sexta-feira, julho 23, 2010

Comic Con 2010 - O Encontro de J.J. Abrams e Joss Whedom

Ontem, um dos paineis da Comic Con de San Diego reuniu dois dos mais importantes produtores de ficção das séries de TV americanas do momento: J. J. Abrams e Joss Whedon. O primeiro traz em seu currículo produções como “Alias”, “Lost” e “Fringe” e, o segundo, é conhecido por seu trabalho em séries como “Buffy, a Caça-Vampiros”, sua spinoff, “Angel”, “Firefly” e, recentemente, “Dollhouse”, entre outras.

Organizado em parceria com a revista EW, o painel, que colocou no mesmo espaço esses dois ícones da cultura ‘nerd’ (no bom sentido), tinha como objetivo discutir suas carreiras e experiências na produção de filmes.

Os dois já se conhecem desde os anos 90, quando ambos trabalhavam para a Warner com suas respectivas séries, “Felicity” e “Buffy, a Caça Vampiros”. Em uma discussão sobre qual o termo mais patético pelos quais já foram chamados, Abrams e Whedon disseram que ‘nerds mágicos’ foi o pior.

Apaixonado em contar histórias fantásticas, Abrams costumava admirar os trabalhos de maquiadores e especialistas em efeitos dos filmes que assistia. Enquanto os amigos escreviam cartas para atores e diretores, Abrams corria atrás da equipe de maquiagem de filmes como “O Exorcista”, do qual acabou ganhando de Dick Smith a língua da possuída, interpretada por Linda Blair.

Apesar de gostar de HQs, Abrams revelou que não chegou a se apaixonar pelo formato, embora tenha trabalhado em uma loja de revistas em quadrinhos. Para Abrams uma das produções que mais marcou sua infância foi a série “Além da Imaginação”. Quem assistiu a essa produção, será facilmente capaz de identificar a influência dessa série revolucionária, criada por Rod Serling e produzida entre os anos 50 e 60, no trabalho de Abrams.

Considerando-se o ‘idiota que gosta de fazer mágicas’, Abrams acredita que entrar para o universo dos filmes foi uma consequência natural em sua vida. Um de seus primeiros trabalhos na indústria cinematografia foi o de restaurar filmes em Super 8 produzidos por Steven Spielberg antes da fama.

Para Whedon, o sonho de entrar para o mundo do cinema era a única opção plausível para colocar em prática suas aspirações e ideias. Trabalhar com seriados de TV foi uma alternativa para pagar suas contas, mas, ao longo dos anos, descobriu se tratar de um veículo apaixonante, para o qual adora escrever.

Durante o painel, Whedon confirmou que será o diretor do filme “Os Vingadores/The Avengers”, notícia que já corria pela imprensa americana. Fã de histórias em quadrinhos, Whedon contou que foi introduzido a esse universo por seu pai, roteirista da “The Electric Company”, série educativa produzida pelo canal PBS entre 1971 e 1977. Um dia, seu pai trouxe para casa uma grande quantidade de revistas do Homem Aranha, personagem que o levou a se apaixonar pelos quadrinhos.

Sobre a tendência de lançarem filmes em 3D, Abrams se colocou contra, enquanto que Whedon demonstrou mais receptível ao formato, embora, com restrições, já que alguns filmes podem ser prejudicados pela limitação visual dos óculos. Para Whedon, é preferível optar pelo IMAX ao 3D.
Como exemplo de sua posição, Whedon comentou que seu novo filme, “Cabin in the Woods”, teve sua estreia adiada pela MGM porque o estúdio quer lançá-lo em 3D, embora, em sua opinião, o filme não precisa desse formato.

O roteirista e produtor está com vários projetos em andamento, o que vem atrasando a produção de uma sequência para “Dr. Horrible”, especial feito direto para a Internet, estrelado por Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother). Segundo Whedon, todos os envolvidos beneficiaram-se com a produção, mas, mesmo assim, ainda temem em investir na Internet, por se apoiarem em uma visão antiquada de como a máquina do entretenimento funciona.

Sobre o cancelamento de “Dollhouse”, Whedon acredita que tenha sido resultado do projeto certo para o veículo errado. Para ele, a série deveria ter sido exibida na TV a cabo. De qualquer forma, as ideias que tinha para a continuidade da série serão desenvolvidas através das histórias em quadrinhos, tal qual foi feito com “Buffy” e “Angel”. O cancelamento de “Dollhouse” trouxe para Whedon a consciência de que as vantagens conquistadas por ele na época em que produziu “Buffy” e “Angel”, para o canal WB, já não existem mais, muito menos com a Fox.

Abrams ainda não entrou nessa fase. O sucesso de “Lost” e do filme “Star Trek” lhe garantem benefícios como produtor de TV. Mas, para Abrams, o sucesso de “Lost” não garante a reprise da série ou o surgimento de novas produções com histórias contínuas, ao menos na TV aberta, visto ser difícil vender esse tipo de produto para canais regionais reprisarem (uma das principais fontes de lucro dos produtores e estúdios). Por isso, sua nova série, “Undercovers”, terá histórias fechadas, embora se apóie em uma trama contínua como pano de fundo.

Indagado sobre sua opinião a respeito do controvertido final de “Lost”, Abrams apoiou a decisão de Damon Lindelof e Carlton Cuse em dar à série um “extraordinário final emotivo”, afirmando que os produtores conseguiram fazer um trabalho incrível com a série.

Ao longo da produção, “Lost” afastou-se da concepção original, visualizada por Abrams. Mas, o produtor disse apoiar a decisão de Damon e Carlton em seguir seus instintos. Para Abrams, era necessário que os produtores fossem flexíveis, para que a história pudesse ter um desenvolvimento de forma a respeitar as necessidades que se apresentaram durante o decorrer da produção. “Ninguém poderia prever Michael Emerson (Ben)”, comentou Abrams.

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