão enfrentar Espanha, Itália, França e Argentina antes de Thiago Silva levantar a taça no dia 13 de julho.
Agora, as dificuldades não se resumem à pura e simples violência entre torcidas nas arquibancadas. Já na Copa das Confederações muitas falhas na construção das novas arenas foram “maquiadas” ou simplesmente escondidas. Às vésperas do mundial, há estádios que serão entregues de qualquer maneira. Mais ou menos assim: a bola rolando, as melhores equipes do planeta em busca do caneco, e funcionários das construtoras correndo para cima e para baixo com carrinhos de mão cheios de paus, pedras e do fim do caminho.

O Inacreditável Futebol Brasileiro, o que se vê fora dos gramados e definidos pelas cartolagens, tapetões e administrações ridículas, não se envergonha do que aconteceu. Tampouco se importa com vítimas. Muito mais gente ainda vai sangrar nas arenas. Esperem para ver.

domingo, novembro 24, 2013

MCLAREN TERMINA ANO SEM PÓDIOS PELA 1ª VEZ DESDE 80


Pérez à frente de Button (Foto: McLaren/Divulgação)Pérez à frente de Button (Foto: McLaren/Divulgação)
O quarto lugar de Jenson Button no GP do Brasil encerrou neste domingo um dos anos mais melancólicos na história da McLaren. Pela primeira vez desde 1980, a escuderia de Woking terminou uma temporada sem ter conquistado um pódio.
O peso da marca negativa é ainda maior quando se confrontam os números do atual campeonato com os de 1980. Naquela temporada, o norte-irlandês John Watson obteve ao menos dois quartos lugares nos GPs de Long Beach e do Canadá, enquanto Button terminou 2013 apenas com um quarto posto em Interlagos.
Somente em 1966, primeiro ano da McLaren na F1, a situação foi pior. À época, Bruce McLaren fechou o ano com um quinto posto no GP dos Estados Unidos como melhor resultado – com o time britânico só disputando quatro dos nove fins de semana no campeonato vencido por Jack Brabham.
No Mundial de Construtores, o desempenho de Woking em 2013 iguala a temporada realizada nove anos atrás, com David Coulthard e Kimi Raikkonen como titulares. Naquela ocasião, o time terminou o certame em quinto, acumulando um déficit de 193 pontos para a campeã Ferrari.
Em números absolutos, é impossível comparar os dois campeonatos porque o escore máximo de um construtor numa corrida dos anos 2000 era 58,1% inferior ao de hoje – 18 pontos em vez de 43.
Em compensação, o percentual de pontos em 2004 foi maior em relação ao líder. Com Coulthard e Raikkonen, a McLaren somou 69 dos 262 tentos fechados pela Ferrari – 26,3%. Na atual temporada, Jenson Button e Sergio Pérez juntos acumularam 122 dos 596 pontos da Red Bull – 20,5%.
O pior ano da McLaren no Mundial de Construtores foi 1967. Naquele campeonato, a equipe de Woking terminou o certame em décimo, 60 pontos atrás da campeã Brabham – 4,8% do montante conquistado pela equipe de Denny Hulme.
Ainda neste domingo, a McLaren se despediu da Vodafone, operadora de celulares que a patrocina desde 2007. A equipe deve anunciar seu novo patrocinador principal no mês que vem.
As temporadas da McLaren sem pódios:

AS ÚLTIMAS EMOÇÕES

A temporada 2013 da Fórmula 1 chegou ao fim. Terminou com o tetracampeonato de Sebastian Vettel, o Demolidor de Recordes – definição de Galvão Bueno, em nova tentativa de empolgar o telespectador após mais uma corrida com poucas emoções. Ainda que, pela largada, tenha dado a entender que seria a melhor do ano.
O problema foi não ter chovido. Jamais deixarei de repetir que aguaceiros são muito bem-vindos para qualquer grande prêmio. Como São Pedro não colaborou, as Red Bulls deram o baile de sempre. Ocorreu uma inédita confusão nos boxes – momento “Os Trapalhões” da equipe que também tem a marca histórica do pit stop mais rápido, estabelecido na prova de Austin, nos Estados Unidos.
O abandono de Romain Grosjean logo no princípio também não foi legal para a prova no Autódromo José Carlos Pace. A Lotus nas últimas corridas vinha desenvolvendo um sistema de estratégias de fato muito interessante, razão pela qual “intrometeu-se” no passeio da Red Bull no Texas. E era um dos pilotos candidatos ao pódio.
Coube novamente a Fernando Alonso protagonizar algumas das últimas emoções da Fórmula 1 este ano, lutando curva atrás de curva com Webber. Seu terceiro lugar foi mais do que merecido por tudo o que fez nas pistas ao longo de 2013, fazendo por merecer sua condição de primeiro piloto da Ferrari.
O que nos faz pensar em Felipe Massa. Um vacilo dele mesmo tirou-o do pódio. Sim, ficam na história e no coração as homenagens prestadas pela equipe que defendeu durante tantos anos. Por outro lado, o que aconteceu com ele ontem (o drive-through que o fez perder as estribeiras e a esportiva) mostrou como ele não se transfere para a Williams com a cotação dos seus dólares em alta. Espera-se que tenha um bom desempenho em 2014, como autoproclamado “líder” na escuderia de Frank e Claire. Vamos ver no que vai dar, certo?
Por fim, acho que a grande imagem da corrida de ontem foi a despedida de Mark Webber. Ao tirar o capacete na “volta dos vencedores”, o australiano respirou o ar frio de São Paulo, sentiu no rosto os respingos da garoa e – suponho – deve ter pensado da seguinte forma: “Saio de cabeça erguida”. Ou então o que lhe passou pela cabeça foi a sensação do dever cumprido, de ter trabalhado da melhor forma possível para não se encontrar numa situação de inferioridade. Não se conformou e foi à luta.

Não deixa a Fórmula 1 como campeão, mas sim como um profissional correto e respeitado. Título muito mais importante.

sábado, novembro 23, 2013

CHOVE, CHUVA!

Digo e repito: em matéria de Fórmula 1, chuvas são sempre bem-vindas. Porque tiram a monotonia da prova, induzem os fracos de personalidade ao erro e são invariavelmente recompensadas e permitem às figuras nas quais menos se aposta figurarem no pódio.
            Como aconteceu em Interlagos no ano da graça de 2003.
            Dez anos atrás, Michael Schumacher (o campeão da temporada) tinha como “fiel escudeiro” na Ferrari Rubinho Barrichello. Kimi Raikkonen, então na McLaren, ficou em segundo na classificação final. O brasileiro obteve a quarta posição, logo atrás de Juan Pablo Montoya, da Williams.
            Os demais pilotos brazucas eram Felipe Massa (piloto de testes da Ferrari), Antônio Pizzonia (reserva da Williams, ao lado de Marc Gené) e Cristiano da Matta e Ricardo Zonta (ambos da Toyota, o primeiro titular e o segundo, suplente).
            Na época, o Grande Prêmio do Brasil não era a última corrida do ano. Foi a terceira, depois da Malásia – vencida por Fernando Alonso, então na Renault. Rubens Barrichello obteve a pole position e a volta mais rápida. Você pode pensar: “Ah, com tantos feras no grid do José Carlos Pace, o troféu deve ter ficado com um deles. Certo?”.
            Errado, pequeno gafanhoto. Quem venceu a prova foi justamente quem menos se esperava: o italiano Giancarlo Fisichella, da Jordan. E chegou em primeiro depois de um sem-número de batidas e abandonos. Inclusive de Rubinho, que andou em primeiro depois da saída de David Coulthard. A galera vibrou muito, nas arquibancandas, mas a alegria durou pouco. A Ferrari caiu fora, e Rubens amargou o décimo abandono em 11 edições do GP Brasil.
            Mas Fisichella teve sua vitória ameaçada. A FIA quis ser mais realista do que o próprio rei, interpretou o regulamento de forma equivocada, ignorou o que aconteceu na pista e, por alguma razão que até hoje é difícil de se compreender, deram o caneco para Kimi Raikkonen. O vencedor de fato acabou em segundo e Alonso em terceiro. O Príncipe das Astúrias, aliás, sofreu um baita acidente. Mark Webber destroçara sua Jaguar na entrada da reta dos boxes, e um pneu desgarrado atingiu em cheio a Renault. Com isso, a direção da prova acionou a bandeira vermelha. Uma vez interrompida a corrida, valeram as posições da volta anterior à das colisões.
            O treino oficial acaba de começar. A pista de Interlagos piorou muito, por causa do mau tempo. Isso favorece RBR e Mercedes. Aposto nessas duas, para figurarem nas duas primeiras filas. Pneus estão sendo poupados ao máximo. Quem melhor conseguir resguardar equipamento vai se dar bem na corrida de amanhã.

            Acredito que não vai haver “zebras” no grande prêmio. Que pena. Mesmo assim: chove, chuva! Chove sem parar.

sexta-feira, novembro 22, 2013

PREVISÃO NEBULOSA

Pelo jeito, o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 não será aquele sucesso de audiência. Muito menos de público presente. Muita gente vai deixar de ir ao Autódromo José Carlos Pace, não apenas por causa do mau tempo.
            Todos os envolvidos com a organização do evento certamente ficaram preocupados com as imagens dos primeiros treinos em Interlagos. Quem fez valer o preço do ingresso para os três dias viu muita chuva e pouca movimentação na pista.
            Na primeira sessão, confirmando que neste ano foram os carros que mais se destacaram em velocidade final, as Mercedes formaram a primeira fila. Nico Rosberg em primeiro e Hamilton em segundo. Sebastian Vettel, por ser Sebastian Vettel, figurou em terceiro, rodando já com os pneus 2014 da Pirelli.
            Na segunda, Rosberg ficou novamente em primeiro. Seguido por Vettel e Mark Webber. Felipe Massa, que registrara o 11º tempo pela manhã, à tarde melhorou e foi o 7º. Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, disse esperar muito uma vitória de Felipe. Não passa de média. Seu quase ex-piloto vai transitar por essa faixa intermediária, da terceira fila para baixo. Como aconteceu durante toda a temporada. É uma previsão tão nebulosa quanto verdadeira.
            O que remete a um comentário de Téo José: o torcedor que comparecia em massa a Interlagos gostava de ver um brasileiro no ponto mais alto do pódio. O jornalista fez esta afirmação a partir de depoimento dado a ele pelo próprio Emerson Fittipaldi, nesse sentido. Em Monza, por exemplo, ocorriam os maiores carnavais quando um piloto italiano vencia em Monza com uma Ferrari. “Fazia barba e cabelo”, como diriam os antigos.
            No nosso caso, nem precisa o brasileiro andar numa Copersucar da vida. Basta que vença. Como isso não tem acontecido já faz muito tempo, o interesse dos locais na Fórmula 1 tem decaído. Até onde sei, ainda somos o país que mais assiste aos grandes prêmios – mesmo com Vettel ganhando todas há oito provas – possivelmente encaminhando-se para a nona. Téo José ainda questiona se, nesta situação de franco desprezo do público pela corrida, valeria a pena investir quase R$ 200 milhões em reformas do circuito.
            Eu penso que sim. A Fórmula 1 precisa muito do Brasil. O Brasil ainda gosta muito dela. Esse relacionamento de décadas não poderia acabar de uma maneira tão insólita – apenas por uma (cada vez mais) possível ausência de pilotos locais no grid. Creio que seria um desastre, inclusive para a economia do país. Acho que só o carnaval atrai mais turistas. Mesmo em tempos de vacas esquálidas.        


quinta-feira, novembro 21, 2013

PELA ÚLTIMA VEZ

“Fazer tudo pela última vez” é uma sentença que soa totalmente melancólica.
            Imagino uma pessoa prestes a não realizar mais o trabalho de todos os dias, com o qual se ocupou durante uma boa quantidade de anos.
            Imagino esse mesmo indivíduo no derradeiro dia no escritório, numa redação. Como deve se comportar diante da certeza de que não precisará mais, no dia seguinte, redigir um documento, escrever uma reportagem, tirar sarro do colega ao lado porque o time dele perdeu de goleada.
            E imagino Mark Webber a poucos dias de não ser mais chamado de “piloto de Fórmula 1”. Ou então “piloto da Red Bull Racing”. Ele se diz tranquilo com isso. Na verdade, se há um cara no Circo desencanado é justamente Webber. É claro que já esquentou muito a cabeça, principalmente em razão da óbvia preferência por Vettel como primeiro piloto. Mas penso que essa tranquilidade é um tanto quanto aparente. Mais jogo de cena, atendendo de caso pensado ou não aos apelos da imprensa por manchetes mais ou menos relevantes.
            "Eu não sairia se não houvesse coisas que estou feliz de deixar para trás. Se houvesse mais pontos positivos do que negativos, então obviamente eu ficaria. Há mais pontos negativos do que positivos".
            Pesquei essa declaração de Webber do site grandepremio.com.br. Apesar de suas mais de duzentas largadas e de ter vencido duas vezes em Mônaco... Mark não deixa a Fórmula 1 com um sorriso de orelha a orelha. Não só pelo fato de ter sido relegado a contragosto pela equipe à condição de “escudeiro” de Vettel. Um papel que ele se recusou a desempenhar, afirme-se logo, diferentemente de um certo ferrarista. E quando você não está mais feliz com algo, o melhor mesmo é tirar seu time de campo e deixar o sangue novo brotar de onde antes havia apenas desilusão.
            Espero que Webber faça uma excelente corrida, em São Paulo. Como a RBR já descartou prontamente a possibilidade de haver um jogo de equipe para levá-lo ao ponto mais alto do pódio, o australiano terá de obter a vitória por seus próprios méritos. E é mesmo assim que deve ser a sua última corrida na F-1. Nos treinos, muito provavelmente acontecerá mais uma dobradinha da Red Bull, com as Mercedes na segunda fila e Lotus ou Ferraris mais atrás. Aliás, “o samba de uma nota só” que marcou a categoria neste ano.
            Será que ele vai largar mal? Talvez. Nos Estados Unidos, largou em segundo e, antes da primeira curva, já era o quarto. Mas registre-se que na estratégia da equipe, aliado ao seu esforço, recuperou-se e só não ultrapassou Grosjean nas voltas finais porque foi impedido pelo desgaste dos pneus.
            Mark Webber tentará buscar a felicidade em outras searas. Vai encarar o novo desafio com o espírito de quem está fazendo tudo pela primeira vez. Sem fatalismos. Sem melancolias ou nuvens negras no horizonte.

            Lição valiosa: vida significa renovação constante.

quarta-feira, novembro 20, 2013

ENQUANTO INTERLAGOS NÃO VEM

Enquanto Interlagos não aparece na telinha, disparo algumas notas aleatoriamente. Algumas balas automobilísticas quase perdidas, porque têm como endereço certo o entretenimento de quem ainda gosta de ver corrida de automóvel. Ou não, como bem já dizia o Caetano.
            1 – Durante almoço com a imprensa realizado na tarde desta quarta-feira, Felipe Massa não quis nem saber dessa história de ser piloto pagante no grid de 2014 da Fórmula 1. “Não quis ser prostituta”, ele disse. Uma declaração tola, porque imbecil. Arremessa uma carapuça injusta para cima de pilotos como Maldonado. Massa prefere esquecer as corridas nas quais cometeu atitudes antidesportivas para beneficiar Fernando Alonso. Conheço algumas “acompanhantes” que teriam ficado com a tal da vergonha alheia, se soubessem dessa baixeza.
            2 – Chuvas sempre foram a salvação da lavoura, em matéria de F-1. Impedem que uma corrida se transforme em uma procissão de automóveis e volta e meia permitem que o mais improvável dos pilotos seja o vencedor. Lembrem-se de Fisichella em São Paulo em 2003. Mas essa história de molhar trechos de uma pista beira o provincianismo. Chega a ser motivo de riso pensar que a alta cúpula da categoria já tenha pensado em uma atitude tão estapafúrdia. Para um GP se tornar emocionante, basta que todos ou pelo menos três ou quatro equipes estejam mais ou menos em igualdade de condições. Simples assim.
            3 – Em razão da falta de pilotos de “alto nível”, Lewis Hamilton torce pela volta de Rubinho ao Circo da Velocidade. Já expressei alhures minha opinião a respeito de um possível retorno de Barrichello ao grid. Acredito que seria um erro. Do tamanho ou ainda mais grave do que cometeu Schumacher. Caso pilote novamente na F-1, Rubens correrá por equipes intermediárias. Passaria uma temporada inteira sem ir além, nos treinos de sábado, do Q2. E olhem lá. Não acho que seria uma boa, logo para alguém que foi um piloto com uma história muito interessante. Sem títulos, mas com ótimos desempenhos em grande número de corridas.
            4 – Quanto a não aparecerem pilotos de “alto nível”, acredito que exista uma linha muito tênue entre os bestas e os bestiais. Hamilton teria sido campeão do mundo se estivesse numa Super Aguri (uma das piores em 2008)? Nessa mesma temporada, na Toro Rosso, Sebastian Vettel foi o oitavo no mundial, com 35 pontos. Coloquem Hamilton na Marussia e levem Jules Bianchi para a Mercedes. Sem bons exercícios de imaginação, a vida fica muito devagar, quase parando.

            5 – Os motores turbo comprimidos de baixa cilindrada serão reintroduzidos na Fórmula 1. É parte do processo de redução de custos que vai marcar a categoria de 2014 para a frente. Vai dar certo? Vai dar errado? Acompanhemos os próximos capítulos.

terça-feira, novembro 19, 2013

MASSA PRÉ-STOCK

Alguma dúvida de que Felipe Massa vai correr na Stock Car depois de uma ou duas temporadas pela Williams?
            Eu não tenho nenhuma. Até porque não o vejo disputando corridas nos Estados Unidos. Caso fosse para a Nascar, a Nationwide ou a Indy, teria de haver um necessário período de adaptação, principalmente para os circuitos ovais, como aconteceu com Rubens Barrichello. E, se os exemplos baterem em semelhanças, veremos Felipe se tornando vítima das barbeiragens de quem larga no pelotão intermediário da Stock.
            Cara, foram oito temporadas pela Ferrari. E nenhum título. Acho que é aí que a porca torce o rabo. Faço essa afirmação porque Massa foi apenas um bom piloto brasileiro na Fórmula 1. Por mais que a Rede Globo forçasse a barra em muitas ocasiões, nunca o vimos como um ídolo. Nunca torcemos por ele como pelo próprio Rubinho, por exemplo. Ficamos tristes e quisemos muito que se recuperasse do quase letal ferimento na cabeça... mas a grande verdade é que ele sai da Ferrari e vai sentar-se num outro cockpit sem que lhe desejemos mais do que a burocrática e protocolar “boa sorte”. E vejam só que é de sorte mesmo que vai precisar, porque a Williams tem andado ainda mais para trás nos últimos anos do que a própria Ferrari. A saída de Maldonado (e dos seus milhões de petrodólares) vai fazer falta em algum momento, quando a contenção de despesas vai ser regra na categoria a partir do ano que vem.
            Acho que o correspondente de Fórmula 1 Luis Fernando Ramos acertou em cheio na sua avaliação do que ocorreu com Massa: “A partir de 2010, Massa viu seu espaço ocupado por Fernando Alonso: um piloto forte na pista como eram os antecessores Michael Schumacher e Kimi Raikkonen, mas ainda mais forte na política interna. O brasileiro sucumbiu e se tornou um piloto inconstante. A falta de resultados fez com que, pela tradicional política ferrarista, ele tivesse de atuar para ajudar o espanhol a ganhar títulos. O torcedor não perdoou”.
            Pois é. Não estamos nem aí para o fato de que Massa é o segundo piloto que mais disputou provas pela Ferrari. Nem aí para as suas 15 poles. Nem aí para as suas 11 vitórias. Por falar nisso, não entendem que esses números são poucos para quem passou quase uma década trabalhando para a mais tradicional empresa de automobilismo do planeta. Só 11 vezes no topo do pódio nesse tempo todo?
            Tenho plena consciência de que estou sendo muito rigoroso com Felipe Massa. Devo reconhecer que, no fim das contas, ele acabou se tornando o piloto-padrão. Todas as ordens que recebeu no sentido de ajudar a Ferrari a se tornar campeã dos construtores em duas ocasiões foram plenamente cumpridas – e por essa lealdade pouco mais de 15 mil pessoas participaram da festa de despedida oferecida ao futuro ex-piloto do Cavalino Rampanti.

            E, mais lá para a frente, o próximo estreante da Stock Car.

segunda-feira, novembro 18, 2013

CORRIDAS MALAS À VISTA?

Que o Grande Prêmio dos Estados Unidos foi uma tremenda chatice todos os que assistiram à corrida certamente devem concordar em gênero, número, grau e conjugações. Agora, o problema é o seguinte: para o próximo ano, esse panorama não deve mudar.
            Essa previsão nefasta tem como base a recente ameaça da Pirelli de fazer pneus mais conservadores para 2014. Em outras palavras, ela quer se livrar das críticas que recebeu na temporada deste ano, quando alguns compostos simplesmente explodiram em retas de alta velocidade.
            Com pneus apresentando menos desgaste, as equipes optariam por estratégias com apenas uma parada nos boxes e poucas trocas de posições. Foi o que aconteceu em Austin. Ultrapassagens, mesmo, só na hora da largada e, ao longo das 56 voltas, restritas ao pelotão intermediário. E olhem lá. Na parte final, Mark Webber ainda tentou tirar a segunda posição de Romain Grosjean, mas os “pisantes” traseiros de sua RBR o deixaram na mão e ele teve de se contentar com o terceiro posto. Uma boa reação, diga-se logo. Por ter se mostrado péssimo de largada, caiu para o quarto posto assim que se apagaram as luzes vermelhas.
            Olha só: a emoção é a razão de ser de um esporte. De qualquer esporte. Os norte-americanos são ótimos nisso. Em promover espetáculos. Os autódromos em que ocorrem as provas de Nascar recebem lotação esgotada ou quase isso. O mesmo acontece com os jogos do futebol americano. Ou de beisebol. Pelo amor de Deus, a Seleção foi jogar em Miami no sábado e a presença da galera bateu o recorde de público do estado da Flórida. Isso porque os cérebros de lá sabem investir na promoção de espetáculos esportivos. Aqui no Brasil temos essa noção, mas ela acaba sendo tolhida pela ambição dos promotores, que querem enriquecer a todo custo. E os torcedores daqui que se lasquem, pagando mais de 100 contos num ingresso.
            A Fórmula 1 tem perdido muito nesse campo. Ainda mais aqui no país. Muita gente alega que a morte de Ayrton Senna foi o fator preponderante para que abandonassem os grandes prêmios. Pode ter acontecido, mas sem dúvida alguma não foi só por isso. Depois de Ayrton, os brasileiros que apareceram ou foram meros figurantes (Luciano Burti, por exemplo) ou não passaram de escudeiros vendidos (Rubens Barrichello). Felipe Massa foi o último a nos dar a esperança de que o Brasil voltaria a comemorar mais um título. Isso não aconteceu. Teve o lance do grave acidente sofrido por ele, mas até essa quase tragédia tem seus limites. Não se pode usar esse fato como muleta para justificar pelo resto da vida os passos para trás que ele e a Ferrari em todos esses anos até sua mudança de cockpit. Espero que venha a se dar bem na Williams, mas, se a ameaça da Pirelli se cumprir, tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes.

             

domingo, novembro 17, 2013

FÓRMULA VETTEL

O problema dos campeonatos por pontos corridos é justamente o fato de premiar os melhores. Ou então quem se comportou com mais regularidade. A superioridade, clara e evidente, se traduz no fim de um certamente com algumas rodadas de antecedência. Isso no caso do futebol. O Cruzeiro, todos sabem, levou o caneco do Brasileirão no meio da semana passada. Na Fórmula 1, Sebastian Vettel deu uma de Walter e deitou e rolou nas pistas deste planeta de meu Deus.
         Fórmula 1, nada. Fórmula Vettel. Pontuada por vitórias indiscutíveis do ponto de vista puramente técnico. Mas em termos de emoção... Bem, creio que devemos aguardar a próxima temporada, quando haverá drásticas mudanças no regulamento da categoria com vistas a contenção de gastos.
         O Grande Prêmio dos Estados Unidos, ontem, foi de uma chatice exemplar. Incrível como pouco aconteceu em 56 voltas. Como tem sido costumeiro, a parte mais interessante da prova foi justamente a largada. A única preocupação de Sebastian: manter-se em primeiro e se desembestar na frente, com não sei quantos segundos de vantagem em relação ao segundo colocado, o ótimo Grosjean, com um desempenho brilhante ao deixar para trás e resistir com bravura e competência às investidas de Webber.
         E quem tentou ver mais uma boa corrida de Felipe Massa dentro de suas limitações gritantes também vai ter de aguardar, mas pela corrida em Interlagos. A última em que estará ao volante ultratecnológico e cheio de botões da Ferrari. O desempenho de qualquer atleta melhora dez vezes quando ele atua em seus domínios. Não que vá ganhar a prova de São Paulo, mas acredito que deva se manter entre os dez melhores. Uma tarefa e tanto, na nossa avaliação, porque seu carro tem uma grande tendência a correr para trás que é um negócio assombroso. Em todo caso, é ver para crer.
De ferrarista para ferrarista, é muito legal ver o trabalho de Fernando Alonso. Na maior parte do campeonato, o espanhol mostrou todo o brilhantismo de quem se consagrou bicampeão mundial. Mas não chegou em momento algum a se tornar um rival à altura do talento de Vettel.
         O jovem piloto alemão vai batendo recordes atrás de recordes. Merece fazer “zeros” com sua RBR toda vez que receber a bandeirada em primeiro lugar. No Texas, superou a sequência de vitórias obtidas por Schumacher em 2004.

         Qual será a próxima marca a ser batida? Acho que não deve chegar aos sete títulos de Schumi. Porque a Fórmula 1 mudou muito nesse tempo e, para os próximos anos, as alterações serão ainda mais acentuadas. Mas Sebastian vai tentar. Porque os campeões gostam muito de superação.

domingo, novembro 03, 2013

COMEMORAÇÃO E CASTIGO



Hoje em dia, quando o assunto é esporte, creio que devemos parafrasear Nelson Rodrigues: toda comemoração deve ser castigada. Porque um atleta está proibido de tomar um porre de felicidade quando marca um gol, uma cestaça de três pontos do meio da quadra ou, no caso de Sebastian Vettel ontem, “zerar” a pista na qual sagrou-se vitorioso após um desempenho incontestável e digno dos maiores louvores.
Lembro-me muito bem: era noite de Liga de Basquete Feminino, e o Castelinho, lotado, foi palco de uma das primeiras apresentações do Maranhão Basquete. A vibração da torcida era espetacular. O pessoal levou até charanga. Com essa batucada empolgante, a galera vibrava demais com as cestas de Iziane e suas companheiras. Até que um dia o mestre de cerimônias daquelas partidas, João Marcus, anunciou que, “segundo as regras”, essa festa espetacular conduzida por instrumentos musicais devia se restringir aos intervalos.
Você que tem 30 anos e acompanha o nosso futebol certamente se lembra – ou deve ter pelo menos ouvido falar – das maneiras como Paulo Nunes (pelo Palmeiras) e Viola (então no Corinthians) comemoravam seus gols. Todas muito criativas. Paulo Nunes uma vez homenageou a Feiticeira, personagem vivida por Joana Prado que povoou o imaginário sexual de muitos cuecas. Ele marcou o gol, tirou uma máscara de dentro do calção e fez um arremedo da dança com a qual a hoje esposa do Belfort transformava os marmanjos em perfeitos babões e babaquaras. Viola, por sua vez, num Corinthians x Palmeiras, imitou um porco após estufar as redes do Verdão.
Toda essa tiração de sarro e de onda – que faz parte da essência do esporte desde que circunscrita aos limites da civilidade – foi terminantemente proibida por aqueles que se consideram mais realistas que o próprio rei.
Os mesmos que vetaram outros pilotos de repetirem a atitude maravilhosa de Ayrton Senna, de comemorar suas vitórias segurando com a mão esquerda uma bandeira do Brasil. Ou que exigem de um árbitro o castigo da aplicação do cartão amarelo para quem tira a camisa ou se joga nas arquibancadas – como fizeram alguns jogadores da Seleção na Copa das Confederações.
Pois faça a sua festa, Sebastian Vettel. Faça sua RBR girar e cantar os pneus depois de receber a bandeirada em primeiro nos grandes prêmios que disputar. Divirta-se, meu jovem!

domingo, outubro 20, 2013

A BOLA PUNE, TUBARÃO!

De relevante mesmo, na seara do automobilismo no fim de semana, foi Scott Dixon ter se consagrado tricampeão da Fórmula Indy na derradeira prova em Fontana, disputada no sábado. Graças a esse feito, o neozelandês escreveu seu nome na história da categoria – ao lado de feras como Rick Mears e Bobby Rahal.
Agora, se me permitem a liberdade, deixarei de lado as corridas e tratarei do que realmente interessa: as peripécias do Sampaio Corrêa na fase final da Série C do Brasileiro.
Como se sabe, Muricy Ramalho é um dos protagonistas do futebol brasileiro. Técnico de primeira linha, notabilizou-se pelos títulos e também pelas tiradas exemplares na hora de conceder as geralmente insípidas entrevistas pós-jogo.
Uma de suas frases maravilhosas resume bem o futebol como ele é jogado: “A bola pune”. Filosofia de bolso, desferida em doses homeopáticas, que também pode ser entendida como o famoso “Quem não faz leva”.
Pois o Sampaio pode ter jogado fora o acesso para a Segundona em razão de uma pane que tornou, por alguns (mas decisivos) minutos, uma jornada fácil em grande fonte de preocupações para a comissão técnica.
Não vi o segundo e o terceiro gol do Macaé. Vi o primeiro: uma excelente troca de passes, a bola de pé em pé, até estufar a rede defendida pelo bom, ainda que meio estabanado Rodrigo Ramos. O time fluminense mostrou por que classificou-se em primeiro no Grupo B. Por outro lado, também vi os cinco do Sampaio. As excelentes atuações de Kível e Lucas – cada um responsável por legítimos golaços – mostraram que o treinador Flávio Araújo entende muito bem que a reposição de peças é fundamental para uma campanha bem-sucedida em torneios de tiro longo, como é o caso do Nacional.
No fim das contas, a bola acabou punindo o Tubarão.
O Sampaio cansou, na reta final? Pode ter acontecido. No entanto, acredito que surgiu no segundo tempo o famoso salto alto. Pude percebê-lo em determinados lances, como o desnecessário toque de letra de Kível na grande área do Macaé e as defesas de efeito de Rodrigo Ramos, de “mão trocada”, mandando a bola para escanteio quando poderia muito bem agarrá-la sem problemas.
Não se está aqui torcendo contra. O Sampaio já mostrou que tem futebol suficiente para vencer ou mesmo arrancar um empate, no Rio de Janeiro.

Desde que o time,obrigatoriamente, sério e humilde do primeiro ao último minuto.

sábado, outubro 19, 2013

Piloto Luiz Razia acusa 'equipe B' da Red Bull de vender vaga na Fórmula 1

http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2013/10/19/piloto-luiz-razia-acusa-equipe-b-da-red-bull-de-vender-vaga-na-formula-1.htm

Do UOL, em São Paulo

LUIZ RAZIA, PILOTO BRASILEIRO QUE TENTA INGRESSAR NA FÓRMULA 112 fotos

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Luiz Razia conversa com a equipe Force India em treinos na Fórmula 1 Divulgação / Force India

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O piloto brasileiro Luiz Razia fez desabafo no Twitter neste sábado em tom crítico sobre uma suposta tentativa da Toro Rosso em vender a vaga. Segundo Razia, a escuderia austríaca há algum tempo vende uma de suas vagas a pilotos na Fórmula 1.
A Toro Rosso é controlada pelos mesmos investidores da Red Bull. A Toro Rosso nasceu após a Red Bull comprar a Minardi em 2005, transformando em Toro Rosso em 2006.
"Tem um rumor que estão vendendo a segunda vaga da Toro Rosso. Que novidade, estava à venda já a alguns anos :) mais alguma novidade?", postou o piloto no microblog.
Uma vaga da Toro Rosso segue em aberto para a próxima temporada.
Isso porque o piloto australiano Daniel Ricciardo acertou transferência para a Red Bull, herdando a vaga de Mark Webber, que se aposentará.
Baiano e de personalidade forte, Razia declarou em agosto que na Fórmula 1 o "dinheiro vem na frente do talento".
O piloto de 24 anos tenta ingressar na categoria.
Para isso, ele afirmou buscar pelo menos R$ 37 milhões com patrocinadores para ter espaço na equipe Marussia.

Você acha que pilotos devem levar patrocínios para suas equipes na F-1?

Resultado parcial
"É bom procurar uma vaga como piloto profissional, ao invés de pagar a vida inteira. Se tudo der certo, continuarei com meu foco na F1. Mas é difícil levantar 10 milhões [de libras esterlinas] hoje em dia. É bem complicado", falou o piloto, em agosto.
Luiza Razia fez testes em novembro do ano passado para a Toro Rosso em uma espécie de treinamento de novatos.
Mas a escuderia já tinha seus dois pilotos (Ricciardo e Vergne).
O piloto apresenta no currículo o título sul-americano de F3 em 2006, além do vice-campeonato na GP2 em 2012. Na Fórmula 1, Razia fez testes na Virgin, Lotus, Toro Rosso e Force India.
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LUIZ RAZIA, PILOTO BRASILEIRO QUE TENTA INGRESSAR NA FÓRMULA 110 fotos

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Bruno Bonifácio - É um dos destaques brasileiros na temporada na Europa. No entanto, ainda tem alguns patamares a cumprir antes de reivindicar uma oportunidade na F-1. Neste ano já testou por uma equipe da F-3, categoria de acesso superior à que se encontra Arte UOL